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16.6.14

Grupo de trabalho do Encontro da Luta Antimanicomial - Discriminação exposta!

Estávamos naquele grupo eu e outro ex-paciente psiquiátrico e alguns familiares e diversos técnicos de saúde mental. O grupo era coordenado por uma técnica, é claro. E havia uma RELATORA, a pessoa que escreve as propostas, que também era técnica.

O grupo era sobre LEITOS DE ATENÇÃO INTEGRAL NA COMUNIDADE. Eu e esse meu companheiro usuário já havíamos discutido com outros usuários a necessidade de TRANSFORMAR TODOS hospitais psiquiátricos existentes em CAPS III o quanto antes. E havíamos combinado que colocaríamos essa proposta nesse Encontro de São Bernardo do Campo.

Quando meu companheiro começou a falar não foi levado a sério. É aquela velha história. Queriam fazê-lo parar de falar logo para deixar um psicólogo* importante falar. O que usuário fala não é importante PARA ELES.

Apesar de tudo isso eu preparei um texto resumido com nossa proposta para não falar mais que o necessário.

Chegando a minha hora de falar coloquei a proposta com grande entusiasmo, certo de que todos apreciariam meus esforços para relatar aquele desejo de nós usuários.

No final do grupo começaram a discutir as propostas. E o interessante é que nem mencionaram o que eu tinha proposto como representante de usuários. Aí eu quis saber por que não estavam falando de nossa proposta.

Eles tentaram enrolar. Daí eu suspeitei de uma coisa bem chata: parecia que eles sequer tinham se dado ao trabalho de anotar minha proposta. Ah, mas eles diziam, "ora claro que anotamos, está aqui. Nós estamos discutindo sua proposta, você que não está percebendo". Aquelas mentiras de sempre, como se fôssemos totais otários.

Não tinha uma coisa que eu podia fazer para desmascará-los. Adivinha.

Eu pedi para que eles lessem a proposta que eu tinha anotado cuidadosamente em meus papéis e lido para eles anotarem nos papéis deles.

Eles não puderam ler, é claro, porque eles não tinham perdido tempo anotando proposta de usuário.

Falei para eles que discriminação é coisa séria. Expressei como é impressionante nós usuários estarmos sofrendo discriminações assim tão descaradas.

A minha vontade era denunciar, pois tal ato discriminatório é considerado crime, mesmo no Brasil.

Claro que eu sei que a justiça não pune tais figurões poderosos, mas também sei que uma denúncia formal ia deixá-los mal politicamente.

Não denunciei, pois sei que isso não ia só prejudicar a Luta Antimanicomial, mas também daria vazão para outros grupos de políticos se aproveitarem da situação para rebaixar a Luta Antimanicomial e levantar seus movimentos políticos. Isso só ia agitar essa luta política egoísta.

Observe, antes de mais nada, que a proposta era contra os ideais dos políticos da saúde mental, pois me parece que CAPS III não dão o retorno financeiro OU POLÍTICO que os hospitais psiquiátricos dão.

Manter CAPS dá mais trabalho. Sabe como é que é... hospital psiquiátrico é mais fechado e ninguém vê nada, logo ninguém reclama. Como o CAPS é mais aberto, dá mais trabalho. Eles são partidários do menor esforço.

Mesmo quando esse menor esforço custa várias vidas.

Publicado originalmente no dia 8 de julho de 2010. Lembrando que o Encontro Nacional da Luta Antimanicomial deste ano está começando.

Nota:
*Eu fiz algumas correções nesta atualização: antes eu tinha colocado que se tratava de um psiquiatra importante, mas na verdade era um psicólogo que eu achava que era psiquiatra.

20.11.12

TRATAMENTOS ALTERNATIVOS SEM PRECONCEITO - JÁ ESTÁ NA HORA DE TODOS OS PSIQUIATRAS CONHECÊ-LOS

Devotei boa parte deste site (blog) para os tratamentos alternativos. Clique em TRATAMENTO ALTERNATIVO e leia mais.

Pude observar que a maioria dos psiquiatras sequer conhece psiquiatria ortomolecular, nem sabe trabalhar com homeopatia. Para conhecer essas áreas de atuação é preciso ESTUDAR MUITO, e infelizmente a maioria dos psiquiatras são pessoas muito acomodadas.

Há muitos preconceitos contra os tratamentos naturais. Inclusive ainda há uma antipatia da parte dos médicos tradicionais contra a medicina alternativa. Inveja. Pura inveja da concorrência mais qualificada.

O testemunho de várias pessoas que optaram pelo alternativo comprova que o preconceito e a antipatia são infundados. E é óbvio que provavelmente seria melhor se houvesse algo como psiquiatria ortomolecular na saúde mental pública. Se houvesse, provavelmente eu não teria tido os últimos surtos.

Em resumo: psiquiatria química não funciona, não adianta discutir isso. A psiquiatria tradicional, que usa os antigos psicotrópicos afastam os pacientes por causa dos efeitos colaterais, como me afastou. Por isso NUNCA poderia dar certo.

Apenas aconselho aos psiquiatras que se atualizem, pois com certeza não vão convencer todo mundo o tempo todo de que a antiga psiquiatria química é o melhor. Melhor se qualificarem, estudar, para aprender a usar homeopatia e psiquiatria ortomolecular. A fila anda!

Óbvio que outros motivos me levaram a me afastar do famigerado sistema público de saúde mental.

RELEMBRANDO OS MOTIVOS QUE ME AFASTARAM DO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE MENTAL

Ainda hoje em dia existe internação involuntária e pessoas são amarradas em camas e sofrem agressões em hospícios de renome como o Instituto Philippe Pinel e o Instituto Nise da Silveira. Isso é INADMISSÍVEL.

Dificultaram minha permanência no CAPS, em parte por causa de minhas reivindicações por um serviço melhor, o que incomodou muita gente do sistema.

Os grupos do CAPS ERAM bons, mas AINDA precisavam melhorar. A interação entre os usuários era boa e proveitosa, porém a intromissão dos técnicos de saúde mental ESTRAGAVA. Mas mesmo assim, no passado havia profissionais mais preparados e dedicados ao serviço. E os usuários tinham mais voz nos CAPS.

Ultimamente chegam aos CAPS profissionais recém formados e sem nenhuma devoção. E o preparo universitário deles está CADA VEZ PIOR, principalmente porque a educação no Brasil caiu muito em qualidade. E esses profissionais geralmente são CARREIRISTAS, não permanecem muito tempo nos CAPS.

A ong de informática CDI ofereceu melhores atividades aos CAPS por onde passou, inclusive assinando a carteira de alguns usuários e inserindo-os no mundo do trabalho. O projeto de informática, infelizmente não recebe das autoridades o valor merecido e é interrompido a cada dois anos por burocracia. ISSO TEM QUE MUDAR.

É ESSENCIAL incluir digitalmente usuários de saúde mental, pois estamos na era da tecnologia. Não há mais lugar para as ridículas oficinas antiquadas que eles ainda mantêm hoje em dia.

Hoje em dia os CAPS estão bem deficientes, parando no tempo. Alguns pacientes psiquiátricos decidem entrar para área de saúde mental, acreditando que podem mudar alguma coisa. Mas...

O SISTEMA CORROMPE

Eu sigo empreendendo uma batalha por melhorias nos serviços psiquiátricos, mas não me tornaria um profissional de saúde mental, não agora, quando o sistema AINDA não funciona.

Além disso, é UM SISTEMA. Não seria possível mudar um sistema trabalhando para o tal sistema. Vai contra a lógica.

Sistemas são feitos de HIERARQUIA. Quem entra no sistema se torna parte do sistema, pois tem que obedecer a hierarquia. Eu tenho ideias melhores. Sou um estrategista. Não cometo esse erro.

De fato, vários amigos meus, pacientes psiquiátricos, estão se tornando profissionais de saúde mental. Receio que venham a fazer parte do sistema e que no futuro eu esteja lutando contra eles. Eles não têm ideia de como o sistema ENGOLE. Hoje são meus amigos. No futuro, talvez, estejam me amarrando numa cama e dizendo que é o melhor.

Esse é um dos motivos que me fazem me empenhar para quebrar esse sistema falho o quanto antes.

(Esta publicação é uma reflexão, uma atualização, uma exposição de estratégias. Longa, eu sei. Assim são estratégias. Não são para ser lidas por preguiçosos. Nada mais que um preparo para uma batalha a ser desenvolvida contra o sistema público de saúde mental, um sistema que corrompe.)

31.10.12

Combatendo a discriminação social do sistema psiquiátrico público (A Catherine)

O Jornal do Brasil Online publicou uma matéria sobre um homem de 44 anos que se mudou de Bonsucesso, Zona Norte do Rio, para a calçada defronte ao Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas Centra-Rio, localizado em Botafogo, na Zona Sul carioca. O homem fez isso para receber um tratamento razoável para sua dependência do crack e da cocaína, pois não tem dinheiro para pagar um bom atendimento particular.

Evidentemente há o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas RAUL SEIXAS, que fica bem próximo da casa do paciente supra-citado, mas o atendimento é muito deficiente, faltam recursos materiais e humanos. Como o CAPS Centra-Rio fica na parte rica do Rio de Janeiro, o atendimento é muito melhor que o da parte pobre.

Os profissionais dos CAPS e instituições psiquiátricas da Zona Sul não gostam de atender quem mora na Zona Norte, e o atendimento psiquiátrico na Zona Norte é muito precário, pois nenhum rico mora na Zona Norte, Zona Norte não é turística.

Acho que não preciso dizer que eles não gostam de atender pessoas da Zona Norte por DISCRIMINAÇÃO. Pois o sistema público de saúde mental é dividido em ÁREAS.

Minhas duas últimas internações foram em Botafogo, Zona Sul do Rio. Eu moro na parte pobre do Rio, não em Botafogo. Os profissionais do Instituto Philippe Pinel, de Botafogo, não queriam que eu continuasse internado lá. E simplesmente me mandaram embora do Instituto Philippe Pinel, dizendo que eu não poderia continuar lá.

Na última internação fizeram meus familiares assinar um "termo de responsabilidade", dizendo que eu não poderia ficar lá, mas que os familiares teriam que assinar um "termo de responsabilidade"! Percebe o absurdo? Eles apenas se livraram da responsabilidade e do incômodo de ter um paciente pobre!

Eu só aceitaria ser internado em Botafogo, por ter um mínimo de recursos. E se decidirem que eu preciso de internação eu exijo que o direito de sair DE ALTA, e não para abrir vaga para alguém de classe alta. Na última vez eles queriam me transferir para um dos piores hospícios do Rio de Janeiro.

Assim, se for internado, eu deixo de morar com a família até sair da internação, pois assim ninguém pode dizer que eu estou fora de minha área, pois quando não se mora em lugar nenhum não se tem área. Assim eu os forçaria a atender de acordo com a Lei, que garante que TODOS têm direito ao melhor tratamento do sistema, sem distinções. Muitas vezes me obrigaram a ficar internado. Dessa vez eu os obrigaria a atender uma pessoa pobre com um mínimo de dignidade! Isso também é uma estratégia na luta por direitos.

Por isso eu disse que se eu for internado involuntariamente me recuso a receber familiares, recuso qualquer envolvimento de familiares. Entende a lógica? Não seria porque eu estou com raiva da família ou algo desse tipo. Um dos motivos é que eles não sabem lidar com esses assuntos de direitos como eu sei, são pessoas que não conhecem as Leis que eu conheço tão bem, muito menos sabem planejar como eu e são facilmente manipuladas.

O homem mencionado na matéria do Jornal do Brasil Online passou a morar na calçada não apenas por falta de dinheiro para a passagem, como a matéria diz, mas principalmente pelo motivo que eu coloquei. Aparentemente se trata de uma matéria política contra o prefeito atual. Infelizmente parece ser uma matéria sensacionalista.

Veja a matéria:
Jornal do Brasil
Nota: detesto o governo desse prefeito do Rio, mas não acho justo uma matéria como essa do Jornal do Brasil, que parece sensacionalista e tendenciosa .

30.10.12

Quem é internado involuntariamente está mais sujeito a maus tratos (A Catherine)

Dando sequencia a ESTRATÉGIAS NA LUTA POR DIREITOS, aqui mostro porque internação involuntária deve ser ABOLIDA.

Eu disse que NÃO AUTORIZO NINGUÉM A ME INTERNAR. Logo, se eu for atendido num hospital psiquiátrico, estarei saindo de lá logo e NÃO FICAREI CONTRA MINHA VONTADE. Se não respeitarem minha vontade, me recuso a sair, e faço um rebuliço para NÃO SAIR.

Isso também é uma estratégia para me garantir um pouquinho de direitos numa situação psiquiátrica, onde o paciente se vê numa posição peculiar. Ora, se eu sou paciente tenho DIREITO a ter minha fala respeitada, e se eu digo que não quero ficar internado isso tem que ser respeitado SEM DISCUSSÃO.

É que quando a internação é involuntária, a pessoa está mais sujeita a maus tratos. Quando eu fui internado em 2010, eu assinei minha internação. Logo, foi VOLUNTÁRIA. Como a internação foi voluntária, eu fui tratado com muito mais humanidade.

Porém, ao ser internado em 2012, a internação foi INVOLUNTÁRIA. Não foi respeitado meu direito a presença médica. Fui amarrado numa cama e depois fui arrastado para a enfermaria como um saco de batatas.

Internação involuntária nada mais é do que um pretexto para privar o paciente dos seus direitos a fala. Logo, o paciente fica PRESO até concordar com as ideias dos doutores. E para que os doutores cheguem ao objetivo de que suas ideias sejam acatadas eles recorrem a MAUS TRATOS.

Para mim, NÃO EXISTE LOUCURA MAIOR do que concordar com isso. Não dá para ficar indiferente, e eu não vou ficar.

Essa diferença no tratamento é fácil de explicar: quando a pessoa é internada involuntariamente eles DIZEM que a pessoa estava inconsciente e totalmente fora de controle, e incapaz de responder por si. MENTIRA MALDOSA!

Em 2010 eu estava totalmente confuso, e mesmo assim entendi o que a psiquiatra me falou na internação VOLUNTÁRIA. Em 2012 eu estava totalmente CIENTE, inclusive pedi água (que foi negada, é claro). Logo, numa internação involuntária nenhuma reclamação da pessoa tem validade, como se quisessem dizer, "É um louco, não sabe o que diz, não tem que ser ouvido".

Ao ser internado voluntariamente em 2010 eu tive até direito a presença médica, como diz a Lei. Quando a internação é VOLUNTÁRIA, eles não podem usar nenhuma justificativa para maltratar um paciente psiquiátrico, pois o argumento de que a pessoa estava incapaz de entender seria facilmente desmentido como farsa. (Ora, se a pessoa assinou uma internação por que não entenderia?)

Eu nenhum momento eu disse, "NÃO QUERO QUE MEUS FAMILIARES ME INTERNEM". Eu disse "NINGUÉM ESTÁ AUTORIZADO A ME INTERNAR, NINGUÉM ESTÁ AUTORIZADO A FALAR POR MIM, POIS NÃO DOU PROCURAÇÃO A NINGUÉM". Internação ou deve ser voluntária ou deve ser expedida por um JUIZ.

Simples assim. Um juiz é O ÚNICO que pode determinar se uma pessoa deve ser internada, num julgamento JUSTO. Pois ninguém pode ser privado da liberdade, senão por motivo de CRIME. É a Lei. É uma Lei que não é respeitada em atendimentos psiquiátricos , mas ainda assim é Lei.

Escrevo isso antes, pois assim ninguém poderá dizer, no futuro, que estou fazendo rebuliço por estar em crise, pois eu AVISEI ANTES. Isso é uma OUTRA ESTRATÉGIA. Muitas vezes consideram as ideias de um paciente psiquiátrico como doença. Ora, minha estratégia NÃO É DOENÇA. Minha estratégia é para que ninguém se veja sendo internado como se fosse um bicho irracional. Minhas estratégias e pensamentos vêm do LIVRE ARBÍTRIO. Podem me prender, mas não podem controlar minha forma de pensar.

Por isso eu digo, NÃO VOU MUDAR MINHA IDEIA. PODEM ME DROGAR, ME PRENDER, ME BATER. MEU PENSAMENTO NÃO É DOENÇA, LOUCO É QUEM MANTÊM PESSOAS PRESAS NUM HOSPÍCIO CONTRA A VONTADE.

Verão que poderão me manter preso no hospício, mas não mudarei minha ideia. Não mudarei principalmente para que ninguém pense que drogas psiquiátricas e confinamento curam a cabeça das pessoas. Ao fazer isso, sem dúvidas, eu estarei contribuindo para o progresso da ciência.

SE NÃO RESPEITAREM MEU DIREITO DE NÃO PERMANECER NUMA INTERNAÇÃO, AÍ SIM É EU VOU FAZER LOUCURAS, E NÃO EXISTE NENHUMA DROGA QUE POSSA ME FAZER MUDAR DE IDEIA.
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29.10.12

O Paciente psiquiátrico deve sair da internação sozinho - As estratégias da batalha por direitos (A Catherine)

Quando eu disse que caso eu fosse internado me recusaria a sair: foi uma estratégia. Ou melhor, uma série de estratégias, que vou explicar de maneira mais clara, pois acho que é importante que as pessoas entendam.

Na verdade, caso fosse internado, só sairia da internação se dessem a alta em minhas mãos. É uma estratégia perfeita na luta por direitos. Pois geralmente eles dão a alta nas mãos de familiares, ou seja, se não houver um familiar, eles não querem dar alta. Fazem isso por considerar o paciente psiquiátrico INCAPAZ. Ora, pacientes psiquiátricos NÃO SÃO INCAPAZES.

Ora, se eu recebo alta, eu posso sair do hospício sozinho. E se não sou capaz de sair do hospício sozinho não tenho que receber alta. Por isso me recusaria a sair. Lógica simples. Essa estratégia não é nenhuma loucura. Assusta, sei, mas algum paciente psiquiátrico precisa fazer isso, ou não teremos direitos respeitados. Essa é minha estratégia para que direitos a autonomia sejam garantidos.

Não dar alta nas mãos dos pacientes psiquiátricos é absurdo. Quer dizer, se o paciente não tiver família ele fica preso, internado para sempre? Ou vai para uma dessas residências terapêuticas? Horrível, pois essas residências terapêuticas nada mais são que hospícios disfarçados, onde o indivíduo é VIGIADO 24 horas por dia. Por isso que, em pleno 2012, ainda existem alas psiquiátricas NA SURDINA, passando a falsa ideia de que estão fazendo caridade ao confinar pessoas.

Decidi editar e melhorar esta publicação em resposta a Catherine, pessoa super preocupada com situação da saúde mental atual. Ela escreveu a publicação os outros, onde levantou questões e colocou ideias importantes sobre a visão do paciente psiquiátrico.

Não precisa se preocupar comigo. Estou bem. Essas publicações são apenas uma preparação para qualquer emergência INESPERADA, pois caso haja alguma emergência faço questão que meus direitos sejam respeitados. É importante sabermos lutar pelos nossos direitos a RESPEITO e AUTONOMIA, e eu estou fazendo isso.

Continuo tratando do tema amanhã, explicando outros pontos estratégicos.

21.8.12

Como acabar com o autoritarismo do sistema psiquiátrico

Se os alienistas nos obrigam a ficar num hospício, nós podemos nos recusar a sair.

("Alienista" é o antigo termo usado para "psiquiatra", mas eu uso o termo alienista aqui para falar de qualquer profissional de saúde mental que defende internação involuntária.)

Se os profissionais de um hospital psiquiátrico não respeitam o direito de um paciente de querer sair, o paciente deve ter a CORAGEM de dizer não ao autoritarismo. É o que estou fazendo.

Entenda que psiquiatras mantêm pessoas presas em internações para força-las a se comportar de acordo. Mas eles não querem que as pessoas fiquem lá dentro para sempre, pois iria contra a tão falada REFORMA PSIQUIÁTRICA.

Pacientes psiquiátricos se recusando a sair por considerar o sistema ineficaz seria a pior coisa para os doutores alienistas.

Claro que eles iam querer tornar a vida da pessoa lá dentro um inferno, pois são uns covardes.

Para mim não existe nada mais valoroso que a liberdade e a Justiça, portanto para mim é um prazer defender esses valores. Isso é um sacrifício, sem dúvida, mas vale a pena.

É a solução para acabarmos de vez com as internações forçadas que não beneficiam ninguém. Tentam comparar hospital psiquiátrico a hospital de câncer. Mas eu nunca ouvi falar de pacientes de câncer sendo mantidos internados a força.

As pessoas são mantidas internadas quando não podem se manter de pé, quando estão DOENTES DE VERDADE.

O que eu ganharia com isso? Muito coisa. Ficaria evidenciado para a sociedade que as pessoas não são tratadas nesses hospícios. São torturadas e exploradas E SAEM PIOR DE LÁ.

Quando a sociedade vir pessoas se rebelando DE VERDADE contra os hospícios, eles serão obrigados a mudar os tratamentos sem ENROLAÇÃO, sem FALSA reforma psiquiátrica, sem REFORMA PSIQUIÁTRICA OPORTUNISTA.

Do contrário ficaria evidenciado o autoritarismo do sistema psiquiátrico e por conseguinte a psiquiatria ACABARIA.

20.8.12

É POSSÍVEL mudar a atenção psiquiátrica, mas alguns sacrifícios DEVEM SER FEITOS

Como já disse várias vezes, é um direito LEGÍTIMO do paciente psiquiátrico ser tratado como qualquer outro paciente que trata outra doença qualquer, NO MÍNIMO.

Porém, na realidade, pacientes psiquiátricos ficam a margem da sociedade. As internações psiquiátricas são a coisa mais absurda da medicina. A pessoa não é internada como nas outras doenças. A pessoa é presa e PRIVADA de seus direitos de cidadão. A cidadania não é recuperada nem quando a pessoa sai da internação.

Por isso eu me vi obrigado a tomar algumas providências ESTRATÉGICAS.

Primeiro: NÃO ACEITO INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA. Aceito ser ATENDIDO em um hospital psiquiátrico. E ao ser atendido a coisa deverá acontecer DE ACORDO COM A LEI, ou seja, um psiquiatra deverá falar comigo no atendimento e SE IDENTIFICAR como tal, é claro.

Eu NUNCA estive inconsciente ao ser atendido num hospício, doença mental não é como atropelamento e eu nunca sofri nenhum acidente que me deixasse inconsciente, mas SE eu estiver inconsciente ao ser atendido obviamente eu vou exigir presença médica IMEDIATA logo que eu recobrar a consciência.

Eu não autorizo NINGUÉM a falar por mim. Não dou procuração a ninguém para falar por mim. ou seja, ninguém assina TERMO para eu sair de uma internação. Eu não aceito isso.

Não aceito que NENHUMA PESSOA seja amarrada ou sofra qualquer tipo de abuso. Se eu vir isso vou pedir para sair do hospício, chamando a atenção para o desrespeito aos Direitos Humanos.

Eu só ficarei numa internação psiquiátrica se for minha vontade. e não é minha vontade ficar internado num lugar onde ocorre abusos.

NÃO EXISTE INTERNAÇÃO INVOLUNTÁRIA JUSTIFICÁVEL. Nada de bom vem de internação involuntária. Somente um juiz pode obrigar uma pessoa a ficar internada.

Caso tentem desrespeitar essas minhas exigências que são TOTALMENTE LEGÍTIMAS, lançarei mão de um DIREITO SUPERIOR, fornecido por Deus: o Direito do Livre Arbítrio.

Se me mantiverem a força em um hospício, lançarei mão de uma estratégia infalível:

Me recusarei a sair. Parece que as pessoas nunca pensaram nisso: os alienistas psiquiatras têm o poder de PRENDER NUM HOSPÍCIO, mas não têm o poder de obrigar uma pessoa a sair de lá. Óbvio. Você nunca pensou nisso? Esse será o maior protesto contra os abusos desses covardes.

LOUCURA?

Não.

Mas alguém me perguntará, "como você poderia se recusar a sair de um hospício?" Muito simples: bastaria agir estranho. Por exemplo, bastaria tirar a roupa, etc. A sociedade não aceitaria que o paciente saísse nessas condições. ÓBVIO.

Os alienistas covardes não perceberam, mas o estigma da loucura que eles criaram os deixa de mãos atadas neste caso.
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2.5.11

Explicações do Paciente Psiquiátrico

Um tempo atrás eu convidei para fazer postagens neste "blog" algumas pessoas que defendem mais o menos a mesma causa.

Muito agradeço às contribuições, principalmente da LOUCA PELA VIDA.

Porém além de convidar pessoas que defendem a mesma causa, convidei também um familiar, com a ideia de que ele começasse a participar da causa por melhor atenção à saúde mental.

Convidei também uma profissional do decadente CAPS de onde venho. Ela não aceitou o convite. Não aceitou porque não quis. Seria uma chance de colocar sua versão dos fatos. Aí ninguém precisaria me ameaçar lá dentro pelas coisas que eu publico.

Paciente Psiquiátrico em busca da verdade


Quanto ao familiar ele me retratou como "violento", "agressivo". Bem, eu lhe dei a chance de escrever neste "blog" para que ele pudesse, de cabeça fria falar a verdade.

Que eu NUNCA fui super agressivo e que NUNCA sai batendo em todo mundo, nem saía tentando comer criancinhas.

Em seus relatos ele me colocava como um monstro. Eu me lembro das coisas e não admito esses rótulos.

Entendam que eu não poderia desmentir essas coisas. Se foi ele que falou ele é que tem que desmentir.

Lembrem-se que eu sou "louco". Não tenho razão. Portanto eu mesmo desmentir isso não teria muito sentido.

Não adianta muito eu dizer uma coisa e o familiar chegar e dizer o contrário. De que lado ele está afinal?

Queria que o familiar dissesse a verdade também sobre minhas internações:

TODAS ELAS FORAM DEVIDAS A FALTA DE ATENDIMENTO DECENTE, E não por eu não tomar medicação.

O familiar sabe disso, pois como já disse aqui, em minha primeira recaída eu o pedi para me levar ao hospital psiquiátrico. Insisti para que fôssemos ao hospital psiquiátrico, onde NÃO fui atendido.

No último surto pedi presença médica, depois de ter sido humilhado e exposto por uma uma profissional de saúde. A presença médica foi NEGADA por essa profissional de saúde.

Como esse familiar não postou a verdade aqui eu o tirei da lista de pessoas que postam neste "blog".

Pois o coloquei na lista de pessoas que postam livremente neste "blog" para que mostrasse que está do nosso lado DIZENDO A VERDADE.

Quando ele decidir dizer a verdade pode deixar num comentário aqui.

Explicações ao familiar


A única postagem que o familiar colocou aqui foi falando de sua determinada luta contra os enfermeiros do Pinel. Bem, se ele falou eu dei um voto de confiança. Apesar do Pinel ter sido o local onde melhor fui atendido.

Como disse aqui, ninguém me forçou a nada no Pinel, eu fui admitido no Pinel SOZINHO, eu mesmo assinei minha admissão. Não precisei de nenhum familiar ao ser admitido lá e foi o momento em que fui melhor tratado ao entrar num hospital psiquiátrico.

Lembrando que EU ENTREI NO PINEL COMO INDIGENTE, COMO MENDIGO.

Bem, se o familiar foi determinado e falou de lei com o pessoal do Pinel, que é exemplar, logo ele falaria de leis também para o pessoal do CAPS, que foi O PIOR HOSPITAL PSIQUIÁTRICO, o CAPS foi o pior.

Em todos os hospitais psiquiátricos em que passei eles até maltratavam. Mas nunca negaram presença médica. Sem dúvida o CAPS foi o pior serviço de saúde mental em que fui atendido.

(O que não quer dizer que todos os CAPS são ruins como o decadente CAPS em que fui tão mal atendido. Isso foi devido às irregularidades do CAPS do qual falo.)

Se esse familiar foi tão crítico num lugar bom como o hospital Pinel. Pela lógica ele seria muito mais crítico com o CAPS, que é uma bagunça.

Como ele não mostrou nenhum espírito crítico no CAPS eu comecei a desconfiar da história que ele contou... que tinha lutado com o pessoal do Pinel.

Eu admito que tenho a inteligência bem limitada, mas consigo perceber o óbvio.

Mas eu não estou zangado não. Só estou fazendo o que é certo.

12.6.08

Estratégias para obter justiça no acompanhamento em saúde mental: Leis

Bem, deixo para vocês abaixo uma lei do Código Penal. Eu exibi essa lei no CAPs Rubens Corrêa num momento em que estava havendo muita dificuldade para os usuários (pacientes psiquiátricos) almoçarem.

Art. 136 – Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:

Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Há muito preconceito, e se eu fizesse só uma reclamação iriam dizer que eu estava reclamando por estar em crise. Daí eu arrumei essa lei. Problema resolvido. Todo usuário passou a ser melhor tratado no horário do almoço. O meu raciocínio foi simples. Se ao mostrar a lei eles dissessem que eu estava em crise eu poderia alegar que eu fiquei em crise por está tendo dificuldades para almoçar no CAPs e eles teriam que responder por isso na justiça. E se eles não liberassem a comida e eu entrasse em crise ficaria evidente que minha crise foi causada pela perturbação da falta de almoço. Lógica.

11.6.08

COMAM COM A GENTE, COMAM COM DOENTES MENTAIS

Hoje houve a Assembléia Geral no CAPs Rubens Corrêa.

Portanto eu afixei no quadro de avisos as seguintes sugestões de pauta para ser discutido:

ENQUANTO OS TÉCNICOS COMEM A VONTADE, COM BANDEJA SELF-SERVICE, OS USUÁRIOS COMEM PRATO-FEITO, E ÀS PRESSAS. QUANDO A ALIMENTAÇÃO NO CAPS SERÁ IGUAL?

DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO AINDA EXISTEM NO CAPS. QUANDO APARECE ALGO QUEBRADO SEMPRE SE CULPA OS USUÁRIOS. OU ENTÃO SE CULPA OS FUNCIONÁRIOS QUE GANHAM MENOS. (Nota: nunca se coloca técnicos doutores como suspeitos.)

Eu questionei a legitimidade da Assembléia, mais uma vez. Mais uma vez ouvi a desculpa de que os funcionários (incluindo técnicos) não têm tempo para comparecer nas Assembléias, pois o CAPs tem muito movimento. Imagine que me disseram que os técnicos ficam muito ocupados, e por isso, às vezes, não têm tempo de dar atenção aos usuários. Ótimo argumento. O único problema é que o CAPs é um Centro de Atenção Psicossocial, e se não há atenção no CAPs, o CAPs não é CAPs, ou seja, não é legítimo. Mencionei que nas reuniões de supervisão todos técnicos estão convocados, como eu vi no quadro de avisos. Disse que isso acontece porque o pessoal do Conselho de Saúde simplesmente impõe que todos estejam presente. Uma técnica disse que a supervisão é muito importante.

Perguntei se eles não acham que a Assembléia Geral do CAPs não merece ser tratada como muito importante também. Ah, mas eu vou passar para a melhor parte da Assembléia Geral, que teve boa participação dos técnicos dessa vez (intrigados com as minhas sugestões de pauta, que eu afixei no quadro de avisos do CAPs).

A pauta sobre o almoço privilegiado dos técnicos predominou na Assembléia. Eu comecei fazendo as observações sobre as mordomias na alimentação dos técnicos, em contraste com a alimentação desesperada dos usuários. Eu ouvi dos técnicos que isso sempre foi assim, e que é um direito deles, etc. Eu não contestei quando disseram que era um direito deles, simplesmente porque isso é um absurdo, nem tem sentido, logo eu nem ia perder meu tempo falando de direito de trabalhadores, já que os faxineiros, por exemplo, são trabalhadores também, e não têm essas mordomias. Nem os próprios cozinheiros têm. Então isso não é desculpa.

Me perguntaram se eu queria comer com os técnicos. Daí eu disse NÃO, EU QUERO QUE VOCÊS COMAM COM A GENTE. Mencionei um dia de festa de Confraternização no CAPs. O almoço foi servido no pátio. Todas as pessoas sentavam a mesa e eram servidas pelos cozinheiros. O mais incrível aconteceu: apenas dois técnicos sentaram a mesa com os usuários (quando todo mundo deveria sentar junto, afinal, era confraternização). Os outros técnicos pegavam comida da panela e iam comer em outro lugar, longe dos usuários! Infelizmente eles ficaram dessa maneira por causa dessa maldita alimentação separada. Aqueles técnicos aprenderam a se separar dos usuários.

O interessante é quando esses técnicos colocaram que é importante para eles comer separado dos usuários, para poder ter um pouco de paz. Eu entendo. Mas o problema está na alimentação superior dos técnicos, logo injusta. É que não é a mesma comida para todos. Quando os usuários acabam de comer os cozinheiros começam a preparar uma nova comida, colocam toalhinha, etc, etc. Aí está o erro principal. Aí está o problema principal. Eles estão achando normal que, num serviço criado para doentes mentais, técnicos possam comer melhor. Por isso eu sugeri que, se eles não quiséssem comer com os usuários, que comessem depois que os usuários acabassem de comer. Porém sem PAUSA PARA PREPARAR NOVA COMIDA, que fosse da mesma comida que nós usuários estávamos comendo.

Eu sugeri que voltássemos a falar desse assunto outro dia. Deixei claro que a alimentação é separada nos outros CAPs também, e deixei claro que estou ciente do abandono dos coordenadores de saúde mental, que deixam os profissionais de saúde mental a míngua, praticamente sem apoio.

Bem, eu fico por aqui. Eu continuo escrevendo no BLOG http://pacientepsiquiatrico.wordpress.com sobre esse tema e outros relacionados a Reforma. PAZ

10.6.08

LOUCURA NA SAUDE MENTAL

Voltando ao assunto CAPs Rubens Corrêa, eu lidei com o problema da desordem da seguinte forma:

Como a pessoa que pegou o objeto desaparecido da sala do CAPs não se pronunciou, eu dei uma ajudinha para que ela se lembrasse. Afixei um cartaz no quadro de aviso informando que o objeto estava desaparecido.

Caramba! O que não é a comunicação! Logo em seguida o objeto me foi entregue em mãos! Eu segui naturalmente com minhas reivindicações para o CAPs. Afixei cartazes com sugestões de pauta para a assembléia geral do CAPs. Tipo, cobrando que a alimentação seja igual para usuários pacientes e técnicos de saúde mental - pois a alimentação dos técnicos de saúde é bem melhor, é claro.

Claro que essas medidas não são o tratamento de choque que eu prometi aqui. O tratamento de choque será direcionado aos chefões da saúde Mental, que eu não sou tolo de atacar peixe pequeno. Os coordenadores de Saúde a nível federal, estadual e municipal são meus alvos. E são alvos mais fáceis do que se imagina. Isso porque as pessoas que são contra a Reforma Psiquiátrica estão atacando e ganhando terreno... eu não estou do lado dos que são contra a Reforma, mas sei que eles têm uma certa razão quando dizem que certas pessoas estão usando a Reforma Psiquiátrica para se promover.

Porém, como já mencionei, minhas reivindicações podem ser perigosas. Por isso, eu já pedi um exame de litemia, que é usado avaliar a quantidade de lítio no organismo. Lítio é tomado por pessoas diagnosticadas como bipolar, como eu. O perigo não é de eu sofrer uma crise, não! O perigo é que alguém, incomodado com minhas reclamações, pode insinuar que eu estou em crise.

É claro que eu não me preparo apenas com exames. Eu me preparo com lógica e conhecimento jurísdico também. Se por acaso eu realmente entrasse em crise eu processaria o CAPs, ou a Secretaria Municipal de Saúde, ou os dois, alegando que entrei em crise por causa das várias falhas na gestão da saúde mental. Falhas que eu já havia notificado várias vezes, diretamente.

Antes de deixar vocês, quero deixar, mais uma vez, outro blog de outra pessoa que conhece o mundo da saúde mental por dentro. veja e tire suas conclusões. http://maisloucoequemmediz.blogspot.com

PAZ