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9.2.14

Psicotrópicos X Placebo

Do livro "Introdução a psicofarmacologia" (Introduction to psychopharmacology), de Malcolm Lader, Professor de Psicofarmacologia Clínica, Universidade de Londres:

Apesar de alguns estudos não conseguirem mostrar nenhuma vantagem significante da droga sobre o placebo, todos concordam que há alguns efeitos que podem ser obtidos nos pacientes crônicos, apesar que muito menos que nos pacientes agudos. Alucinações, delírios, ansiedade, tensão e agitação podem ser melhorados com drogas. De fato, acredita-se que outros sintomas como apatia e isolamento social--os chamados sintomas negativos--são refratários às drogas (resistentes às drogas, imunes às drogas).

Ou seja, de acordo com o próprio livro de psicofarmacologia, psicotrópicos funcionam bem como tranquilizantes. Mas o livro admite que além do efeito sedativo, os psicotrópicos não obtém nenhuma outra vantagem. Em outras palavras, os psicotrópicos não têm muita vantagem sobre o placebo. O que é placebo? Placebo é algo que parece remédio, mas não é de verdade; por exemplo, uma pílula de açúcar que parece remédio. Os psicotrópicos funcionam melhor com os pacientes agudos. Pacientes agudos são aqueles que têm uma crise, mas conseguem se recuperar mais facilmente, ao contrário dos pacientes crônicos, que já estão fora da realidade, sem poder interagir com o mundo.

O paciente agudo se beneficia dos psicotrópicos, provavelmente mais por causa do terapeuta (psiquiatra, psicólogo ou outro), aí a medicação deve servir mais como uma muleta para dar confiança ao paciente agudo, um PLACEBO praticamente. Mas o caso do paciente crônico, os psicotrópicos conseguem apenas frear o paciente, deixá-lo dormindo o tempo todo, mas não conseguem aliviar o sofrimento do paciente. Provavelmente, o que alivia o paciente agudo é mais o terapeuta. Mas e quanto ao paciente crônico, aquele que passa todos os dias em instituições como os Centros de Atenção Psicossocial, mas continuam totalmente fora da realidade? Mas e quanto ao paciente crônico, aquele que passa todos os dias em hospitais psiquiátricos? Infelizmente, o que tem acontecido é que passam muitos psicotrópicos para os crônicos, para deixá-los fora do ar o maior tempo possível.

O problema é que o paciente crônico está fora da realidade e não consegue expressar o quanto está sofrendo, e parece que ninguém se importa, desde que esse paciente crônico esteja "estabilizado", ou seja, dormindo o tempo todo, sem causar problemas para os funcionários das instituições psiquiátricas, sem causar problemas para as famílias. Esqueceram que mesmo os pacientes crônicos têm direito a QUALIDADE DE VIDA.

Original text in English for reference:

Extract from Introduction to psychopharmacology, by Malcolm Lader, Professor of Clinical Psychopharmacology, University of London:

Despite some studies that fail to show any significant advantage of drug over placebo, there is general agreement that some useful effects can be obtained in the chronically ill patient, although much less than in the acute patient. Hallucinations, delusions, anxiety, tension, and restlessness are particularly amenable to amelioration by drugs. Indeed, it has been suggested that other symptoms such as apathy and social withdrawal--so-called negative symptoms--are refractory to drugs.
Reproduction for educational and informative purposes only.

30.1.14

Desequilíbrio bioquímico no cérebro dos pacientes psiquiátricos

Aviso:
Antes de mais nada, é importante salientar que somente um médico pode mudar uma medicação. Portanto, NUNCA se deve deixar de tomar medicação por conta própria, nem aumentar e nem diminuir as doses por conta própria, pois é PERIGOSO.

O psiquiatra Dr. Peter Breggin fala sobre desequilíbrio químico no cérebro, no vídeo, cujo link se encontra abaixo, na parte em inglês:

Pense em como uma droga é selecionada para ser estudada como droga psiquiátrica. Bem, ela não pode ser estudada mostrando desequilíbrio bioquímico, pois nós não sabemos nada sobre desequilíbrios bioquímicos! A forma que uma droga é estudada é descobrindo uma droga que causa um desequilíbrio bioquímico no cérebro de um rato. Ela causa um desequilíbrio bioquímico no cérebro normal do animal. E isso que o prozac faz, o que paxil faz, o que zoloft faz, isso que abilify, risperdal faz, isso que as drogas psiquiátricas fazem. Elas atingem o cérebro, colocam uma toxina lá que muda as coisas de uma maneira que não dá para antecipar.

Como lítio foi estudado para tratar pacientes maníacos depressivos.
Trecho do livro Introdução à Psicofarmacologia por Malcolm Lader, professor de Psicofarmacologia Clínica, Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres:

Cade (...) injetou urina de pacientes maníacos em cobaias e descobriu que era tóxico, o principal agente de toxicidade sendo ureia. Ácido úrico parecia aumentar esta toxicidade e, em alguns experimentos o urato de lítio foi escolhido como um sal altamente solúvel. Inesperadamente, as cobaias ficaram protegidas da toxicidade da ureia e ficaram "tranquilizadas"*.
A reprodução é para fins informativos e educacionais.

*Cade, Dr. John Frederick Joseph Cade, que descobriu (em 1948) os efeitos do carbonato de lítio como estabilizador do humor.
**Aspas de "tranquilizadas" colocadas por Malcolm Lader, o autor original.



English

First of all, it is important to point out that only a physician can change a medication. NEVER stop taking medication on your own, and don't change doses up and down on your own, because it's DANGEROUS.

The psychiatrist Dr. Peter Breggin talks about biochemical imbalance in the video Peter Breggin, MD: Do You Have a Biochemical Imbalance?. From 05:31 to 06:24:

Consider how a drug is selected to be studied as a psychiatric drug. Well, it can't be studied by showing the correct biochemical imbalance, because we don't know about any biochemical imbalances! The way a drug is studied (...) is to find a drug that causes a biochemical imbalance in the brain of a rat. It causes a biochemical imbalance in the normal brain of the animal. And that's what prozac does, what paxil, what zoloft does, that's what abilify, risperdal does, that's all that psychiatric drugs do. They knock about in the brain, (...) put a toxin in there that changes things in which ways in which we can't anticipate.

How lithium was studied to treat manic depressive patients.
Extract from the book Introduction to Psychopharmacology by Malcolm Lader, Professor of Clinical Psychopharmacology, Institute of Psychiatry, University of London
:

Cade* (...) injected urine from manic patients into guinea pigs and found it to be toxic, the main agent of toxicity being urea. Uric acid seemed to increase this toxicity, and in some experiments lithium urate was chosen as a highly soluble salt. Unexpectedly, the guinea pigs were protected from urea toxicity and became "tranquilized".
Reproduction for informative and educational purposes.

*Cade, Dr. John Frederick Joseph Cade, who discovered (in 1948) the effects of lithium carbonate as a mood stabilizer.
**Quotation marks of "tranquilized" by Malcolm Lader, the original author.