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1.1.16

O novo coordenador de Saúde Mental Valencius Wurch Duarte Filho

Quanto a nomeação do novo coordenador, eu concordo com o que diz a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP):

"A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que representa toda a categoria psiquiátrica brasileira, nega qualquer envolvimento com o manifesto e as manifestações contra a nomeação do novo coordenador de Saúde Mental, Dr. Valencius Wurch.

Não apoiamos o modelo de assistência centrado no Hospital (hospitalocêntrico) falido há décadas, mas também não apoiamos o modelo atual, também falido, centrado nos CAPS - Centro de Atenção Psicossocial (capscêntrico) constituído pela coordenação. É insuficiente e, em geral, não qualificado para atender o paciente com transtorno mental grave e persistente. O enfoque que vem sendo adotado tem custado a vida de muitos
doentes, além de remetê-los às ruas, ao encarceramento em presídios e a outras exposições à violência, chegando a apresentar mais de 11.800 mortes ao ano por transtornos mentais, sem considerar o suicídio, que acomete anualmente os mesmos milhares de indivíduos. Ou seja, por ano o Brasil é acometido de algo em entorno de 25.000 mortes que poderiam ser evitadas caso os nossos doentes recebessem o atendimento adequado.

Não podemos julgar sem ouvir o que novo coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde tem a propor e estamos a disposição para unirmos forças rumo a uma assistência em saúde mental efetiva e que traga novamente a esperança de qualidade de vida aos nossos pacientes. A situação atual é desoladora para todos nós médicos, profissionais de Saúde Mental, pacientes e seus familiares."

Esses pacientes que estão protestando contra esse tal de Valencius Wurch Duarte Filho o fazem porque foram incitados pelo grupo de poderosos que tem dominado a saúde mental pública por décadas. Esse grupo de poderosos incita os pacientes a terem medo de mudanças, levando-os a acreditar que qualquer profissional que não faça parte do grupinho deles é mau e pretende piorar a situação por pura maldade.

Dentre os grupos que protestam contra Valencius Wurch Duarte Filho está um grupo que se autodenomina "antimanicomial", o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, o MNLA.

"Manicômio", de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:

ma·ni·cô·mi·o

Hospital para internamento de doentes mentais. = FRENOCÔMIO


Veja também o Dicionário Houaiss, que mostra a mesma coisa.

Como esse MNLA poderia ser antimanicomial se eles insistem que manicômios como o Instituto Nise da Silveira e o Instituto Philippe Pinel continuem abertos? Como eles poderiam ser antimanicomiais se eles fazem a cabeça de pacientes psiquiátricos para defender manicômios?

Esse grupo, o MNLA, que se diz antimanicomial não o é de verdade, eles são socialistas, mas não antimanicomiais de verdade. Alguns desses que participam do MNLA foram diretores de manicômios públicos. Quando eu estive internado no ano passado eu encontrei uma companheira do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial na direção do Instituto Philippe Pinel. Seria possível um anti-nazista ser diretor de uma sociedade neonazista? Então, isso é uma farsa.

O problema é que eles só consideram manicômios os hospitais psiquiátricos privados, pois como socialistas, ou melhor, comunistas, eles atacam o setor privado. Mas esses que estão a frente do MNLA fazendo a cabeça de pacientes psiquiátricos obviamente não querem que manicômios públicos como o Instituto Pinel e o Instituto Nise da Silveira sejam fechados. Eles tentam passar a ideia de que manicômios públicos não são manicômios. Obviamente, muito dinheiro e cargos públicos ficam a disposição desse grupinho que se diz antimanicomial com a existência dos manicômios públicos, que não são considerados manicômios por eles.

Eles não manipuladores. Eu fui bem tratado no Instituto Philippe Pinel, só que o local não tinha NENHUMA ESTRUTURA para manter uma pessoa lá dentro por quase um mês, que foi o tempo que eu passei lá.

Doutores poderosos que se dizem antimanicomiais fazem a cabeça dos pacientes psiquiátricos totalmente: eles diziam para os pacientes que se outros candidatos que não apoiavam Lula e Dilma ganhassem haveria um retrocesso na saúde mental pública. Obviamente isso era mentira.

14.11.14

Encontros da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica: 'Tou fora

Alguns acontecimentos me levaram à decisão. É que o que chamam de "Encontro Nacional da Luta Antimanicomial" pode ser qualquer coisa, menos Antimanicomial. Um dos encontros dos que dizem defender a "Reforma" era feito no manicômio Philippe Pinel, do Rio de Janeiro; ou seja, enquanto SUPOSTAMENTE discutíamos LIBERDADE e INCLUSÃO, alguém era amarrado na cama.

Tomei a decisão ao refletir sobre a dificuldade de defender meus direitos quando sofro preconceito por ser pobre. Ao sofrer um preconceito absurdo no Metrôrio e ver que ninguém ouvia os protesto de um pobre, percebi que ouviriam menos ainda os protestos de alguém rotulado como louco, ouviriam menos ainda protestos de um paciente psiquiátrico contra maus tratos da família, por exemplo. No metrô, ao passar na catraca com o meu bilhete pré-pago, o agente de segurança olhou para minha roupa velha, me pegou pela gola, me jogou para fora e disse que eu tinha que pagar a passagem. Nem adiantou eu protestar e dizer que eu não estava entendendo. A minha roupa velha falou mais alto. Quão mais alto não falaria meu diagnóstico de "transtorno mental"?

Esse pessoal que diz defender a "Reforma" sabe da nojeira que é uma internação psiquiátrica. Não fazem nada para mudar isso PORQUE NÃO QUEREM. Estou fora desses encontros fajutos. Arranjarei outra forma de defender direitos.


Num comentário no blog perguntaram "Por que não tem psiquiatra no SUS?" e um outro comentário numa outra postagem responde a pergunta com outra pergunta: por que prescrevem tantos psicotrópicos ao tratar pacientes psiquiátricos se existem outras terapias mais eficazes?

Bem, não há psiquiatras no Sistema Público de Saúde por que HÁ psicotrópicos. Com psicotrópicos, os problemas são resolvidos num atendimento rapidinho; assim, basta contratar uns poucos psiquiatras para atender um montão de pacientes.



(01/10/2014 - Atualização)Zweiundvierzig

(再生回数 42 回)

2.10.14

Sinhá Moça: "Porque é negro!"

Recomendo a novela Sinhá Moça para todos os profissionais de saúde mental. O escravo Justino não foi para o tronco por agir errado. Da mesma forma, pacientes psiquiátricos não são amarrados pelos motivos citados no comentário deixado na postagem Encontros da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica: 'Tou fora.

Sinhá Moça (1986) - Trecho 6 (1986, com Lucélia Santos)



Sinhá Moça capitulo 6 completo (2006, com Débora Falabella)



Discriminação injustificável faz que amarrem pacientes psiquiátricos em camas, da mesma forma que racismo fazia que colocassem negros no tronco.

Psiquiatra Franco La Spina: "Não é a melhor estratégia"

"Os sintomas objetivamente diminuem, quase sempre, com a farmacoterapia ... não estou dizendo que não deva fazê-lo. Mas, talvez, atacar, agredir o paciente com a terapia que leva a esse processo não seja a melhor estratégia ... do ponto de vista econômico, sim, mas do ponto de vista do paciente, não é a melhor estratégia."

Psiquiatra italiano Franco La Spina, que pediu demissão por não concordar com o sistema.

I sintomi obiettivamente diminuiscono, quasi sempre, con la farmacoterapia... non dico che non deva di farlo. Però, forse, assaltare, aggredire il paziente con la terapia che accede a questo processo non è la strategia migliore... dal punto di vista economico sì, ma dal punto di vista del paziente, non è la strategia migliore.

Franco La Spina, lo psichiatra che si è licenziato perchè contro il sistema

E Viva a Abolição! E viva a Reforma Psiquiátrica!

"Meu Deus, se eu soubesse disso teria apoiado a abolição antes. Se antes nós gastávamos 10 contos com um escravo, agora ganharemos 1 conto pelo mesmo trabalho."


Declaração feita na peça E Viva a Abolição!

O que gerou a Abolição não foi preocupação pelo bem estar dos negros, da mesma forma que psicotrópicos não são prescritos porque "controlam sintomas de doenças psiquiátricas, sendo um meio de tratamento seguro e eficaz...", como alguém comentou na postagem Encontros da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica: 'Tou fora

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16.6.14

Grupo de trabalho do Encontro da Luta Antimanicomial - Discriminação exposta!

Estávamos naquele grupo eu e outro ex-paciente psiquiátrico e alguns familiares e diversos técnicos de saúde mental. O grupo era coordenado por uma técnica, é claro. E havia uma RELATORA, a pessoa que escreve as propostas, que também era técnica.

O grupo era sobre LEITOS DE ATENÇÃO INTEGRAL NA COMUNIDADE. Eu e esse meu companheiro usuário já havíamos discutido com outros usuários a necessidade de TRANSFORMAR TODOS hospitais psiquiátricos existentes em CAPS III o quanto antes. E havíamos combinado que colocaríamos essa proposta nesse Encontro de São Bernardo do Campo.

Quando meu companheiro começou a falar não foi levado a sério. É aquela velha história. Queriam fazê-lo parar de falar logo para deixar um psicólogo* importante falar. O que usuário fala não é importante PARA ELES.

Apesar de tudo isso eu preparei um texto resumido com nossa proposta para não falar mais que o necessário.

Chegando a minha hora de falar coloquei a proposta com grande entusiasmo, certo de que todos apreciariam meus esforços para relatar aquele desejo de nós usuários.

No final do grupo começaram a discutir as propostas. E o interessante é que nem mencionaram o que eu tinha proposto como representante de usuários. Aí eu quis saber por que não estavam falando de nossa proposta.

Eles tentaram enrolar. Daí eu suspeitei de uma coisa bem chata: parecia que eles sequer tinham se dado ao trabalho de anotar minha proposta. Ah, mas eles diziam, "ora claro que anotamos, está aqui. Nós estamos discutindo sua proposta, você que não está percebendo". Aquelas mentiras de sempre, como se fôssemos totais otários.

Não tinha uma coisa que eu podia fazer para desmascará-los. Adivinha.

Eu pedi para que eles lessem a proposta que eu tinha anotado cuidadosamente em meus papéis e lido para eles anotarem nos papéis deles.

Eles não puderam ler, é claro, porque eles não tinham perdido tempo anotando proposta de usuário.

Falei para eles que discriminação é coisa séria. Expressei como é impressionante nós usuários estarmos sofrendo discriminações assim tão descaradas.

A minha vontade era denunciar, pois tal ato discriminatório é considerado crime, mesmo no Brasil.

Claro que eu sei que a justiça não pune tais figurões poderosos, mas também sei que uma denúncia formal ia deixá-los mal politicamente.

Não denunciei, pois sei que isso não ia só prejudicar a Luta Antimanicomial, mas também daria vazão para outros grupos de políticos se aproveitarem da situação para rebaixar a Luta Antimanicomial e levantar seus movimentos políticos. Isso só ia agitar essa luta política egoísta.

Observe, antes de mais nada, que a proposta era contra os ideais dos políticos da saúde mental, pois me parece que CAPS III não dão o retorno financeiro OU POLÍTICO que os hospitais psiquiátricos dão.

Manter CAPS dá mais trabalho. Sabe como é que é... hospital psiquiátrico é mais fechado e ninguém vê nada, logo ninguém reclama. Como o CAPS é mais aberto, dá mais trabalho. Eles são partidários do menor esforço.

Mesmo quando esse menor esforço custa várias vidas.

Publicado originalmente no dia 8 de julho de 2010. Lembrando que o Encontro Nacional da Luta Antimanicomial deste ano está começando.

Nota:
*Eu fiz algumas correções nesta atualização: antes eu tinha colocado que se tratava de um psiquiatra importante, mas na verdade era um psicólogo que eu achava que era psiquiatra.

22.2.14

Criminosos perigosos são internados em hospitais gerais, mas pacientes psiquiátricos não - Acordem!

Acabo de ver no Cidade Alerta: Terror e fuga dentro de hospital em Duque de Caxias.

Três criminosos perigosos fugiram de um hospital geral, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, onde estavam internados depois de trocar tiros com a polícia. Eles estavam armados, e renderam um policial e saíram do hospital com armas nas mãos, assustando todo mundo no caminho. Pesquisando na Internet, achei mais este caso de mais três traficantes que foram resgatados de um hospital em Duque de Caxias:
Traficantes são resgatados de hospital no RJ

Esta publicação nada mais é que um chamado aos pacientes psiquiátricos que lutam por direitos:
Nada justifica internarem pacientes psiquiátricos em hospitais psiquiátricos, isolados de todo mundo. Nada justifica internarem pacientes psiquiátricos em MANICÔMIOS, pois vamos falar sério:
Instituto Philippe Pinel, Instituto Nise da Silveira, Instituto Raul Soares, Hospital Areolino de Abreu, etc. não passam de manicômios disfarçados. Se podem internar traficantes perigosos em hospitais gerais, claro que podem internar pacientes psiquiátricos também. Não o fazem somente por preconceito. Entenda que nossa luta por direitos começa na luta contra o GRANDE preconceito e a GRANDE discriminação contra pacientes psiquiátricos, que é inexplicável.

Como eu tinha dito antes, a única necessidade de existir hospitais psiquiátricos seria para encaminhar casos muito graves de hospitais gerais para hospitais psiquiátricos. Essa superabundância de hospitais psiquiátricos é totalmente desnecessária e obviamente visa somente LUCRO e INTERESSES ACADÊMICOS, de doutores que gostam de usar pacientes psiquiátricos como cobaias.

6.2.14

Psiquiatria, suicídios e crimes

Todo psiquiatra tem o dever de acatar o desejo de um paciente de parar de tomar medicação e supervisionar a retirada da medicação de maneira segura.

Quando eu era adolescente, tinha um dente que estava totalmente tomado por cáries e às vezes doía muito. Por isso eu queria tirá-lo, mas não tinha condições de ir ao dentista. Eu tentei tirar o dente por conta própria e não consegui. E se conseguisse, nem posso imaginar as complicações que eu sofreria. Arrancar um dente com um alicate de eletricista não é nada seguro! Depois eu pude ir à dentista e extraí o dente de maneira segura. A dentista disse que dava para salvar o dente, mas eu preferi extrair. E se ela se negasse a extraí-lo e eu decidisse arrancar por conta própria, com um alicate de eletricista? Provavelmente aconteceria um desastre, eu poderia sofrer uma infecção, etc. É por isso que na psiquiatria acontecem desastres. Muitas vezes, quando um psiquiatra se recusa a respeitar o desejo de um paciente de retirar a medicação, o paciente retira por conta própria e sofre com a abstinência e tem recaídas.

Quando o paciente tenta deixar de tomar a medicação sozinho corre o grande risco de sofrer pela abstinência da droga psiquiátrica, como ocorre quando se deixa de tomar qualquer droga, como crack, cocaína, etc. Esta é uma das propostas que levarei para encontros de saúde mental, pois se o psiquiatra não aceita fazer a retirada da medicação, o paciente para de tomar sozinho, e quando isso acontece, podem ocorrer recaídas que podem ser trágicas. Uma maneira segura de resolver este problema seria criar uma lei responsabilizando o último psiquiatra de qualquer paciente psiquiátrico que comete suicídio ou algum ato violento ao parar de tomar a medicação sozinho sem o apoio do psiquiatra; pois se o psiquiatra respeitar a vontade do paciente de parar de tomar a medicação e continuar a apoiá-lo com consultas sem medicação, esse tipo de consequência grave não acontece.

Estatísticas reunidas pelo pesquisador Robert Whitaker:

Comparação de Resultados na Era Pre-Drogas (1947, antes da introdução da clorpromazina em 1950) e na Era das Drogas (1967, depois da introdução da clorpromazina).

Grupo de 1947: 45% não teve recaída em cinco anos de alta,
e 76% puderam viver bem na comunidade no fim do período.

Grupo de 1967: 31% não teve recaída em cinco anos de alta,
e como grupo eles se tornaram muito mais "dependentes socialmente" --no que tange cuidado e necessidades de outras formas de ajuda--do que o grupo de 1947.
Fontes: Bockoven, J. “Comparison of two five-year follow-up studies,” Am J Psychiatry 132 (1975): 796-801.
AMERICAN JOURNAL OF PSYCHIATRY ONLINE.

Veja mais pesquisas de Robert Whitaker em:
If We Follow the Scientific Evidence, What Must be
Done to Promote Good Long-term Outcomes?


Ou seja, estatísticas mostram que os psicotrópicos aumentaram o número de recaídas e aumentaram o número de pessoas incapacitadas depois da internação psiquiátrica.

É lamentável que psiquiatras queiram decidir a vida das pessoas. A única forma REAL de prevenir suicídio é aconselhando a pessoa com muito AMOR e RESPEITO. Psiquiatras e profissionais de saúde mental NUNCA deveriam internar pessoas involuntariamente sob o pretexto de que é para prevenir suicídio. O excelente blog Psychiatry. It's a killing divulgou uma pesquisa arbitrária em que profissionais de saúde mental planejam aumentar o número de internações involuntárias sob o pretexto de prevenir suicídio. Veja:
Hospitals Can Play A More Active Role In Suicide Prevention. WTF?

O excelente Fiddaman Blog também tem uma compilação de notícias chocantes sobre Christina Schumacher, uma mulher que perdeu o filho e o marido (o marido matou o filho e cometeu suicídio em seguida), e com o pretexto de protegê-la de qualquer tentativa de suicídio, profissionais de saúde mental decidiram interná-la involuntariamente. Imagine uma pessoa sofrer uma tragédia familiar e em vez de receber apoio, ser presa num manicômio. Veja:
Christina Schumacher: An Update

Provavelmente o que aconteceu no caso do esquizofrênico Daniel Coutinho que matou o pai foi que o psiquiatra dele de recusou a retirar a medicação; e por consequência esse esquizofrênico decidiu parar de tomar sozinho e teve um efeito causado pela abstinência das drogas. É estranho que psiquiatras sempre tentem jogar a culpa no pressuposto fato do paciente ter parado de tomar a droga psiquiátrica, como vemos na notícia do caso do esquizofrênico Daniel Coutinho:
É muito raro esquizofrênico ter um surto psicótico, diz psiquiatra.

Psiquiatras nunca assumem o fato que há vários casos registrados de pessoas que ficaram violentas como efeito de abstinência de psicotrópicos, como por exemplo, o famoso caso da escola americana "Columbine", e outros casos que foram noticiados na "Fox News". Psiquiatras nunca assumem a culpa de não terem respeitado a vontade do paciente de parar de tomar a droga psiquiátrica, nunca assumem a culpa de não ter supervisionado a retirada da medicação. Você pode ver a reportagem da fox News aqui, se entender inglês:
Antidepressants and School Shootings, Suicide, Addiction.


Original texts in English, for reference:

Robert Whitaker research:
Bockoven’s Retrospective Comparison of
Outcomes in Pre-Drug and Drug Era

1947 cohort: 45% didn’t relapse within five years of discharge,
and 76% were successfully living in the community at the end
of that period.

1967 cohort: 31% didn’t relapse within five years of discharge,
and as a group they were much more “socially dependent”--on
welfare and needing other forms of support--than the 1947
cohort.

Source: Bockoven, J. “Comparison of two five-year follow-up studies,” Am J Psychiatry 132 (1975): 796-801.
AMERICAN JOURNAL OF PSYCHIATRY ONLINE.

If We Follow the Scientific Evidence, What Must be
Done to Promote Good Long-term Outcomes?

19.11.12

"Vocês não acham que os médicos psiquiatras deveriam checar pressão arterial, batimento cardíaco?..."

Eu estarei levando aos encontros da Luta Antimanicomial várias das interessantes considerações dos leitores.

Uma consideração extremamente relevante enviada por um leitor(a) anônimo(a):

"Vocês não acham que os médicos psiquiatras, justamente por serem médicos, deveriam checar pressão arterial, batimento cardíaco, ascultar os pulmões do paciente durante a consulta?? Mesmo porque, os medicamentos para quaisquer transtorno mental interferem nos sinais vitais, ou seja, arritmia, hipotensão, depressão respiratória,
ect."


No momento não tem sido possível minha participação nos congressos e encontros, pois estou focando todo meu tempo nos estudos para poder voltar ao mundo do trabalho formal, mas logo estarei discutindo várias questões que têm sido negligenciadas.

Por exemplo: certos estados do nordeste e do norte brasileiro recebem menos verbas que os estados do sudeste. Essa foi a constatação que tive ao conversar com meus contatos do nordeste e do norte. Nada justifica essa discriminação.

Além disso já está mais do que na hora de a psiquiatria ortomolecular ser inserida no sistema público de saúde mental. Assim como homeopatia, pois a falta de medicina mais avançada não pode ser tolerada em pleno 2012. Aliás, este é um dos motivos que me fazem me recusar veementemente a seguir qualquer tratamento no setor público. Não aceitaria nem psicólogo do setor público.

É o momento de passarem uma Lei obrigando todo curso de medicina a inserir uma extensão do curso para formação dos profissionais em medicina ortomolecular e homeopatia. A formação é de MÉDICO, e não de pau mandado da indústria farmacêutica. Médico não deve saber apenas passar fármacos. É necessário conhecer outras alternativas.

Deveria ser obrigatório que todos os psiquiatras da saúde pública tivessem uma excelente formação e fossem conhecedores de várias formas de tratamentos alternativos.

É necessário que os profissionais do setor público de saúde mental tenham uma formação BEM mais extensa. O setor público não pode ser cabide de emprego de gente acomodada.

A disputa política que acontece na liderança da Luta Antimanicomial também atrapalha o progresso da saúde mental. É necessário discutirmos nos congressos e encontros a total unificação da Luta Antimanicomial, extinguindo de vez qualquer traço de divisão entre "Movimento Nacional da Luta antimanicomial" e "Movimento Inter-núcleos da Luta Antimanicomial". Pois disputas políticas só causam BAIXAS, e as baixas são os usuários de saúde mental.

Essa é a minha mensagem.

15.3.12

Institucionalização ainda existe em 2012

A proposta original da Luta Antimanicomial é a extinção de TODOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS.

Como dizia Austregésilo Carrano:

"Nós do movimento não somos contra o internamento, mas que ele seja feito num Hospital Geral, em alas de enfermarias psiquiátricas."

Observe que isso não é impossível, nem inviável.

Em países mais avançados, de primeiro mundo, como nos Estados Unidos, por exemplo, os movimentos contra os abusos psiquiátricos são mais fortes.

Carrano continua a explicação:

"Queremos que o problema de saúde mental pelo qual o paciente esteja passando seja encarado como se ele estivesse internado para um tratamento normal. Tirando assim, definitivamente, o estigma causado pela internação em um hospital especializado em psiquiatria."

Há algumas pessoas desinformadas que dizem "Ora, existe hospital de câncer. Por que não hospital psiquiátrico?"

Não dá para comparar câncer com doença psiquiátrica.

Por exemplo, existe hospital especializado para hanseníase? Internam pessoas com hanseníase em hospitais só para hanseníase?

Que eu saiba não. Quem sofria com lepra, hoje chamada de hanseníase, era ISOLADO DA SOCIEDADE. Os movimentos dos Direitos Humanos NÃO PERMITIRAM QUE ESSA ISOLAÇÃO continuasse, por ser ABSURDA.

Porém, por egoísmo de alguns profissionais da área de saúde mental pública, continuam mantendo abertos hospícios que no passado causaram terror.

Eu não sou contra clínicas particulares de recuperação. De forma alguma.

Sou contra hospitais psiquiátricos públicos. Pois o projeto era FECHAR hospitais psiquiátricos públicos e investir o dinheiro que ia para os hospitais psiquiátricos públicos para a criação de serviços substitutivos, como os CAPS.

Os serviços substitutivos NÃO FUNCIONAM DIREITO porque continuam mandando mais dinheiro para os famigerados hospitais psiquiátricos públicos.

Nem é preciso dizer que os hospitais psiquiátricos públicos são bem lucrativos, pois eles dão muito mais medicação aos pacientes psiquiátricos que estão internados. Evidentemente tudo isso precisa de verba. De muita verba, que os gestores desses hospitais psiquiátricos públicos pagam para terceiros, enfim, pagam para empresas privadas, e pagam com dinheiro público que seria melhor investido na criação de serviços substitutivos.

E ao que tudo indica esses professores de psiquiatria e de psicologia lucram muito com os hospitais psiquiátricos, pois é um campo fértil para suas pesquisas.

O projeto não era melhorar hospitais psiquiátricos antigos, como tentaram fazer com o famigerado Hospício Pedro II e com o hospício Philippe Pinel, ambos do Rio de Janeiro.

Na verdade não melhoraram nada, só mudaram os nomes.

E a institucionalização continua.

Por exemplo, CLICANDO AQUI você abre o blog de uma moça que foi mantida internada mais de dois meses em um hospital psiquiátrico pelo SUS. No blog ela relata os terrores que ela teve que tolerar para obter um tratamento que ela conseguiria num serviço substitutivo como o CAPS, SE os CAPS funcionassem como deviam.

Internação de dois meses é INSTITUCIONALIZAÇÃO.

A ideia seria que uma internação durasse cerca de 7 dias. Ninguém é internado por 2 meses por nenhuma outra doença. Isso não existe. Só quando é paciente terminal ou em coma!

Mais uma coisa: Luta Antimanicomial nada mais é que um novo nome dado ao Movimento da Antipsiquiatria. Eu defendo os ideais da Antipsiquiatria.

Enfim, NÃO TOLERAMOS métodos antigos de tratamento. Apenas usamos o nome Luta Antimanicomial para que os psiquiatras não se sintam excluídos.

11.3.11

IBEU oferece curso de inglês gratuito para alunos da rede pública

Eu recebi esta notícia fascinante que eu quero compartilhar com todos meus leitores:

O Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU)está fornecendo cursos de inglês gratuitos para bons alunos da rede pública. Vale lembrar que o IBEU é um dos poucos cursos de inglês sérios que vale a pena.

Siga o link para a página do IBEU.

Sai lista com as 100 melhores universidades do mundo 2011


Mais uma vez podemos ver a hegemonia dos EUA na educação. A maioria das universidades cotadas como melhores do mundo são dos Estados Unidos.

A primeira colocada é a Havard dos EUA, claro. A segunda colocada é a Massachusetts Institute of Technology, também dos EUA. A terceira colocada é a University of Cambridge do Reino Unido, que mais uma vez se destaca como a melhor universidade do mundo FORA DOS ESTADOS UNIDOS.

Nem é preciso dizer que não há nenhuma universidade brasileira na lista. Seria absurdo haver com uma educação brasileira que deixa tanto a desejar.

Veja a lista das melhores universidades do mundo no texto em inglês.

Encontro da Luta antimanicomial 15 de março

Agradeço a LOUCA PELA VIDA por divulgar o encontro da Luta Antimanicomial que acontecerá no dia 15 de março, no Sindicato dos Médicos, às 18hs. Eu nem estava sabendo. Devo ir. Apesar de eu ser A FAVOR da privatização da saúde. Nada demais. Apenas uma opinião pessoal.

Me parece que se fortalecer a saúde mental privada mais pessoas terão acesso a bom tratamento, mesmo que pago.

8.11.10

Lacunas na Reforma Psiquiátrica

Ao observar o grande empenho de certos militantes da Luta Antimanicomial não posso deixar de observar com tristeza que a realização da Reforma dificilmente acontece.

Uma vez vi uma paciente psiquiátrica chorando ao ver uma companheira paciente psiquiátrica ser internada.

Apesar de detestar ver internações, devo admitir que os CAPS não têm estrutura para manter as pessoas.

Como? Se até almoço falta? Infelizmente internar a pessoa é a melhor solução, pois os CAPS estão piores que os hospitais psiquiátricos.

É uma realidade triste que eu não gostaria de ver.

Edileuza aconselha a denunciar famílias que mantém pacientes psiquiátricos em cárcere privado aos CAPS.

Mas os CAPS sabem de vários casos desses e faz vista grossa. Enviam medicação para pessoas que são mantidas em cárcere privado. Os CAPS são cúmplices.

É triste ver que a realidade é bem mais dura que nossos sonhos e que na realidade as lacunas da Reforma Psiquiátrica não são preenchidas. São escondidas.

24.10.10

Enquete para presidente

Vamos avaliar mais uma enquete:

Votarei na Dilma Rousseff, pois ela continuará o trabalho do Lula que divulgou a imagem do Brasil lá fora entre outras coisas. 29% - 14 Votos

Comentário: óbvio. O povo sempre opta por continuidade. Provavelmente é Dilma no poder por mais 8 anos. Qualquer ser lógico sabe disso. Quase inevitável.

Votarei no José Serra, pois ele voltará a investir na saúde e na educação, coisas que caíram no esquecimento no governo Lula. 21% - 10 Votos

Comentário: Queria chamar a atenção das pessoas inteligentes com essa opção. A educação caiu de qualidade nos últimos 8 anos. Não há quase psiquiatras nos CAPS. Decadência total. Quem vota na continuidade sabe o risco disso continuar?

Votarei na Marina Silva, pois ela é uma opção diferente. 21% - 10 votos

Comentário: Seria uma mulher na presidência, já que Dilma Rousseff não tem personalidade própria e está na frente graças a máquina pública, ou seja, graças aos discursos do Lula.

Votarei na Dilma Rousseff, pois ela ficou bem sensual depois da cirurgia plástica. 0%
Comentário: Eu votaria nela só se fosse por esse motivo. Não há nenhum outro.

Votarei no José Serra, pois detesto o PT. 12% - 6 Votos
Comentário: Concordo um pouco, PT lembra Hugo Chávez e ditadura. Mas não votaria com isso em vista.

Votarei na Marina Silva, pois ela tem o apoio do Gabeira. 4% - 2 Votos
Comentário: motivo fraco. Marina Silva tem personalidade. O que falta um pouco a outros candidatos.

Votarei em um outro candidato que não é famoso, mas que parece simpático e me passa confiança. 0%
Comentário: Bravo!

Votarei em um outro candidato que não é famoso, mas que eu conheço bem mais que esses que lideram a pesquisa eleitoral. 2% - 1 Voto
Comentário: Grande personalidade!

Graças a Deus o voto é facultativo para mim e eu vou passar o dia das eleições fazendo alguma coisa boa. 2% - 1 voto
Comentário: é isso aí! Aproveitar a vida.

Infelizmente não posso votar e estou fora desta incrível festa da democracia. 0%
Comentário: Essa eu coloquei de zoação!

Ih!! Vai ter eleição? Onde? No Brasil? 6% - 3 Votos

Voto de Cabresto


Uma pena que no Brasil, com a volta da ditadura, tenha voltado o voto de cabresto. Líderes de grupos sociais mandam pessoas votarem na continuidade, na maior cara de pau.

Me desculpem, Lula faz encontros com os maiores ditadores do mundo:
Fidel Castro e Hugo Chávez. Não temos mais eleições. Temos voto de cabresto. Lula é um ditador. Um ditador esclarecido.

Nunca vi na história da humanidade governo mais corrupto. E o povo parece que gostou.

Collor parece santinho perto dessa turma toda.

Blogs que dizem representar a Reforma Psiquiátrica e dizem que devemos votar em candidato tal. Dizem que devemos votar na Dilma.

As pessoas votam em quem elas quiserem.

a imprensa não é mais imparcial. Atacam um dos candidatos todo o tempo. Serra é mau, de acordo com a imprensa.

Serra apanha nas ruas.

Para que eleições se a imprensa já disse qual é o candidato mau?

De acordo com a imprensa e com movimentos da CUT o Serra é mau.

As pessoas deveriam ter uma imprensa imparcial. Deveríamos poder escolher nosso candidato sem cabresto.

Só isso.

Este blog tem sido exemplar. Não deixe que outros lhe coloquem cabresto. todas as leis da saúde mental foram assinadas pelo Serra.

Não haveria reforma psiquiátrica se não fosse o Serra.

Por outro lado o Lula valorizou as empresas brasileiras lá fora. Isso é verdade.

Vote consciente. Vote sem cabresto.

Nota zero para os blogueiros que tentam influenciar no seu voto. Vote sabendo da verdade.

Se informe.

17.10.10

Última Reunião da Luta Antimanicomial no RJ

A reunião da última quarta foi atípica.

Uma técnica em Saúde mental, residente de terapia ocupacional, para ser mais preciso, começou a falar das mazelas do Instituto Nise da Silveira. Um dos hospícios onde fui internado e que não chega aos pés do Pinel.

Há anos uma familiar reclamava e eles só tiravam o corpo fora.

Dessa vez, com uma residente reclamando eles começaram a ver a situação de outro jeito.

Realmente, quando os profissionais dos serviços aceitarem que há abandono poderemos ter alguma melhora.

Mas se fingirem que está tudo uma maravilha, fica difícil.

Essa profissional chamou o Nise de hospício, que é o que aquele lugar é.

Mas uma vez digo que não vou aceitar desprezo.

Se necessário arrumarei um jeito de pagar por consultas de psiquiatras.

Mas como por enquanto não tenho dinheiro...

4.6.10

Não Tente Suicídio - Don't Try Suicide Queen - Traduzido ao português

Don’t Try Suicide – Queen Lyrics

Words and music by Freddie Mercury

A-one two three four one
Yeah

Ok
Don’t do it don’t you try it baby
Don’t do that don’t don’t don’t
Don’t do that
You got a good thing going now
Don’t do it don’t do it
Don’t

Don’t try suicide
Nobody’s worth it
Don’t try suicide
Nobody cares
Don’t try suicide
You’re just gonna hate it
Don’t try suicide
Nobody gives a damn

So you think it’s the easy way out?
Think you’re gonna slash your wrists
This time
Baby when you do it all you do is
Get on my tits
Don’t do that try try try baby
Don’t do that - you got a good thing going now
Don’t do it don’t do it
Don’t

Don’t try suicide
Nobody’s worth it
Don’t try suicide
Nobody cares
Don’t try suicide
You’re just gonna hate it
Don’t try suicide
Nobody gives a damn

You need help
Look at yourself you need help
You need life
So don’t hang yourself
It’s ok ok ok ok
You just can’t be a prick teaser all of the time
A little bit attention - you got it
Need some affection - you got it
Suicide suicide suicide bid
Suicide suicide suicide bid
Suicide

Don’t do it don’t do it don’t do it babe (yeah)
Don’t do it don’t do it don’t - do it
Yeah

Don’t put your neck on the line
Don’t drown on me babe
Blow your brains out -
Don’t do that (yeah)
Don’t do that - you got a good thing going baby
Don’t do it (no) don’t do it (no) don’t

Don’t try suicide
Nobody’s worth it
Don’t try suicide
Nobody cares
Don’t try suicide
You’re just gonna hate it
Don’t try suicide
Nobody gives - nobody gives
Nobody gives a damn

Ok



Não Tente Suicídio – Queen Letra Traduzida

Letra e música de Freddie Mercury

um dois três quatro um
Yeah

Ok
Não faça isso não tente isso, baby
Não faça isso não não não
Não faça isso
Tem uma coisa boa acontencendo agora
Não faça isso não faça isso
Não

Não tente suicídio
Ninguém merece isso
Não tente suicídio
Ninguém se importa
Não tente suicídio
Você só vai detestar
Não tente suicídio
Ninguém dá a mínima

então você acha que esta é a escapatória fácil?
Acha que vai cortar os pulsos
Desta vez
Baby, quando você faz isto tudo que você só consegue é
Me deixar bolado
Não faça essa tentativa tentativa tentativa, baby
Não faça isso – tem uma coisa boa acontecendo agora
Não faça isso não faça isso
Não

Não tente suicídio
Ninguém merece isso
Não tente suicídio
Ninguém se importa
Não tente suicídio
Você só vai detestar
Não tente suicídio
Ninguém dá a mínima

Você precisa de ajuda
Olhe pra você você precisa de ajuda
Você precisa de vida
Então não se enforque
Está tudo bem tudo bem tudo bem tudo bem
Você não pode ser um porre todo o tempo
Um pouco de atenção – tome aqui
Precisa de um pouco de carinho – tome aqui
Tentativa de suicídio suicídio suicídio
Tentativa de suicídio suicídio suicídio
Suicídio

Não faça isso não faça isso não faça isso, bem (yeah)
Não faça isso não faça isso não...faça isso
Yeah

Não coloque seu pescoço na linha
Não se afogue por mim, bem
Estourar seus miolos
Não faça isso (yeah)
Não faça isso – tem uma coisa boa acontecendo agora, baby
Não faça isso (não!) não faça isso (não!)

Não tente suicídio
Ninguém merece isso
Não tente suicídio
Ninguém se importa
Não tente suicídio
Você só vai detestar
Não tente suicídio
Ninguém dá – ninguém dá
Ninguém dá a mínima

Ok

Freddie Mercury já falou praticamente tudo que eu tinha a dizer. Só falta acrescentar que se você é paciente psiquiátrico ou ex-paciente psiquiátrico aí é que NÃO DEVE PENSAR EM SUICÍDIO.

Acontecem muitas injustiças contra os pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos. Nós temos que mudar essa realidade.

Quando um usuário de saúde mental se suicida os coordenadores de saúde mental e autoridades da área nem colocam nas estatísticas. Poderia atrapalhá-los politicamente.

Eles não se importam nem um pouco com nossa morte. Na verdade, se é alguém que protesta e causa incômodo aos objetivos políticos, como o Carrano, por exemplo, eles devem até comemorar a morte.

Afinal, quanto menos pessoas protestando contra eles, melhor. Não vamos dar esse gostinho a eles. vamos viver e protestar o máximo possível.

Eles tentam esconder os suicídios das pessoas que estão fazendo acompanhamento psiquiátrico.

Ora, eles dizem que a Luta Antimanicomial está sendo uma maravilha. Se vaza notícias de mortes e suicídios de pacientes psiquiátricos DESESPERADOS POR DESASSISTÊNCIA isso poderia manchar a PRECIOSA imagem da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica que só acontece no papel.

Não ia cair bem. Ora, se as pessoas ficam sabendo que alguém que está tomando medicação psiquiátrica se suicidou as pessoas vão somar 1+1 e vão calcular o óbvio:

Pôxa, se a pessoa se matou mesmo tomando medicamento psiquiátrico controlado É CLARO que esses medicamentos (psicotrópicos) não funcionam BEM como dizem.

E aí as pessoas vão cair na real e vão ver que não apenas os psicotrópicos não funcionam como dizem mas também que INDUZEM as pessoas a tentarem suicídio.

E SE AS PESSOAS FICAM SABENDO DISSO É O MAIOR PREJUÍZO PARA AS INDÚSTRIAS FARMACÊUTICAS!!!

31.5.10

II Congresso Brasileiro de Saúde Mental acontece quinta-feira 03/06/10

Na próxima quinta-feira acontece o II Congresso Brasileiro de Saúde Mental, na UERJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Observe que não se deve confundir o II Congresso Brasileiro de Saúde Mental com a IV Conferência Nacional de Saúde Mental, que acontece de 27 a 30 de junho.

A IV Conferência de Saúde Mental é uma iniciativa bem influenciada pelo governo brasileiro e por isso TENTA parecer neutra.

Por outro lado, o II Congresso Brasileiro de Saúde Mental foi organizado pela ABRASME, Associação Brasileira de Saúde Mental, que é inimiga política da ABP, Associação Brasileira de Psiquiatria.

Por outro lado, a ABP terá seu XXVIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria de 27 a 30 de outubro de 2010, em Fortaleza.

O II Congresso Brasileiro de Saúde Mental é para fazer frente ao XXVIII Congresso de Psiquiatria.

É aquela velha briguinha política egoísta da saúde mental...

26.5.10

Como adquirir o livro de Austregésilo Carrano - Canto dos Malditos

Antes de mais nada devo dizer que sexta-feira, dia 28 de maio, haverá uma celebração da Luta Antimanicomial no Sindicato dos Médicos, Rua Churchill, Centro do Rio de Janeiro, às 14:00h.

Nada melhor do que usarmos esta sexta-feira para relembrar a grande luta de Carrano por liberdade, humanidade e igualdade.

Sei que muitas pessoas não conheciam Carrano. Muitos não sabiam quem era Carrano, pois no filme Bicho de Sete Cabeças seu nome era Neto, e o filme é mais conhecido que o livro.

Sei que agora muitos gostariam de adquirir o livro, depois de toda a divulgação que fiz, mas não sabem como conseguir, estão tendo dificuldades para conseguir.

Pois bem. Você pode conseguir o livro em sebos, principalmente pode tentar comprar na Internet. Por exemplo, você pode tentar a ESTANTE VIRTUAL, por exemplo.

Nota: eu não estou recebendo nenhuma comissão por isso. Apenas sei que o livro deve ser lido pelo máximo de pessoas. Esse livro de Carrano é uma ferramenta para a liberdade.

You can buy the book The Corner of the Damned, which tells a true story about a Brazilian who endured the great pains of institutionalization in the Brazilian asylums.

18.5.10

Carrano: "A OMISSÃO SOCIAL, A SUA, É CÚMPLICE DESSES EXTERMÍNIOS, SE TOCA, CRIMINOSOS COVARDES"

Essas frases devem ser mais agressivas, pois é um absurdo estarmos (...) ainda discutindo como tratar um semelhante independente de suas posses. Como podemos ser tão insensíveis?

A gente denuncia, mostra soluções e a sociedade continua omissa. Você leitor continua omisso.

Austregésilo Carrano Bueno


Obrigado, Carrano, por esta fala no dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Infelizmente Carrano não conseguiu obter a justiça que merecia. Uma pena que os grandes líderes desta luta antimanicomial não o apoiaram no final.

Os líderes da luta antimanicomial são homens bem poderosos. Se eles tivessem apoiado o Carrano não conseguiriam ganhar dele no processo e condená-lo. Os grandes líderes da luta antimanicomial são os poderosos que coordenam a saúde mental do Brasil, poderosos que escrevem livros. Ninguém é mais poderoso que esses chefões. como os familiares de psiquiatras de hospitais mixurucas do Paraná iam ganhar dos poderosos chefes da saúde mental do Brasil?

O que quero dizer é que deveria ser um dever dos líderes da luta antimanicomial defender os direitos de ex-pacientes psiquiátricos. Porém, o deixaram sozinho, ao deus-dará...

Carrano, você foi traído.

Tanto que hoje em dia esses covardes líderes da luta antimanicomial sequer querem falar da sua luta, Carrano. Nenhum deles quer falar de sua luta contra os psicotrópicos por exemplo. Eles já não falam mais da sua luta por indenizações. Querem aposentar todo mundo.

Provavelmente você percebeu isso antes de morrer. Mas por que não falou disso publicamente? Provavelmente não deu tempo.

Mendigos do Sistema Único de Saúde, mendigos da Luta Antimanicomial



Naturalmente não me considero um grande defensor da Luta Antimanicomial. Luta Antimanicomial é política. Sou um grande defensor dos direitos humanos e da igualdade.

Nesta luta política tentam esconder as coisas erradas, tentam esconder as vítimas. Como já disse aqui, sei de vários companheiros usuários de CAPS que se tornaram mendigos. Geralmente somem pessoas de CAPS. Ninguém da saúde mental fala sobre o paradeiro dessas pessoas. Não sabemos o que aconteceu com os desaparecidos. Eles são esquecidos. Por acaso encontro alguns e fico sabendo que se tornaram mendigos. O sistema os transformou em mendigos. A DESASSISTÊNCIA OS TRANSFORMOU EM MENDIGOS.

Cada vez que vejo um companheiro paciente psiquiátrico mendigando me sinto mendigo também. Pois são meus irmãos.

Os serviços de saúde mental de hoje não tem estrutura. E o mais revoltante é que continuam criando novos CAPS para mostra como promoção política, para obter vantagens políticas. Pois infelizmente os CAPS não têm equipe o suficiente.

com os serviços de saúde mental sem equipe suficiente e sem recursos os usuários de saúde mental são empurrados de serviço para serviço e, infelizmente, nesta desassistência, muitos acabam na rua, na sarjeta, muitos chegam a morrer.

E as propagandas sobre a reforma continuam. Sempre de uma maneira comercial e nada humana.

Agora, com licença, preciso continuar lutando para não me tornar o próximo mendigo.

16.5.10

Indenização pelas torturas psiquiátricas sofridas (Texto de Carrano)

Ainda espero ser indenizado pelas torturas psiquiátricas sofridas, pela minha condenação aos preconceitos sociais, danos físicos, emocionais, morais, danos na minha formação profissional, danos financeiros, destruição de minha adolescência.

E esses meus direitos de cidadão serão cobrados até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos ficará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, e não desistirei por nada nem que leve o resto de minha vida.


Austregésilo Carrano Bueno

Dia 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Aproveito esta ocasião para declarar que estou aqui para continuar a luta de Carrano, E FINALIZÁ-LA EM SUA TOTALIDADE.

Sempre escuto companheiros sofridos reclamando que estão com dificuldades para se aposentar, depois de enfrentar as dores e privações de paciente psiquiátrico. Tento sempre lembrá-los de Austregésilo Carrano. Carrano NUNCA falou em aposentadoria.

Aposentadoria é papo de profissional de saúde mental que quer fazer cabeça de usuário para uma conveniente aposentadoria, aí a pessoa recebe como se fosse um benefício, a pessoa recebe uma mixaria que tira sua dignidade, quando na verdade a pessoa tem direito a uma indenização JUSTA, e não esmola.

Direito legítimo a inclusão no trabalho

Ao dar continuidade a luta de Carrano não me esqueço nunca do direito legítimo de todos nós ex-pacientes psiquiátricos ao trabalho, a inclusão no trabalho a PARTIR dos serviços de saúde mental.

Nada mais triste que ver meus companheiros de trabalho em informática, por exemplo, de cabeça baixa, pois as negociações para o projeto estão engatinhando, na verdade estão obscuras e mal sabemos o que está acontecendo. Infelizmente não tem nenhum profissional responsável, nem de CAPS, nem de institutos como o Pinel ou o Nise da Silveira para representar e manter os usuários que tem direito ao projeto de informática informados.

Eles excluem a gente das negociações, não nos deixam participar das reuniões de negociações, e não respondem por nada, não entram em contato, NADA.

Esses meus colegas já falam em se aposentar. Absurdo. Nós ex-pacientes psiquiátricos temos direito não apenas a ser incluídos no mundo do trabalho, mas também merecemos indenizações.

Acho que nem precisava dizer que merecemos RESPEITO TAMBÉM.

Carrano, eu garanto para você que o dinheiro que tiraram de você voltará para a gente, esse dinheiro voltará para investimentos para pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos.

Porque é importante que os usuários de saúde mental sejam capacitados e empregados dentro de serviços de saúde mental

É importante que as pessoas que passaram pela experiência de paciente psiquiátrico sejam empregadas em serviços de saúde mental, pois é a única forma de manter a pessoa próxima das lutas por melhoria na saúde mental, lembrando sempre que cada um dos ex-pacientes psiquiátricos é importantíssimo na formação de novos profissionais da área. Como fazer uso desses ex-pacientes psiquiátricos se eles forem afastados dos serviços de saúde mental?

Nota: Eu quero dizer, ser empregado em diferentes especialidades, e não EXCLUSIVAMENTE como profissionais de saúde mental!

10.5.10

Propostas tiradas no Último Encontro Nacional da Luta Antimanicomial

Eu gostaria de compartilhar com todos as propostas do MNLA, Movimento Nacional da Luta Antimanicomial (do ano 2010). Antes de você dizer que não se importa com isto lembre-se que eles fazem os eventos da Luta Antimanicomial com dinheiro público, ou seja, com seu dinheiro. Então é importante saber o tipo de coisa que estão discutindo.

E eu gostaria, especialmente, que você observasse a falta de praticidade e objetividade das propostas.

Todas as propostas do último Encontro Nacional da Luta Antimanicomial podem ser encontradas no blog PACIENTE PSIQUIÁTRICO - RESGATE.

IX ENCONTRO NACIONAL DE USUÁRIOS E

FAMILIARES

Grupo 01 - COOPERATIVISMO SOCIAL E GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA:

“Ganhar o sustento. Juntos podemos mais!”

Propostas

· Aperfeiçoar, regulamentar e implementar a lei de Cooperativismo Social

envolvendo os Ministérios da Saúde e do Trabalho.

· Oficializar as políticas de geração de renda dentro dos serviços de saúde mental

com fiscalização do conselho gestor de unidade.

· Implementação da modalidade bolsa de trabalho articulada nas 03 (três) esferas de

governo buscando garantir inserção no trabalho com suporte psicossocial.

· Garantir através de lei que empresas públicas ou privadas contratem 2% de seu efetivo com usuários da saúde mental como existe para deficientes físicos e mentais.

O grupo aprovou a manutenção das propostas apresentadas nos encontros de 2007 e 2005.

· Compromisso de empresas públicas e privadas na concessão de vagas de trabalho

para pessoas com transtorno mental, cabendo ao gestor publico criar um programa

de incentivo ao trabalho protegido com redução de impostos para empresas que as

contratem.

· Implantar diretrizes apontadas pela Lei Estadual 4323 do Rio de Janeiro criada pelo

Núcleo de Saúde Mental do Trabalho do Rio de Janeiro (NUSAMT), nos outros

estados visando torná-la Lei Nacional.

· Fortalecer as Associações de Familiares e Usuários, gerando autonomia das

mesmas.

· Aumento da iniciativa do usuário no que diz respeito aos Projetos de Trabalho e

Geração de Renda.

· Promover a divulgação na mídia sobre transtornos mentais, visando minimizar o

preconceito em empregar usuários de saúde mental.

· Criação de cooperativas mistas fora do espaço institucional para funcionar como um agente facilitador na articulação com a rede intersetorial.

· Que os gestores se empenhem mais com as oficinas de geração de renda.

· A política nacional de saúde mental referente as estratégias e propostas de geração de renda deve ser discutida no contexto mais amplo e democrático das conferências de saúde mental (municipal, estadual e nacional), sempre tendo em vista a integralidade e intersetorialidade e a participação obrigatória de usuários e familiares (conforme previsto nas leis 8080 e 8142 do SUS).

· Promover um entendimento sobre a questão da geração de renda, considerando as características especifica da população em situação de rua com transtorno mental, desenvolvendo programas e frentes que tenham como características a flexibilidade e o respeito as particularidades nas relações de trabalho.

· Pensar nas cooperativas sociais em saúde mental como uma forma de não

reproduzir a lógica do mercado de trabalho, por exemplo, na distribuição da renda, 3 respeitando a singularidade dos trabalhadores na execução das tarefas e não somente a produtividade. Por uma convivência mais solidária assim como na proposta da economia solidária.