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16.1.14

A sexualidade da mulher bipolar

Recebi vários comentários de mulheres diagnosticadas com transtorno bipolar que relataram ter tido uma sexualidade exacerbada, mulheres que disseram ter tido uma hipersexualidade quando estavam com mania, o que que atrapalhou seus relacionamentos, etc. Eu nunca recebi nenhum relato de homem reclamando desse sintoma do transtorno bipolar. Isso é porque as mulheres estão mais presas aos tabus sobre sexo.

Não há nada errado mulher ter sexualidade, mas a sociedade ainda procede como se fosse. Existem vários tabus sexuais, como por exemplo o tabu da masturbação. Um homem que se masturba é criticado e caçoado, e uma mulher que se masturba é muito mais criticada, por causa desse tabu. Masturbação é importante, pois uma pessoa precisa se acostumar a tocar seu próprio sexo, para aprender a colocar uma camisinha corretamente, por exemplo, para conhecer seu próprio corpo e ver se está tudo certo, se está tudo saudável.

Mulheres sentem desejo, como homens, mas o desejo das mulheres geralmente é reprimido, por causa dos tabus. Não é errado mulher querer fazer sexo ou fazer sexo, mas as mulheres estão mais expostas aos maiores perigos. Numa relação sexual casual uma mulher corre muito risco de vida. Existem homens que matam mulheres em relacionamentos casuais, como o psicopata Francisco de Assis Pereira, por exemplo. Esse é um perigo que as mulheres estão mais expostas do que os homens. Existem homens que odeiam mulheres e só buscam ter relacionamentos casuais com elas para matá-las, ou para passar doenças sexualmente transmissíveis.

Sobre a sexualidade da mulher bipolar, deixo abaixo o comentário de uma leitora anônima, sobre seu momento de mania, quando ela está com a sexualidade lá em cima.

"Bom... eu sou diagnosticada como bipolar há 8 anos, tenho 28. E agora tô numa fase maniaca intensa. Não posso ver homem na minha frente, tenho sido infiel ao meu noivo, e o amo, ele é maravilhoso,vamos nos casar, ele não sabe das minhas aventuras sexuais, embora desconfie, mas eu hoje chorei muito e tive um momento de lucidez, quero melhorar. Todo mundo acha que eu dou uma puta acho. Por que eu dou em cima dos homens, enfim sou louca por sexo. Em contrapartida quero ser a mulher que meu noivo merece, pois ele é um anjo na minha vida. Hoje tinha marcado de transar com um cara,e me arrependi. Agora ele tá me mandando mensagem. Gostaria de não ter essa vontade obsessiva de fazer sexo com vários parceiros. Mas isso e como ficar sem uma droga."

O comentário foi deixado na publicação Transtorno bipolar do humor - A sexualidade do paciente.

Não é errado uma mulher ter sexualidade, eu também tenho. Eu também me sinto com vontade de fazer sexo com várias mulheres, outros homens também sentem essa vontade, se disserem que não, estão mentindo. E você não é a única mulher que sente vontade de fazer sexo com vários parceiros. Se nós homens sentimos essa vontade, por que você mulher não poderia sentir? O problema é que, no mundo, existem várias doenças sexualmente transmissíveis, existe gravidez, existe violência, e por isso não é seguro e nem viável fazermos sexo com qualquer estranho que encontramos. Apenas pense nisso. Lembre-se que camisinha às vezes falha sem a gente perceber, e existem doenças que passam apenas através do beijo (herpes, por exemplo).

Se vocês são noivos, comprometidos para casar, imagino que vocês já tenham relações sexuais regulares. Acho que vocês precisam APIMENTAR mais as relações sexuais de vocês. Fale mais sobre suas fantasias. Talvez você deva sondar mais para saber como ele pensa sobre sexualidade. Você não precisa reprimir sua sexualidade só porque vai casar. Por exemplo, se eu fosse casado eu não seria contra minha esposa ir ao Clube das Mulheres. Esse tipo de clube é um lugar onde a mulher pode expressar sua sexualidade sem correr riscos de vida. O importante é pensar em sua segurança, e na do seu noivo também.

Eu pesquiso sobre sexualidade desde adolescente. Pesquiso sexualidade dos homens, das mulheres e dos animais, também. (Meus colegas de escola riam e zombavam de mim quando me viam vendo revistas de animais transando. Eles diziam "o cara vê pornô de animais! Ele quer pegar até os bichinhos! O cara é mesmo um animal!") E um coisa é certa:
TODOS nós, homens e mulheres, sentimos um instinto natural de fazer sexo com vários parceiros; apenas devemos controlar isso pelos motivos que citei acima: vivemos numa sociedade que há doenças, violência, etc.

Quero dizer, uma mulher pode expressar sua sexualidade sem se expor a grandes perigos. Muitos homens procuram garotas de programa, mas apenas poucas mulheres procuram garotos de programa. É a questão do tabu, novamente. As mulheres têm o mesmo direito. Mulheres que procuram garotos de programa estão MUITO mais seguras que mulheres que se relacionam com estranhos que encontram na balada. Lembre-se que garotos de programa são profissionais, usam camisinha SEMPRE, e sabem satisfazer uma mulher melhor que a maioria dos homens, pois são PROFISSIONAIS! Existem agências de garotos de programa ORGANIZADAS que oferecem MUITO mais segurança que um encontro casual.

Casais DEVEM falar sobre seus desejos sexuais, se pretendem compartilhar uma vida, não deve existir esse tipo de segredo. Vejam filmes pornôs juntos, leiam sobre sexo juntos, vão para clubes de dançarinos sensuais e dançarinas sensuais juntos, etc. Ou vão separados, mantendo o respeito um para com o outro.

Existem casais que se amam e tudo, mas participam de "swings" e troca de casais, onde tudo é feito com segurança, exames de saúde antes, etc. Converse com seu parceiro, seja franca. Nem todos os homens aceitarão certas coisas, talvez a maioria não aceite, mas pode ter certeza:
Você não é "puta" por ter desejo sexual.

29.11.13

Estatísticas do transtorno bipolar

Um vídeo sobre transtorno bipolar mostra um "gráfico do humor", que mostra os ciclos do transtorno bipolar na vida de um paciente. O vídeo está em inglês, portanto compartilho o link mais abaixo, no texto em inglês, no fim da publicação.

"Neste paciente, como acontece com vários pacientes com transtorno bipolar, os episódios depressivos se tornam o aspecto mais prominente da doença ao passo que a pessoa fica mais velha."

Aqui no blog PACIENTE PSIQUIÁTRICO, eu publiquei o texto Algumas pessoas saram do transtorno bipolar, que é uma tradução do texto Some People Outgrow Bipolar Disorder. Esse texto explica que, segundo uma pesquisa, quase metade das pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar entre 18 e 25 anos superam a doença por volta dos 30 anos, ou seja, saram. Novamente, isso é ESTATÍSTICA.

Meu objetivo ao compartilhar isso não é fazer com que as pessoas abandonem seus tratamentos, mas sim fazer com que as pessoas entendam que podem melhorar SIM. Um acompanhamento terapêutico DE QUALIDADE sempre é bom, mas em um momento da vida da pessoa ela poderá ter tratamento apenas com psicólogos ou psicanalistas, ou com psiquiatras mas sem os psicotrópicos, o que significaria uma melhor qualidade de vida.

Esta publicação é direcionada principalmente a alguns blogueiros:
Memórias de um esquizofrênico
Nancie Flor
ESPELHODÁLMA

Eu luto para que as pessoas tenham BOM ATENDIMENTO, e não que abandonem seus tratamentos. Quando não estamos satisfeitos com o atendimento do SUS, o ideal é lutar para que haja melhores atendimentos de maneira pacífica, em vez de deixar o acompanhamento. (E se for para deixar o acompanhamento do SUS, que seja como PROTESTO!) Os psicotrópicos podem causar sequelas numa interrupção, o melhor é ser supervisionado por um profissional ao deixar de tomar uma medicação, para retirar o medicamento sob orientações de um médico, para a segurança do paciente. Se um paciente psiquiátrico recebe benefício e não faz acompanhamento de saúde mental a perícia pode SIM exigir que a pessoa tenha um acompanhamento. O paciente não é obrigado a tomar a medicação, mas deve ter algum acompanhamento terapêutico (com terapeutas ocupacionais ou psicólogos, talvez) para justificar o recebimento do benefício, não acha?

Como indicado acima, os episódios de mania diminuem muito quando a pessoa fica mais velha, daí cabe à pessoa evitar a depressão, sabendo que esse é o ponto que é mais prominente ao passo que a pessoa fica mais velha. Portanto, você deve fazer um esforço para fazer alguma atividade quando surgir desânimo, pois não é um bom sinal. Por isso, mesmo quando você estiver desanimado para fazer alguma coisa, faça um esforço e FAÇA, dessa forma você estará afastando cada vez mais a depressão. Evite desistir de fazer coisas nesse período, sabendo que ESTATISTICAMENTE depressão acontece mais e mania se torna raro. Lembre-se que sua determinação vai beneficiá-lo(a) mais do que você imagina.

Ao olhar o blog da Vanny que eu pude me lembrar que eu tinha traduzido o texto sobre a recuperação de bipolares. Ela fala sobre os preconceitos que pessoas diagnosticadas com transtornos mentais sofrem, inclusive muitas mães e avós são afastadas das crianças por causa desses preconceitos.

Obrigado a todos.

Video UNDERSTANDING BIPOLAR DISORDER at 01:06 = "In this patient, as with many patients with bipolar disorder, depressive episodes become the more prominent aspect of the illness as the person ages."
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30.6.13

Transtorno Bipolar e a sexualidade exacerbada

Na doença mental, muitas pessoas ficam com a sexualidade exacerbada. E as mulheres sofrem mais com esse problema.

Eu falei um pouco sobre a fase maníaca do transtorno bipolar em Transtorno bipolar do humor - A fase maníaca. Meus comentários lá não agradaram muito a comunidade bipolar, pois eu fui erroneamente diagnosticado como tal, portanto não consigo me identificar com o transtorno.

Vou compartilhar aqui dois dos corajosos relatos deixados por mulheres que foram diagnosticadas com o transtorno bipolar, e tiveram graves perdas, entre as quais relacionamentos.

Depois de toda a exacerbação sexual causada pela fase maníaca da doença mental, essas duas mulheres acham que não conseguirão mais ter um relacionamento duradouro. Acho que as mulheres que sofreram essa situação podem conseguir um relacionamento sim, com homens informados sobre a doença.

Infelizmente, essa doença não é explicada pela mídia nem pelas autoridades e é normal que as pessoas achem que uma pessoa não poderia ter tal comportamento sexual por causa de um transtorno. Infelizmente é normal que um homem desinformado culpe a mulher por uma situação dessas. Uma mulher em fase maníaca não parece doente. Muito pelo contrário. Parece muito bem. Eu só sei disso porque vi pessoalmente mulheres com mania. Uma mulher com mania fica com uma aparência super sensual. De fato, uma mulher com mania fica mais sensual e bonita que as outras. Não é apenas impressão da cabeça delas.

No relato da segunda mulher, ela diz que fez sexo com sete homens que sequer conhecia e por isso acabou grávida, e acabou perdendo um relacionamento sério de 6 anos. O que eu diria para uma mulher que passou por uma situação dessas é que não desista de seu relacionamento, não desista de seu amor, pois você estava doente. Busque alguém que possa explicar para o seu namorado / marido sobre o transtorno. Pois um homem desconhecido que faz sexo com uma mulher em fase maníaca praticamente está cometendo um ESTUPRO.

Nenhuma mulher pode ser culpada por um estupro. Apesar de as mulheres ficarem muito sensuais e bonitas na fase maníaca, fica evidente para o homem que se relaciona com elas que há algo errado, pois elas agarram os homens com quem fazem sexo com uma volúpia inconfundível, que deixa qualquer homem perceber que há algo errado. O homem que faz sexo com uma mulher numa condição dessas é um estuprador como qualquer outro. Evidentemente mulheres em fase maníaca já me agarraram de jeito, e lógico que eu jamais faria sexo com uma mulher numa condição dessas. Eu não sou estuprador.

O segundo relato é mais chocante, por isso coloquei na íntegra.


Relato da primeira mulher diagnosticada com transtorno bipolar:
"...me envolvi em pasmes: 3 relacionamentos ao mesmo tempo... chegando a ficar noiva de alguém que nunca pretendi sequer namorar.(...)
...estou arcando com os débitos da fase eufórica até hoje...e Pior: tentando sobreviver a esta fase de merda que é a depressiva....que honestamente Odeio! Não sou mais a super mulher, super mãe, campeã de vendas, não tenho nenhum relacionamento e PIOR: mal tenho motivação para ser Mãe! tá F***! Não acredito que consigo ter qualquer tipo de
relação duradoura dessa forma... E SIM: os pensamentos na fase eufórica são extremamente rápidos..... Porém acredito que logo após venha o cansaço mental, com falta de concentração e dificuldade de memória....ao menos foi assim comigo! C*** 28 anos."


Relato da segunda mulher diagnosticada com transtorno bipolar:
"Eu não sei ao certo quando tudo começou , mas só hoje tenho consciência que sofri ou sofro de TB. pois em um período de 3 meses destruí toda minha vida. Entrei em uma loja no shopping pra comprar um salgadinho e gastei todas as minhas economias pra me manter na faculdades em coisas inúteis que tive a ideia naquele exato momento de compra-las para montar uma loja, comecei a ter um turbilhão de ideias, meu cérebro não parava, nem conseguia dormir, tudo isso até eu estourar todos os meus cartões e gastar o dinheiro de meu namorado também.

Depois de perceber que não havia dado certo e que todos estavam preocupados e alertas com meu estado, resolvi fazer uma viagem SÚBITA E escondida e, sem dinheiro algum, saí de carona da Bahia , e passei por Minas, São Paulo, e Parana. Passei 15 dias na estrada, com uma única roupa do corpo, me envolvi sexualmente ao todo com 07 rapazes de lugares diferentes, experimentei drogas (maconha e dopamina), dei inicio a uma tatuagem na costas , coloquei um "piercing" na língua e com meu cabelo que era longo e ruivo, picotei todinho e descolori - nossa. Perambulei por esse Brasil como uma mendiga, que não via perigo em nada, não sei como consegui retornar!

Ao chegar em casa totalmente irreconhecível fui levada para o psicologo, e após algumas seções ao perceber o que tinha feito entrei em uma depressão profunda que foi acentuada, com o isolamento e abandono do meu namorado e com a descoberta de uma gravidez da qual nunca poderei saber quem é o pai do meu filho. pela circunstância tranquei a faculdade, perdi emprego e o pior é a vergonha de encarar as pessoas nas ruas, passei esses últimos meses isolada e tentando me matar, mas graças a esses ser que carrego em meu ventre não tirei a minha vida. Quanto a medicamento eu me recusei a tomá-los para não prejudicar mais ainda a saúde de meu filho. Hoje no 8º mês de gravidez me sinto melhor, já consigo sair de casa e olhar as pessoas na rua, mas mesmo sabendo que fiz todas essas coisas doente isso não diminui a minha dor, e nem o fato que minha vida zerou e que perdi um relacionamento de 06 anos . E a você colega que graças a Deus não teve nenhuma dessas perdas, fico feliz por você."

Esses comentários estão em Transtorno bipolar do humor - A fase maníaca.

Apesar de eu ter sido vítima de um erro médico e ter sido diagnosticado erroneamente, eu também experimentei os sintomas do transtorno bipolar, pois o carbonato de lítio causa os sintomas do transtorno bipolar em quem não tem o transtorno. E os sintomas que eu senti eu compartilhei em parte nesse blog. Mas em respeito às mulheres que tão corajosamente fizeram tais relatos, na sequência eu compartilharei com mais detalhes as consequências causadas pelo lítio em minha sexualidade.

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24.5.13

Transtorno Bipolar e sua Biomitologia

Leia a importante entrevista abaixo com um ex-funcionário da Associação Britânica de Psicofarmacologia, e fique sabendo coisas chocantes sobre o "transtorno afetivo bipolar". O especialista nos informa, entre outras coisas, que transtorno bipolar NÃO É a mesma coisa que a doença maníaco-depressiva, como muitos erradamente pensam.

David Healy, um ex-secretário da British Association for Psychopharmacology (Associação Britânica de Psicofarmacologia), é autor de mais de 120 artigos e 14 livros, incluindo The Antidepressant Era (A Era do Antidepressivo), The Creation of Psychopharmacology (A Criação da Psicofarmacologia), e Mania, um novo livro sobre a fascinante história do transtorno bipolar. Sua crítica contra as práticas das empresas farmacêuticas o colocou em desacordo com os colegas da psiquiatria e farmacologia. Ao mesmo tempo, a sua perícia como um líder acadêmico incontestado, pesquisador e médico lhe dá uma perspectiva única sobre padrões e problemas na psiquiatria anglo-americana. Ele concordou recentemente em responder a uma série de perguntas sobre a crescente prevalência e definição alargada do transtorno bipolar.

Parte do que você descreve em seu novo livro "Mania: Uma Breve História do transtorno bipolar" é uma boa parte de "biomitologia" (biomythology) sobre a doença. Quais os aspectos em particular que você tem em mente?

"Biomythology" está ligado a "biobabble", um termo que eu criei em 1999, para se corresponder à expressão amplamente utilizada "psychobabble". (Babble = rumores. Logo, "psychobabble" se refere a falsas afirmações sobre problemas psíquicos, wenfim mitosd sobre doenças mentais) Biobabble se refere a coisas como a suposta redução dos níveis da serotonina e o desequilíbrio químico que dizem estar no centro dos distúrbios de humor, TDAH(Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e de ansiedade. Isto é tão mítico quanto as supostas alterações da libido que a teoria freudiana afirma que estão no centro dos transtornos psicodinâmicos.

Embora a libido e serotonina sejam coisas reais, a forma como esses termos foram usados uma vez por psicanalistas e por psicofarmacêuticos agora, especialmente no jeito como eles têm se diluído na cultura popular, não tem qualquer relação com qualquer nível subjacente de serotonina ou desequilíbrio químico mensurável ou distúrbio da libido. O que é surpreendente é a forma rápida que estes termos foram tomados pela cultura popular, e de uma maneira bem global, com tantas pessoas agora rotineiramente dizendo que seus níveis de serotonina estão descontrolados quando elas estão se sentindo mal ou erradas.

No caso do transtorno bipolar os "biomyths" (biomitos) se centram nas ideias sobre a estabilização do humor. Mas não há provas de que as drogas estabilizam humor. Na verdade, nem sequer é claro que faça sentido falar de um centro do humor no cérebro. Um outro pedaço da mitologia que visa manter as pessoas tomando as drogas diz que estas são supostamente neuro protetoras, mas não há provas de que este é o caso e, de fato, estas drogas podem levar a danos cerebrais.

Como é que o nosso entendimento de "mania" hoje se difere das concepções anteriores do fenômeno?

Transtorno bipolar em si é um pouco uma entidade mítica. Como é empregado agora o termo tem pouca relação com a clássica doença maníaco-depressiva, que obrigava as pessoas a serem hospitalizadas com um episódio da doença, seja depressão ou mania. Os problemas que, atualmente, estão agrupados sob o título "transtorno bipolar" são semelhantes aos problemas que, na década de 1960 e 1970, teriam sido chamados de "ansiedade" e tratados com tranquilizantes ou, durante a década de 1990, teriam sido identificados como "depressão" e tratados com antidepressivos.

Como é que passamos, tão rapidamente, na década de 1990, de um modelo de tratamento psicoterápico para crianças para um modelo de tratamento altamente relacionado às drogas?

Penso que um fator-chave para esta mudança foi a disponibilidade de critérios operacionais. Estes foram introduzidos em 1980 no DSM-III, a 3ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. A ideia foi a de cobrir a brecha entre os psicoterapeutas, por um lado, e os neurocientistas, por outro. Esperava-se que, se ambos os campos pudessem assegurar que os pacientes conseguissem critérios 5 de 9 para depressão, por exemplo, então, pelo menos, o grupo de pacientes seria homogêneo, mesmo se as opiniões sobre o que levou aos problemas não fossem.

Presumia-se, no entanto, que havia lugar para um julgamento clínico, para que uma paciente que reunia 5 dos 9 critérios para depressão, mas tinha gripe ou estava grávida fosse diagnosticada como grávida e não deprimida. Mas, em face da propaganda das empresas, e com o advento da Internet, o julgamento clínico se esvaziou. Pacientes na Internet ou diante dos materiais das empresas farmacêuticas agora facilmente acham que preenchem os critérios para um transtorno e muitas vezes não existe nada nem ninguém que possa dizer-lhes que isto não é o equivalente a ter o distúrbio.

Em casos extremos, tive pacientes com carreiras altamente sociais que vêm falar comigo e dizem que acham que têm síndrome de Asperger, porque eles viram na Internet e acham que eles cumprem os critérios para tal, quando, na verdade, quase por definição , essa pessoa pode não ter Síndrome de Asperger. Na ausência de julgamento clínico existe um padrão para uma opção de um medicamento biológico como solução. Critérios criam um problema para o qual uma droga é muitas vezes a resposta, em apenas da mesma forma que as medições de seus níveis lipídicos criam um problema do qual uma estatina é a solução.

Critérios operacionais estão interagindo aqui com uma certa perda da autoridade médica. Não é possível para uma médica (sic), hoje em dia, dizer a um paciente, "Baseado em meus 15 a 20 anos de experiência, você não tem PSPT(Perturbação de Stress Pós-Traumático)", ou seja o que for. Ela não pode dizer, "Nós não precisamos continuar esta conversa, volte quando você tiver uma formação médica e 15 anos de experiência clínica."

A médica (sic) tem que dialogar com o paciente sobre o nível do material que está lá fora, na cultura popular, e quando ela tenta fazer isso ela vai descobrir que ela está disputando com uma implantação extraordinariamente hábil desses materiais feitos pelo departamento de marketing das companhias farmacêuticas que são mestres em povoar a cultura geral para atender aos seus interesses.

Em meados da década de 1990, você nota, cerca de metade de todos os transtornos do humor foram redefinidos como transtorno bipolar, em vez de depressão. O que você acha que explica essa dramática mudança de perspectiva?

O principal evento em meados da década de 1990 que levou à mudança de perspectiva foi a comercialização de Depakote pela Abbott como um estabilizador do humor. Antes disso, o conceito de estabilização de humor não existia. E, embora em uma popular série televisiva podemos aceitar que Buffy a caça vampiros ganhe uma nova irmã na Temporada Cinco que tinha todo o tempo, mas nós não conhecíamos, não esperamos que isso aconteça na academia.

A introdução da estabilização de humor pela Abbott e outras companhias que pegaram o embalo para comercializar anticonvulsivantes e antipsicóticos foi, de fato, bastante comparável a Buffy obtendo uma nova irmã. Estabilização de humor não existia antes de meados da década de 1990. Não pode ser encontrado em nenhum dos livros anteriores de referência e jornais. Desde então, porém, agora temos seções para estabilizadores de humor em todos os livros sobre drogas psicotrópicas, e mais de uma centena de artigos por ano apresentando estabilização de humor nos seus títulos.

Da mesma forma, a Abbott e outras companhias, como a Lilly comercializando Zyprexa para transtorno bipolar, têm re-estruturado a doença maníaco-depressiva. Embora o termo transtorno bipolar estivesse presente desde 1980, doença maníaco-depressiva era o termo que era ainda mais comumente utilizado até meados da década de 1990 quando desaparece e é substituído por transtorno bipolar. Atualmente, mais de 500 artigos por ano colocam transtorno bipolar em seus títulos.

Você apenas tem que olhar para a Lilly que comercializou Donna nos documentos da internet sobre Zyprexa para ver o que está acontecendo aqui: "Donna é uma mãe solteira, de uns 30 anos, e aparece em seu escritório com roupas um tanto relaxadas e pouco à vontade. Sua principal queixa é "Eu me sinto tão ansiosa e irritada ultimamente." Hoje ela diz que tem dormido mais que o habitual e tem dificuldade para se concentrar no trabalho e em casa. No entanto, em várias consultas anteriores ela estava falante, eufórica, e relatou que tinha pouca necessidade de sono. Você a tem tratado com vários medicamentos, inclusive com antidepressivos com pouco sucesso... Você poderá garantir para Donna que Zyprexa é seguro e que irá ajudar a aliviar os sintomas contra os quais ela está lutando. "

Donna poderia ter destaque nos anúncios de tranquilizantes de 1960 a década de 80, ou de antidepressivos na década de 1990, e teria sido provavelmente mais susceptível de responder a qualquer um destes grupos de tratamento do que para um antipsicótico, e menos provável de ser prejudicado por eles do que por um antipsicótico. O que as empresas de marketing são muito boas de fazer é enquadrar as pessoas que têm sintomas comuns, que quase todos nós temos, numa maneira mais conveniente de conduzir a uma receita para o remédio do dia. É uma afronta para um século de pensamento psiquiátrico ver condições que pacientes como Donna têm como transtorno bipolar. Mas se um século de pensamento psiquiátrico costumava dizer alguma coisa, não diz mais.

Entre 1996-2001, você explica, houve um aumento de cinco vezes no uso de antipsicóticos (Zyprexa, Risperdal, Abilify, Seroquel, e outros) em pré-escolares e pré-adolescentes. Qual o papel que o DSM-IV desempenhou nisso, com a introdução da categoria, ainda controversa, transtorno bipolar II?

O conceito de transtorno bipolar juvenil voa ainda mais em face da sabedoria tradicional em psiquiatria do que em chamar Donna de bipolar. A partir de 2008, mais de um milhão de crianças nos Estados Unidos, em muitos casos pré-escolares estão tomando "estabilizadores de humor" para o transtorno bipolar, embora a condição permaneça desconhecida no resto do mundo.

Não estou certo de quanto DSM-IV(Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
4º Ed.) desempenhou algum papel nesta mudança. Acho que as empresas teriam encontrado uma maneira de criar essa mudança, mesmo sem a introdução do transtorno bipolar II no DSM-IV.

Então a quanto dessa mudança é atribuível aos antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina)terem perdido a patente enquanto os antipsicóticos eram ainda grandes geradores de lucro?

Acho que este foi, de fato, pivô do que aconteceu. Os antidepressivos poderiam perder a patente enquanto que as drogas anticonvulsivantes eram mais velhas e poderiam ser repatenteadas para esta finalidade, e os antipsicóticos, que também poderiam ser (e foram) comercializados como estabilizadores de humor, iniciavam suas vidas de patentes.

Um ponto que está relacionado e que vale a pena trazer a tona é que a mudança ocorreu porque as empresas não foram capazes de fazer antidepressivos novos e mais eficazes. Se tivessem sido capazes de fazê-lo, acho que eles teriam provavelmente ficado com o modelo de depressão e não teriam feito a mudança para o transtorno bipolar.

Nos termos do que está acontecendo nos EUA, penso que temos de olhar para o modo como as empresas farmacêuticas têm habilmente explorado os médicos. Os médicos até que têm tentado ajudar. Embora as drogas apenas estejam disponíveis mediante receita médica,, os médicos tendem a ver passar um medicamento como um procedimento natural, enquanto que anteriormente tinham sido muito mais céticos sobre os benefícios dos tratamentos medicamentosos.

As empresas farmacêuticas têm arrumado uma situação em que acadêmicos se tornaram os principais oradores para as drogas. Vemos o Representante de vendas no canto e pensamos que podemos resistir facilmente aos seus encantos, mas acabamos deixando que eles dominem totalmente a situação. Mas é o meio acadêmico que vende as drogas. Os médicos que pensam que não são influenciado pelo marketing das empresas ouvem as vozes dos acadêmicos psiquiatras quando estes, no caso dos antidepressivos e antipsicóticos dado às crianças, têm falado sobre dados provenientes de testes controlados, e ao fazer isso eles têm sido, consciente ou inconscientemente, um instrumento para os departamentos de marketing das empresas.

Na sua opinião, a decisão da FDA em 2004 de adicionar advertências em caixa-preta aos ISRSs sobre uso pediátrico levou a mais prescrições off-label e até mesmo a uma guinada em direção aos antipsicóticos, presumindo-se que estes últimos são mais seguros para uso em crianças?

Acho que isto teve muito pouco efeito na mudança de depressão para transtorno bipolar, mas o que foi bastante surpreendente foi a rapidez em que as empresas foram capazes de utilizar a opinião dos poucos bipolarologistas (sic) que argumentavam que quando as crianças tornavam suicidas com antidepressivos não é a culpa da droga. O problema, eles diziam, decorre de um diagnóstico equivocado e, se pudéssemos apenas obter o diagnóstico correto e colocar a criança para tomar estabilizadores de humor, então não haveria problema.

Não há provas para esse ponto de vista, mas foi interessante ver como de apoio das empresas poderia pôr vento nas velas de uma tal perspectiva.

Também foi interessante ver como as pessoas ficavam meio delirantes por causa de uma ideia desta. Confrontados com detalhes, como voluntários saudáveis ficando suicidas ao tomar antidepressivos, dedicados "bipolarologistas" estavam prontos a dizer que isto só mostra que estas pessoas normais são bipolares latentes.

Neste caso, penso que a maioria das pessoas vai ver que "bipolaridade latente ", como um conceito, está funcionando um pouco como a forma latente da homossexualidade uma vez funcionou para os Freudianos. A maioria das pessoas também verá que o primeiro conceito é impossível. O que as empresas têm feito é passar um megafone para as mãos dos defensores desse ponto de vista sobre transtorno bipolar, que era até muito recentemente uma rara minoria.

E são os antipsicóticos na verdade mais seguros que antidepressivos?

Não, eles não são. Os antipsicóticos são tão perigosos quanto os antidepressivos. Antes da introdução dos antipsicóticos, as taxas de suicídio na esquizofrenia eram extremamente baixas, eram difíceis de diferenciar do resto da população. Desde a introdução dos antipsicóticos as taxas de suicídio subiram 10 - ou 20 vezes.

Muito antes de que os antidepressivos fossem relacionados a acatisia, os antipsicóticos eram universalmente reconhecidos como causadores desse problema. Também foi universalmente aceito que a acatisia que eles causavam tinha o risco de induzir o paciente ao suicídio ou à violência.

Eles também causam uma dependência física. Zyprexa está entre as drogas mais susceptíveis de fazer que as pessoas se tornem fisicamente dependentes dela. No que me diz respeito, a licença do Zyprexa para a suposta manutenção para tratamento de transtorno bipolar resulta de dados que são de fato excelente prova para o que provoca dependência física e os problemas que podem surgir quando o tratamento é interrompido.

Além disso, naturalmente, estas drogas são conhecidas por causar uma variedade de síndromes neurológicas, diabetes, problemas cardiovasculares, e outros problemas. É difícil compreender o quão cegos clínicos podem ficar para problemas como estes, em especial nos jovens que crescem e se tornam obesos e diabéticos bem diante de seus olhos.

Mas temos um campo que, quando confrontados com o óbvio, em vez disso optou por ouvir as vozes de Eli Lilly dizendo: "Oh não, não há qualquer problema com Zyprexa. A psicose é o que provoca diabetes - Henry Maudsley reconheceu isso 130 anos atrás". Bem, Henry Maudsley odiava pacientes, e viu pouquíssimos deles num tempo em que o diabetes era raro. Recentemente, olhamos para as admissões do Hospital de North Wales no período 1875-1924, vasculhando sua carreira, e entre os mais de 1200 casos admitidos por doença mental grave, ninguém tinha diabetes e ninguém passou a desenvolvê-la.

Também analisamos as admissões para a unidade local de saúde mental entre 1994 e 2007, e em mais de 400 internações primeiro ninguém tinha diabetes de tipo 2, mas o grupo como um todo passou a desenvolver diabetes em dobro da taxa nacional.

Isto não é surpreendente. O que é impressionante é como o campo inteiro engoliu a linha da Lilly, especialmente quando ela era tão implausível para começar. Tivemos grandes dificuldades para fazer que este artigo fosse publicado. Um jornal se recusou mesmo a revê-lo.

Uma forma de levantar um perfil de transtorno bipolar em crianças, você nota, era argumentar que elas tinham sido mal diagnosticadas com TDAH. Quais foram as implicações e os efeitos dessa solicitação?

No caso das crianças com TDAH, acho que precisamos observar é que na maior parte do mundo até muito recentemente (e ainda em países como a Índia), TDAH é um transtorno muito raro em que as crianças, geralmente meninos, são fisicamente muito hiperativos. Esta é uma condição que eles superam em sua adolescência. Tratamento com estimulantes pode fazer a diferença em casos como este. Se o tratamento é sempre necessário, no entanto, pode depender das circunstâncias da criança, por oposição à natureza de qualquer suposto condição.

É só num mundo onde escolaridade ou a adesão a um determinado conjunto de normas sociais é obrigatório que uma condição como TDAH se torna um transtorno. Houve uma maior tolerância ao longo de um século atrás do que existe atualmente para as crianças fazerem outras coisas na infância, e aguardarem até que se estabelecessem na adolescência, sem serem tratadas, para sua condição.

O que temos hoje não é TDAH como era classicamente entendido, mas sim um estado de coisas que temos tido ao longo dos séculos, que é o da "criança problema." Hoje, a criança problema é rotulada como tendo TDAH. Mas ter apenas um rótulo é muito limitante. A psiquiatria infantil (pedopsiquiatria) precisava de um outro distúrbio, e por esta razão a doença bipolar foi bem-vinda.

Nem todas as crianças acham os estimulantes adequados, e assim como com os ISRS e o transtorno bipolar, tornou-se muito conveniente dizer que os estimulantes não foram a causa do problema que a criança estava experimentando, a criança tinha na verdade um distúrbio diferente e, se pudéssemos apenas obter o diagnóstico correto então tudo ficaria no lugar.

Uma fenômeno fascinante, neste momento, é um claro efeito "looping" do TDAH em adultos. Muito recentemente as orientações(guidelines) para TDAH da NICE [National Institute for Health and Clinical Excellence] da Grã-Bretanha saiu e declarou que TDAH em adultos é um transtorno clínico válido. Estou certo de que há alguns anos, 85 a 90 por cento dos médicos do Reino Unido não teria pensado que TDAH em adultos era um transtorno clínico válido. Seria de se esperar que as orientações fossem um pouco conservadoras, mas neste caso o que parece que se vê é o processo das guias sair à frente no campo, levando os clínicos em uma direção que parece ser bastante surpreendente.

As empresas farmacêuticas compreendem muito bem que essas orientações que estão construindo devem ser neutras em termos de valor e seguir os dados. Isto significa que eles podem facilmente criar testes que podem mostrar vantagens mínimas para o seu medicamento para uma condição que eles chamaram de "TDAH adulto." Os autores das orientações têm pouca opção senão suspender a sentença e aceitar que a condição colocada deve ser real. Assim, por exemplo, como Lilly obteve, eles acabam aprovando a utilização de um agente como Strattera.

O que é surpreendente sobre a atual situação é que parece ser quase impossível chegar aos autores das orientações, que estão sentados no meio da estrada, imobilizados pelos faróis que chegam, fora do caminho dos farmacêuticos poderosos. Você pode mostrar como estão sendo manipulados, mas eles dão de ombros e perguntam, "O que podemos fazer?"

Começamos recentemente a um inquérito, aqui no Norte do País de Gales, olhando para os aspectos da situação. Em resposta a perguntas, aqui clínicos indicaram que três anos atrás estavam bastante certos de que eles não teriam utilizado TDAH adulto como uma condição válida, mas eles antecipam que daqui a três anos a eles provavelmente vão. Acho que isso mostra uma apreciação realista das habilidades das empresas para mudar o clima em que a prática clínica acontece, e da relativa futilidade de tentar se levantar contra tais mudanças.

Você tem que tratar pacientes reais. O que você diz a eles sobre estas condições e as suas opções do tratamento?

Muitos médicos, cientistas e pacientes ouviram falar do pós-modernismo. Eles já devem ter ouvido críticas das empresas contra alguém como eu, dizendo coisas como "Não dê ouvidos a ele, ele não passa de um pós-modernista". A implicação é que se trata de pós-modernismo, mas um distúrbio psiquiátrico, no seu próprio direito, em que professores universitários como eu recusam a admitir que haja qualquer realidade para o comportamento humano ou implicações físicas dos transtornos do comportamento humano. Em contrapartida, a história vai, lá estão os cientistas que trabalham no duro, para empresas farmacêuticas ou com empresas farmacêuticas que lidam apenas com fatos e dados duros, e a prova é que eles trazem novas drogas úteis para o mercado.

Bem, acho que a história de Donna acima ilustra é que os departamentos de marketing das empresas farmacêuticas que são, na realidade, pós-modernistas por excelência. Eles tratam o corpo humano (incluindo os seus transtornos e reclamações), como textos, que deve ser interpretado de uma forma este ano e de uma forma totalmente oposta em um ano ou dois mais tarde.

Em contrapartida, quando se trata dos perigos das drogas, assim como as empresas tabaqueiras, antes deles, o lema da indústria farmacêutica tornou-se "dúvida é o nosso produto", eles simplesmente se recusam a admitir que as suas drogas estão ligados a qualquer perigo em absoluto. . . até que a droga perde a patente. Você não pode obter uma melhor definição de pós-modernismo que "dúvida é o nosso produto."

Então, a questão de quais tratamentos são melhores: estou muito feliz que os pacientes que vem me ver que, em geral obtêm tratamentos mais eficazes e seguros para seus problemas do que eles obtêm de médicos que aderem às últimas orientações. O problema é que basta apenas eu tropeçar uma vez e ter um grande problema, enquanto que atrocidades podem ser cometidas do outro lado, sem ninguém vir a ser incomodado.

David Healy é o autor de 14 livros, incluindo o A Era do Antidepressivo, A Criação da Psicofarmacologia, Let Them Eat Prozac: The Unhealthy Relationship between the Pharmaceutical Industry and Depression (Deixe-os Comer Prozac: As Relações Nada Saudáveis Entre a Indústria Farmacêutica e a Depressão), e, mais recentemente, Mania: A Short History of Bipolar Disorder (Mania: Uma Breve História do transtorno bipolar). Christopher Lane é o autor mais recentemente de Shyness: How Normal Behavior Became a Sickness (Timidez: Como Um Comportamento Normal Se Tornou Uma Doença.

Entrevista do especialista em psicofarmacologia, David Healy. Leia a entrevista completa em Bipolar disorder and its biomythology: An interview with David Healy

4.12.10

Você tem valor



Você Tem Valor
Armando Filho
Composição: Armando Filho / Lucas de Jesus

Quero que valorize o que você tem,
Você é um ser, você é alguém
Tão importante para Deus
Nada de ficar sofrendo angústia e dor
Neste seu complexo inferior
Dizendo Às vezes que não é ninguém
Eu venho falar do valor que você tem
Eu venho falar do valor que você tem
Ele está em você
O Espírito Santo se move em você
Até com gemidos
Inexprimíveis
Inexprimíveis
Daí você pode então perceber
Que pra Ele há algo importante em você
Por isso levante e cante
Exalte ao Senhor
Você tem valor
O Espírito Santo se move em você
Você tem valor
O Espírito Santo se move em você
Você tem valor

Você bipolar ou esquizofrênico tem valor


Se você acha que você é o que dizem sobre os esquizofrênicos e bipolares eu realmente acho que você não se valoriza.

Vejamos a descrição da fase maníaca dos bipolares abaixo, de acordo com o psicosite.

Fase maníaca
Tipicamente leva uma a duas semanas para começar e quando não tratado pode durar meses. O estado de humor está elevado podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo.

Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono. O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as ideias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma ideia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-ideias.. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento.

Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.


Depois de ver a descrição da psiquiatria espero que você entenda que nunca foram verdade. Essas definições colocam você como um mau caráter. você vai aceitar isso? Você não tem nenhum "sentimento de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo."

Pare para pensar um pouco. Tente lembrar dos surtos, e você, bipolar ou de qualquer outro rótulo verá que tais definições não são reais.

Se você parar para pensar verá que nunca houve nenhum sentimento de grandiosidade. É desrespeito dos psiquiatras ainda descreverem as pessoas desse jeito.

Todos são iguais.

Ninguém deveria aceitar tais definições.

Seria como descrever o portador de HIV como alguém IMUNDO.

Tente se lembrar e você verá que nem sentia nenhuma grandeza, e sim uma voz, ou um fantasma ou algo parecido sugeria isso para você, como se quisesse dizer: "Você se acha superior!", como se tentasse colocar culpa em você.

O que os psiquiatras fazem ao colocar essas definições é confirmar a culpa que o delírio, o fantasma do delírio tenta colocar em você.

Isso deveria ser proibido.

É ridículo a psiquiatria ficar rotulando as pessoas dessa forma.

Entrevista sobre possíveis formas de vida em outros planetas


Yahoo! - Qual a importância da descoberta?
Carlos Alexandre Wuensche - O principal é que está confirmado, mas tem gente que contestou a pesquisa, que existem outras possiblidades de a vida se rearranjar, diferentemente do que conhecíamos até agora. A gente sabia que os seres vivos eram compostos por carbono, nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, fósforo e enxofre. A supresa está nessa bactéria, no lugar do fósforo, usar arsênio. Para entender, imagine que o DNA é uma escada. O fósforo é a lateral da escada, neste caso, no lugar dele, há o arsênio. Além disso, trata-se do inesperado porque o arsênio é um veneno para a maioria das espécies.

Y! - Por que alguns pesquisadores contestam a descoberta?
CAW - Quem contesta diz que o arseniato no lugar do fosfato deveria gerar uma reação química que desmontaria a estrutura do DNA. Mesmo assim, a descoberta é fantástica porque deve haver uma reação que a gente não conhece que estabiliza o DNA composto com arseniato. Agora, os pesquisadores estão procurando outras bactérias em lugares ricos em arsênio para checar se existem outras semelhantes.

Y! - Mas já existia hipótese de vida baseada em outros elementos químicos, não é?
CAW - Um artigo, publicado em 2003, falava da hipótese de vida baseada em silício. O problema é que ele possui uma série de limitações físicas. No lugar da água - que permite que aconteçam processos químicos que dão origem à vida -, deve existir nitrogênio, amônia ou metano líquido. Mesmo assim, um fator complica essa criação. O silício trabalha em temperatura abaixo de zero, em por volta de -200 ºC. O metabolismo nessa condição é mais lento e a energia é baixa, tornando essa formação mais complicada. Sem contar que nitrogênio, amônia ou metano líquido são menos abundantes que a água.

Y! - Por que os pesquisadores relacionaram a descoberta com a chance de encontrar vida fora da Terra?
CAW - Porque, até agora, a gente procurava algo parecido com o que conhecemos na Terra. Com a descoberta, há uma versatilidade para procurar vida fora do planeta. Pode ser que perdemos a chance de encontar vida fora do planeta, por não saber que certeza se existia desse tipo. Mas os pesquisadores não começaram o estudo, no lago da Califórnia, de olho nisso. Eles estudavam o lugar por ser muito salino e, mesmo assim, existirem bactérias vivendo bem lá. Sem querer, ao ver que o DNA incorpora o arsênio, surgiu a surpresa.

Y! - Quais as principais dificuldades em encontrar vida fora da Terra?
CAW - Desconsiderando encontrar vida inteligente, já que outra civilização teria que enviar um sinal para cá e a gente captar, pode ser que resquícios de bactérias que já existiram ou bactérias vivas sejam encontradas em Marte ou nas luas de Júpiter. Na Terra, mais de 99% dos organismos vivos são bactérias. Em Marte, por exemplo, há uma grande quantidade de gás metano. Sabe-se que o elemento pode ser derivado de respiração vegetal e o nitrogênio, por exemplo, de decomposição de sistemas vivos. Então, o subsolo do planeta pode estar repleto de bactérias ou, outra hipótese, é que alguma atividade geológica como vulcões gera o gás. O solo do planeta será escavado e analisado em busca de bactérias. A melhor maneira é ir até os planetas, luas, etc. Mas as distâncias entre eles e a Terra são muito grandes. Para chegar ao sistema estelar mais próximo de nós, o Alfa Centauri, seriam necessários 176 mil anos viajando na velocidade do ônibus espacial (28 mil km/h).

Y! - Por que por telescópio ainda não encotramos vida extraterrestre, já que podemos analisar os compostos de corpos celestes?
CAW - A gente tem que ter a sorte de apontar para o lugar certo. Além disso, para se ter uma ideia, de 500 planetas encontrados fora do Sistema Solar apenas no máximo seis são parecidos com a Terra. Talvez, a próxima geração de satélites seja capaz de ver mais longe e analisar os elementos químicos desses planetas.

Y! - Apesar de todos esses obstáculos, acredita-se que ainda encontraremos vida em outro lugar que não seja a Terra? Aliás, por que os cientistas insistem nas luas de Júpiter?
CAW - Pensando de maneira bem ortodoxa, se eu tiver que apostar uma garrafa de um bom vinho, diria que encontraríamos vida simples como bactérias dentro do Sistema Solar. Só não saberia dizer quando, pois seria um chute. Pode demorar 100 anos ou dez. As luas de Júpiter alimentam esperanças por terem um tamanho parecido com o da Terra e uma temperatura média acima de 0ºC, que consegue manter a água líquida - um ambiente bacana para as bactérias aparecerem. Uma vida mais complexa já é outra história. Primeiro, pois como surgiu a vida na Terra continua sendo um mistério. Aliás, esse é o pulo do gato. Depois, a evolução é algo mais complicado ainda. Envie uma bactéria para o espaço. É capaz que ela sobreviva em uma rocha por anos. Um ser humano morreria por vários motivos, falta de oxigênio, radiação, infecção.

Veja toda a matéria no Yahoo! Notícias.

21.1.10

Por que não? Sou BIPOLAR

Outro dia, ao fazer minha visita rotineira aos blogs diversos que falam sobre saúde mental, CAPS, etc., me deparei com o seguinte blog:

Por que não? Sou BIPOLAR

O blog de um ex-interno de hospício, um ex-paciente psiquiátrico que passou 17 anos de internação. (Só não explica se ele ficou excluso 17 anos no hospício ou se ele ficou tendo várias internações consecutivas nesse período de 17 anos.)

Ele diz “POR QUE NÃO? SOU BIPOLAR” Isso é positivo se ele quer reafirmar sua identidade, dizendo “Sou bipolar, e não é errado ser bipolar. É até legal.” Se for isso, bacana.

É bom ver pessoas que não aceitam os estigmas criados pela psiquiatria. O comportamento bipolar não é doença, nem é errado. “POR QUE NÃO? SOU BIPOLAR?”

Eu falei sobre a necessidade das pessoas pararem de aceitar que a psiquiatria diga que seu comportamento está errado e é doença.

(Como já disse antes, felizmente nem todos os psiquiatras se intrometem tanto na vida de seus pacientes.)

Talvez seja verdade que existam pessoas que alternam o humor. Ou seja, talvez seja verdade que existam pessoas que alternam o humor mais do que as outras. Talvez existam pessoas que vivam tendo altos e baixos no humor, ora estando alegres demais, ora estando tristes demais.

(Eu digo talvez, pois, como já mostrei aqui várias vezes (através de documentos) não há provas de que exista tal coisa. NÃO DE ACORDO COM A CIÊNCIA. E, de acordo com vários pesquisadores, entre os tais vários psiquiatras, é até absurdo dizer que haja.)

Mas não seria preconceito considerar esses comportamentos como doença? Não seria uma INTOLERÂNCIA considerar a grande euforia de alguém doença?

Não seria uma intolerância considerar a tristeza de alguém como doença?

Alguém vai dizer “Em exagero é doença sim”.

Mas não está claro que essa INTOLERÂNCIA já atingiu níveis de exagero? E que essa INTOLERÂNCIA poderia ser considerada DOENÇA?

A primeira vez que alguém é internado como doente mental talvez a pessoa tenha se comportado de maneira MUITO EXTRAVAGANTE. E NÃO APENAS EXTRAVAGANTE, mas totalmente fora de controle e visivelmente incapaz de interagir com o mundo exterior.

Além desse episódio EXTREMO ninguém poderia ser monitorado para não ter recaída. POIS ISSO É RIDÍCULO!! Pois essas monitorações são REPRESSORAS.

Do tipo: “o paciente psiquiátrico estava muito agitado.” Ele não pode? Talvez esteja feliz. “O paciente estava muito ansioso.” Ficar ansioso é crime por acaso? Não faz parte da vida?

Enfim, o “tratamento” oferecido por toda a vida para todos que passam pela experiência de paciente psiquiátrico nada mais é que uma repulsa ao comportamento daquele que é rotulado doente mental.

O que podemos considerar tratamento de verdade são as tentativas de incluir o indivíduo socialmente.

Ver o rotulado doente mental se comportando de certas formas causa repulsa a alguns. Muitos não gostam de ver o rotulado doente mental discordando, por exemplo, pois isso é “socialmente inaceitável”, como os livros de psiquiatria e psicologia dizem.

(Nota: insisto em dizer ROTULADO DOENTE MENTAL, pois doente se refere a dor, e se a pessoa não está sentindo dor, não está em surto, nem em crise, não poderia ser chamada de doente, por isso digo ROTULADO DOENTE MENTAL.)

Na verdade a maioria das coisas que agora são “socialmente inaceitáveis” para o ex-paciente psiquiátrico não eram antes. O mundo ficou mais exigente com ele.

Na verdade, as drogas dadas para o rotulado doente mental no fundo é uma forma de corrigir. Os brancos se assustaram ao ver o negro pela primeira vez. Sentiram repulsa ao diferente.

Sentiram repulsa da religião do negro, que era errada (de acordo com os brancos), por isso ensinaram ao negro a religião certa para ajudá-los.

Naturalmente a colonização foi há muito tempo atrás. Se fosse nos dias de hoje, com a tecnologia que nós temos, criariam uma droga para corrigir a cor errada do negro.

A mensagem que eu quero passar aqui é simples. Aprenda a aceitar.

Quem sente que a ansiedade está incomodando procura ajuda sozinho. Não precisa ser internado a força nem ser convencido que precisa de tratamento. Talvez precise ser ENCORAJADO a fazer tratamento. (Pois às vezes as pessoas podem querer fazer tratamento e estarem receosas.)

Portanto aprenda a aceitar. Não queira “tratar” ninguém porque não gosta do comportamento dele/a.

Lembre-se do que Raul Seixas disse: FAZ O QUE TU QUERES POIS É TUDO DA LEI!!!! Desde o que você quer fazer não fira, nem REPRIMA outras pessoas.

10.10.09

Pesquisa: Algumas pessoas saram do transtorno bipolar

Deborah Mitchell

Os sintomas do transtorno bipolar geralmente começam durante o início da fase adulta, e especialistas acreditavam que durariam toda a vida. Mas uma nova pesquisa indica que quase metade das pessoas que são diagnosticadas com transtorno bipolar entre as idades de 18 e 25 podem sarar da condição quando chegam aos 30 anos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Health), o transtorno bipolar caracteriza-se por graves e estranhas mudanças no humor, energia, níveis de atividade e na habilidade de fazer as tarefas do dia-a-dia. Também conhecida doença maníaco-depressiva, o transtorno bipolar pode ser difícil de diagnosticar, pois os sintomas parecem problemas diferentes em vez de parte de uma síndrome.

Pesquisadores da Universidade de Missouri analisaram os resultados de duas grandes pesquisas nacionais e descobriram que há diferenças significantes na prevalência do transtorno bipolar ao passo que a pessoa fica mais velha. Os investigadores descobriram que 5.5 a 6.2 por cento das pessoas entre as idades de 18 e 24 tem transtorno bipolar [sic], mas a prevalência cai para cerca de 3 por cento em pessoas com mais de 29 anos de idade.

Um possível motivo para a mudança, de acordo com Kenneth J. Sher, professor no Departamento de Ciências Psicológicas (Department of Psychological Sciences) e co-autor do estudo, poderia ser o estresse associado as mudanças da vida e as expectativas sociais experimentadas por jovens adultos que estão entre 18 e 24 anos.

De acordo com a Mayo Clinic, outras causas possíveis incluem mudanças bioquímicas. Estudos em imagiologia mostraram que pessoas que têm transtorno bipolar têm algumas mudanças físicas no cérebro, apesar de a significância dessas mudanças ainda ser desconhecida. Hormônios podem influenciar também. Genética também pode ser um fator, já que a condição acontece em famílias.

Se os reultados desse estudo estiverem corretos, muitas pessoas que têm transtorno bipolar poderão aguardar o dia em que eles não precisarão mais tomar as medicações que geralmente são necessárias para controlar a doença. Antidepressivos, estabilizadores de humor, medicações para controlar as crises, e vários ansiolíticos e antipsicóticos são prescritos, e alguns pacientes precisam de mais que uma droga para controlar seus sintomas de maneira adequada. São muitos os efeitos colaterais. Antipsicóticos aumentam o risco de diabetes, pressão alta e obesidade, enquanto que estabilizadores de humor são perigosos para mulheres que estão grávidas ou amamentando.

Fontes:
Mayo Clinic
Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Health)
Setor de notícias da Universidade de Missouri (University of Missouri news bureau, Sept. 29)


Veja a notícia no artigo original em inglês: siga o link Some People Outgrow Bipolar Disorder

E veja mais em Estudo diz que grande porcentagem dos casos de transtorno bipolar saram naturalmente aos trinta.

Realmente é muito satisfatório ver que os psiquiatras que gostam de prescrever psicotrópicos estão ficando cada vez mais sem chão.

3.6.09

Transtorno bipolar do humor - A fase depressiva

"É de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física está comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses também."

"O individuo deprimido em geral se sente abatido, quieto e triste. Pode dormir muito, como uma fuga do convívio, reclamar de cansaço em tarefas simples como escovar os dentes, apresentar traços de baixa auto-estima e de sentimentos de inferioridade. Demonstra pouco interesse pelos acontecimentos e coisas e pode se isolar da família e amigos.

O indivíduo pode se sentir nesta fase culpado por erros do passado, e fracassos em sua vida e de seus familiares. Pode haver irritabilidade, lamentos e auto-recriminação.

Pode haver um distúrbio do apetite tanto para aumentá-lo, como para diminuí-lo. O deprimido pode apresentar queda na sua imunidade, o que o deixa predisposto a contrair doenças.
"

Novamente eu, bipolar, vou comparar o que eu já senti como paciente psiquiátrico com as descrições dos psiquiatras (que é bem diferente do que senti). Sinceramente acho que esses sintomas não estão bem explicados. Isso porque eu acho que já fiquei deprimido, mas é bem diferente do descrito pelos sites PSICOSITE e WIKIPÉDIA, sites que eu consultei e usei como exemplos para essa postagem. Talvez eles tenham dificuldade para expressar a coisa e talvez apenas quem experimentou a depressão possa descrevê-la. Ou talvez o que eu sofri não tenha sido depressão.

O que eu acho que foi depressão foi uma sensação horrível que eu senti após minha primeira internação (NÃO NOS SURTOS), mas essa sensação com certeza foi causada pela droga psicotrópica HALDOL. Pois eu reclamei com a psiquiatra da sensação e ela suspendeu o HALDOL e eu voltei a me sentir normal NO DIA SEGUINTE.

Eu temo que os psiquiatras considerem fase depressiva o mau-humor simples que eu já senti várias vezes. Eu acho que mau-humor todo mundo sente. Mas posso garantir que o mau-humor que eu já senti muitas vezes em minha vida não é nada perto da sensação que senti após minha primeira internação. Eu não tenho vergonha de me sentir mal-humorado, nem considero isso doença. Nenhuma das indisposições, dores ou doenças que eu já senti em minha vida pode ser comparada a horrível sensação que eu senti após a primeira internação.

E todas os sintomas descritos pelos sites de psiquiatria aqui mencionados parecem coisas simples comparadas à dor que senti naquele momento. Dores, tristezas e indisposições fazem parte da vida. E o que eu senti naquele momento, com certeza, não faz. Não era uma dor. Nem uma indisposição. Mas ao mesmo tempo parece que era. É difícil de explicar.

Aliás, depois do que eu senti naquele momento eu acho que se sentir triste é até saudável. É sinal de que você está vivo. Assim como se sentir eufórico mostra que você está vivo.

Bem, vou explicar a condição da minha depressão. Depressão essa que certamente foi causada pelo HALDOL. Como eu disse, os sites WIKIPÉDIA e PSICOSITE estão confusos em suas descrições da depressão. Tanto que você pode observar que um diz o contrário do outro. Naquele momento eu não me senti triste de forma alguma. Na verdade me senti indiferente. (E isso é triste!) Aquela sensação que eu senti era como não estar vivo. Eu tinha dificuldade de me mover e de me concentrar. Meus braços e pernas estavam enrijecidos, difíceis de mexer. Mas não sentia nenhum cansaço. Devido às dificuldades para andar eu me sentia um velho. Por isso queria ficar deitado o tempo todo, o dia todo. Apesar de ter dificuldade de cair no sono. Só conseguia dormir a noite. Com a medicação eu conseguia dormir horas mais que suficientes, de 8 a 11 horas por dia.

Eu bem que queria fazer as coisas. Estava até entusiamado para escrever, ler, etc. Mas escrever era difícil demais, pois meus dedos estavam rígidos. Ler era bem complicado, pois meus olhos estavam embaçados. E além disso eu estava com uma sensação terrível. Não era a dor que me incomodava mais. Não era a dificuldade de movimento. Era uma sensação inexplicável.

A primeira coisa que eu pensei é que tal sensação era espiritual. Será que a voz que falou comigo quando eu estava em surto estava me punindo por minha maldade? Sentindo tal sensação eu percebi qual deveria ser a sensação do inferno. O que eu estava sentindo era pior que qualquer dor. Eu me mataria para me livrar de tal sensação. Mas eu tinha um medo. Antes eu nunca tinha imaginado que uma sensação tão ruim era possível. Eu já não tinha medo de nada, pois não achava que algo pudesse ser pior. Eu só tinha medo de uma coisa: de ficar assim para sempre. Portanto se eu me matasse, talvez eu fosse para o inferno de vez. Um inferno de sofrimento eterno, como descrito pela bíblia.

Eu até fui à igreja na esperança de ser curado daquela agonia. Eu aceitava fazer qualquer coisa. Sem sucesso. Mas eu estava cheio de vontade de viver e de me recuperar. Daí a ficha caiu e eu percebi o lógico: eu não estava assim por motivos espirituais. Eu estava assim por causa das drogas psicotrópicas que eu estava tomando. Reclamei com os familiares. Reclamei com os médicos. Por fim uma médica foi prudente o bastante para suspender o HALDOL, antipsicótico.

Com a suspensão da droga eu melhorei da noite pro dia. A horrível sensação foi embora!

Bem, essa é a história de minha depressão.

31.5.09

Transtorno bipolar do humor - As alucinações

Em casos mais graves, o paciente pode apresentar delírios (de grandeza ou de poder, acompanhando a exaltação do humor, ou delírios de perseguição, entre outros) e também alucinações, embora mais raramente. Nesses casos, muitas vezes, o quadro clínico é confundido com a esquizofrenia.

Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.

Bem convincentes as explicações dos sites PSICOSITE e o site da UNIFESP para as alucinações do transtorno bipolar.

Como eu já tinha dito na postagem Transtorno Bipolar - A fase maníaca, delírio de grandeza talvez eu sinta permanentemente, já que sinto que sou especial e tenho habilidades especiais. Porém quando seres invisíveis e visíveis começam a mexer comigo eu fico com medo e receio das pessoas. Talvez isso seja delírio de perseguição.

Das alucinações visíveis, algumas eram visões até inspiradoras, e aparentemente legais. No começo eu até gostava de ver. Mas depois eu ficava desconfiado. Será que essas visões são de seres bons? Porém outras eram absurdas. Daí eu olhava sem fazer caso. Aí parece que quando os seres dos outros mundos veem que eu estou querendo ignorar as visões eles apelam: daí eles começam a possuir as pessoas ao meu redor.

As pessoas parecem possessas. Seus olhos adquirem um brilho estranho. Como se seres de outros mundos tivessem possuído seus corpos. É assustador! Você se sente sozinho, sem ninguém a quem recorrer (já que qualquer pessoa poderia estar possessa pelos seres dos outros mundos). Entenda uma coisa: eu não fico cismado achando que os outros estão possuídos. Os outros realmente ficam possuídos nesses surtos. Pelo menos é assim que eu claramente vejo. Por exemplo, você não acharia estranho se uma criança de 5 anos de seu convívio de repente começasse a falar sobre você e seu passado como se fosse alguém bem mais velho?

Na verdade eu digo outros mundos, pois esses seres parecem ser variados, parecem vir de lugares diferentes. E são seres super-inteligentes. Falam coisas fantásticas. Eles têm uma percepção fantástica do universo e do mundo. E é sempre difícil saber o que eles querem.

A quantidade desses seres era enorme. Parecia que se eles tivessem forma sólida não caberiam na terra nem amontoados. A quantidade deles que eu sentia é difícil fazer que as pessoas imaginem. Mais eles não eram visíveis. Parecia estratégia deles. E eles tinham o poder de ser intangíveis, intocáveis. Mas eu podia senti-los como a gente sente o vento ou o frio. Aliás, a presença deles chegava a ser sufocante. Quando eles queriam se comunicar comigo eles possuiam alguém ou possuiam algum animal. Ou tomavam forma na televisão ou no rádio.

Em um momento, no meio do surto, eu tentava superar a loucura e levar a vida normal. Eu lia um livro de auto-ajuda que um familiar meu tinha pegado emprestado. O livro dava conselhos e falava de alimentação equilibrada, equilíbrio, etc. O livro parecia bom. Mas certa passagem do livro me surpreendeu. Falava que estudos já tinham comprovado que apesar do fumo em excesso fazer mal para a saúde, fumar com moderação traz benefícios fantásticos para a saúde. O livro aconselhava a fumar com moderação. Eu fiquei indignado, é claro, até pensei em destruir o livro. Mas depois do surto eu fiquei sabendo pelo familiar que o livro não falava sobre isso não.

Gostaria de deixar uma coisa clara. Enquanto que os meus sentimentos são iguais quando eu estou em surto e quando estou fora de surto, eu não tenho alucinações no meu dia-a-dia. Exceto em raros momentos.

O que me fazia ter certeza de que as pessoas ao meu redor já estavam fora do controle dos seres é que pessoas normais são menos inteligentes. E os seres de outros mundos tinham um ar de deboche permanente. Ou então as pessoas dominadas por tais seres se mostravam mais confusas que o normal. Aqueles seres buscavam atiçar minha vaidade. E logo eu pude perceber que vaidade era uma fraqueza humana que eles não tinham. Eram frios. Enquanto nós humanos nos preocupamos com o que os outros pensam, eles pareciam ser totalmente confiantes de si.

Depois dos surtos eu passei muito tempo tentando me convencer de que tais seres não existiam e que eram apenas minha imaginação. Fui cheio de confiança contar minha história aos psiquiatras, esperando que eles fossem me arrumar o melhor tratamento. Mas ao começar a contar minha história ficava feliz em constatar que os psiquiatras poderiam ser dominados pelos seres dos outros mundos, mas não tinham a astúcia nem a inteligência, nem a frieza que somente seres indiferentes e bem maus teriam. O nosso mundo não era tão mau assim.

Por outro lado eu lamentava por causa das fraquezas das pessoas normais de nosso mundo. Eu ia contar minha história, mas a vaidade dos psiquiatras e psicólogos nunca me deixava. Eles achavam que podiam adivinhar não me deixando contar minha história e partindo de um princípio que eles já sabem sem eu contar. Quanta vaidade!

Impressionante que para ser psiquiatra é necessário passar por provas dificílimas, fazer cálculos enormes... eu me sinto um nada perto desses psiquiatras. Como alguém que sabe tanto não sabe ouvir uma pessoa? Não sabe deixar uma pessoa à vontade para falar? Eu me pergunto: será que os seres dos outros mundos conseguiriam fazer os cálculos dificílimos que os psiquiatras fazem? Será que os seres dos outros mundos conseguiriam passar pelas dificuldades que os psicólogos passam para se formar?

No fundo eu sei o que acontece: os psiquiatras e psicólogos se formam mais por vaidade do que por vontade de ajudar e entender os pacientes psiquiátricos. A vaidade de ter um diploma, uma formação. Essa é a grande vantagem dos seres dos outros mundos. Eles controlam a vaidade. Eles são mais práticos. Não se deslumbram facilmente.

Não é preciso ser gênio para ver que se psiquiatras e psicólogos não tinham interesse de ouvir minha história eles não poderiam saber o que eu sofro. Aliás, se eles não leem o que pacientes psiquiátricos escrevem, como podem se considerar estudiosos das doenças dos pacientes psiquiátricos? Se essas doenças muitas vezes estão espelhadas nos textos dos pacientes? Eles são grandes mestres da indiferença, isso sim.

E se você é psiquiatra ou psicólogo e está lendo isso talvez você seja uma exceção à regra. Mas vamos ser realistas que a grande maioria é indiferente ao que o paciente escreve. Eu acompanho vários blogs de brasileiros, portugueses, britânicos e americanos pacientes psiquiátricos, e nunca vejo nenhum comentário de psiquiatra ou psicólogo. Salvo raras exceções, não vejo nem sinal desses indiferentes.

A questão é que a indiferença e vaidade desses psiquiatras e psicólogos acabam por prejudicar, E MUITO os pacientes psiquiátricos. Pois quando eles não admitem a escassez de recursos para tratar o paciente quem sai perdendo é o paciente. A vaidade deles leva a morte de pacientes psiquiátricos. Daí eu me pergunto: será que os seres dos outros mundos não estão se aproveitando da vaidade desses psiquiatras e psicólogos?

E se esses seres de outros mundos quiserem dominar a terra? Ou pior, se eles quiserem que a própria terra se destrua? E se eles estiverem fazendo com que profissionais se deslumbrem e se percam na vaidade (como psicólogos e psiquiatras) e com isso se preocupem menos com a morte de inocentes?

Eu passei anos tentando me convencer de que tais seres dos outros mundos não existem. Mas nesse mundo tão louco, em que eu cheguei a acreditar que os seres dos outros mundos eram reais e as pessoas desse mundo eram irreais, eu me faço perguntas. Será que eles não existem mesmo? E se eu for um desses seres dos outros mundos? E se essa for a explicação para eu poder senti-los? (Já que os psiquiatras não têm nenhuma explicação.) E se eu for tão mau quanto eles?

Meus leitores vão me desculpar por escrever tanto sobre surtos, mas eu estou com pressa em escrever isso pois temia não ter chance de escrever no futuro. No meio de meus surtos eu jurei aos seres dos outros mundos que eu ia escrever sobre eles, que eles não iam continuar secretos. Eu lhes disse que eles não iam continuar dominando e explorando humanos às escondidas.

E esses seres são maus, como já disse. Francamente, sei que parece loucura, mas eu acho que devo me proteger contra as represálias deles... prudência nunca é demais. (Apesar de ser imprudência escrever essas coisas, já que algum psiquiatra pode decidir me capturar para me "tratar". Mas eu tenho mais medo dos seres dos outros mundos que dos psiquiatras.) Mas é isso aí, seres dos outros mundos, eu escrevi minha história. Nossa história. Não importa o que vocês são.

28.5.09

Transtorno bipolar do humor - A fase maníaca

"O transtorno bipolar caracteriza-se pela ocorrrência de episódios de “mania” (caracterizados por exaltação do humor, euforia, hiperatividade, loquacidade exagerada, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade e comprometimento da crítica)

As fases maníacas caracterizam-se também pela aceleração do pensamento (sensação de que os pensamentos fluem mais rapidamente), distraibilidade e incapacidade em dirigir a atividade para metas definidas (embora haja aumento da atividade, a pessoa não consegue ordenar as ações para alcançar objetivos precisos). As fases maníacas, quando em seu quadro típico, prejudicam ou impedem o desempenho profissional e as atividades sociais, não raramente expondo os pacientes a situações embaraçosas e a riscos variados (dirigir sem cuidado, fazer gastos excessivos, indiscrições sexuais, entre outros riscos).
"

Agora os comentários de um bipolar sobre a forma que os psiquiatras veem o surto do bipolar. Devo começar avaliando a parte que diz "comprometimento da crítica". Devo dizer que é bem conveniente. Se eu, bipolar disser algo que não agrada um "normal" ele pode dizer que eu perdi o senso crítico. Sem comentários.

Quanto a parte da aceleração do pensamento, eu não sei como os psiquiatras descobriram isso! Como eles viram que o pensamento do bipolar fica acelerado? Em meus surtos eu, com certeza, não tive nenhuma sensação de que meus pensamentos fluem mais rapidamente. Sinto muito decepcioná-los.

Quanto a parte que diz "embora haja aumento da atividade, a pessoa não consegue ordenar as ações para alcançar objetivos precisos" eu sempre me sinto assim quando estou trabalhando demais. Acho que todo mundo deve se sentir assim quando trabalha demais.

Quanto a parte que diz que o bipolar em surto faz gastos excessivos, devo decepcioná-los mais uma vez. Eu não sou de fazer gastos excessivos. Em momento nenhum. Muito menos em surto, quando estou perturbado por alucinações e delírios. Quanto às "indiscrições sexuais", eu já expliquei porque elas acontecem na postagem Transtorno bipolar do humor - A sexualidade do paciente.

"Saber lidar com as situações extremas é quase decisivo e a maior dificuldade: o bipolar quase nunca percebe quando está hiperagitado. Quando percebe, recusa-se a aceitar o fato, e pior, tanto num caso quanto no outro, gosta de estar eufórico. Resiste firmemente a tomar medicamentos; abusa de drogas e álcool; gasta suas finanças (e, se possível, as alheias) de forma descontrolada; torna-se impulsivo, irascível, promíscuo e inconseqüente"

Dizer que o bipolar quase nunca percebe quando está hiperagitado é um julgamento tão injusto. Nos momentos que eu me senti hiperagitado eu percebi logo e fui falar com a psiquiatra. Realmente o psiquiatra que disse isso deveria falar mais com seus pacientes. Quanto ao papo de gostar de estar eufórico, pelo que eu sei todo mundo gosta. Senão as pessoas não usariam drogas e álcool para se embriagar e se alegrar.

Quanto ao bipolar resistir a tomar medicamento, eles estão certos. Eu realmente não gosto da idéia de tomar drogas. Mesmo sendo drogas psicotrópicas, que eles chamam de "remédio". Realmente esse perfil que eles fazem do bipolar é ofensivo. Eu nunca fui dado a bebidas álcoolicas, e nunca usei drogas. Nem me interessei. A acusação desses psiquiatras é séria. Na verdade eu passei a sentir um certo interesse por drogas apenas depois de provar a droga psicotrópica chamada lítio, que me deixou doidão.

"Sentimento de estar no topo do mundo com um alegria e bem estar inabaláveis, nem mesmo más notícias, tragédias ou acontecimentos horríveis diretamente ligados ao paciente podem abalar o estado de humor. Nessa fase o paciente literalmente ri da própria desgraça.
Sentimento de grandeza, o indivíduo imagina que é especial ou possui habilidades especiais, é capaz de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder político. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade; com o aprofundamento do quadro esta idéia torna-se uma convicção delirante.
Sente-se invencível, acham que nada poderá detê-las.
"

Realmente eu estranho os sintomas descritos pela psiquiatria! Em surto eu nunca me senti no topo do mundo, não senhor. Para que é que eu ia rir à toa tendo alucinações? Que imaginação forte a desses psiquiatras!

Quanto a parte do sentimento de grandeza, é mais difícil para mim explicar. Nos surtos eu realmente sentia que era um ser especial. Um escolhido. Eu gostaria de parar de escrever aqui, mas devo continuar, apesar da vergonha que sinto. Eu SEMPRE me senti especial. SEMPRE senti que tenho habilidades especiais. SEMPRE me senti um escolhido. E continuo me sentindo. Para mim é uma grande vergonha ter que admitir essa fraqueza minha. Pois sei que um ser que tem mania de grandeza permanente no fundo é um verme.

Eu sempre olhei para as pessoas e me vi como tendo acesso a um mundo especial que elas não têm acesso. Me envergonho de ter que admitir isso. Mas faço isso para deixar claro que em meus surtos eu não me senti mais especial do que sinto todos os dias. E acho que todo bipolar deve ser como eu. Eu só admito tudo isso porque quero que se acabe essa forma preconceituosa da psiquiatria de traçar nossos perfis.

Mas na parte do meu surto em que eu me sinto mais eufórico eu posso dizer que é mais ou menos assim:

Eu me isolo das pessoas para planejar e estudar coisas conectadas ao mundo especial que eu acredito existir. Por isso eu não poderia falar demais (loquacidade exagerada) como diz a psiquiatria.
Depois de estar muito cansado, começo a ter alucinações. Alucinações ofensivas, estressantes, perturbadoras. Enquanto eu esperava ver coisas boas, só me aparecem imagens horríveis, tenebrosas ou estranhas e sem sentido. Eu falo mais das alucinações numa outra postagem.



Parabéns àqueles que leram esta postagem até o final. E obrigado. Você perceberá que minha história é verdadeira. E que eu realmente estou certo quando digo que os psiquiatras deveriam ouvir mais os pacientes e deveriam estar mais preparados para deixar o paciente se sentir à vontade para falar. Pois enquanto não temos exames confiáveis na psiquiatria o paciente deve ser ouvido E MUITO para que o psiquiatra possa traçar seu perfil, que eles chamam de diagnóstico.

Claro. Isso é um processo.


RESPOSTAS AOS COMENTÁRIOS - ESCLARECIMENTO PARA QUEM NÃO ENTENDEU, ADICIONADO EM 03 DE FEVEREIRO DE 2013:
Esta publicação é antes de mais nada uma crônica ao péssimo atendimento da psiquiatria pública, na qual um psiquiatra me diagnosticou sem sequer falar comigo direito. Evidentemente eu NÃO SOU BIPOLAR, de acordo com os ótimos relatos deixados nos comentários. Poderia ser, talvez, PARANOICO. A psiquiatria pública que eu encontrei é extremamente violenta. Eu recuso tratamento antes de mais nada como protesto contra a violência psiquiátrica do setor público. Sim. Prefiro morrer, ou qualquer coisa a ter que me curvar diante da violência.

27.5.09

Transtorno bipolar do humor - A sexualidade do paciente

Abaixo eu deixo textos de psiquiatras que explicam o que é o transtorno bipolar, como se comporta o bipolar em crise. Eu fui rotulado pelos psiquiatras como bipolar, mas não acredito nesses diagnósticos. Para mim tanto faz ser bipolar ou esquizofrênico, ou psicopata. Na verdade eu preferia que ninguém me chamasse de nenhum desses nomes feios.

Os psiquiatras sequer fazem um exame laboratorial. Mal conversam com a gente. Mal sabem nos deixar a vontade para falar. Como os psiquiatras poderiam classificar a gente em bipolar, esquizofrênico e outros bichos? Baseado em quê?

"O transtorno bipolar caracteriza-se pela ocorrrência de episódios de “mania” (caracterizados por exaltação do humor, euforia, hiperatividade, loquacidade exagerada, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade e comprometimento da crítica)"

Vou dizer como era meu humor antes dos surtos. Como bipolar eu devo dizer que meu humor era, metade das vezes, exaltado. Eu estava sempre eufórico, exceto quando estava doente (resfriado, com dor de dente, ou quando meu time perdia...). Sempre falei demais. Realmente minha loquacidade sempre foi exagerada, apesar de tímido. Antes dos surtos eu sempre precisei de dormir muito bem. Nada de pouca necessidade de sono. E nos surtos eu também não tive nenhum desses sintomas, não.

Quanto a exacerbação da sexualidade, realmente minha sexualidade sempre foi exacerbada. Exarcebação no sentido de irritação. Infelizmente eu devo admitir desde criança, quando tive uma péssima experiência com sexo, eu tenho certas irritações sexuais. Isso durante toda a vida. Isso me parece mais uma irritação mental, me parece um trauma mental, pois não há excitação sexual. Mas de forma alguma houve um aumento dessa irritação nos surtos. Hoje eu lido melhor com isso.

Mas continuo não conseguindo evitar que sempre venham à minha cabeça as idéias mais estranhas sobre sexo. Essa irritação está na minha cabeça. Eu já tive os mais estranhos pesadelos. Como, por exemplo, fazendo sexo com minha própria mãe. É traumático. Infelizmente eu já me imaginei fazendo todas as aberrações sexuais imagináveis. Por isso aprendi a respeitar os desejos sexuais de cada um. Mas que fique claro uma coisa. Quando os psiquiatras dizem que há aumento do interesse e da atividade sexual nos surtos do bipolar, certamente não é meu caso. Eu nunca senti nenhum aumento de atividade sexual em meus surtos. E sempre tive grande interesse sexual, mesmo sob o efeito de antipsicóticos que prejudicam a ereção e tudo...

Mas quem viu minhas crises me perguntará: mas por que você fez aquelas coisas sexuais bizarras em seus surtos? Bem, eu estava sofrendo alucinações terríveis. Piores que me expor a um comportamento sexual ridículo em público. E meu comportamento seria sexual por causa das irritações sexuais também, que estão na minha cabeça me perturbando 24 horas por dia, sempre. Mas acredite. Diante das alucinações a irritação sexual perde a importância. E para me livrar das alucinações eu fazia aquelas coisas, como se fosse um ritual. Eu pensava, por exemplo, eles estão me perturbando mas vão me deixar em paz se eu fizer alguma coisa bizarra.

"O transtorno bipolar caracteriza-se pela ocorrrência de episódios de “mania” comumente alternados com períodos de depressão e de normalidade. Com certa freqüência, os episódios maníacos incluem também irritabilidade, agressividade e incapacidade de controlar adequadamente os impulsos.

Quanto à agressividade, é claro que qualquer pessoa pode ficar agressiva em desespero. O que não quer dizer que a pessoa vai bater em todo mundo ou ser violenta. Incapacidade de controlar adequadamente os impulsos? Eu nunca senti isso, não senhor. Sem dúvida os psiquiatras deveriam conversar mais com os pacientes antes de sair por aí fazendo o nosso perfil. Sem dúvida os psiquiatras deveriam ouvir mais os pacientes antes de sair por aí fazendo diagnósticos.

Os amantes da psicologia devem estar me perguntando porque eu não fui fazer terapia com psicólogo para aprender a lidar melhor com minhas irritações sexuais (ou mentais). Não obrigado. Eu posso me virar melhor sozinho. Infelizmente as consultas que já tive com psicólogos só me deixaram mais traumas ainda. Eu acho que vou precisar de fazer terapia para lidar com psicólogos. E é claro que essa terapia não seria com psicólogos...

Quanto aos meus traumas mentais, eles não podem aconselhar sobre temas que totalmente desconhecem. Eu tenho até medo de pensar que conselho eles me dariam!

Nas postagens seguintes continuarei falando do meu transtorno bipolar.

22.4.09

O MITO DO TRANSTORNO BIPOLAR

No caso do transtorno bipolar os biomyths (biomitos) se centram nas ideias sobre a estabilização do humor. Mas não há provas de que as drogas estabilizam humor. Na verdade, nem sequer é claro que faça sentido falar de um centro do humor no cérebro. Um outro pedaço da mitologia que visa manter as pessoas tomando as drogas diz que estas são supostamente neuroprotetoras, mas não há provas de que este é o caso e, de fato, estas drogas podem levar a danos cerebrais.

Transtorno bipolar em si é um pouco uma entidade mítica. Como é empregado agora o termo tem pouca relação com a clássica doença maníaco-depressiva, que obrigava as pessoas a serem hospitalizadas com um episódio da doença, seja depressão ou mania. Os problemas que, atualmente, estão agrupados sob o título "transtorno bipolar" são semelhantes aos problemas que, na década de 1960 e 1970, teriam sido chamados de "ansiedade" e tratados com tranquilizantes ou, durante a década de 1990, teriam sido identificados como "depressão" e tratados com antidepressivos.

O principal evento em meados da década de 1990 que levou à mudança de perspectiva foi a comercialização de Depakote pela Abbott como um estabilizador do humor. Antes disso, o conceito de estabilização de humor não existia. E, embora em uma popular série televisiva podemos aceitar que Buffy a caça vampiros ganhe uma nova irmã na Temporada Cinco que tinha todo o tempo, mas nós não conheciamos, não esperamos que isso aconteça na academia.

A introdução da estabilização de humor pela Abbott e outras companhias que pegaram o embalo para comercializar anticonvulsivantes e antipsicóticos foi, de fato, bastante comparável a Buffy obtendo uma nova irmã. Estabilização de humor não existia antes de meados da década de 1990. Não pode ser encontrado em nenhum dos livros anteriores de referência e jornais. Desde então, porém, agora temos seções para estabilizadores de humor em todos os livros sobre drogas psicotrópicas, e mais de uma centena de artigos por ano apresentando estabilização de humor nos seus títulos.

Da mesma forma, a Abbott e outras companhias, como a Lilly comercializando Zyprexa para transtorno bipolar, têm re-estruturado a doença maníaco-depressiva. Embora o termo transtorno bipolar estivesse presente desde 1980, doença maníaco-depressiva era o termo que era ainda mais comumente utilizado até meados da década de 1990 quando desaparece e é substituído por transtorno bipolar. Atualmente, mais de 500 artigos por ano colocam transtorno bipolar em seus títulos.

Você apenas tem que olhar para a Lilly que comercializou Donna nos documentos da internet sobre Zyprexa para ver o que está acontecendo aqui: "Donna é uma mãe solteira, de uns 30 anos, e aparece em seu consultório com roupas um tanto relaxadas e pouco à vontade. Sua principal queixa é "Eu me sinto tão ansiosa e irritada ultimamente." Hoje ela diz que tem dormido mais que o habitual e tem dificuldade para se concentrar no trabalho e em casa. No entanto, em várias consultas anteriores ela estava falante, eufórica, e relatou que tinha pouca necessidade de sono. Você a tem tratado com vários medicamentos, inclusive com antidepressivos com pouco sucesso ... Você poderá garantir para Donna que Zyprexa é seguro e que irá ajudar a aliviar os sintomas contra os quais ela está lutando. "

Donna poderia ter destaque nos anúncios de tranquilizantes de 1960 a década de 80, ou de antidepressivos na década de 1990, e teria sido provavelmente mais susceptível de responder a qualquer um destes grupos de tratamento do que para um antipsicótico, e menos provável de ser prejudicado por eles do que por um antipsicótico. O que as empresas de marketing são muito boas de fazer é enquadrar as pessoas que têm sintomas comuns, que quase todos nós temos, numa maneira mais conveniente de conduzir a uma receita para o remédio do dia. É uma afronta para um século de pensamento psiquiátrico ver condições que pacientes como Donna têm como transtorno bipolar. Mas se um século de pensamento psiquiátrico costumava dizer alguma coisa, não diz mais.


Leia a entrevista completa em inglês: Bipolar disorder and its biomythology: An interview with David Healy.

Eu tive um trabalhão para traduzir o texto acima apenas para você poder refletir sobre as drogas psiquiátricas e seus diagnósticos. O texto é da entrevista de um médico, David Healy. Esse médico já trabalhou em indústria farmacêutica.

Imagine que quem era diagnosticado com depressão alguns anos atrás agora é diagnosticado com transtorno bipolar... e o texto mostra que, infelizmente, quem cria os diagnósticos são as empresas farmacêuticas. E transtorno bipolar é um produto novo das empresas farmacêuticas. Com o objetivo de vender mais drogas. Eu gostaria que você tomasse cuidado. O que não quer dizer ficar sem tratamento. Busque tratamento, mas seja cauteloso. Não pense que as drogas psiquiátricas resolvem tudo, pois não resolvem. Busque médicos alternativos. É pela sua saúde. Vale a pena.

24.9.08

O FIM

Mais uma vez quero falar da importância da alimentação para quem toma remédios psiquiátricos, que são pesadíssimos. Eu descobri na prática que quem toma certos remédios psiquiátricos deve evitar certos alimentos. Você sabia que bipolar deve ser moderado com chocolate, pois chocolate aumentar os efeitos colaterais do lítio, por exemplo? E é a mesma coisa em relação ao café. Fui pesquisar isso nos livros depois que percebi que depois de tomar café ou comer chocolate, eu me sentia mal como nunca senti ao consumir tais alimentos. E o pior é que os médicos nunca falam desses efeitos colaterais. Isso também tem que mudar. Por isso nossos governantes devem priorizar boa alimentação para quem faz tratamento psiquiátrico.

MENSAGEM AOS BIPOLARES

Gostaria de deixar minha mensagem para a comunidade bipolar que tem entrado em contato comigo:

Primeiro devo dizer que os relatos dos bipolares até lembram minhas crises, o que me fez colocar ênfase nisso em meus escritos. Mas não falei das diferenças assustadoras entre eu e um bipolar. Um amigo me disse que um bipolar em crise não quer dormir. Quer agitar. Bem. Minhas crises não foram assim. Eu queria dormir. Só estava com medo das coisas estranhas que tinha visto, portanto lutei para não dormir. Mas eu dormia fácil, por isso fiquei de pé. As alucinações são medonhas, apesar de parecer ridículo para os outros.

VIAGRA PARA UM TARADO

E um amigo bipolar também disse que o remédio segurava a potência sexual, deixando a pessoa BROXA... hum... porém outro amigo bipolar disse o contrário. Ele disse que o lítio dá um "tesão"! Pois bem... esse foi um de meus principais dilemas. Sempre fui aberto e bem aceso em matéria de sexo. Apesar de ser um tanto retraído e reservado. E quando me deram carbonato de lítio foi como dar viagra para um tarado...

FIM DE ESTRADA

Por fim gostaria de dizer que tive minha primeira consulta com a nova médica. Eu falei para ela que odeio o lítio e ela me disse que eu não devo dizer isso, pois esse remédio é bom para muitas pessoas.

Bem, doutora, pode ser bom, mas deveriam ter mais cuidados ao prescrevê-los, pois podem destruir vidas tanto quanto salvar. Depois de ouvir minha história ela relutou um pouco, mas decidiu suspender o lítio para mim, e me prescrever novamente a risperidona, remédio que eu tomava antes de passar a tomar lítio. Ah... agora sim eu consigo dormir melhor. E como é bom dormir. Por isso é o fim do lítio em minha vida. Por isso eu coloquei tocando no fundo a música END OF THE ROAD, que simplesmente quer dizer FIM DE ESTRADA. Cantada, primeiro pelo grupo BOYZ II MEN e depois pela banda Imaginasamba. (É isso aí!! Brasileiros sambistas mandando muito bem em inglês!)