27.10.09

Excerto do livro O Movimento de Usuários em Saúde Mental Nos Estados Unidos - Paciente X Usuário

O termo 'usuário' não é mais usado nos Estados Unidos para se referir ao que no Brasil e na Europa chamamos de usuários de serviços de saúde mental.

Lá, consumidores, constitui a expressão mais corrente, apesar de que outros termos também são usados por grupos minoritários para se referir a si próprios: o termo cliente, ou ainda sobrevivente, este último com claras conotações vitimizadoras.

(...)Todos estes termos apresentam vantagens e dificuldades, mas o que o movimento quer enfatizar com eles é a importância de buscar palavras e conceitos para induzir sentidos, idéias, lutas e práticas novas, mais coerentes com a idéia de 'empowerment', ou seja, de um usuário ativo e participativo no seu próprio processo pessoal, nos serviços e na sociedade, em troca dos velhos conceitos tais como o de 'paciente', de 'doente mental', que acentuam a passividade e a segregação. Richard Weingarten - O Movimento de Usuários em Saúde Mental nos Estados Unidos


Além do que pode ser visto no excerto acima vale lembrar que o CAPS é um CENTRO de Atenção Psicossocial, e não um hospital.

Ou seja, é um lugar para as pessoas CONVIVEREM, participarem de atividades, junto à comunidade, para se voltar para a comunidade.

É o lugar onde as pessoas deveriam ser RESSOCIALIZADAS, se desgarrando de todo estigma e trauma. Claro que fica um pouco difícil acabar com os estigmas chamando as pessoas de pacientes, como se elas ainda estivessem internadas.

É bem estigmatizador, por exemplo, quando usuários (ou clientes, como alguns preferem) estão jogando bola, com a comunidade, e vem um psicólogo, por exemplo, e os chama de pacientes!... A idéia é ter um jogo de futebol para inserir as pessoas na comunidade ou é uma consulta?

Não se iluda, os profissionais mais capacitados, aqueles engajados politicamente, já não usam o termo "paciente" há muito tempo.

Homossexualismo: certo como 2 e 2 são 5

Enquanto que eu acho perfeitamente normal aquele indivíduo que desde pequeno se comporta como se fosse do outro sexo, não posso dizer o mesmo daqueles indivíduos que se tornam homossexuais depois.

Pois é claro que uma menina que desde pequena já não gostava de brincar de boneca, passava a mão nas coleguinhas, não se depilava, etc, é claro que essa menina teve um processo natural, sempre gostou do mesmo sexo. Nada fora do normal.

(Aqui eu ia preferir o termo CERTO em vez de normal, já que normal não é necessariamente certo, e apenas segue regras impostas por aqueles que nos governam, apenas segue NORMAS.)

Por outro lado, aquele rapaz que acreditava gostar de mulheres e de repente, na vida adulta, fica nervoso ao ver homens trocarem de roupas no vestiário, não se pode considerar seu homossexualismo normal. Observe que aqui eu vou diferenciar HOMOSSEXUALISMO de HOMOSSEXUALIDADE.

Enquanto que alguém que sempre buscou sexualmente pessoas do mesmo sexo, isso naturalmente, e sempre mostrou uma homossexualidade completamente normal, quem se torna homossexual depois sofre com o homossexualismo. E naturalmente não poderia se adaptar a nova preferência sexual adquirida depois. Pois, por exemplo, uma mulher que acreditava gostar de homens, e idealizou um príncipe encantado, por exemplo. Ao se tornar "lésbica", como ela poderia, naturalmente, abandonar seus sonhos de uma vida? Pois vivendo como uma "lésbica", com certeza, o sonho do príncipe encantado iria para o espaço. E não poderia ser substituído pelo sonho da princesa encantada.

Assim como um homem DE BOM CARÁTER que sonhava constituir uma família TRADICIONAL COM UMA MULHER, ficaria complicado para ele realizar esse sonho depois de se descobrir homossexual. Como ele iria ter uma família TRADICIONAL? Levando uma vida dupla? Isso não seria vida.

O que quero dizer aqui é que É CLARO que qualquer pessoa que começou a se sentir homossexual depois de fazer planos heterossexuais NÃO É um homossexual natural, e precisa realmente de tratamento para voltar a sua condição heterossexual, pois nesse caso homossexualismo é doença. Homossexual natural procede como homossexual desde pequeno. Ninguém se DESCOBRE homossexual depois. A gente se DESCOBRE diabético, hipertenso, o que a gente descobre depois geralmente é doença. O menino homossexual se comporta de maneira feminina naturalmente, assim como a menina, e naturalmente não sentem atração pelo sexo oposto.

E é importante notar que homossexualidade não é fácil, como tentam nos fazer acreditar. Os homossexuais em sua maioria vivem marginalizados. Muitos homossexuais ASSUMIDOS se prostituem para viver. Há uma discriminação contra os transexs e transexuais, por exemplo. (transexuais e transexs, chamados popularmente de travestis.)Veja definições desses termos: AQUI.

Geralmente essas pessoas não são aceitas no mundo do trabalho. Já viu um transexual trabalhando em um escritório? Para os transexuais e transexs geralmente sobra o trabalho de cabeleleiro. Ou então sobra a prostituição. Daí eu me pergunto: por que psicólogos e psiquiatras querem incentivar as pessoas a entrar nessa vida, quando a pessoa não quer? Por que é normal?

Geralmente a sexualidade daquele que se descobre homossexual depois é vazia. É um nomadismo sexual. Ele tinha planos heterossexuais. Uma vez homossexual sua vida perde o rumo. Os sonhos perdem o valor. A sua vida se torna uma eterna busca pelo prazer, porque o psiquiatra e o psicólogo disseram que é o melhor para ser feliz.

Quando era heterossexual esse(a) homossexual tinha um grande leque de opções para encontrar um parceiro(a). Depois de se tornar homossexual essa pessoa praticamente tem que se prostituir, pois encontrar um parceiro se tornou bem mais difícil. Pois a maioria da população é heterossexual. E quando se consegue um parceiro, vale tudo, afinal, é tão difícil encontrar um.

Um processo que NATURALMENTE é bem mais fácil para o homossexual natural, é uma complicação para aquele que se torna homossexual depois. Pois esse está se apresentando a uma nova vida, que psiquiatras e psicólogos insistem em dizer que é normal.

Não confundir com aqueles que se tornaram homossexuais DEPOIS voluntariamente. Esses encontraram um caminho melhor para si, OPTARAM por isso. Ao contrário daqueles que tinham planos heterossexuais e, de repente, se encontraram confusos achando que estavam se tornando homossexuais.

Esses confusos precisam de ajuda, de tratamento, pois não são homossexuais, na verdade. Estão sofrendo com o homossexualismo, que nesse caso é doença.

Por isso, graças a Deus que existem psicólogos como Rozangela Rufino, que aceitam tratar dessa doença!

São realmente abençoados aqueles homossexuais que conseguem se estruturar e se casar. Pois os homossexuais de verdade também têm sonhos.

24.10.09

Blog de Psiquiatra critica Profissão Repórter

O blog do Rogelio Casado falou do papelão do Profissão Repórter, que passou a poucos dias, falando da situação da psiquiatria no Brasil, mostrando instituições psiquiátricas e a marcha dos usuários a Brasília.

Eu nem precisei me manifestar dessa vez. Nem precisei de criticar a forma cheia de estigma que a Globo retratou os pacientes psiquiátricos, ex-pacientes psiquiátricos e até quem não tinha nada, mas que o repórter achou que tinha cara de doido.

(Como pessoas que estavam andando na rua e o repórter foi entrevistar pensando que a pessoa é doente mental só porque a pessoa é excêntrica.)

Veja a postagem Crítica ao Profissão Repórter - Loucura no blog do psiquiatra Rogelio Casado.

É uma pena que o blog do Rogelio Casado criticou mais a parte em que os repórteres buscavam mostrar que o eletrochoque hoje em dia é muito mais humano. Eles criticaram a parte da reportagem que falava sobre ECT, Eletroconvulsoterapia, eletrochoque.

É que eu não exatamente contra eletrochoque. Sou contra eletrochoque a força. É que existem pessoas que dizem que se beneficiaram do eletrochoque, então para que ser radical?

Claro que ninguém deve ser tomar eletrochoque sem seu consentimento.

19.10.09

Psicotrópicos ajudam na recuperação de lesões e podem ser usados contra tumores

Essas são as últimas notícias que eu tive acesso!

Antidepressivos podem ajudar na recuperação de lesões da medula espinhal! E drogas antipsicóticas podem ser usadas contra tumores!

Você pode ver mais detalhes no blog de notícias Paciente Psiquiátrico, nas postagens Antidepressivos ajudam na recuperação de lesão espinhal e Estudo diz: Drogas antipsicóticas podem ser usadas contra tumores.

Você pode também checar a página em inglês da Reuters, que tem uma dessas notícias.

Fico feliz com tais descobertas. É claro que tanto o antidepressivo no auxílio da lesão espinhal, quanto os antipsicóticos na recuperação de tumores são administrados em doses baixas, com cautela. Veja isso nos artigos.

É claro que encher as pessoas dessas drogas psicotrópicas (como fazem com pacientes psiquiátricos) só faz mal. Mas no caso desses estudos as drogas foram bem administradas, é claro, sem que as pessoas tivessem que tomar as drogas pelo resto da vida.

(Colocar pessoas para tomar drogas pelo resto da vida sem um diagnóstico preciso só acontece na psiquiatria. Ainda bem que existem uns poucos BONS PSIQUIATRAS que se recusam a seguir essa regra absurda e suspendem a medicação de seus pacientes.)

Em um outro momento alguém me criticou achando que eu era contra a administração de drogas. A pessoa dizia que as drogas podem ser usadas para fins positivos, se bem administradas. E é isso que essas últimas notícias vêm provar.

Só para terminar: drogas psicotrópicas, medicações psiquiátricas podem sim ajudar a pessoa no momento do surto incontrolável, quando todos os outros recursos se esgotaram. Mas é claro que não há necessidade de manter a administração dessas drogas depois que o surto é controlado.

Vale dizer também que em minha experiência como paciente psiquiátrico, usuário de saúde mental, eu já conheci algumas pessoas cujos psiquiatras foram razoáveis o bastante para suspender toda medicação e as pessoas ficaram muito bem.

Portanto não estou tratando aqui de algo que não pode ser aplicado. Só é necessário consciência da parte dos profissionais de saúde mental. Pra que ficar alimentando indústrias farmacêuticas?

17.10.09

Ressocialização X Dessocialização do Paciente Psiquiátrico

Escolhi a palavra dessocialização para descrever o que nosso sistema de saúde mental faz com o paciente psiquiátrico. Enfim, o que o sistema faz com qualquer um que faz um tratamento psiquiátrico. Me refiro principalmente ao sistema público de saúde mental, aos cuidadores em saúde mental das instituições psiquiátricas públicas.

Entendemos como DESSOCIALIZAÇÃO o ato de TIRAR a pessoa do convívio social MAIS AINDA. Com certeza o sistema de saúde mental não dessocializa de propósito. Talvez por falta de interesse. Ou por falta de preparo.

Tem aquele familiar que não aguenta o paciente psiquiátrico em casa e o envia para o CAPS ou para o hospital psiquiátrico...

Se a pessoa estiver num nível que o CAPS aguenta, ela fica no CAPS... mas se nem o CAPS o aguentar o enviam para o hospital psiquiátrico, onde ele estará amarrado ou sedado demais e não causará problemas.

Mas se o CAPS o aceitar, infelizmente o CAPS só o larga num canto, pois não sabe como lidar com ele. Existe o paciente que fica insuportável por estar em crise, e aquele que é insuportável o tempo todo.

O que é insuportável o tempo todo apenas tem um comportamento que as pessoas não aguentam, exemplo: zomba dos outros, ri, agarra pessoas do sexo oposto, etc, sem violência. Esse comportamento naturalmente poderia ser controlado com uma reeducação do comportamento. Mas em vez disso a pessoa é rotulada de "PACIENTE GRAVE", PACIENTE PSIQUIÁTRICO GRAVE. (Ninguém merece!)

Ou seja, a pessoa acaba dessocializada, perdendo mais ainda sua vida social, já que ela é um "paciente grave", que é apenas tolerado na sociedade. É, mais ou menos, visto como um bicho.

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás

Vamos ver: veterinários conseguem controlar o comportamento dos animais, educando-os, e chegam a ensinar os donos de animais de estimação a controlá-los também. Terapeutas conseguem controlar o comportamento de crianças levadas. A SuperNanny, é um exemplo. Ela controla as crianças e ensina os pais a manter o controle.

Claro que as táticas dessa pedagoga Cris Poli (SuperNanny) e desses veterinários são assustadoras. Me lembram o Hitler e o Mussolini... Mas, francamente, é melhor que entupir uma pessoa de drogas, ou jogá-la num canto.

Quem me dera se para me imobilizar no surto eles me acertassem com um dardo tranquilizante, como fazem com os leões. É mais discreto. É menos violento. Seria mais agradável que ser agarrado pelo pescoço e ser intimidado por gritos ameaçadores e tomar uma injeção a força.

O que eu quero dizer é que os terapeutas em saúde mental poderiam desenvolver técnicas para ressocializar as pessoas através do comportamento. Ou seja, buscando alertar e conscientizar a pessoa sobre sua conduta na sociedade. Reeducá-la. Impor limites, como diz a SuperNanny.

E deveria haver terapeutas preparados para ENSINAR os familiares a conviver com os pacientes psiquiátricos mais problemáticos. Assim não haveria a necessidade de mandá-los para o CAPS ou para a internação por não suportá-los. Como a SuperNanny ensina os pais a lidarem com os filhos. Mas tem que endurecer sem perder a ternura, é claro. Como diz Che Guevara.

E é claro, ajudar a pessoa a se reinserir na sociedade, não apenas segurá-la.

16.10.09

Paciente psiquiátrico ou ex-paciente psiquiátrico?

Me preocupa o crescente número de pessoas se declarando PACIENTE PSIQUIÁTRICO com orgulho. É que paciente psiquiátrico na verdade é quem está internado num hospital psiquiátrico, e não quem está em tratamento ambulatorial. E, lógico, não é motivo de orgulho.

O nome deste blog é PACIENTE PSIQUIÁTRICO por um trocadilho, um jogo de palavras, como eu já disse inúmeras vezes. Eu sou PACIENTE PSIQUIÁTRICO, pois tenho PACIÊNCIA. Paciência, inclusive, para aguentar ser chamado de paciente o tempo todo no CAPS.

É chato e desagradável ver que os profissionais que lá trabalham aparentemente desconhecem a história da saúde mental no mundo, desconhecem a história do estigma. É chato ver que nossos governantes não se preocuparam muito com a formação desses profissionais. Do contrário não chamariam usuários de CAPS de pacientes. Eu até entendo que um psiquiatra, numa consulta, chame um usuário, cliente do CAPS, de paciente.

Numa consulta é normal a gente ser paciente de um psiquiatra, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional... mas o perigo é quando a gente vira paciente da enfermeira, do copeiro, do faxineiro, do segurança, do pedreiro que vem fazer obra no CAPS, enfim, o problema é quando TODO MUNDO ESTÁ CHAMANDO A GENTE DE PACIENTE indiscriminadamente. Esse pessoal nem dá consulta para gente. Aí virou bagunça. (NOTA: é claro não é apropriado psiquiatras e terapeutas chamarem a gente de paciente fora de uma consulta. Lugar e momento de chamar de paciente é nas consultas.)

Mas o problema é que o CAPS é um CENTRO DE CONVÍVIO. As pessoas não fazem consultas o tempo todo. Elas convivem lá o tempo todo, e num tempo menor fazem consultas. Se o objetivo é RESSOCIALIZAR o melhor seria evitar de chamar as pessoas de PACIENTES o tempo todo, já que esses usuários de CAPS passam grande parte de seu tempo nos CAPS. (Se não a maior parte do tempo.)

E se essas pessoas são chamadas de pacientes no lugar que deveria RESSOCIALIZAR realmente elas estão sendo condenadas a viver no hospício para sempre, pois quando esses profissionais DESQUALIFICADOS chamam as pessoas de pacientes psiquiátricos o tempo todo eles estão praticamente dizendo "você é doente, está INTERNADO no hospital por isso", e CAPS não é hospital, nem internação. Ou não deveria ser.

Por isso existem certos usuários no CAPS que vivem pedindo ALTA. Os profissionais do CAPS dizem para a pessoa que ela não está internada. Mas a pessoa continua pedindo alta. Se ela não está internada, por que é chamada de paciente o tempo todo? Por isso o ambiente parece uma internação. Infelizmente. Se a maior parte de seu tempo você é chamado de paciente você está internado, caramba!

Em resumo, você que segue um tratamento psiquiátrico não é PACIENTE PSIQUIÁTRICO o tempo todo. Era quando estava INTERNADO. É quando está fazendo uma consulta. Observe que fora do hospital psiquiátrico Austregésilo Carrano se auto-denominava EX-PACIENTE PSIQUIÁTRICO. Assim como outros ativistas dos movimentos de usuários (consumidores) de saúde mental. (Movimentos dos EUA, já que no Brasil tais movimentos infelizmente inexistem, como já disse anteriormente.)

Para você profissional de saúde mental que tem interesse em se preparar um pouco mais eu sugiro que leia CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano e O MOVIMENTO DE USUÁRIOS EM SAÚDE MENTAL DOS ESTADOS UNIDOS, de Richard Weingarten, só pra começar.

P.S.: Eu não pretendia fazer uma postagem sobre esse tema, queria fazer apenas uma nota breve. Mas esse assunto dá pano pra manga.

Nota sobre o CAPS Rubens Corrêa

Algo que eu não comentei aqui é que, contrariando todas minhas espectativas, a administradora e a nutricionista do CAPS que iam sair do serviço por ordem dos políticos da saúde mental acabaram ficando no serviço.

Isso provavelmente graças ao abaixo assinado feito pelos usuários. Isso muito me surpreendeu, pois nunca levei esses políticos da saúde mental a sério. E essa atitude deles foi um sinal de seriedade.

Isso também mostrou que eles estão dispostos a ouvir os usuários, pelo menos em parte. Se ao menos nós usuários de saúde mental, EX-pacientes psiquiátricos, nos organizássemos... nos informássemos...

Claro que aparentemente esses políticos de saúde mental parece que ficam felizes com a nossa desinformação. Já que eles não fazem nenhum esforço para informar os usuários sobre seus direitos. Assim nós não reclamamos, e logo eles não precisam fazer nada.

No momento o CAPS Rubens Corrêa está passando por obras, e os trincos foram colocados nas portas dos banheiros, além de outras obras, como pintura e outros serviços de manutenção. E apesar do péssimo hábito de chamar a gente de PACIENTE, a equipe de profissionais está bem entrosada.

O pessoal que trabalha na faxina, na cozinha, na segurança, estão todos tratando bem aos usuários. Assim como os psicólogos, enfermeiros, etc. Claro que falta psiquiatra no CAPS. Mas por mim tudo bem. Se for pra vir um psiquiatra COMETA melhor que não venha ninguém.

Quanto às oficinas eu devo sempre lembrar que é bom que a nutricionista e a administradora tenham continuado trabalhando no CAPS, já que elas coordenam uma oficina de grande importância que é a oficina de sexualidade.

Ultimamente tenho participado da oficina de futebol, coordenada por uma psicóloga. Até tivemos um jogo contra o CAPS de Bangu, e conseguimos arrancar um ótimo resultado: perdemos só de 10 a 3. Ãh, pode ter certeza que eu sou o maior perna-de-pau do time.

O único problema do futebol é que nos treinos uns estagiários participam para completar o time, e tem uns psicólogos que deixam até pernas-de-pau como eu fazer gol. Acho que é uma terapia para a gente se sentir melhor...

PAZ E LIBERDADE.

10.10.09

Pesquisa: Algumas pessoas saram do transtorno bipolar

Deborah Mitchell

Os sintomas do transtorno bipolar geralmente começam durante o início da fase adulta, e especialistas acreditavam que durariam toda a vida. Mas uma nova pesquisa indica que quase metade das pessoas que são diagnosticadas com transtorno bipolar entre as idades de 18 e 25 podem sarar da condição quando chegam aos 30 anos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Health), o transtorno bipolar caracteriza-se por graves e estranhas mudanças no humor, energia, níveis de atividade e na habilidade de fazer as tarefas do dia-a-dia. Também conhecida doença maníaco-depressiva, o transtorno bipolar pode ser difícil de diagnosticar, pois os sintomas parecem problemas diferentes em vez de parte de uma síndrome.

Pesquisadores da Universidade de Missouri analisaram os resultados de duas grandes pesquisas nacionais e descobriram que há diferenças significantes na prevalência do transtorno bipolar ao passo que a pessoa fica mais velha. Os investigadores descobriram que 5.5 a 6.2 por cento das pessoas entre as idades de 18 e 24 tem transtorno bipolar [sic], mas a prevalência cai para cerca de 3 por cento em pessoas com mais de 29 anos de idade.

Um possível motivo para a mudança, de acordo com Kenneth J. Sher, professor no Departamento de Ciências Psicológicas (Department of Psychological Sciences) e co-autor do estudo, poderia ser o estresse associado as mudanças da vida e as expectativas sociais experimentadas por jovens adultos que estão entre 18 e 24 anos.

De acordo com a Mayo Clinic, outras causas possíveis incluem mudanças bioquímicas. Estudos em imagiologia mostraram que pessoas que têm transtorno bipolar têm algumas mudanças físicas no cérebro, apesar de a significância dessas mudanças ainda ser desconhecida. Hormônios podem influenciar também. Genética também pode ser um fator, já que a condição acontece em famílias.

Se os reultados desse estudo estiverem corretos, muitas pessoas que têm transtorno bipolar poderão aguardar o dia em que eles não precisarão mais tomar as medicações que geralmente são necessárias para controlar a doença. Antidepressivos, estabilizadores de humor, medicações para controlar as crises, e vários ansiolíticos e antipsicóticos são prescritos, e alguns pacientes precisam de mais que uma droga para controlar seus sintomas de maneira adequada. São muitos os efeitos colaterais. Antipsicóticos aumentam o risco de diabetes, pressão alta e obesidade, enquanto que estabilizadores de humor são perigosos para mulheres que estão grávidas ou amamentando.

Fontes:
Mayo Clinic
Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Health)
Setor de notícias da Universidade de Missouri (University of Missouri news bureau, Sept. 29)


Veja a notícia no artigo original em inglês: siga o link Some People Outgrow Bipolar Disorder

E veja mais em Estudo diz que grande porcentagem dos casos de transtorno bipolar saram naturalmente aos trinta.

Realmente é muito satisfatório ver que os psiquiatras que gostam de prescrever psicotrópicos estão ficando cada vez mais sem chão.

5.10.09

Pessoas mortas por descaso em hospitais psiquiátricos - Por que isso não aparece em reportagens?

Observando as investidas da Globo no tema saúde mental, a Record não quis ficar atrás e começou a investir também. Já não é de hoje que podemos observar o tema DOENÇA MENTAL sendo abordado nas novelas da Record.

Tenho que admitir que eles tem abordado o tema até melhor que a Globo. (Aqueles que detestam a Record vão ficar paus da vida comigo, assim como aqueles profissionais de saúde mental com escrúpulos duvidosos que transformaram os hospitais psiquiátricos do Rio em set de filmagem.)

Por exemplo, passou na Record uma novela nada séria, e até ridícula, Os Mutantes. A novela era ridícula, mas eles abordaram o tema da depressão com seriedade. Falaram sobre necessidade de tratamento, sobre os sintomas, etc. O que não quer dizer que eu concorde com o que eles falaram da depressão e da psiquiatria.

Apenas acho que eles não banalizaram a coisa. Como a Globo fez, ao mostrar um Tarso agressivo acima do normal da doença mental, dando tiro nas pessoas, e gerando mais estigma!!!!

A atual novela Poder Paralelo também aborda o tema. Também tem uma moça que sofre de depressão.

Além de abordar a temática nas novelas, a Record também tem feito uma série de reportagens sobre a situação dos pacientes psiquiátricos no Brasil. Mas infelizmente a Record é totalmente SENSACIONALISTA nessas reportagens.

Muito mais sensacionalista que as reportagens da Globo e do SBT (que de vez em quando também aborda o tema.)

Infelizmente as três emissoras de TV têm algo em comum: tanto a Globo, quanto a Record e o SBT retratam o paciente psiquiátrico como alguém incapaz de pensar racionalmente, e que só delira, e de vez em quando fala uma coisa racional. (Isso especialmente nas reportagens.)

No Repórter Record eles fizeram questão de mostrar dois pacientes HOMENS se beijando NA BOCA, no que eles chamaram de crise. Francamente, para que mostrar uma coisa constrangedora dessas? Não que seja constrangedor um homem beijar outro na boca, mas a forma que eles narraram a cena foi constrangedora.

Você pode ficar certo que na maioria dessas reportagens os pacientes psiquiátricos fizeram DENÚNCIAS contra psiquiatras, psicólogos e direção das instituições.

Mas infelizmente os repórteres evitam, cortam qualquer denúncia de usuários dos serviços de saúde mental. Quando o SBT foi fazer uma reportagem no CAPS Rubens Corrêa a repórter e o câmeraman presenciaram a diretora chamando um usuário do CAPS de fdp e mandando tomar no c. e, é claro, não publicou nem uma nota sobre isso.

Se o usuário de saúde mental foi xingado, é claro que ele estava errado e mereceu. Pra que lembrar disso? (Eu estou sendo irônico, pô!)

Como a imprensa nos vê dessa forma, fazemos denúncias que não são publicadas. Há casos sérios de mortes covardes, irresponsabilidades de diretores e profissionais de hospitais psiquiátricos que são comentados pelos usuários de saúde mental do Rio de Janeiro. Irregularidades que aconteceram no Instituto Philippe Pinel, no Nise da Silveira, e até no CPRJ.

Eu frequento encontros de usuários de saúde mental e escuto essas queixas o tempo todo. Mas eles iam mostrar usuários falando de mortes acontecidas em hospitais psiquiátricos do Rio de Janeiro na novelinha da Globo? Claro que não!!!!

Iam mostrar essas denúncias nas reportagens? Claro que não!!! Nós somos os agressivos da história. Nós é que matamos, damos tiros nas pessoas... (Estou sendo irônico de novo!!!)

Novela: homem homossexual não resiste a mulher

Como já devo ter deixado claro, esse é um blog que apoia a livre escolha da sexualidade, ou seja quem quer ser homossexual, que seja, quem quer ser gay que seja. Mas acredito que quem quer ser heterossexual (depois de ser homossexual) também deve ter sua vontade respeitada, sem preconceito.

Por isso deixo o cena da excelente novela Caras e Bocas, onde um homossexual, ou ex-homossexual (depende de seu ponto de vista) se apaixona por uma mulher. Não acompanho a novela, mas acho que os dois já devem ter se casado. Meus parabéns a Walcyr Carrasco, pois geralmente a Globo mostra homossexuais que não tem nada ver com nada. (Apesar desse ex-gay ser meio estereotipado. Onde já se viu ex-gay chamar homem de bofe e mulher de perua? E quanta frescura!!!) Parece que quer apenas agradar o movimento gay. (Assim como a novela Caminho das Índias parecia querer agradar os psiquiatras e cia.) Claro que o movimento gay não gostou muito disso. (Veja mais sobre isso na página Walcyr carrasco defende o personagem ex-gay.) Mas fazer o quê? Todos têm o direito de escolher sua sexualidade. É uma pena que alguns grupos queiram IMPOR sexualidade às pessoas, dizendo que quem nasce homossexual morre homossexual.

Movimento gay, com todo respeito e consideração: por esse tipo de comportamento algumas pessoas estão começando a usar o termo heterofobia para descrever quem quer que as pessoas permaneçam gay.

Em tempo: tempos atrás recebi um e-mail de um representante do movimento gay reclamando de algumas das informações que coloquei aqui sobre a perseguição a psicóloga Rozangela Rufino que promove terapia para ajudar quem não quer ser homossexual. Acabei não respondendo ao e-mail dele, não por indelicadeza,já que até apreciei muito o contato que ele fez. É que ele mandou o e-mail para meu MSN, que eu geralmente uso para MENSAGENS INSTANTÂNEAS, e raramente para ver e-mail.

De qualquer forma,apenas copiei a notícia do Yahoo, e realmente não pretendia ofender ninguém em particular. Pessoalmente sempre apreciei o movimento gay, inclusive já participei de reuniões do grupo, apenas acho que ultimamente esse movimento tem estado um pouco radical. Só isso.

E Para terminar gostaria de deixar uma bela piada de "viado". (Desculpe o termo ofensivo). :) Do humorista Espanta! Não é uma piada homófoba, de jeito nenhum, mas não é aconselhável para crianças. (De acordo com nossos padrões morais. Apesar de só conter palavrões.) Quer dizer, a piada usa uns termos que podem ser considerados ofensivos, mas conheço muitos homossexuais que aceitam esses termos sem problema.