Mostrando postagens com marcador John Forbes Nash. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Forbes Nash. Mostrar todas as postagens

5.12.15

John Nash morreu de acidente de carro - Que ironia

John Nash morreu num acidente de carro esse ano por não usar cinto de segurança. Ele não morreu por causa da esquizofrenia. Grande perda. Não faz sentido dizer "descanse em paz", pois ele queria viver mais e mais.

11.9.12

John Nash fala sobre paranoia: "é como se eu estivesse num sonho"

O delírio mental é como se eu estivesse num sonho. Bem, eu sabia onde eu estava. (No hospital psiquiátrico.) Eu estava lá em observação. Mas eu chegava a pensar que eu era vítima de uma conspiração.

Os delírios muitas vezes têm uma qualidade cósmica. Um sentimento de revelação. Tudo o que acontece ao seu redor tem uma enorme importância.

Na loucura eu me vi como uma espécie de mensageiro, com uma função especial. Como, por exemplo, Maomé, o mensageiro de Alá no Islamismo.

Alguém que o visitou no hospital perguntou-lhe: "Como pode você, um matemático, alguém que está comprometido com a racionalidade... como você poderia acreditar que alienígenas do espaço estavam se comunicando com você?
A resposta de Nash foi: "essas ideias vieram a mim da mesma forma que minhas ideias matemáticas vieram, por isso eu acreditei nelas."


Excerto do documentário sobre a vida de John Nash, A BRILLIANT MADNESS. Veja o vídeo do excerto abaixo e mais embaixo veja a TRANSCRIÇÃO em inglês.




Transcription:
The delusional state of mind is like during a dream. Well, I knew where I was. (In the mental hospital.) I was there on observation. But I was able to think that I was like a victim of a conspiracy.

The delusions have often a cosmic quality. A feeling of ominousness. Everything that happens around you takes a tremendous significance.

In madness I saw myself as some sort of messenger, having special function. Like the Muslim concept with Muhammad the messenger of Allah.

Someone who visited him in hospital asked him, "how could you, a mathematician, someone who is committed to rationality... how could you believe that aliens from outer space were communicating with you?
Nash's response was, "these ideas came to me the same way my mathematical ideas did, so I believed them."

3.9.12

John Nash fala sobre psicotrópicos / medicação psiquiátrica

"Eu acho que dão muito crédito às drogas (psicotrópicos). Todas as drogas (psicotrópicos) ainda continuam a ter alguns efeitos colaterais ruins.

algumas vezes eu parava de tomar drogas (psicotrópicos!) e eu não seguia nenhum regime. Então, eu não sei. Eu tive sorte de ter saído da doença mental completamente, mas certamente nos últimos anos eu não tomei drogas.

Eu não tive os piores efeitos colaterais, alguns dos efeitos secundários, a longo prazo. Hoje em dia eles têm drogas que são consideradas melhores. Mas um dos ângulos é que é mais ou menos considerado aceitável usar drogas para a esquizofrenia.

Mas as pessoas ficam com muito sono e engordam muito. Mas isto é considerado aceitável. Mas não é tão bom engordar muito durante um longo período de tempo. Depois, há efeitos à saúde. Assim, pode-se dizer que a vida desta pessoa será realmente encurtada por causa dos problemas cardíacos, as consequências cardiovasculares por causa do excesso de peso."

Fonte: PBS

Observação: John Forbes Nash, Jr. conquistou bacharelado e mestrado em matemática aos vinte anos de idade. John Nash começou a sofrer com doença mental após completar trinta anos, quando sua esposa ficou grávida. Aos trinta e um anos foi internado e diagnosticado como esquizofrênico paranoico. Contratou advogados para sair do hospício e só tomava psicotrópicos porque era forçado.

A sua vida foi por água abaixo desde então. Ele ficou desempregado, sua esposa Alicia Lopez-Harrison de Lardé pediu divórcio... ele só começou a se recuperar quando decidiu se recusar totalmente a tomar drogas, em 1970. Assim, em 1994 ele ganhou o Prêmio Nobel, e em 2001 ele conseguiu voltar a se casar com sua esposa Alicia.

Esse tipo de informação, evidentemente, eles não mostraram no filme UMA MENTE BRILHANTE. A propósito, quem não viu o filme poderá vê-lo no YouTube. Basta clicar AQUI.
Veja O QUANTO ANTES, pois não sei por quanto tempo UMA MENTE BRILHANTE estará disponível lá.



"The drugs I think can be overrated. All of the drugs now continue to have some bad side effects.

There would be times in between when I would stop taking drugs and I would not immediately go under any regimen. So I don't know. I am lucky to have come out of mental illness at all, but certainly in the later years I had no drugs.

I didn't have the worst side effects, some of the long-term side effects. Nowadays they have drugs that are considered better. But one of the angles is it's considered more or less acceptable if a drug can be used for schizophrenia. But the people get very sleepy and they gain a lot of weight. But this is considered acceptable. But it's not so good if you gain a lot of weight over a long time period. Then there are many health effects. So you can say that this person's life is really going to be shortened because of all the cardiac, cardiovascular consequences of being overweight."

Source: PBS

Note: John Forbes Nash, Jr., was graduated in 1948 with bachelor's and master's degrees in mathematics, when he was only twenty years old.

John Nash began to suffer from mental illness after completing thirty years, when his wife became pregnant. At thirty one years he was hospitalized and diagnosed as a paranoid schizophrenic. He hired lawyers to leave the lunatic asylum and took psychotropic medication only because it was forced on him.

His life went downhill since then. He was unemployed, his wife Alicia Lopez-Harrison Lardé filed for divorce... he only began to recover fully when he decided to refuse to take drugs in 1970. In 1994 he won the Nobel Prize, and in 2001 he was able to remarry his wife Alicia.

They evidently didn't show this kind of information in the movie A BEAUTIFUL MIND. By the by, whoever haven't seen the movie will be able to watch it on YouTube. All you have to do is click HERE.

Do it RIGHT AWAY, for I don't know how long A BEAUTIFUL MIND will be available there.

23.5.08

COMO ANIMAL

Antes de entrar no 2º dia do Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos eu gostaria de falar um pouco mais sobre a roda de conversa A Formação dos Enfermeiros da Saúde Mental em Questão. Eu disse que em certos momentos é necessário conter um paciente em crise, o que não quer dizer segurar ou amarrar. Pois segurar e amarrar é acuar a pessoa, e acuar pessoas nunca é bom. O melhor é o profissional de saúde ter preparo, técnicas para evitar que o paciente se machuque.

Quero salientar que muito me espantou o medo que aqueles enfermeiros demonstraram de pessoas em crise. Isso é desanimador, pois uma pessoa em crise continua sendo uma pessoa, ela não vira bicho. Ela continua tendo sentimentos e tudo. Ela apenas sofre a crise. Na crise algumas pessoas ouvem vozes, outras veem pessoas que não existem, outras ficam deprimidas, mas todas continuam humanas.

Em um momento eu sugeri uma forma de abordagem ao paciente em crise incontrolável, totalmente agitado. Disse que seria bom que os profissionais de saúde não rodeassem o paciente, pois isso só assustaria a pessoa mais ainda. Disse que um profissional deveria tentar conversar com a pessoa enquanto outros profissionais (todos treinados para lidar com a situação) observaríam de longe.

Daí uma moça do meu lado fez uma cara de medo e disse, "de longe, caramba! Só um pouquinho longe, não é?"
O que eu pude observar é que as pessoas têm medo de doente mental em crise como mulheres têm medo de ratos. E esses profissionais de saúde mental num medo anormal e sem fundamento acabam acuando o doente mental em crise, como se acua um animal. E isso gera até mais traumas. E isso, é claro, nos mostra que, enquanto eles dizem que o doente mental é perigosíssimo, fica claro que, diante da situação, eles são muito mais perigosos que os doentes mentais.

Vamos voltar ao exemplo do rato: quando um rato e uma pessoa que tem medo de rato se encontram quem acaba morrendo com mais frequência? O rato, é claro! O incrível é que a pessoa, grandona perto do rato, fica tão assustada que não consegue perceber que o rato nunca poderia feri-lo (pois está mais interessado em fugir). É que o rato só ataca em última estância, para se defender. É a mesma coisa com o doente mental em crise. Ele não quer atacar ninguém. Ele só quer viver.

Por fim o dia de ontem (22/05/2008) terminou com uma palestra do rei das palestras, Paulo Amarante, o fazedor de leis, Paulo Delgado, entre outros...

Originalmente publicado no dia 23 de maio de 2008. Atualizado no dia 23 de outubro de 2012. Nota adicional: John Forbes Nash, concorda comigo, e também diz, "Nós pacientes psiquiátricos somos tratados como animais."