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29.2.16

Paciente psiquiátrico = Cachorro

Nos últimos dois anos, eu relatei neste blog minha grande necessidade, minha falta de alimentos, minha falta de um lugar decente para dormir, etc. Devido a isso, eu pensei em PROCESSAR meus irmãos pela total falta de apoio, por aparecerem apenas para me internar, e por deixarem também a própria mãe num total abandono. O que me dissuadiu de tal ideia foi chegar à conclusão de que quem tem que pagar por tudo que perdi em minha vida sendo internado e sedado em exagero são os hospitais psiquiátricos públicos, ou melhor, o Poder Público.

A forma que eu fui internado em outubro do ano 2015 deixou claro para mim que eu, enquanto paciente psiquiátrico, não sou gente, sou um cachorro. Quando os parentes decidiram me internar, trataram-me como cachorro, chamaram os bombeiros que também me trataram como um cachorro, e por fim, o psiquiatra também me tratou como cachorro. Até que fui um cachorro bem tratado pelos bombeiros, mas ainda assim fui tratado como cachorro, pois um ser humano tem direito a fala, mas eles estavam convencidos de que nada que eu falava valia. Então, aproveitando-se disso, meus parentes inventaram uma história para os bombeiros e os bombeiros acreditaram na história, afinal, quem ia acreditar no que um cachorro diz? A chegada do SAMU foi como a chegada da carrocinha.

Em toda essa experiência, eu baseei minhas estratégias futuras. Minha primeira conclusão é:
Não adianta falar com profissionais de saúde mental e parentes. É a mesma coisa de um cachorro tentar falar com uma pessoa. Dã! Cachorros não são entendidos por humanos. Falar para quê? Falar seria burrice, eu sou cachorro, não sou burro!

Cachorros podem fazer sinais não verbais para se comunicar. Pois bem. Eu até poderei me comunicar através da arte e de panfletos e cartazes. Por que não? Uma mensagem que eu passaria para bombeiros seria:
Não junte um grupo de seus homens para levar um paciente psiquiátrico para o manicômio, ops, hospital psiquiátrico. A função de vocês é salvar vidas, e não atender queixas de parentes de pacientes psiquiátricos. Se algum parente disser que tal paciente psiquiátrico quebrou alguma coisa, está violento, etc., esse deve ser um trabalho para a polícia; a polícia que deve atender queixas (e, lógico, esse paciente psiquiátrico deveria ter o direito de defesa, como qualquer cidadão, para que ele não se sinta como um cachorro).

Se eu estava passando necessidade, é lógico que eu ia acabar sendo internado! Lógico! Esse sistema é cruel. Estou falando do sistema psiquiátrico. A partir do momento que eu estava passando necessidade eu não fui internado porque não estava tomando medicação, fui internado por estar destituído. Ou melhor, me internaram por isso. OBSERVE que eu disse ME INTERNARAM POR ISSO. Ao me ver destituído, não ajudaram a arrumar a minha cama, não ajudaram a acabar com as goteiras que mal me deixavam dormir, ou algo assim, chamaram o SAMU e me internaram. Esse sistema prende o paciente, obriga-o a seguir o que eles ditam, e joga os parentes contra o paciente. Doravante serei mais prudente. Só me aposentando mesmo para não ficar mais destituído.

Mas eu estou indo para a luta. Se eu sou tratado como cachorro, talvez seja a hora de deixar de ser um cão que só ladra, e quando não apanha dos humanos, é ameaçado por eles. Talvez seja a hora de responder à agressividade dos humanos com uma mordida, mesmo se eles me chutarem.

28.5.12

A verticalidade de muitos psicólogos

A maioria dos psicólogos que eu encontrei sempre agia como se eles fossem alguma autoridade, como se houvesse uma hierarquia entre o paciente psiquiátrico e o psicólogo, como se o psicólogo fosse o superior. Observe que um dentista, por exemplo, não age assim. Esta é uma característica própria de alguns psicólogos.

Como se eles sempre tivessem a autoridade de dizer o que é certo ou errado, como se fossem juízes, mas sem júri.

Por isso eu nunca gostei de conversar com psicólogos. Gosto de conversar de igual para igual, de uma maneira horizontal.

Muitas vezes eu tinha coisas sobre as quais gostaria de falar. E felizmente eu tive (e tenho) alguns poucos amigos de verdade com quem pude conversar, mais a vontade, com intimidade.

Evidentemente nem todos os psicólogos procedem dessa maneira vertical absurda. Psicólogos que estudaram mais aprenderam a proceder de forma mais horizontal.

Por exemplo, eu encontrei vários psicólogos que participam ativamente da Luta Antimanicomial que agem de maneira horizontal, de igual para igual. E mesmo no CAPS de antigamente havia profissionais mais igualitários, que comiam com os pacientes psiquiátricos, etc. Mas esses profissionais já saíram dos CAPS há anos, infelizmente.

31.1.11

Discutindo sintomas da doença mental

As instituições que deverão substituir os CAPS e outras instituições públicas que não deram certo deverão ter como objetivo concreto a melhoria do tratamento dos pacientes psiquiátricos.

Por isso haverá grupos de discussão em que será discutido os sintomas e as fases das doenças mentais. Serão discutidos os surtos, e não a vida pessoal dos pacientes psiquiátricos, como acontece nos grupos das instituições públicas de hoje em dia.

Afinal, ninguém tem nada a ver com a vida pessoal de cada um, e isso não deve ser discutido em grupo.

Pois, se de um lado nos grupos em que eu participei se falou pouco dos sintomas e surtos, por outro lado as pessoas eram encorajadas a falar de suas vidas pessoais, se expondo ao ridículo.

O que as pessoas falaram sobre surtos eu compartilhei em meus blogs.

As coisas pessoais nunca deveriam ser compartilhadas nem em grupos.

Que isso seja um conselho ao paciente psiquiátrico:

Não exponha sua vida pessoal em grupos terapêuticos. Ninguém tem nada a ver com isso. Você não precisa desse método ridículo para se sentir melhor.

E seja reticente com o que você compartilha, mesmo quando for falar com seu psiquiatra ou psicólogo. Certas coisas eles não precisam saber.

E principalmente nunca compartilhe coisas com profissionais que não estão preparados para lidar com suas questões. O que quer dizer, não se compartilha sua vida pessoal com enfermeiros, com assistentes sociais ou com nutricionistas. Esses não são treinados para ouvir problemas e vão acabar sendo rudes e indiscretos com você, devido ao despreparo natural.

25.1.11

Protiv Pravil (Против Правил) - Against the Rules - Contra as Regras

Protiv Pravil (Против Правил)



Зачем они пытаются
Учить тому, как надо жить
Штрих-код с рожденья каждому
И его не изменить
Покажут то, что выгодно
Расскажут то, что можно знать
Но мы оставим за собой
Право все самим решать
Иди смело против правил
Не следуй, а сам веди
Мы вместе и мы решаем,
Кто сегодня будет впереди
Другие мысли и мечты
Без лишних образов и слов
Сценарий для своей судьбы
Выбираем только мы
Иди смело против правил
Не следуй, а сам веди
Мы вместе и мы решаем,
Кто сегодня будет впереди

English

Against the Rules, translation to Protiv Pravil (Против Правил), sung by the Russian pop singer Dima Bilan
Why they're trying
To teach us how to live?
Bar code to everybody from birthday
And it can't be changed.
They will show that is advantageous
They will say that we got to know
But we'll reserve for ourselves
The right to decide by ourselves everything
Go against the rules bravely
Don't follow and lead by yourself
We're together and we decide
Who will be in advance today
Other thoughts and dreams
Without extra images and words
Scenario for our fates
We choose only by ourselves
Go against the rules bravely
Don't follow and lead by yourself
We're together and we decide
Who will be in advance today

Português

Contra as Regras, tradução de Protiv Pravil (Против Правил), cantado pelo cantor pop russo Dima Bilan
Por que estão tentando
Nos ensinar como viver?
Código de barras em todo mundo desde o nascimento
E isso não pode ser mudado.
Vão nos mostrar que isso é vantajoso
Dirão que temos que saber
Mas vamos reservar para nós mesmos
O direito de decidir por nós mesmos tudo
Vá contra as regras bravamente
Não siga e lidere você mesmo
Nós estamos juntos e nós decidimos
Quem vai na frente hoje
Outros pensamentos e sonhos
Sem imagens extras e palavras
O cenário de nossos destinos
Nós escolhemos apenas nós mesmos
Vá contra as regras bravamente
Não siga e lidere você mesmo
Nós estamos juntos e nós decidimos
Quem vai na frente hoje

Por uma instituição que aproveite o espaço físico e se distancie do isolamento do hospício


Na teoria a ideia do CAPS, Centro de Atenção Psicossocial é fantástica, tremendamente benéfica. Mas infelizmente na prática é um abuso de dinheiro público e um pesadelo para mim.

Eu sempre sonhei em ver o espaço e as vantagens do CAPS aproveitadas, mas infelizmente tem sido ao contrário.

O CAPS tem uma televisão que é desligada para atendimentos particulares. no final o grande beneficiado do CAPS são os terapeutas e isso não é justo.

O CAPS tem Internet que nunca é usado pelos pacientes psiquiátricos.

Ou seja, é um espaço que não é aproveitado. São coisas que deveriam ser privilégios dos pacientes psiquiátricos e que viraram privilégios dos técnicos.

E a coisa tem sido traumatizante para mim, pois sou atendido de forma isolada, o que é contra meu desejo. Isso é desconfortável para mim, mas eu aceito para agradar os técnicos.

Não gosto de ficar sozinho com técnicos de saúde mental, principalmente depois de ter sido ameaçado por alguns.

Eu não tenho nada para esconder, mais já vi técnicos que tinham coisas para esconder das outras pessoas. Como ameaças, por exemplo.

Por isso não é legal ficar sozinho com esses técnicos. Não temos nada que esconder, vamos falar às claras.

Está na hora de se construir uma instituição onde o espaço físico seja aproveitado para a inclusão de pacientes psiquiátricos.

As pessoas vão usar as salas de computação e de televisão para interagir. Para se incluir socialmente e não apenas como um benefício para técnicos de saúde mental.

Eu espero realizar meu primeiro desejo e sair desse sistema de CAPS sem mais constrangimento. Acho que eu não sou obrigado a me entristecer e me constranger.

Vamos contra todas as regras construir um espaço realmente confortável e que inclua as pessoas em vez de isolar, como acontece nos CAPS na prática.

Afinal, hospícios que isolam.

16.12.10

Aumento de salário de políticos custa caro para cofres públicos

Aumento de salário a deputados pode custar R$ 1,8 bi a municípios, diz Conselho Nacional de Municípios (CNM).
Congresso aprovou elevação de salário de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

Salário de deputado estadual e vereador é atrelado ao de deputado federal.

Essa é a notícia do G1.

Para que possamos refletir um pouco.

O salário dos caras aumentou de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil. Por que o salário do povo nunca tem esse reajuste? Quero dizer, o salário deles quase dobrou. E será que eles merecem ganhar tanto?

Você médico ou psicólogo recebe 16,5 mil? Acho que o trabalho do médico é essencial, será que eles recebem toda essa quantia?

O que um político faz de tão especial, se até um analfabeto funcional pode ser presidente da república?

Se um analfabeto FUNCIONAL pode ser presidente da república por que eles não podem receber o mesmo que o povo recebe? Por que eles podem receber um salário mínimo?

E imagine se a gente pudesse aumentar o próprio salário!

Papai Noel distribui dinheiro em Kansas City!


Isso mesmo! Essa fantástica e surpreendente notícia está no Yahoo! News, em inglês. As pessoas ficavam surpresas com um Papai Noel distribuindo dinheiro! O Papai Noel e seus assistentes distribuíam notas de 100 dólares!

E ele buscava distribuir para as pessoas que necessitavam mais. Ou seja, ele distribuía mais para os pobres.

Imagine se uma coisa dessas acontece aqui no Brasil?

Tratamento psiquiátrico precisa de mais abertura e proximidade com o paciente psiquiátrico(Extraido de meu diário pessoal)


Enquanto eu relembro em minha mente como eu fui tratado para meus primeiros surtos eu não posso negar, com todo respeito aos psiquiatras, que eu não senti que era consultado por um médico.

Ninguém me perguntou o que eu sentia. Ninguém perguntou o que eu necessitava. Eles me deram medicação, mas nunca perguntaram minha opinião sobre minha própria condição.

Eu não senti que era consultado por um médico, mas DITADO por um DITADOR. Mas uma vez com todo respeito. Isso é o que acontece com todo paciente psiquiátrico.

Pacientes psiquiátricos tomam um monte de medicação. Mais medicação do que um ser humano pode tomar. E essa medicação é NARCÓTICO. Esse é o problema.

Se enchermos uma pessoa com ópio ou crack é provável que você mate essa pessoa.

Tomando psicotrópicos as pessoas desenvolvem diabetes, pressão alta e às vezes doenças mais sérias como tumores, cistos no cérebro.

Tais psicotrópicos deixam as pessoas mais vulneráveis, portanto não é surpresa tais pessoas desenvolverem até câncer. E infelizmente muita medicação não é necessário nas maiorias das vezes. Se isso fosse avaliado com cuidado a perspectiva de vida dos pacientes psiquiátricos seria bem maior.

Observe que a maioria das limitações científicas da psiquiatria vêm de discriminações dos próprios psiquiatras. Eles não perguntam muito aos pacientes o que eles sentem.

Observe por exemplo que não existe nenhum fórum na Internet comandado por psiquiatras pesquisando a opinião de pacientes psiquiátricos.

É porque eles não fazem isso.

27.11.10

Ana - Vama Veche (Tradução da bela canção romena - Translation of the beautiful Romanian song)



Ana
I:
Demult, tare demult
Am iubit o mica fata
E firesc, mi-a placut
Era frumoasa ca o floare de zapada.
Demult, tare demult
Ea-mi daruia multa iubire
Si-un suflet minunat si curat
Ca zapada cand se cerne.
II:
Era viata mea si se numea... Ana
Ce nume simplu!
Iar eu, de-as fi stiut ce va urma
Fugeam din calea sa
Dar am uitat ce am avut
Si am ajuns indiferent
Si-am pierdut-o ca pe-un fulg
Ce-n mana-l pierzi cand s-a topit.
Cand mi-am dat seama c-am ranit
Un suflet cald atata timp
Si c-am pierdut-o
M-am intors ingenunchiat
E prea tarziu...!
III:
Voi ce acum ma ascultati
Mai meditati si nu uitati:
In dragoste indiferenta-i cea mai grea
Cu fiecare despartire
O stea din cer se va desprinde
Iar eu voi sti ca ati facut greseala mea...
Greseala mea.

English
Anna
I:
A long,long time ago
I loved a little girl
It's normal,i liked her
She was as beautiful as a snow flower
A long,long time ago
She was giving me a lot of love
And a wonderful, clear soul
Like the snow when it drizzles
II:
She was my life and she was called...Anna
What a simple name!
I wish I knew what was going to happen...
I was running out of her path
But I forgot what I had
And I lost her just as a flake
Which melts when it's in your hand
When I realized that I had hurt
A warm soul for a long time
I turned back on my knees
It's too late...!
III:
You,the ones who are listening to me now
Keep meditating and don't forget :
When you're in love, indifference hurts the most
With every separation
A star will fall from the sky
And you'll know that you had done my mistake...
My mistake.

Ana (Tradução de da canção Ana, da banda Vama Veche)
I:
No passado,bem no passado
Eu amei uma garota pequenina (Eu amei uma pequena)
É normal, eu gostei dela
Ela era bonita como uma flor da neve
No passado,bem no passado
Ela me dava muito amor
E uma alma maravilhosa, alva
Como a neve quando cai
II:
Ela era minha vida e se chamava...Ana
Que nome simples!
Eu queria saber o que ia acontecer (Ah se eu soubesse o que ia acontecer)...
Eu estava me afastando do caminho dela
Mas eu esqueci o que eu tinha
E eu a perdi como um floco (de neve)
Que derrete quando está nas mãos
Quando eu percebi que tinha machucado
Uma alma quente por tanto tempo
Eu voltei de joelhos
Tarde demais...!
III:
Vocês, que estão me ouvindo agora
Meditem e não se esqueçam:
Quando você está apaixonado, a indiferença é o que mais machuca
Com cada separação (Cada vez que há uma separação)
Uma estrela cai do céu
E aí você saberá que cometeu o meu erro...
Meu erro.

O que descobri com minhas pesquisas sobre doença mental

Como descrevi em minha história OS CASARÕES e em A FOGGY LIFE, eu estava fazendo umas pesquisas sobre a capacidade da mente e sobre as forças do inferno e sobre a possibilidade de existir seres que a gente não vê.

Os resultados foram bem satisfatórios, apesar de que ninguém mais fez pesquisas nesse campo.

Sobre forças do inferno, não vai interessar muito o leitor saber disso, já que minhas conclusões poderiam influenciar em suas crenças.

Quanto à existência de seres que a gente não vê, sem dúvida existem, e esses seres influenciam e muito no processo da loucura de um indivíduo.

Impressionante que depois das descobertas de Leeuwenhoek, que revelou a existência de um mundo invisível de micróbios e vírus com seus microscópios ainda não se pesquise a fundo a existência de seres invisíveis que são mais inteligentes que a gente, e que zombam da gente.

Leeuwenhoek contribuiu para a descoberta de vírus e bactérias e micróbios invisíveis a olho nu.

Porém ainda tentamos nos convencer que nos transtornos mentais não há seres que só se revelam para suas vítimas pacientes psiquiátricos.

É óbvio, é evidente que existem seres que brincam com a crendice popular e se fazem de fantasmas e levam as pessoas ao desespero que os psiquiatras chamam de doença mental.

Esses seres são muito mais inteligentes, pois se escondem facilmente de psiquiatras e cientistas em geral, que ainda acreditam que tais seres só existem na cabeça do doente.

Conversando com as vítimas desses seres, os pacientes psiquiátricos, você observará o seguinte:

Esses seres se provam reais para o paciente psiquiátrico de maneira incontestável. Eles brincam com a realidade de uma forma que a imaginação do paciente psiquiátrico não teria o poder de fazer.

Alguns desses seres que são considerados psicoses ou delírios pelos ignorantes psiquiatras fazem previsões, fazem prognósticos de coisas do futuro... e acertam!

Esses seres dizem coisas verdadeiras que acontecem de fato. Como a imaginação de alguém poderia ter o poder de fazer isso?

Como eu já disse, são seres que estão zombando das nossas crendices humanas. Estão zombando da religião e da psiquiatria, que se desentendem entre si.

Falarei mais deste tema e o aprofundarei em outras postagens, mas por enquanto deixarei o leitor com um dever de casa.

Converse com pacientes psiquiátricos que viram coisas e você observará que alguns dos seres que o paciente psiquiátrico viu e que nossa ignorante psiquiatria insiste em chamar de psicose falaram sobre coisas que aconteceram DEPOIS, ADIVINHARAM COISAS SÓ PARA PROVOCAR.

Essa é a primeira pulga que eu proponho a colocar atrás da orelha dos leitores.

21.11.10

Esperança no progresso dos estudos das doenças mentais

Chego a achar exagero a total desconfiança de Fiddaman em seu blog quanto aos psicotrópicos.

Outros blogueiros também mostram pouca esperança. Prefiro o meio termo. Devemos desconfiar dos psicotrópicos, mas devemos colocar um pouco de esperança na psiquiatria.

Daí a necessidade de uma psiquiatria mais preocupada com a saúde das pessoas. Não muito preocupada em tachar as pessoas como doentes crônicas.

As pessoas podem viver com menos psicotrópicos, mas em certos casos os psicotrópicos podem ajudar.

Má psicologia é pior que tudo

É importante que pessoas qualificadas atuem em terapias. Lembro que eu estava bem em casa até ir ao CAPS e ouvir de uma profissional desqualificada para terapias que eu estava confuso.

Aquilo gerou realmente uma confusão que acabou em meu surto. Aquela má terapia me fez mal.

Daí a importância de pessoas qualificadas fazerem terapias. D Bunker fala em seu blog que terapia se mostrou pior que Zoloft em pessoas que pensam em suicídios. Pessoas passaram a pensar mais em suicídio depois da terapia.

Há uma falta de esperança também na medicação Zoloft.

Mas insisto que não podemos perder a fé na boa terapia com psicólogos qualificados.

Impressões sobre o último surto

Depois do último surto não posso negar que gostaria de experimentar isso de novo, mas dessa vez com supervisão de profissionais sérios.

Ou seja, o processo que ocorre próximo ao surto deveria ser estudado.

Isso avançaria bastante o estudo das doenças mentais.

A primeira coisa que observei é que má terapia pode causar surtos. Foi o que aconteceu quando fui ao CAPS e em vez de ser apoiado por um terapeuta me vi desmotivado e negado atendimento por uma profissional que não era treinada para terapias.

Se cada surto fosse ESTUDADO muitos avanços aconteceriam na psiquiatria. Digo, estudar, e não tentar interromper o processo natural da mente com drogas.

Compreensão e apoio a pessoa poderia substituir as drogas.

Esse será o futuro da psiquiatria, que funcionará.

Como já disse, todo o processo de meu surto eu estudei a mim mesmo, com resultados ótimos.

Descobri muita coisa, mas não admito mais o uso desgovernado de psicotrópicos em mim.

Sei que posso viver sem psicotrópicos.

Numa próxima postagem falarei mais sobre minhas impressões.

20.11.10

ACABOU

O leitor esperto deve ter notado que as últimas canções colocadas neste site tem tido um tom dramático de FIM.

É que em minha vida uma fase ACABOU.

Eu escrevi que quando criança eu sonhava em encontrar uma bela mulher, etc.

Agora eu sei que tais coisas não acontecerão, ACABOU.

Não estou triste, pois sei que tais coisas não eram para mim.

O Começo de Um Sonho: Uma Fundação de Apoio a Pacientes Psiquiátricos e Pesquisas Sobre Doenças Mentais

Ao mesmo tempo começa a se idealizar cada vez mais em minha cabeça este projeto maravilhoso de criar uma fundação, uma ONG que pesquisará a doença mental de uma forma que não é pesquisado hoje em dia, infelizmente.

Essa fundação oferecerá tratamento humano não apenas aos doentes mentais, mas a todas as pessoas.

O objetivo da fundação é a EXTINÇÃO da doença mental como ela é vista hoje.

Trabalharei para que haja uma equipe de psiquiatras, psicólogos, neurocirurgiões, neurologistas e cientistas que pesquisarão melhores tratamentos para os doentes mentais com o APOIO DOS DOENTES MENTAIS, o que não acontece em nossa realidade.

Biblioteca Popular Iniciará O Trabalho

Começarei criando uma biblioteca popular.

Tenho dicionários e livros de mais de trinta línguas. Essas obras deverão chegar ao acesso da minha comunidade.

Assim começará esse trabalho, que conto com a ajuda de todos.

Me aguardem.

A primeira fase da minha vida foi TUDO POR NADA.

Agora é TUDO POR NADA de novo? TUDO OU NADA. Mas tenho certeza que será TUDO. Está em meu destino. Que agora sou eu que faço.

5.11.10

A Cura da Doença Mental Enfim

Tanto falamos de cura de doença mental.

Numa postagem eu revelei que nos passos que os estudiosos do assunto caminham é impossível haver qualquer cura, pois não se cura problema social com drogas.

Não se pode considerar problemas sociais como problemas genéticos.

Doença mental é causada por problemas sociais, a saber, problemas de família.

Todas as pessoas que eu conheci até hoje com doença mental sofreram abuso sexual ou vieram de uma família problemática.

Na minha família podem dizer que sou louco, mas sem dúvidas meus irmãos tiveram sérios distúrbios mentais que infernizaram a família.

Distúrbios piores que qualquer distúrbio que eu supostamente tenha tido.

Havia um irmão com sérios problemas que não respeitava nem a mãe, nem os irmãos que moravam com ele.

Trazia vagabundos para casa e transformava um lar que deveria ser de família numa zona.

A mãe perdia o controle.

Esse meu irmão, descontrolado, colocava música no último volume de poderosas caixas de som, desrespeitando toda a vizinhança.

Esse é apenas um traço de uma família doente.

Mas a cura da doença mental é simples:

Não se cura problemas de família com drogas.

Se cura informando a família que ela deve apoiar a pessoa afetada com doença mental e se TRATAR para parar de fazer coisas absurdas como ABUSOS.

Não tem mistério. Se apoiarem o pior dos esquizofrênicos ele se cura e nem precisa mais de medicação.

Psicotrópicos não são fórmula mágica - Respeito vale mais que psicologia

Antes de mais nada as pessoas precisam ser tratadas com respeito para beneficiar sua saúde.

Estão me enrolando no CAPS Rubens Corrêa, por exemplo. Isso é falta de respeito e só me deixaria doente, se eu desse papo para eles.

Se não falarem com respeito eu não vou levá-los a sério e vou dispensar a psicologia, que não tem como objetivo técnico enrolar as pessoas.

É preciso aprender a falar com respeito com usuários de saúde mental. Eu não vou ceder nossos direitos.

Ao ficar melhor ao deixar de tomar a medicação no mês de agosto eu derrubei de vez a teoria de que medicação é o mais importante.

Só piorei de saúde quando não recebi atendimento médico quando solicitei.

Fiquei mal por ter sido maltratado, e não por falta de medicação.

Fiquei mal quando a lei que garante presença médica foi desrespeitada por uma técnica.

Nada a ver com medicação.

aprendam a tratar com humanidade e não precisaremos mais de medicação.

Falei e disse.

6.9.10

ÉTICA: Ninguém merece a sarjeta

Certamente eu tinha sido vítima de um desses golpes tipo "Boa noite Cinderela". Eu mal conseguia me arrastar.

Estava com a garganta seca de sede, sem camisa, com frio, mas precisava de líquido para caminhar. Daí que me vi obrigado a beber da água da sarjeta, das valas da área entre Copacabana e Botafogo e redondezas no Rio de Janeiro.

Eu vi ao longe uma UPA, um daqueles hospitaizinhos ditos milagrosos.

Estava longe, mas vi dois indivíduos. Pedi que me levassem até a UPA, pois estava passando mal e mal conseguia me mover.

Eles me disseram:
__Você já está quase lá. Ande um pouco mais que você chega lá.


Eles deviam achar que eu era um drogado inútil.

Mas tudo bem.

Só quero deixar claro que este site PACIENTE PSIQUIÁTRICO aceita todos, sem distinção, desde que seja sem fins comerciais.

Aceitamos desde a anti-psiquiatria até aos psicólogos e psiquiatras, e assistentes sociais, pois acredito que todos queremos o bem, e não deixaremos ninguém NA SARJETA.

Mas uma vez salientando que meu direito LEGAL de ter presença médica quando solicitei no CAPS DEVERIA SER RESPEITADO, com toda consideração à minha técnica de referência.

Mas estou de volta a luta.

25.3.10

Porque precisamos de advogados para defender os direitos de usuarios de saude mental (Os ex-pacientes psiquiatricos)

O usuário de saúde mental do Brasil parece que ainda não percebeu que para defender certos direitos se faz necessário um advogado para ajudar.

Profissionais de saúde mental não podem ajudar nisso, pois NÃO TEM PREPARO PARA ISSO.

Com certeza isso acontece em parte porque o Brasil é um país em que as pessoas estão acostumadas a ser reprimidas, afinal, o Brasil sofreu repressão através da ditadura por muito tempo e está apenas começando a TENTAR desenvolver cidadania.

Ainda somos muito reprimidos, como havia dito outro dia, a ditadura ainda se mostra, por exemplo, no VOTO OBRIGATÓRIO e nas atitudes de certos presidentes.

Nos Estados Unidos é normal haver advogados defendendo causas de ex-pacientes psiquiátricos, inclusive existem agências especializadas nisso, ou seja, agências que só atendem causas de ex-pacientes psiquiátricos. (Eles cobram, é lógico!)

Portanto havia comentado com alguns companheiros que temos a necessidade real de termos advogados CONTRATADOS POR EX-PACIENTES PSIQUIÁTRICOS para defender nossas causas, enfim a causa de todos pacientes psiquiátricos.

É uma pena que não poderei me alongar nessa postagem (apesar de já estar escrevendo demais), pois estou indo para algumas reuniões em saúde mental e inclusão social.

AUSTREGÉSILO CARRANO E SUA INCOMPARÁVEL LUTA PELOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL


Só queria lembrar que Austregésilo Carrano foi exemplar em sua persistência ao defender o que acreditava. Eu sempre o terei como modelo a ser seguido. Sabemos que Carrano queria ser ressarcido pelos abusos sofridos nos hospícios. E ele lutou muito para melhor tratamento de todos. Nisso Carrano é único. Um grande guerreiro. Infelizmente os representantes de usuários que temos hoje em dia (depois da morte de Carrano) são facilmente manipulados, são paus mandados de técnicos de saúde mental.

Talvez sejam manipulados tão facilmente por estarem mais traumatizados, pois que fique claro, apesar de Carrano ser o mais conhecido dos ex-pacientes psiquiátricos, ele foi um dos que menos sofreu. Mas foi o que mais lutou por nossos direitos.

Triste lembrar que Carrano foi processado e pagou indenização para os psiquiatras que desrespeitaram seus direitos humanos até morrer. E ainda ficou devendo depois de morto. Enfim, ele morreu por causa dos abusos das internações e DAS MEDICAÇÕES EXAGERADAS e ainda teve que indenizar aqueles que causaram sua morte.

Enfim, eu realmente gostaria de ver psiquiatras que foram responsáveis por mortes de pacientes psiquiátricos pagando por seus crimes como qualquer criminoso. Pois do jeito que está as mortes são esquecidas. E eles continuam sendo causadores de outras mortes.

21.2.10

O PSIQUIATRA DÁ UMA MÃOZINHA AO EX-PACIENTE PSIQUIÁTRICO - Charge

Na charge abaixo um psiquiatra dá uma ajuda MEIO DIFERENTE a um ex-paciente psiquiátrico.





A charge ironiza um dos principais erros dos cuidadores em saúde mental: que é querer fazer as coisas pelos usuários de saúde mental, os ex-pacientes psiquiátricos, ou pacientes psiquiátricos.

Claro, não são só cuidadores em saúde mental que cometem esse erro. Políticos também, com suas bolsas família.

Não confundir FAZER AS COISAS PELOS OUTROS com PRESTAR SERVIÇOS AOS OUTROS.

Claro que precisamos de profissionais especializados para fazer certas coisas pra gente, pois não podemos aprender a fazer tudo. (Pois também temos que usar nosso tempo para nos divertirmos, etc.)

Mas aquelas coisas que é normal, OU DEVERIA SER NORMAL todas as pessoas conseguirem fazer, não é legal uma pessoa fazer por outra. É mais uma USURPAÇÃO que uma ajuda.

Enfim, pessoas em geral cometem essa falha.

APRENDA A COOPERAR, MAS NÃO FAÇA AS COISAS PELOS OUTROS

Se uma certa pessoa pode andar, OU mover os braços, OU ver, OU ouvir E consegue PENSAR, mesmo que de maneira limitada, essa pessoa não precisa que façam coisas por ela.

Precisamos encontrar maneiras para desenvolver FERRAMENTAS para fazer a vida dessa pessoa mais fácil.

(Na verdade já existem várias ferramentas que facilitam a vida de várias pessoas com alguma limitação física. O problema é que NEM TODAS AS PESSOAS têm acesso a essas ferramentas.)

Mas nós não precisamos fazer coisas pelos outros.

Não faça nada por ninguém. Aprenda a cooperar. Cooperar quer dizer TRABALHAR JUNTO com a pessoa. Não exatamente ensinar a pescar, como dizem alguns, mas PESCAR JUNTO.

Ao fazer algo pelos outros você só está atrasando a vida dessa pessoa, tirando a chance dessa pessoa se AUTO-AFIRMAR. Quando fazemos as coisas pelos outros tiramos a chance de a pessoa aprender a se virar.

Aprenda a cooperar, mas não faça as coisas pelos outros.

18.2.10

Mais uma tragédia por causa de psicotrópicos

Mas uma vez quero salientar que lamento que não haja opções de tratamento que substituam os perigosos psicotrópicos.

Lamento, pois todos os dias vejo notícia de gente que morre por causa dessas drogas.

Quero lembrar mais uma vez que admito que os psicotrópicos podem ser essenciais no caso de surtos fora de controle, em EMERGÊNCIAS.

Mas nenhuma pessoa poderia ficar tomando esses psicotrópicos a longo prazo, muito menos manter essas drogas em casa, pois oferecem perigo constante.

Quando Carolyn Riley foi condenada por matar sua filha de quatro anos Rebecca por overdose de psicotrópicos prescritos para a criança, alguns membros do júri acharam que o psiquiatra que escreveu as receitas também deveria ser julgado.

Essa é uma das últimas notícias de tragédias por causa de psicotrópicos que eu li. Siga o link acima e veja por si mesmo.

Salientando as dificuldades do acompanhamento psiquiátrico no Brasil



Só queria salientar que a coisa está muito difícil para faz acompanhamento psiquiátrico no Brasil. Eu costumo falar de como seria importante CURSOS para a comunidade em geral dentro de serviços de saúde mental, pois isso torna esses locais mais sociais. Mas infelizmente as políticas públicas do Brasil não têm levado isso muito a sério.

Faço parte de um projeto de informática nos serviços de saúde mental do Rio de Janeiro. Devo esclarecer que o projeto SEMPRE foi iniciativa da organização não governamental COMITÊ PARA DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMÁTICA, apesar de muitos profissionais de saúde mental políticos tentarem levar todos os créditos.

Mas infelizmente não estamos tendo verbas, e por consequência não estamos tendo cursos. Os políticos parecem achar que têm coisas mais importantes para tratar do que a saúde das pessoas.

Mas mesmo assim eu luto com todas as forças para que esses cursos de informática sejam tratados com mais carinho.

E por isso tenho tido toda paciência do mundo ao lidar com esses políticos.

Até a próxima.

3.2.10

Tudo pode ficar melhor

Em outro sonho que eu tive na época em que estive internado eu corria tentando fugir do hospício. Eu corria, mas não conseguia achar a saída. Aquele hospício era grande demais! Maior que a Colônia Juliano Moreira e o Juquery juntos!

Na época eu não entendi o significado daquele pesadelo: na verdade aquele pesadelo mostrava o HOSPÍCIO EXTERNO. Quando a pessoa está fora do hospício, mas não tem onde ir, não consegue arrumar emprego, e se arruma emprego, não consegue um acompanhamento mental decente e sem discriminação, pois, infelizmente, há MUITO PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO nas instituições psiquiátricas, para não falar da repressão e falta de recursos.

Sofre discriminação e preconceitos de quem sabe de sua história como ex-paciente psiquiátrico.

O chato e assustador é que os únicos que não discriminam são aqueles que não sabem que a pessoa é ex-paciente psiquiátrico...

A música de Xavier Naidoo (cantando em alemão) e Janet Grogan (cantando em inglês) reflete bem o desespero do paciente psiquiátrico que se sente preso, mesmo quando está solto. Preso por preconceitos e discriminações.

Enfim, é uma música linda que fala de liberdade e melhorias no mundo.

Veja o vídeo da música e sua tradução abaixo.

TUDO PODE FICAR MELHOR



Tudo pode ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo deve ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo ficará melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
E ninguém mais colocará em risco sua própria vida
Um dos mais preciosos tesouros da terra

Eu quero sair deste lixo aqui
Apesar de eu não saber como
Quero sair deste lugar podre
Apesar de eu não saber como fazer isto
Me prenderam aqui neste lugar
Para que eu não veja o resto do mundo
Eu vou sair desta prisão
Assim que souber aonde ir

Tudo pode ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo deve ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo ficará melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
E ninguém mais colocará em risco sua própria vida
Um dos mais preciosos tesouros da terra

Mesmo quando você estiver chorando amargamente
Por favor, não desista
Mesmo quando você não quiser mais viver
Por favor, não desista
Mesmo quando você sentir como se estivesse morto
Por favor, não desista
Mesmo quando tudo parecer estar corrompido
Não desista

Tudo pode ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo deve ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo ficará melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
E ninguém mais colocará em risco sua própria vida
Um dos mais preciosos tesouros da terra

Eu posso ver além das fronteiras daqui
E eu sei que há mais opções para mim
Eu não tenho medo de encarar o que eles temem
Se isso pode me dar a chance de ser livre
Tire minha coragem se você acha que pode
Mas eu não vou parar enquanto eu não sair daqui
Pois é, eu não dou a mínima
Não tenho medo de encarar o que eles temem

Tudo pode ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo deve ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo ficará melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
E ninguém mais colocará em risco sua própria vida
Um dos mais preciosos tesouros da terra

Tudo pode ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo deve ficar melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
Tudo ficará melhor
Vamos trazer o Reino dos Céus para a terra
E ninguém mais colocará em risco sua própria vida
Um dos mais preciosos tesouros da terra

Por favor, não desista
Por favor, não desista
Por favor, não desista
Não desista

2.2.10

Equipamento avançado no tratamento psiquiátrico

Primeiro Sonho



Eu estava internado, mas não estava confinado a uma casa, nem a um prédio, nem a um muro. NÃO SE VIA MURO. Eu não sabia onde estava. Sabia que estava internado, mas não sabia onde.

Aquele local de internação era organizado. Era um lugar NORMAL. Tinha lanchonetes, e mesmo algumas máquinas para o entretenimento geral. (Como há no mundo NORMAL.) Os profissionais de lá comiam no mesmo lugar dos pacientes psiquiátricos, desde o faxineiro até o psiquiatra.


Era como se eu estivesse numa cidade normal. Eu poderia ter certeza que estava numa cidade normal. Mas estava sendo monitorado, pois estava SOB OBSERVAÇÃO, estava internado, se é que podemos usar esse nome.

Apesar de toda a abertura, eu ainda me sentia meio frustrado por estar internado. Não posso negar isso. Apenas ficava aliviado por não estar sendo mal-tratado, mas ainda assim estava em tratamento, por considerarem que não estava bem. Sempre é algo que a gente não gosta.

Em dado momento eu fui mexer em algo e um dos profissionais de saúde mental disse para não mexer.

Como eu continuava indo em direção da coisa ele me advertiu dizendo que iria me CONTER se eu tentasse mexer.

Como eu insisti, ele me conteve. Mas não me agarrou, nem chamou auxiliares de enfermagem para me amarrar na cama.

Simplesmente pegou um aparelho que tinha na mão, apontou para mim e mandou uns raios, ou algo parecido.

Esses raios me contiveram sem me machucar, apenas, LITERALMENTE, me cercando, me impedindo de mexer onde não devia, sem precisar me prender.

Total interatividade com a comunidade em tratamento que não exclui (Segundo sonho)

Eu tinha sido internado sem o conhecimento de minha família. Mas depois de um tempo eu já ia deixar o hospital psiquiátrico.

Mas aí eu fiz algo errado e tive que permanecer internado. Eu não sabia como passar o tempo. Até que que aquele hospital psiquiátrico começou a ficar moderno. Com máquinas elétricas vendendo coisas. E logo todo o lugar estava parecendo um Shopping Center.

Pessoas “NORMAIS” indo e vindo. Logo ficou melhor. Eles vendiam de tudo lá. E um companheiro de internação me ofereceu algo que ele chamou de PUDIM DE MENTA, que parecia com uma bala.

Mas como tinha dito, o lugar se tornou melhor, mais amplo. Fizeram obras e abriram o lugar (sem muros). Não tinha mais porta fechada, nem portão limitador naquele local de tratamento psiquiátrico. Mas continuávamos internados, em observação. Agora nós podíamos andar pela praça, e podíamos até ir até a banca de jornal.

Havia guardas vigiando a PRAÇA. Mas eu estava temeroso, chegando a achar que estavam vigiando a gente, pacientes psiquiátricos.

Mas ainda assim, a sensação de liberdade era grande.

E as pessoas não tinham medo da gente. Parece que os estigmas tinham caído por terra. A ideia antiquada que paciente psiquiátrico pode agredir não existia mais. Parece que profissionais de saúde mental e familiares tinham parado de passar ideias que sugerem que pacientes psiquiátricos são POTENCIALMENTE agressivos.

Tal tratamento que não exclui e nem esconde o paciente psiquiátrico do mundo, nem lhe dá aparência de monstro, sem dúvida acabava com os atos violentos dos profissionais de saúde mental.

Pois muitas vezes um profissional de saúde mental só agride um paciente psiquiátrico por achar que esse poderia agredi-lo, ou por achar que esse paciente psiquiátrico merece a agressão, por ser alguém que agride sem motivos. (Como muitos dizem.)

Claro que dispenso a interpretação de certos psiquiatras e psicólogos problemáticos, que talvez arranjem uma interpretação sexual para esses sonhos.

Esses sonhos não precisam de grandes interpretações, pois falam por si.

1.2.10

Haverá um novo atendimento em saúde mental SEM ESTIGMAS

Eu vou compartilhar com vocês sonhos que eu tive MESMO. Os tive quando estava internado em hospitais psiquiátricos e pouco depois de sair das internações.

Antes de contar esses sonhos gostaria de lembrar que apesar das mudanças ocorridas com a Reforma Psiquiátrica alguns problemas persistem, e outros piores surgiram.

Um dos problemas que persistem é a ociosidade e o tédio em que o paciente psiquiátrico é submetido no hospital psiquiátrico. Enquanto tem uma hora de oficina por dia, por exemplo, a pessoa tem que passar o resto do tempo olhando pro tempo, olhando pro teto, fumando, e outras coisas que eu prefiro nem comentar.

Enfim, as oficinas que eles prometeram que haveria no SUPOSTO novo modelo de tratamento são pura maquiagem.

E esse ritmo QUASE PARANDO infelizmente está presente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também.

Um problema sério que surgiu na era Reforma Psiquiátrica são os psicotrópicos que, infelizmente, matam, aleijam, e chegam a causar doença mental como EFEITO COLATERAL.

Acho que não preciso falar do problema da DESASSISTÊNCIA. Sabemos que não foram construídos serviços para substituir os ditos manicômios que foram fechados.

Outro problema que persiste é O DESPREPARO dos profissionais de saúde mental que lidam com o paciente psiquiátrico em suas crises.

Todos profissionais de saúde mental deveriam estar preparados para lidar com pacientes psiquiátricos, para interagir com esses em suas crises.

Os profissionais de saúde mental deveriam ter um preparo físico, em defesa pessoal, desde o auxiliar de enfermagem até o doutor. Claro que é falsa a ideia que o paciente psiquiátrico é violento, mas o conhecimento de defesa pessoal deixaria os profissionais de saúde mental mais seguros diante do nervosismo dos pacientes psiquiátricos.


Um paciente psiquiátrico em surto, tendo alucinações, pode bater na parede para desabafar. O que não quer dizer que ele vá bater nas pessoas ao redor.

Na verdade, uma agressão do paciente psiquiátrico pode acontecer quando alguém se APROXIMA de maneira FURTIVA ou ofensiva.

16.10.09

Paciente psiquiátrico ou ex-paciente psiquiátrico?

Me preocupa o crescente número de pessoas se declarando PACIENTE PSIQUIÁTRICO com orgulho. É que paciente psiquiátrico na verdade é quem está internado num hospital psiquiátrico, e não quem está em tratamento ambulatorial. E, lógico, não é motivo de orgulho.

O nome deste blog é PACIENTE PSIQUIÁTRICO por um trocadilho, um jogo de palavras, como eu já disse inúmeras vezes. Eu sou PACIENTE PSIQUIÁTRICO, pois tenho PACIÊNCIA. Paciência, inclusive, para aguentar ser chamado de paciente o tempo todo no CAPS.

É chato e desagradável ver que os profissionais que lá trabalham aparentemente desconhecem a história da saúde mental no mundo, desconhecem a história do estigma. É chato ver que nossos governantes não se preocuparam muito com a formação desses profissionais. Do contrário não chamariam usuários de CAPS de pacientes. Eu até entendo que um psiquiatra, numa consulta, chame um usuário, cliente do CAPS, de paciente.

Numa consulta é normal a gente ser paciente de um psiquiatra, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional... mas o perigo é quando a gente vira paciente da enfermeira, do copeiro, do faxineiro, do segurança, do pedreiro que vem fazer obra no CAPS, enfim, o problema é quando TODO MUNDO ESTÁ CHAMANDO A GENTE DE PACIENTE indiscriminadamente. Esse pessoal nem dá consulta para gente. Aí virou bagunça. (NOTA: é claro não é apropriado psiquiatras e terapeutas chamarem a gente de paciente fora de uma consulta. Lugar e momento de chamar de paciente é nas consultas.)

Mas o problema é que o CAPS é um CENTRO DE CONVÍVIO. As pessoas não fazem consultas o tempo todo. Elas convivem lá o tempo todo, e num tempo menor fazem consultas. Se o objetivo é RESSOCIALIZAR o melhor seria evitar de chamar as pessoas de PACIENTES o tempo todo, já que esses usuários de CAPS passam grande parte de seu tempo nos CAPS. (Se não a maior parte do tempo.)

E se essas pessoas são chamadas de pacientes no lugar que deveria RESSOCIALIZAR realmente elas estão sendo condenadas a viver no hospício para sempre, pois quando esses profissionais DESQUALIFICADOS chamam as pessoas de pacientes psiquiátricos o tempo todo eles estão praticamente dizendo "você é doente, está INTERNADO no hospital por isso", e CAPS não é hospital, nem internação. Ou não deveria ser.

Por isso existem certos usuários no CAPS que vivem pedindo ALTA. Os profissionais do CAPS dizem para a pessoa que ela não está internada. Mas a pessoa continua pedindo alta. Se ela não está internada, por que é chamada de paciente o tempo todo? Por isso o ambiente parece uma internação. Infelizmente. Se a maior parte de seu tempo você é chamado de paciente você está internado, caramba!

Em resumo, você que segue um tratamento psiquiátrico não é PACIENTE PSIQUIÁTRICO o tempo todo. Era quando estava INTERNADO. É quando está fazendo uma consulta. Observe que fora do hospital psiquiátrico Austregésilo Carrano se auto-denominava EX-PACIENTE PSIQUIÁTRICO. Assim como outros ativistas dos movimentos de usuários (consumidores) de saúde mental. (Movimentos dos EUA, já que no Brasil tais movimentos infelizmente inexistem, como já disse anteriormente.)

Para você profissional de saúde mental que tem interesse em se preparar um pouco mais eu sugiro que leia CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano e O MOVIMENTO DE USUÁRIOS EM SAÚDE MENTAL DOS ESTADOS UNIDOS, de Richard Weingarten, só pra começar.

P.S.: Eu não pretendia fazer uma postagem sobre esse tema, queria fazer apenas uma nota breve. Mas esse assunto dá pano pra manga.

Nota sobre o CAPS Rubens Corrêa

Algo que eu não comentei aqui é que, contrariando todas minhas espectativas, a administradora e a nutricionista do CAPS que iam sair do serviço por ordem dos políticos da saúde mental acabaram ficando no serviço.

Isso provavelmente graças ao abaixo assinado feito pelos usuários. Isso muito me surpreendeu, pois nunca levei esses políticos da saúde mental a sério. E essa atitude deles foi um sinal de seriedade.

Isso também mostrou que eles estão dispostos a ouvir os usuários, pelo menos em parte. Se ao menos nós usuários de saúde mental, EX-pacientes psiquiátricos, nos organizássemos... nos informássemos...

Claro que aparentemente esses políticos de saúde mental parece que ficam felizes com a nossa desinformação. Já que eles não fazem nenhum esforço para informar os usuários sobre seus direitos. Assim nós não reclamamos, e logo eles não precisam fazer nada.

No momento o CAPS Rubens Corrêa está passando por obras, e os trincos foram colocados nas portas dos banheiros, além de outras obras, como pintura e outros serviços de manutenção. E apesar do péssimo hábito de chamar a gente de PACIENTE, a equipe de profissionais está bem entrosada.

O pessoal que trabalha na faxina, na cozinha, na segurança, estão todos tratando bem aos usuários. Assim como os psicólogos, enfermeiros, etc. Claro que falta psiquiatra no CAPS. Mas por mim tudo bem. Se for pra vir um psiquiatra COMETA melhor que não venha ninguém.

Quanto às oficinas eu devo sempre lembrar que é bom que a nutricionista e a administradora tenham continuado trabalhando no CAPS, já que elas coordenam uma oficina de grande importância que é a oficina de sexualidade.

Ultimamente tenho participado da oficina de futebol, coordenada por uma psicóloga. Até tivemos um jogo contra o CAPS de Bangu, e conseguimos arrancar um ótimo resultado: perdemos só de 10 a 3. Ãh, pode ter certeza que eu sou o maior perna-de-pau do time.

O único problema do futebol é que nos treinos uns estagiários participam para completar o time, e tem uns psicólogos que deixam até pernas-de-pau como eu fazer gol. Acho que é uma terapia para a gente se sentir melhor...

PAZ E LIBERDADE.

13.5.09

Projeto hospital psiquiátrico

Somos a favor da Rede de Trabalhos Substitutivos, montada há mais de 14 anos e apoiada pela Organização Mundial da Saúde. As pessoas não seriam internadas, a não ser quando estivessem em crise ou surto. A internação seria em leitos de hospital geral, por no máximo sete dias. Somos a favor dos hospitais-dia, aonde as pessoas que precisam de tratamentos de saúde mental vão durante o dia e voltam para suas casas à noite. Defendemos ainda a criação e utilização dos Naps e Caps (Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial), que não são hospitais psiquiátricos, são casas alugadas longe, fora do espaço físico dos hospitais psiquiátricos, nada que lembre um hospício.

Texto Acima Extraído da Entrevista de Austregésilo Carrano Bueno

Eu sou da opinião que todos os hospícios devem ser fechados. Todas as formas de asilamento devem acabar. Considero hospício todos os hospitais psiquiátricos antigos. Que as pessoas que têm surto possam ser atendidas nos hospitais gerais. No mesmo lugar em que se tratam pessoas com diferentes doenças, como o Carrano, representante de usuários, defendia. E essas internações não devem durar mais que 7 dias.

Com certeza muito trabalho deverá ser feito para organizar os hospitais gerais para receber pacientes psiquiátricos em surto. Há quem diga que certos pacientes psiquiátricos gritam muito, são escandalosos, e um hospital é lugar de silêncio. Daí que os pacientes psiquiátricos não poderiam ficar num hospital geral para não incomodar os outros pacientes que não são pacientes psiquiátricos.

Que comentário mais cheio de discriminação. Que me desculpe quem diz isso. E quando uma pessoa de uma doença qualquer começa a gemer de dor no hospital? Mandam a pessoa calar a boca porque hospital é lugar de silêncio? O que é preciso é um pouco de humanidade para aceitar as diferenças. Algumas pessoas vão gritar por causa de suas dores ou confusões. Ora, coloquem paredes a prova de som para proteger a tranquilidade dos outros pacientes.

Hospital psiquiátrico do futuro (O hospital psiquiátrico de meus sonhos!...)

Eu acho que devemos fechar todos esses hospícios que alguns chamam de hospitais psiquiátricos. Devemos fechar o Instituto Phillippe Pinel, o Instituto Nise da Silveira, etc. Isso porque essas instituições já estão marcadas por seu passado violento. O Instituto Nise da Silveira se chamava Pedro II. Mas não adianta mudar de nome. É necessário fechar essas instituições que já causaram tanta opressão, e transformá-las em simbolos da liberdade. Que tal transformar hospícios em residências terapêuticas e CAPS? Sem internação!

Há quem diga que "existe hospital cardíaco, hospital do cancer, por que não um hospital psiquiátrico"? Eu concordo. Muitas vezes quando me sentia muito mal eu senti a necessidade de ser internado. Eu poderia ir me internar voluntariamente. Mas não nesses hospícios de sempre! Que não sejam esses hospícios do passado que já estão manchados. Quando alguém é internado nesses hospícios, geralmente é à força. Ser internado à força só deixa o paciente psiquiátrico pior. E nessas internações a pessoa perde sua subjetividade. A pessoa não tem mais querer. Se for para ser internado eu quero continuar sendo respeitado e tratado com consideração.

E esse respeito que eu espero ver nos hospitais psiquiátricos do futuro! Que nesses hospitais psiquiátricos do futuro haja exames no paciente. Chega de olhar para o paciente e prescrever medicação sem exames. Isso por si só pode deixar o paciente desconfiado e, por conseguinte, pior. E que esses hospitais psiquiátricos do futuro fiquem num local de grande circulação. NADA DE LOCAIS ISOLADOS. E apesar dos pacientes estarem proibidos de sair, que o local seja aberto. coloquem um muro baixo, um local bem arejado. Bem à vista da comunidade geral. A regra número 1 é: a pessoa está em tratamento, não presa.

Terapia do hospital psiquiátrico do futuro

Dentre as terapias haverá a terapia religiosa. A religião não será mais discriminada por profissionais de saúde mental. MUITO PELO CONTRÁRIO. Religiosos serão convidados a fazer terapia. religiosos de diferentes religiões. Eles fariam terapias separados, claro. E participaria das terapias quem quisesse.

No hospital psiquiátrico do futuro haverá uma biblioteca, com certeza, não dá pra faltar. Uma biblioteca bem variada. E haverá terapeutas ocupacionais especializados em vários jogos e atividades físicas. Afinal, o paciente psiquiátrico precisa de atividade física. No hospital psiquiático do futuro atividade física fará parte do tratamento. Por que quem é obrigado a tomar drogas psiquiátricas pesadíssimas não é obrigado a fazer exercício? Aliás, esse seria outro ponto positivo do hospital psiquiátrico do futuro. Ninguém seria forçado a fazer tratamento. As pessoas devem ser conscientizadas da necessidade de tratamento.

No hospital psiquiátrico do futuro os pacientes psiquiátricos receberão tratamento para o vício do cigarro também. Quem não tem controle de seu vício e fica brigando por cigarro precisa de tratamento para se livrar do vício também. As pessoas não ficarão brigando por guimbas de cigarro, como acontece nos hospícios (e infelizmente isso acontece nos CAPS também).

Enfim, o hospital psiquiátrico do futuro contará com uma equipe muito mais bem treinada e completa. E nessa equipe haverá clínicos gerais, com certeza.

Eu sei que haverá quem vai dizer que seria muito difícil fazer tal hospital psiquiátrico. Mas não é tão díficil.

Seria muito difícil destruir uma cidade com uma bomba. (infelizmente já fizeram isso muito tempo atrás...)

Difícil seria fazer clonagem. (Já fizeram!)

Seria muito difícil controlar um computador à distância. (Há muito tempo isso é possível!)

Enfim, o que falta é mais humanidade.

4.4.09

PRECISAMOS DE SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS AOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS

Os hospitais psiquiátricos são especializados em loucura, e não na cura. É uma questão que envolve interesses econômicos altíssimos. Trata-se da terceira maior despesa do SUS, uma verdadeira mina de ouro que ultrapassa meio bilhão de reais por ano. Consomem mais de R$ 700 milhões para drogar, torturar e matar pessoas. É pura exploração financeira dos nossos impostos, é roubalheira, falcatrua da mais grosseira e aviltante a nós, contribuintes.

O texto acima é parte de uma entrevista de Austregésilo Carrano Bueno e serve para ilustrar que drogar é uma das atividades típicas dos hospitais psiquiátricos. E se queremos falar de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos vamos ter que falar em tratamentos substitutivos também. Tratamentos não baseados em drogas. Tratamentos não baseados nas drogas legalizadas que chamam de medicação.

Somos a favor da Rede de Trabalhos Substitutivos, montada há mais de 14 anos e apoiada pela Organização Mundial da Saúde. As pessoas não seriam internadas, a não ser quando estivessem em crise ou surto. A internação seria em leitos de hospital geral, por no máximo sete dias. Somos a favor dos hospitais-dia, aonde as pessoas que precisam de tratamentos de saúde mental vão durante o dia e voltam para suas casas à noite. Defendemos ainda a criação e utilização dos Naps e Caps (Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial), que não são hospitais psiquiátricos, são casas alugadas longe, fora do espaço físico dos hospitais psiquiátricos, nada que lembre um hospício. O paciente, chamado de usuário, é levado a passar o dia. Acompanhado por equipes de interprofissionais, à noite retorna ao convívio familiar e social. As pessoas que não estão em crise poderiam ficar, socializar-se, almoçar, namorar, politizar-se, receber a atenção adequada de psicólogos, assistentes sociais etc. Ou seja, poderiam receber um tratamento digno. Queremos ainda a criação de Centros de Convivência e Cooperativas, que funcionam em parques, praças e centros culturais, onde a produção artística e cultural dos pacientes pode ser vendida e o lucro é dividido entre eles, os usuários. Queremos ainda o atendimento de psiquiatria e psicologia em postos de saúde. Esses são os pontos principais.

Acima podemos ver a continuação da entrevista de Austregésilo Carrano Bueno, e infelizmente podemos constatar que a rede de trabalhos substitutivos sonhada por Carrano não está acontecendo. Pessoas tem sido internadas por bem mais tempo que 7 dias, e não é em hospitais gerais, é em hospitais psiquiátricos. Ou seja, em hospícios mesmo. E os CAPS tem sido centros onde as pessoas tomam medicação e ficam sem nada para fazer o dia todo. Existem raras atividades, mas infelizmente são poucas atividades, e não agradam a todos. Ou seja, a prioridade dos CAPS ficou sendo tomar "remédio" e tomar injeção. Logo, o CAPS é lugar de tomar "remédio" e não de ressocialização, já que não é possível haver ressocialização num lugar que sequer tem um banheiro decente.

No grupo de medicação que frequento no CAPS falei para a médica e para o psicólogo que eles deveriam falar mais sobre os efeitos graves da medicação psiquiátrica. Falei que os profissionais de saúde mental deveriam falar sobre tratamentos substitutivos. A psiquiatra foi bem sincera e admitiu que há efeitos colaterais graves causados pela medicação psiquiátrica. Mas aí ela disse que os remédios das outras doenças têm efeitos colaterais graves também.

CUIDADO COM ESSE ARGUMENTO. Não existe nenhum remédio com efeitos colaterais tão graves quanto as medicações psiquiátricas. LEMBRE-SE QUE EXISTE UMA ANTI-PSIQUIATRIA. Existe uma anti-psiquiatria simplesmente porque os medicamentos psiquiátricos já aleijaram e mataram muita gente. Se medicações para tratamento de outras doenças tivessem os mesmo efeitos danosos que a medicação psiquiátrica haveria anti-odontologia, anti-dermatologia, anti-hematologia, etc. Só existe anti-psiquiatria porque os efeitos da medicação psiquiátrica são altamente perigosos.

É chato ter de constatar que não se informa os pacientes psiquiátricos sobre tratamentos substitutivos nos CAPS, que deveriam oferecer tratamento substitutivo. Quando falei sobre tratamento alternativo SUBSTITUTIVO o psicólogo parecia ignorar totalmente a existência de tais tratamentos, dizendo que as pessoas têm que tomar as drogas psiquiátricas para sempre. Para termos um serviço legal nos CAPS no mínimo os profissionais deveriam ser bem informados.

Quero colocar que cada um deve ter o direito de escolher seu tratamento. Algumas pessoas preferirão se tratar com medicação psiquiátrica. Isso também deve ser respeitado. A questão é que quem se trata com medicação psiquiátrica tem o direito de ser informado dos perigos de tal medicação. Se a pessoa gosta de se tratar com medicação psiquiátrica é um direito dela. Assim como quem não quer se tratar com medicação psiquiátrica também deve ser respeitado.

16.1.09

PELO DIREITO DE ESCOLHA DE TRATAMENTO

Apesar de existir alguns pacientes psiquiátricos que não gostam de ficar no CAPS, todos que passaram pelo CAPs admitem que o tratamento em CAPs é eficiente e bom. Mesmo quem não gosta dos técnicos do CAPs. Volta e meia no CAPs se fala em encaminhar pacientes para ambulatório. Sem levar em conta que muitos não querem ir para ambulatório.

Por isso vou começar uma campanha para que o paciente psiquiátrico possa optar pela melhor forma de tratamento para si. Ou seja, quem quer ficar no CAPs, que fique. Quem quer sair, que saia. Depois de tudo que o paciente passou, o mínimo que ele pode ter é o direito de escolher seu tratamento.

E nessa luta eu incluo o direito de escolha de formas de tratamento que venham a substituir o tratamento com psicofármacos. Claro que eu sei que ao dizer aos profissionais de saúde que eu quero um tratamento alternativo, eles vão dizer que não existe nenhum tratamento alternativo.

Daí que fará parte de minha luta a inclusão de tratamento alternativo na saúde pública do Brasil, pois o paciente psiquiátrico tem que ter o direito de escolher. E por isso eu não vou abandonar os psicofármacos enquanto não tivermos direito legítimo de escolher tratamento. Pois eu sei que se eu quiser que outros tenham esse direito eu vou ter que me sacrificar. Mesmo que esse sacrifício seja ter que aguentar a impotência que o psicofármaco causa.

MY JEKYLL DOESN'T HIDE - MEU JEKYLL NÃO SE ESCONDE

eu acabei de ler o livro de Robert Louis Stevenson, Dr Jekyll and Mr Hyde. Ele conta a história de do cientista Dr Jekyll que sintetizou uma droga que fazia que seu lado mal aflorasse através do Mr Hyde. Daí que sob o efeito da droga ele ficava ousado e fazia aquelas coisas que só o lado mais louco da gente tem coragem de fazer.

Enfim, Dr Jekyll conseguiu separar o lado racional do lado lascivo dele. Do livro desse cientista vem o ditado "De médico e louco todo mundo tem um pouco." Não pude deixar de me identificar com esse cientista, pois o carbonato de lítio também me deixava mais ousado. Ou seja, o carbonato de lítio liberava meu lado Mr Hyde.

COGITO, ERGO SUM - PENSO, LOGO EXISTO

Essa semana eu peguei um laudo com minha médica para o trabalho. Mais uma vez me impressionei com a forma preconceituosa em que psiquiatras avaliam seus pacientes. Daí que eu peguei meu laudo e copiei para o blog: LAUDO MÉDICO DA PSIQUIATRIA. Para que quem quiser ver como é um laudo psiquiátrico possa ver. Claro que antes de publicar eu fiz as correções de português. Parece que médicos não são muito assíduos com o idioma português.

Bem, vejam o LAUDO MÉDICO DA PSIQUIATRIA! Eu gostaria que esses médicos soubessem que eu os investigo e analiso mais do que eles. Afinal, eu também penso. E eu os estudo. Eles não têm ideia como. E se eles escondem coisas de mim, quem sabe as coisas que eu não revelo de mim para eles?