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1.7.12

O sistema psiquiátrico destrói a individualidade e a autoestima

Ao ser internado pela primeira vez, eu estava realmente confuso. Diziam que eu estava num hospital, mas eu não fui consultado nenhuma vez.

E dizer que um hospício é hospital causa uma confusão na cabeça da gente. Como me diziam que eu estava num hospital, eu imaginei que tivessem tratado de meus dentes enquanto eu estava inconsciente, pois eu realmente precisava de tratamento dentário, muito mais do que tratamento psiquiátrico.

Obviamente não tive nenhum tratamento dentário e nenhum outro tratamento, pois não estava num hospital. Estava num HOSPÍCIO.

Eu nunca era consultado, nenhum médico me perguntou como tinha sido o surto. Eles faziam perguntas aos meus RESPONSÁVEIS.

Saí da internação com a assinatura de meu responsável. A gente ter responsável aos 22 anos realmente acaba com a autoestima de qualquer um. Exageraram a história de minha crise, o que me deixou com medo de mim mesmo.

Eu fazia todo tipo de trabalho ousado e empreendedor antes de minha primeira crise. Depois fiquei com medo de ousar e ser jogado num hospício por isso.

Com medo de fazer trabalhos ousados, comecei a trabalhar num projeto da prefeitura. Porém, depois de trabalhar alguns anos no projeto de inserção social da prefeitura, tive acesso a minha ficha hospitalar atualizada. Me espantei ao descobrir que continuam me colocando sob a tutela de um responsável.

Infelizmente, a única forma de acabar com isso é exigir de volta a cidadania perdida. Por isso decidi bater de frente com o sistema. Não sigo seus tratamentos que destroem a individualidade. Por isso, se eu for internado no futuro me nego a aceitar que alguém fale por mim.

Não sou incapaz. Se quiserem me liberar de uma internação, devem falar comigo, e não com familiares. Não sou incapaz. E se fosse, o Estado que deveria tomar conta de mim. Não meus familiares.

21.5.12

Tratamento digno para todos - Porque todos são iguais

Todo cidadão tem direito a um bom atendimento em saúde. Inclusive, todo cidadão tem direito a ser atendido dignamente para aliviar seus sofrimentos psíquicos.

Infelizmente, temos constatado que pessoas não são tratadas com dignidade quando dão entrada em clínicas e hospitais de tratamento psiquiátrico. Não é raro pacientes psiquiátricos ter que tolerar maus-tratos em toda parte do mundo.

Por causa desses maus-tratos tão comuns aos atendimentos psiquiátricos surgiram movimentos como a antipsiquiatria. É óbvio e incontestável que há muitos maus-tratos nos atendimentos psiquiátricos. Isso se evidencia simplesmente na existência de movimentos contrários aos psicotrópicos, a antipsiquiatria, etc.

Claro que as pessoas contrárias a psiquiatria não são tolas nem mal intencionadas. São pessoas que foram vítimas dos graves erros e abusos da psiquiatria. Basta ver que não existe movimento anti-neurologia, ou anti-oncologia, nem anti-pediatria. Se existe antipsiquiatria é porque a psiquiatria REALMENTE cometeu equívocos graves e abusos intoleráveis. (O que não quer dizer
que psiquiatras sejam maus. Apenas precisam se conscientizar mais).

Deve ser considerado mau-trato amarrar pacientes psiquiátricos, bater, aplicar medicação em exagero e apenas para fazer experiências, zombar, não respeitar os direitos do paciente psiquiátrico, etc.

Essa mensagem vai principalmente para todos que constataram que os psicotrópicos / medicação psiquiátrica tradicional não ajudaram em nada, pois os psiquiatras aparentemente estavam apenas fazendo experiências. Essa mensagem vai também especialmente para os partidários da antipsiquiatria.

Você não é obrigado a aceitar a psiquiatria, nem é obrigado a concordar com os métodos psiquiátricos. Mas com certeza a medicina é obrigada a atender e trata você com DIGNIDADE.

TRATAMENTO DIGNO É UM DIREITO HUMANO! O advento da antipsiquiatria foi uma MENSAGEM CLARA para a sociedade, principalmente para a sociedade médica: não aceitamos esse formato de psiquiatria! Não aceitamos a incerteza e a confusão desse sistema psiquiátrico antiquado!

Porém precisamos sim de atendimento quando padecemos de qualquer sofrimento psíquico. Por isso devemos lutar por melhor atendimento e devemos devotar nossas vidas para isso.

Pois a sociedade ainda acha que doença mental é problema de poucos, por isso psiquiatras, psicólogos e pessoas em geral ainda zombam de doentes mentais. Mas como Austregésilo Carrano costumava dizer, você normal, pode ser o doente mental de amanhã...

15.3.12

Institucionalização ainda existe em 2012

A proposta original da Luta Antimanicomial é a extinção de TODOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS.

Como dizia Austregésilo Carrano:

"Nós do movimento não somos contra o internamento, mas que ele seja feito num Hospital Geral, em alas de enfermarias psiquiátricas."

Observe que isso não é impossível, nem inviável.

Em países mais avançados, de primeiro mundo, como nos Estados Unidos, por exemplo, os movimentos contra os abusos psiquiátricos são mais fortes.

Carrano continua a explicação:

"Queremos que o problema de saúde mental pelo qual o paciente esteja passando seja encarado como se ele estivesse internado para um tratamento normal. Tirando assim, definitivamente, o estigma causado pela internação em um hospital especializado em psiquiatria."

Há algumas pessoas desinformadas que dizem "Ora, existe hospital de câncer. Por que não hospital psiquiátrico?"

Não dá para comparar câncer com doença psiquiátrica.

Por exemplo, existe hospital especializado para hanseníase? Internam pessoas com hanseníase em hospitais só para hanseníase?

Que eu saiba não. Quem sofria com lepra, hoje chamada de hanseníase, era ISOLADO DA SOCIEDADE. Os movimentos dos Direitos Humanos NÃO PERMITIRAM QUE ESSA ISOLAÇÃO continuasse, por ser ABSURDA.

Porém, por egoísmo de alguns profissionais da área de saúde mental pública, continuam mantendo abertos hospícios que no passado causaram terror.

Eu não sou contra clínicas particulares de recuperação. De forma alguma.

Sou contra hospitais psiquiátricos públicos. Pois o projeto era FECHAR hospitais psiquiátricos públicos e investir o dinheiro que ia para os hospitais psiquiátricos públicos para a criação de serviços substitutivos, como os CAPS.

Os serviços substitutivos NÃO FUNCIONAM DIREITO porque continuam mandando mais dinheiro para os famigerados hospitais psiquiátricos públicos.

Nem é preciso dizer que os hospitais psiquiátricos públicos são bem lucrativos, pois eles dão muito mais medicação aos pacientes psiquiátricos que estão internados. Evidentemente tudo isso precisa de verba. De muita verba, que os gestores desses hospitais psiquiátricos públicos pagam para terceiros, enfim, pagam para empresas privadas, e pagam com dinheiro público que seria melhor investido na criação de serviços substitutivos.

E ao que tudo indica esses professores de psiquiatria e de psicologia lucram muito com os hospitais psiquiátricos, pois é um campo fértil para suas pesquisas.

O projeto não era melhorar hospitais psiquiátricos antigos, como tentaram fazer com o famigerado Hospício Pedro II e com o hospício Philippe Pinel, ambos do Rio de Janeiro.

Na verdade não melhoraram nada, só mudaram os nomes.

E a institucionalização continua.

Por exemplo, CLICANDO AQUI você abre o blog de uma moça que foi mantida internada mais de dois meses em um hospital psiquiátrico pelo SUS. No blog ela relata os terrores que ela teve que tolerar para obter um tratamento que ela conseguiria num serviço substitutivo como o CAPS, SE os CAPS funcionassem como deviam.

Internação de dois meses é INSTITUCIONALIZAÇÃO.

A ideia seria que uma internação durasse cerca de 7 dias. Ninguém é internado por 2 meses por nenhuma outra doença. Isso não existe. Só quando é paciente terminal ou em coma!

Mais uma coisa: Luta Antimanicomial nada mais é que um novo nome dado ao Movimento da Antipsiquiatria. Eu defendo os ideais da Antipsiquiatria.

Enfim, NÃO TOLERAMOS métodos antigos de tratamento. Apenas usamos o nome Luta Antimanicomial para que os psiquiatras não se sintam excluídos.

13.2.12

O direito de não ser internado a força

Ninguém pode internar ninguém a força. E ninguém deve aceitar ser internado a força.

Existem Leis que proíbem isso. A Declaração Universal dos Direitos Humanos proíbe tal coisa. E os Direitos Humanos DEVEM SER RESPEITADOS.

Em seu Artigo 3°, a Declaração Universal dos Direitos Humanos diz:
"Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal."

A Constituição da República Federativa do Brasil endossa e não deixa margens para dúvidas:

"Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;"

Diz o magnífico Artigo 5º, inciso II.

Logo, ninguém pode ser obrigado a ser internado involuntariamente, a não ser se tiver cometido algum crime. Evidentemente, se justifica internar a força um usuário de crack que roubou para sustentar o vício.

Nem preciso explicar que quem roubou para sustentar o vício cometeu CRIME. A pena pode ser tratamento forçado. Nesse caso, não é internação involuntária. É internação COMPULSÓRIA Não tenho nada contra esse caso.

A Lei 10216 faz uma EXCEÇÃO para PERMITIR a internação involuntária. Observe e entenda:

"Internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro;"

Essa internação involuntária SÓ PODE ACONTECER se uma pessoa da família, ou amigo, pedir.

Ou seja, os médicos e enfermeiros NÃO PODEM pressionar o familiar a internar alguém.

E SE o familiar concordar em internar o paciente psiquiátrico, o médico deve estar presente e EXPLICAR ao paciente o porque da internação:

"Ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;"

Óbvio que essa Lei não foi idealizada por psiquiatras e tem uma pequena falha nesse ponto:

O psiquiatra poderia MENTIR e dizer que ele falou com o paciente psiquiátrico no momento da internação e que o paciente não lembra. Seria a palavra do psiquiatra contra a palavra do paciente psiquiátrico...

Aí entra a participação do familiar ou responsável pela internação involuntária:

Pois esse familiar consciente poderá EXIGIR que haja essa presença médica.

Caso não haja essa presença médica é confirmada a irregularidade. Aí basta ao paciente psiquiátrico buscar levar à Justiça, para que o hospital psiquiátrico, o coordenador, etc., respondam por essa irregularidade.

E, infelizmente, sabemos que, no momento, essa irregularidade acontece todo o tempo! Ou melhor, ACONTECIA todo o tempo, pois a partir de AGORA vai ficar difícil para os INFRATORES!

Espero que os ativistas da Antipsiquiatria, da Luta Antimanicomial, façam bom uso dessas informações.

É nosso dever fazer com que as Leis sejam respeitadas.

21.7.09

Drapetomania

Drapetomania é o nome de uma doença mental. drapetomania é a doença mental da qual os escravos negros sofriam. Drapetomania é a mania que certos escravos tinham de sempre tentar fugir "sem razão aparente". Eu não estou brincando. Essa doença realmente existiu. Foi "descoberta" por volta de 1850. Se eu vivesse em 1850 com certeza ia sofrer dessa doença. Hoje essa doença não existe mais. (Também, com o fim da escravidão, como eles iam manter essa doença?) Hoje drapetomania é considerado pseudociência. Veja mais sobre Drapetomania na Wikipédia. E veja abaixo o psiquiatra Thomas Szasz revelando coisas sobre psiquiatria e também falando sobre drapetomania. Thomas Szasz considera a psiquiatria uma fraude, uma coação, uma coerção.

Com todo respeito aos psiquiatras, mas realmente faltam recursos técnicos na psiquiatria. Chega a ser ridículo a gente ir se examinar com um psiquiatra e ele perguntar como vai nossa vida em vez de fazer exames objetivos. Eu entendo o esforço dos psiquiatras, mas realmente a coisa 'tá feia. Ou a psiquiatria arruma uma base realmente científica ou acabará morrendo oficialmente como pseudociência. Veja o vídeo abaixo. É engraçadíssimo e cheio de informações. Vale a pena. E tem legendas em português.



Comemoração: 2 anos sem psicotrópicos

No dia 20 desse mês julho o americano Philip Dawdy revelou em seu blog que ele estava comemorando 2 anos sem tomar psicotrópicos. Parabéns, meu amigo. Eu espero chegar logo ao seu nível. Por enquanto o único aniversário que eu comemoro é o dia em que eu saí de internação. Nesse ano eu estou completando 8 anos fora das internações. Não digo a data, pois sei que para os outros não tem a importância que tem para mim.

Resumo do II Encontro Regional da Luta Antimanicomial Região Sudeste

Nos dias 18 e 19 de julho - sábado e domingo - estive em Angra dos Reis no II Encontro regional da Luta Antimanicomial da Região Sudeste. O encontro teve umas coisas positivas. Outros usuários falaram sobre a falta de cursos variados nos CAPS e sobre o uso abusivo que é feito dos psicotrópicos. Coisas que deveriam ser comentadas pelos próprios profissionais de saúde mental.

Nesse encontro foram eleitos os novos representantes da região sudeste. Esses são os representantes da Secretaria Executiva Nacional Colegiada da Luta Antimanicomial. Os representantes dos usuários são João Batista de Angra dos Reis, Rio de Janeiro(titular) e Risomar de São Paulo (suplente). Os representantes dos familiares: Iracema Polidoro do Rio de Janeiro (titular) e Elizabeth de São Paulo. Os representantes dos profissionais (técnicos): Rachel Gouvêia do Rio de Janeiro(titular) e um rapaz de Minas Gerais que eu esqueci o nome.

8.3.09

CARRANO E A ANTIPSIQUIATRIA

As seqüelas que ficam são inúmeras. Físicas: queima de parte da minha visão; problemas de coluna; perda de alguns dentes pelo excesso de drogas legalizadas que chamam de medicação; manchas pelas pernas, de ficar amarrado, o que prejudica a circulação e causa dores; fissura na parte de trás da constituição óssea craniana. Segundo estudos da USP (Universidade de São Paulo), as pessoas que passaram pelo tratamento da eletroconvulsoterapia estão predispostas a desenvolver o mal de Alzheimer, pelas lesões cerebrais causadas pela aplicação. Emocionais: dificuldade de relacionamento; tendências ao isolamento; depressão; discriminação social; falta de oportunidades de emprego; carimbo que é um rótulo que nunca sai, o de louco; e outras dificuldades que a dita sociedade de "normais" nos impõe. A discriminação social é tamanha, que dentro do histórico forense brasileiro não existem indenizações por erros e crimes psiquiátricos. Ao vitimado psiquiátrico lhe resta como justiça social lutar até o fim da vida contra os preconceitos, essas barbáries sociais, onde ele sempre será a vítima solitária.

Acima eu compartilho parte de uma entrevista de Austregésilo Carrano Bueno, cujo livro deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças. Ele fala das consequências da internação psiquiátrica. A entrevista pode ser lida na íntegra no site do POVO ONLINE, na entrevista BICHO DE SETE CABEÇAS. Ao ler a entrevista fica claro que Carrano também era contra a administração dessas drogas psiquiátricas perigosas, que ele chamava de "drogas legalizadas que chamam de medicação". Ao ler a entrevista, fica claro que Carrano também era contra a psiquiatria tradicional. Infelizmente Carrano já morreu. Morreu em maio de 2008, aos 51 anos. Depois de ter ficado mal por um longo tempo. Oficialmente a morte dele foi por câncer de fígado. Mas acho que não é preciso lembrar que a saúde dele já estava enfraquecida por tomar essas drogas psiquiátricas perigosas. Infelizmente, todos que tomam essas drogas legalizadas estão fadados a ter a vida encurtada.

E eu gostaria de salientar ao ler a entrevista podemos ver que Carrano admitia ter doença mental. Ele admitia ter depressão. Ele não gostava muito é da idéia de ser tachado de louco. É bom que os leigos saibam que qualquer pessoa que passa a tomar medicação psiquiátrica desenvolve doença mental. Mesmo quando a pessoa era sã. A medicação psiquiátrica gera doença mental em quem não é doente mental. Se Carrano não tinha depressão antes, ele passou a ter depois de tomar a medicação psiquiátrica. Sem dúvida Carrano seria ativista do movimento da antipsiquiatria, se tivesse chance. Leia a entrevista e cuidado com medicação psiquiátrica!

Gostaria de fazer um pedido para as pessoas que viram o filme Bicho de Sete Cabeças para tomarem cuidado antes de começar a escrever sobre Carrano. Muita gente viu o filme, mas não leu o livro O Canto dos Malditos nem nenhum dos textos de Carrano, e por isso criaram idéias preconceituosas.

Eu li em alguns blogs coisas bem preconceituosas. Teve um blog que disse que Carrano, que de acordo com o blog não tinha nenhuma doença mental, teve que ficar internado com psicopatas. Senhor, quem está internado em hospitais psiquiátricos não é psicopata, não senhor. Deixe de falar bobagens, por favor. Teve outro blog que disse que Carrano sofreu mais que Cristo. Senhor, essa não é a idéia que Carrano queria passar. Você não entende nada da história da loucura. Carrano ficou internado 3 anos. Eu conheço gente que ficou internado mais de 40 anos. Algumas das pessoas ficaram internadas mais de 40 anos mantiveram o contato com o mundo... mas infelizmente a maioria das pessoas que ficaram internadas mais de 40 anos perderam todo toque com a realidade. E hoje vivem como bichos. Ou melhor, não vivem, vegetam. Moisés ficou internado mais de 40 anos, passou por todas as formas de tortura que você pode imaginar. E hoje em dia, ele trabalha. Esse é o verdadeiro herói.