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25.3.14

A destruição da família - Pacientes psiquiátricos viram mendigos

Veja, na parte de baixo, vídeo que fala sobre homeopatia.

"Cuido do meu irmão com esquizofrenia crônica, ele não aceita tomar remédios e por isso eu coloco na comida ou suco, realmente me sinto uma enfermeira dele e as vezes me sinto muito estressada, mas penso que em determinados casos como do meu irmão que fala coisas sem sentido, desorganização mental, deixá-los com pessoas estranhas longe da família é cruel, nós que assumimos a responsabilidade de cuidar temos sim que ter apoio do Estado financeiro e disponibilizar agentes de saúde para acompanhamento periódico."

Comentário da leitora chamada Maria na postagem Cuidar do paciente psiquiátrico é dever do Estado e não da família

Maria, se seu irmão fosse devidamente acompanhado pelos profissionais certos, ele poderia se recuperar ao ponto de produzir até alguma renda. Eu encontrei nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) excelentes terapeutas ocupacionais que conseguem tais resultados. O problema é que o sistema de saúde público NÃO contrata terapeutas ocupacionais o suficiente para atender a demanda. A desorganização mental dele pode ser melhorada com um acompanhamento mais próximo de profissionais. O problema é que o sistema de saúde público NÃO contrata sequer um número razoável de psiquiatras; atualmente, os psiquiatras apenas olham para os pacientes por alguns minutos e prescrevem um psicotrópico qualquer ou fazem um "ajuste da dosagem".

Outros tratamentos alternativos poderiam ser fornecidos pelo SUS, que talvez seu irmão aceitasse melhor. Existe a homeopatia, por exemplo, que o SUS deveria fornecer para um número maior de pacientes psiquiátricos.

Veja Unesp Ciência - Medicamentos Alternativos (Homeopatia)

Nessa mesma postagem Cuidar do paciente psiquiátrico é dever do Estado e não da família, outra pessoa tinha comentado:

"...concordo que diante do quadro atual os familiares não deveriam interferir com a "liberdade" de seus entes queridos portadores de transtorno mental, mas acho que você pode imaginar o quanto é difícil para um pai ou mãe expulsar de casa um filho alucinado e deixá-lo correndo perigo, quando sabe que ele não tem culpa do que está lhe acontecendo. Por isso mesmo, essa política do Estado de transferir o cuidado do paciente para a família despreparada se torna ainda mais oportunista, cruel e desastrosa."

SIM, é uma política oportunista. Este oportunismo se evidencia no fato de contratarem poucos psiquiatras para atenderem muitos pacientes. O vídeo abaixo mostra pessoas que foram morar na rua, geralmente por problemas de relacionamento com a família; e muitos desses sem teto têm doenças físicas e/ou mentais.

Unesp Ciência - 27/10/2013 - Andarilhos e Medicamentos Alternativos



Este mesmo vídeo explica que, na política do SUS, quanto mais pacientes um médico atende, mais ele recebe. Por isso as consultas são curtas, e por isso existem poucas opções de tratamento alternativo no SUS. O vídeo também fala sobre os enormes DESVIOS de verbas da saúde. E o vídeo mostra algumas manifestações de pessoas batalhando para que haja mais opções de tratamentos alternativos no SUS, como a homeopatia.

23.3.14

Psiquiatria ensina familiares a agredir pacientes psiquiátricos

Os familiares veem os profissionais de saúde mental amarrando os pacientes psiquiátricos na cama como se fosse o procedimento mais normal do mundo. E veem os profissionais de saúde mental mandando os pacientes psiquiátricos calarem a boca o tempo todo. Inconscientemente os familiares começam a proceder com agressividade e indiferença semelhante a usada pelos profissionais de saúde mental.

Num grupo de referência no CAPS, uma mãe contava que ela batia na filha para a filha respeitá-la. Eu apenas disse:
- Bater não é a solução. A gente sempre pode encontrar alguém mais forte que a gente que pode bater mais forte, e aí a coisa complica.
Pois a filha dela, por ser mais nova, OBVIAMENTE era mais forte fisicamente, e se decidisse reagir à violência covarde da mãe, a coisa ia ficar feia.

Quando uma mãe começa a bater numa filha de mais de 20 anos, é lógico que não haverá uma boa relação entre as duas. Muito menos haverá melhora psicológica numa mulher que apanha da mãe depois de adulta. Ela se via no direito de bater na filha, mas sequer cuidava. A filha era aposentada, mas benefício era recebido pela mãe, e a filha sequer via a cor do dinheiro. Era uma moça bonita, mas totalmente abandonada, em se falando de cuidados da beleza. Bonita, mas sem dentes numa idade bem jovem. Nem a mãe e nem o CAPS fizeram nada pela aparência dessa moça bonita, que provavelmente se sentia mais insegura por causa da falta dos dentes.

Quando profissionais de saúde mental amarram e gritam com pacientes psiquiátricos, eles estão ensinando os familiares a tratar os pacientes psiquiátricos assim também. E ao passar esse modelo de tratamento para os familiares, eles acabam por destruir as relações familiares entre o paciente psiquiátrico e a família, relações que já eram difíceis antes da doença mental.

E eles ensinam os familiares a mentir para os pacientes psiquiátricos, ensinam a colocar medicação nas bebidas sem os pacientes perceberem, enfim, ensinam os familiares a engambelar pacientes psiquiátricos.

Dessa forma eles destruíram a relação de vários pacientes psiquiátricos com seus familiares, e por fim acabaram de destruir a relação que eu tinha com minha família, que já não era muito boa. Ao ponto que eu percebi que ia ter que me afastar de toda a família.

Foram várias as vezes que eu busquei reunir os irmãos para falar sobre a discriminação e os terrores do atendimento psiquiátrico, terrores que levaram tios deles a morte. Houve um momento em que eu ouvi um irmão falar:
- Os doutores disseram que não tem que ouvir o que você diz!
Se uma pessoa é má atendida e os profissionais que atenderam mal dizem que não se deve ouvir a pessoa, a pessoa perdeu o direito de reclamar. Exatamente isso. Reclamar virou um sintoma. Como se todas as atrocidades que periodicamente acontecem nos manicômios não merecessem reclamação.

Os conselhos que os profissionais de saúde mental deram aos meus irmãos acabaram por destruir qualquer relacionamento que eu tinha com eles, relacionamento que já era bem conturbado. Eu tentei ao máximo manter contato; pois queria, de alguma, forma ajudar na recuperação desse irmão que foi expulso do bairro onde morava por estuprar a própria filha, e queria ajudar na recuperação do irmão que esteve preso por estupro também, enfim, queria contribuir de todas as formas possíveis.

Mas a coisa foi se complicando pouco a pouco, ao passo que eles iam aconselhando a minha mãe sobre como lidar comigo. Os conselhos foram piorando a relação entre eu e minha mãe. Até que o irmão que tinha sido preso por estupro veio morar aqui em casa, quando tinha prometido que só ia ficar alguns dias para fazer algumas obras. Isso acabou por destruir de vez qualquer relação que eu tinha com minha mãe.

Eu não pretendo virar mendigo na rua, mas pretendo arrumar outro lugar para morar, e não pretendo voltar a visitar essa família, e nem vou querer que saibam para onde vou. Não é nenhum rancor, mas não dá para tolerar ser tratado da forma que eu tenho sido tratado.

EU NÃO ACABEI AINDA. CONTINUO DEPOIS.

22.3.14

A destruição da família pela psiquiatria

Doenças mentais, ou melhor, sofrimento psíquico, surgem por questões sociais. Às vezes por famílias desestruturadas, às vezes como sequela de alguma violência, ou maus tratos.

A grande maioria das famílias de pacientes que vão parar em manicômios, são famílias desestruturadas.

Infelizmente, a relação do paciente psiquiátrico com a família desestruturada piora quando profissionais de saúde mental buscam se meter. Por isso eu sou contra os "grupos de família" das instituições psiquiátricas. Enfim, sou contra o modelo atual. Talvez funcionasse se o modelo fosse diferente. No modelo atual, geralmente a família faz uma reclamação contra o paciente. Os profissionais de saúde mental agem como se fossem mediadores; o problema é que em todos os grupos de família, o paciente sempre é considerado culpado, e sempre é repreendido pelos profissionais de saúde mental. Em alguns momentos, pacientes psiquiátricos foram agredidos FISICAMENTE por familiares, mas mesmo assim foram repreendidos e passaram por culpados.

Na postagem Pacientes Psiquiátricos viram mendigos - Veja como acontece, eu descrevi o caso do Aílton.

A minha família é uma das mais desestruturadas que eu já vi. Duas pessoas da família morreram em instituições psiquiátricas, um foi abandonado pela família. A melhor forma de profissionais de saúde mental ajudar as famílias seria conscientizar as famílias que ESTATISTICAMENTE doenças mentais graves que levam a internações em manicômios surgem em famílias problemáticas. O fato de minha família abandonar um tio meu no manicômio mostrou que é uma família que não valoriza relações familiares, não valorizam o amor ao próximo. Além disso, há o problema dos abusos sexuais que acontecem nessa família há gerações. Doença mental nessa família surgiu devido a abusos sexuais.

Meu avô já abusava de suas filhas e, obviamente, maltratava seus filhos. Esse hábito de abuso sexual passou para outras gerações; assim, meu meio irmão, o mais velho de todos abusou sexualmente da enteada e da própria filha. E meu irmão germano mais velho, apesar de ter gostos sexuais diferentes de meu meio irmão, apesar de ser homossexual, também cometeu abusos sexuais, mas contra outros irmãos menores do mesmo sexo; quando adulto, passou a ter relações sexuais com pessoas do sexo oposto e acabou preso por estupro.

De posse desses dados, eu tentei fortalecer as relações nessa família fria.

Não estou exagerando ao falar da falta de amor nessa família. Quando um de meus tios morreu numa condição horrível, eu ouvi uma de suas irmãs dizer "Tinha que morrer logo em dia de culto? Não podia arranjar outro dia para morrer?"

Buscando despertar amor e amizade nessa família, ao sair do manicômio eu passei alguns anos dando cartões de natal para TODOS. Infelizmente, anos passados, eu continuei vendo atos de pura maldade.

Continua em Psiquiatria ensina familiares a agredir pacientes psiquiátricos

1.3.10

Pacientes Psiquiátricos viram mendigos - Veja como acontece

Acontecem certas manipulações políticas na gerência da saúde mental no Brasil. Eu vou descrevê-las em detalhes neste blog.

Quem desconhece essas manipulações acreditam nas propagandas mais absurdas pregadas por políticos da área da saúde mental.

Adorei quando o jornal O Globo denunciou que pacientes psiquiátricos estão virando mendigos. A denúncia é uma forma de fazer a coisa parar.

Meus parabéns ao jornal O Globo por isso, e muito obrigado. Espero que vocês façam mais denúncias desse tipo, com números que desmascarem toda essa manipulação.

Agora vou dar um exemplo para quem não convive com a situação dos pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos.

Vou mostrar abaixo como um paciente psiquiátrico vira mendigo nesse sistema explorador que é o sistema de saúde mental do Sistema Único de Saúde do Brasil.

Anos atrás eu estava indo fazer um exame em Botafogo, Rio de Janeiro.

Tinha que chegar na hora para o exame, mas tive que parar ao ver um companheiro usuário de CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que estava sentado debaixo da marquise.

Eu nem o reconheci de imediato. Ele que me chamou pelo nome. Não estava sujo, nem delirante, se é o que você pensou. Na verdade estava até mais tranquilo do que quando eu o via no CAPS.

É que no CAPS eu costumava ver esse companheiro, como muitos outros, se defendendo das reclamações da família. E infelizmente sempre levando a culpa. Usuário de saúde mental geralmente levava a culpa.

Eu escrevo LEVAVA, pois espero que doravante isso não aconteça mais.

Logo ele fugiu para a liberdade. Estava cansado de ser encurralado e tratado com injustiça.

Por um lado eu senti uma pontadinha de inveja dele. Mas por outro lado me senti compelido a informar o CAPS dessa situação.

Não podemos desistir do direito de vivermos dignamente, e era isso que ele estava fazendo. Indo para a liberdade, mas perdendo de vez a dignidade.

Com certeza ele estaria com mais dignidade longe das repressões, mas estaria longe de ter o mínimo de dignidade que o mais indigno dos indivíduos que NÃO PASSARAM PELA EXPERIÊNCIA DE EXCLUSÃO DOS PACIENTES PSIQUIÁTRICOS tem.

Devido a urgência da situação me esqueci do exame que tinha e comprei cartões telefônicos e fui ligar para o CAPS.

Perdi um bom tempo tentando ligar, pois ninguém atendia!!!

Enfim, perdi meu tempo, perdi o exame.

Depois falei sobre isso no CAPS e me disseram que estavam TODOS ocupados tomando café, e por isso não poderiam responder ao telefone.

????????????

Nem vou fazer comentários.

Claro que eu esperava que alguém fosse falar com o rapaz, auxiliá-lo. Mas a primeira coisa que me perguntaram é por que eu não liguei pro SAMU fazer a remoção?

SAMU é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que leva as pessoas para os hospitais, para internação, para HOSPITALIZAÇÃO.

Claro que eu não ia desejar esse tipo de terror Para meu companheiro.

Começaram a cogitar que o rapaz estivesse delirando, etc. Não estava delirando, como já disse. Estava muito bem. Quer dizer, não tão bem quanto deveria estar, mas melhor do que estava antes.

Em resumo, pacientes psiquiátricos fogem para escapar de repressões. Os serviços de saúde mental não têm dado apoio aos pacientes psiquiátricos, apenas culpado.

Claro que o próprio SUS (Sistema Único de Saúde) NÃO tem dado um apoio decente aos serviços de saúde mental. Aliás, o SUS não dá apoio decente a ninguém.

Enfim, os serviços de saúde mental têm se omitido. Como já disse, é muito fácil tirar alguém de um manicômio e jogar nas mãos da família e não dar suporte.

As famílias não estão preparadas para lidar com pacientes psiquiátricos, que eu deveria chamar de ex-pacientes psiquiátricos. Não chamo de ex-pacientes psiquiátricos pois sei que a pessoa continua PRESA dentro de casa, no fundo.