4.12.06

CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS) RUBENS CORRÊA - SEGUNDA CASA

Quando entrei no CAPS Rubens Corrêa pela primeira vez no dia 18 de junho de 2001 e vi os seguranças(naquela época usavam armas), achei que estivessem lá para proteger a nós, pacientes em tratamento psiquiátrico. Ledo engano! Estão lá para proteger os profissionais da saúde de pacientes em tratamento, como eu, por exemplo!! como se fossemos monstros!!

Na terça-feira, (dia 28 de novembro do ano 2006), foi a gota d'água. Presenciei o maior dos absurdos, e a confirmação do que disse acima. uma moça tinha chegado no CAPS em crise. A maioria dos profissionais eram novos na casa. A moça golpeava portas e xingava.

Porém em vez de buscar acalmar as pessoas, os profissionais do CAPS começaram a falar da moça como se ela fosse perigosíssima! Este comportamento causou pânico geral. Funcionários da limpeza e da cozinha estavam desesperados e tremendo. Assim como familiares. Nem os próprios seguranças conseguiam esconder o medo!

O negócio é que se tratava de uma moça de baixa estatura, que falava alto, xingava e batia em portas. Nossa! Do jeito que tremiam ela parecia um monstro do Jáspion!

Pelo que eu vi os seguranças não tinham nenhum preparo para lidar com a situação. Disseram que a moça tinha dado socos (nas costas) em algumas pessoas, inclusive na médica. Psicólogas iam falar com ela, mas começavam com o velho papo: "Oi, eu sou psicóloga. Quer conversar?" É claro que a moça mandava elas para aquele lugar e pediam que a deixassem em paz.

Péssimas abordagens! Por fim uma enfermeira decidiu tomar a decisão mais fácil (para a própria enfermeira e outros profissionais de saúde, é claro) e deu ordens aos seguranças que segurassem a moça e deu injeção a força enquanto a moça chorava.

Eu insisti o tempo todo na necessidade de evitar causar pânico, pois a moça é humana como qualquer um, estava nervosa, mas não tinha condições de causar muito dano. (Afinal era uma mulher, e não o incrível Hulk!)

Observei que a falta de profissionais de fibra levou aqueles profissionais, na maioria novos na casa, a causarem tamanho rebuliço, maior até que a bagunça causada pela moça.

Não é necessário dizer que eu nunca esperava ver cena tão desagradável quanto uma pessoa sendo forçada a tomar injeção em um CAPS, símbolo da reforma psiquiátrica.

Não é necessário dizer que se os os profissionais queriam dar uma injeção deveriam convencer a moça que estava em crise, e não forçá-la, pois a lei garante que ninguém deve ser forçado a tomar injeção.

Não é necesário dizer também que aqueles profissionais devem ter esquecido de que a moça era gente, como eles.

Não preciso dizer que injeção a força no século 21 é uma violência vergonhosa! Já tomou injeção a força?

ATUALIZAÇÃO DESTA PUBLICAÇÃO EM 25 DE SETEMBRO DE 2012:
INFELIZMENTE, NÃO HOUVE MUITOS PROGRESSOS NO CAPS DESDE ENTÃO, O QUE ME LEVOU A ME AFASTAR, NO ANO 2011. COISAS PIORES ESTAVAM ACONTECENDO! EM JANEIRO DE 2012 VOLTEI LÁ AO FICAR SABENDO DE OUTRAS FALHAS. ME DEPAREI COM MAIS MAUS TRATOS AINDA, O QUE ME LEVOU A SURTAR DE NOVO.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 4 DE DEZEMBRO DE 2006.
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2 comentários:

  1. É entendo a sua posição em relação a injeção que deram na moça...porém vivo um caso muito complicado com a minha irmã que se recusa a dar prosseguimento no tratamento e ultimamente não nos restando outra opção a não ser a injeção...sinto tristeza, vergonha, culpa e muitos outros sentimentos...Me sinto sozinha...

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  2. Eu também entendo sua posição. O que eu cobro é uma abordagem mais eficiente da parte dos profissionais de saúde mental.

    Eles deveriam ter a paciência e a habilidade de convencer uma pessoa a tomar injeção sem ter de segurá-la ou enganá-la.

    Pois ao darem injeção a força em uma pessoa não conseguem acalmá-la, senão reprimi-la.

    Quanto a você, não razão para culpa, Cris. Mas você deveria evitar confronto com sua irmã. Pois depois isso vai atrapalhar a relação entre vocês, pois ela não vai mais confiar em você.

    Em vez de tantas injeções, sua irmã precisa de alguém que a convença da importância do tratamento. Que tal procurar um bom psicólogo ou terapeuta para falar com ela?

    Mas não deixe ela saber que foi você que arrumou, pois ela já deve está desconfiada de você. Paz e boa sorte.

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