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19.5.15

Desequilíbrios sexuais causado por psicotrópicos

Eu comecei a tomar psicotrópicos aos 22 anos de idade, e parei TOTALMENTE há mais de 3 anos atrás. Os problemas sexuais que eu experimentei no período em que tomei medicação psiquiátrica foram diferentes de QUALQUER problema sexual que eu tenha passado antes de tomar psicotrópicos, ou depois. Eu costumo dizer que os psicotrópicos me faziam um maníaco sexual. Não é complicado entender porque psicotrópicos A LONGO PRAZO causam desequilíbrios sexuais. Principalmente por existir dois principais grupos de psicotrópicos:
De um lado os calmantes, sedativos, e do outro lado os antidepressivos e as medicações para ANIMAR.

Ora, uma medicação MUITO calmante acaba por diminuir a libido, ou, usando termos mais populares, deixa o indivíduo BROXA. Quando uma pessoa percebe que há uma diminuição ÓBVIA na libido, a tendência é a pessoa se desesperar, e nesse DESESPERO a pessoa começa a experimentar sua sexualidade MAIS DO QUE ANTES, tentando descobrir o que há de errado. Esse é o primeiro passo do desequilíbrio sexual bem frequente em pessoas que tomam psicotrópicos diariamente.

Chegou um ponto em que eu já estava me acostumando com ideia de não ter mais nenhuma perspectiva de relacionamento afetivo em minha vida, afinal, que mulher ia querer um impotente? Por isso eu foquei na masturbação. Na masturbação, demorava para conseguir uma MEIA ereção. Obviamente, uma meia ereção não possibilitaria uma penetração numa mulher, pois para haver penetração vaginal é necessário EREÇÃO COMPLETA. Logo, aumento na masturbação é uma consequência natural nesses casos. Não haveria mais possibilidades de relações sexuais em minha vida, logo eu passei a me masturbar MAIS.

Aí um novo psiquiatra prescreveu uma outra medicação. Mas a solução para meus distúrbios sexuais não seria uma nova medicação, seria uma suspensão temporária da medicação da época. A nova medicação foi como UM VIAGRA, por ter efeitos contrários aos sedativos que eu estava tomando. O psiquiatra foi retirando aos poucos os sedativos que me tornavam praticamente impotente. Quando o psiquiatra tirou a medicação que inibia minha libido eu pensei que tudo ia voltar ao normal com a nova medicação, mas infelizmente, a nova medicação teve um efeito contrário. Antes eu ficava desesperado ao ver mulher bonita e não sentir nenhum desejo, mas com a nova medicação ficou MAIS COMPLICADO, pois minha libido ficou exagerada ao ponto de eu ter uma ereção só de ver uma mulher que me interessava. Logo, como eu ia me aproximar de uma mulher para flertar com uma ereção IMPOSSÍVEL DE ESCONDER. Eu era obrigado a colocar minha bolsa na frente; e quando eu estava sem bolsa, eu tinha que me AFASTAR caminhando virado para a parede para ninguém perceber. Antes de começar com esses psicotrópicos, eu me aproximava de belas mulheres e flertava como qualquer pessoa normal. Depois que comecei a tomar os psicotrópicos, ficou impossível. Esses psicotrópicos DESTRUÍRAM MINHA VIDA AFETIVA.

por isso eu simplesmente faço UM APELO para todos os jovens que estão começando a tomar psicotrópicos hoje e estão percebendo sintomas de baixa libido para EXIGIR de seus médicos providências urgentes para que sua sexualidade volte ao normal. Não aceite desculpas desses profissionais, pois a coisa É SÉRIA. Vou mostrar na sequência mais, pois se hoje eu sofro as consequências dos psicotrópicos, espero que você não sofra; isso por si só será um alívio para mim.

continua...

26.11.14

Mães solteiras e solteironas (A verdadeira vida de Ezequiel)

Se eu chegar aos 70 anos com saúde, pretendo entrar na política; pretendo enviar um projeto de lei para controle populacional:
Pretendo criar uma lei para castrar todos os homens que fazem filhos e deixam a mulher desamparada, mãe solteira; ou levada a cometer aborto, ou sofrendo com um aborto natural, ou morta num aborto clandestino, não sei o que é pior. Ao ler o capítulo de minha vida que relato abaixo, você vai entender porquê.

Quando você ler sobre os flertes que tive desde que saí do manicômio em 2001 até 2012, quando fui internado pela última vez, você vai entender claramente por que pretendo enviar um projeto de lei para castrar esse tipo de homem:

Em 2002, poucos meses depois de sair do manicômio conheci a mulher que vou chamar de "Beautiful Chick", nome da música que compus para ela:

(Abaixo, um trecho da música)

Your eyes small and tender
Your lips I can't remember
Can't even keep my eyes
Oooo-off you!

Beautiful Chick...
Can't live my life without your love
Beautiful Chick...
I'll be the hand, you'll be the glove!

At least you could give me the chance
Of watching you passing by
And will come to your attention a letter
With all the tears I cried!

Baby, don't move
I wanna watch you one more time
Don't you approve
Of my dream of making you mine?

Now I can't be gay
Without your say,
"I love you more and more"
I gotta have now your hand and your sweet heart...


Ela tinha 35 anos, e eu 25; ela era evangélica e não tinha filhos, era uma belíssima solteirona. Como ela me deu um fora, reclamando que eu não deveria cantar a música para ela perto de todos, eu passei a reparar na Silvanice, que também estudava na mesma sala. Para a Silvanice eu escrevi o poema abaixo:

Voglio che sappia, Silvanice
Che non è una cosa semplice
Vivere senza di te
Non mi sono mai dimenticato
Né di tue gambe, né di tue guance
Mi credi Silvanice

È desiderio a ultima vista
Ed io conto sulle dita
Le ore per rivederti
Ogniqualvolta ti vedo
Aumenta il desiderio
Allora non lasciarmi nel freddo
Silvanice, ti chiedo

Non voglio che spogliarti
Piano, piano, tutto qui
Voglio essere fuori e dentro te
Per sempre farti gemere

Che i dei odano la mia preghiera
Anche se non mi piace la chiesa
Sono pazzo di te
Sii mia Silvanice!


Terminei o Ensino Fundamental e no ano seguinte, 2003, comecei o ensino médio. Logo fiquei sabendo que Silvanice tinha engravidado, seria mãe solteira. Aí eu comecei a notar a Vanessa, mas Vanessa tinha apenas 17 anos, muito novinha. Por isso achei melhor ir devagar com a Vanessa, esperar que ela ficasse mais velha para investir nela mais a fundo. Mas Vanessa também logo ficou grávida de algum cara que não tinha minha honra e que jamais assumiria qualquer coisa.

Na época em que eu fazia Ensino Médio conheci também a Diana. Eu nunca fiz nenhuma investida na Diana, pois ela era mãe, e era difícil para mim acreditar que algum homem abandonaria aquela bela mulher.

Em 2008 eu conheci outra moça, que me disse que tinha 17 anos. Por ela ser tão novinha também, eu fui cuidadoso ao lidar com ela. Porém, anos depois eu descobri que ela era bem mais velha que a idade que ela me deu, e infelizmente, enquanto eu lutava por direitos humanos, sem ao menos ter condições para ligar para ela, também descobri que ela também tinha engravidado no período em que eu sequer podia ligar para ela. Quase todas essas mulheres que iam virar mães solteiras que eu conheci sofreram aborto natural ou provocado.

Por isso e outras e outras coisas que eu acho que homens que fazem filhos de maneira irresponsável e deixam a mulher desamparada deveriam ser castrados.

15.10.14

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

Sanatório Rio de Janeiro, ano 2001. Ao receber visita de um de meus irmãos, eu mostrei meus pulsos machucados pelos enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Nos últimos dias eu vinha sendo colocado no castigo várias vezes; o castigo mais comum era amarrar o paciente na cama.

Austregésilo Carrano Bueno descreve, em seu livro CANTO DOS MALDITOS, como é o castigo de amarrar o paciente na cama:

"Os castigos dos ajudantes de enfermagem eram temidos por todos. (...) Preferia o lençol de força do que ser amarrado. Ser amarrado com tiras de pano na cama é bem mais dolorido, elas começam a cortar a carne a cada vez que se força para sair ou tentar mudar um pouco a posição. Ficar amarrado dezenas de horas é muito dolorido."

Página 122 do livro CANTO DOS MALDITOS, 6a edição.


Carrano foi internado antes da década de 1980, e esses castigos acontecem até hoje. O problema é que os familiares não denunciam esses maus tratos, se denunciassem, acabariam.

No meu caso, os ajudantes de enfermagem ficavam CADA VEZ mais violentos, pois se intimidavam com minha excelente condição física (que me permitia dominar, com relativa facilidade, até dois deles).

Mostrei os pulsos seriamente machucados, para que esse irmão denunciasse.
- É para o seu bem, disse o irmão.

Agressão física, obviamente, não é para o bem de ninguém.

Quem acha que amarrar é um procedimento médico é um ingênuo que não sabe como a coisa acontece nos hospitais psiquiátricos.

Falei bastante da relação com meus irmãos mais velhos, e chega o momento de falar desse, para exemplificar bem doença mental como problema de família, que se confirma pela omissão de familiares diante dos abusos dos manicômios.

(Continua)

24.9.14

Preconceito contra meu trabalho

Esta é a continuação da postagem Lidando com o preconceito.

Meu objetivo ao estudar idiomas não era me tornar poliglota, não era falar várias línguas. Meu objetivo era conhecer o MÁXIMO POSSÍVEL de códigos e linguagens, para usar em meu trabalho na luta por um mundo melhor. Eu queria ser um DETETIVE, um INVESTIGADOR.

Eu não poderia investigar com uma lupa de aumento, como o Sherlock Holmes fazia, pois eu nem tinha condições de comprar tal lupa. Assim, como eu poderia chegar a desvendar mistérios e crimes quando não tinha a menor noção de onde comprar os equipamentos usados por um detetive como o Sherlock Holmes? Foi "A Aventura dos Bonecos Dançantes", ou Os Dançarinos que resolveu meu dilema. Nessa história dos bonecos dançantes, Holmes decifra um código feito com bonecos dançantes... a partir daí eu passei a estudar idiomas e todas as formas de linguagens para me capacitar a entender de linguagem humana ao ponto de poder usar tal conhecimento em investigações.

Eu estudo muito História Mundial e História do Brasil com esse mesmo objetivo:
INVESTIGAR a verdade do que levou a tantas guerras e miséria hoje em dia. Meus estudos me deram bons resultados. Poucas pessoas sabem, mas meus conhecimentos linguísticos me permitem conhecer alguns produtos falsificados, por exemplo. Esse conhecimento já me foi útil várias vezes.

As pessoas confundem TRABALHO com GANHAR dinheiro. Eu estou duro, mas trabalho duro; não faço fortunas, mas sei do impacto de cada tradução que eu faço sobre transtornos mentais, sei do impacto de cada transcrição que pode ajudar vários estudantes de idiomas. Sei que eu não ganho nada com isso, mas sei que esse meu TRABALHO é tão útil quanto o trabalho de um gari, de um professor, de um advogado honesto, e MUITO MAIS útil que o trabalho de um agiota, mais útil que o trabalho de um pedreiro que SUPER-FATURA uma obra. mais útil que o trabalho de um policial que vive extorquindo pessoas, MUITO MAIS ÚTIL que o trabalho de um político desonesto que vive desviando verbas, muito mais útil que o trabalho de um doutor que faz VISTA GROSSA para as irregularidades e maus tratos dos hospitais psiquiátricos.


Por que mentem tanto para os pacientes psiquiátricos?
Num outro momento, no mesmo CAPS, eu estava tomando 1 comprimido de haloperidol 5 mg, mas estava certo que podia ficar bem com uma dose menor. Falei sobre isso com os doutores.
- Esse comprimido é a menor dose que existe e não dá para partir.
Que gente mentirosa, eu pensei. Eu já tinha tomado, antes, em outro lugar, haloperidol de 1 mg, e em outra ocasião uma psiquiatra me prescreveu meio comprimido de haloperidol de 5 mg. Seria melhor se os doutores me dissessem que não gostariam da ideia de diminuir a dose, em vez de falar tal mentira. Esse é o problema do mentiroso:
ao inventar uma mentira, ele não toma o cuidado de estipular a possibilidade de a pessoa já conhecer os fatos.


Casamento
Charles Darwin e Albert Einstein se casaram com primas de primeiro grau; eu acredito que eles fizeram isso por acreditar que a família deles tinha uma inteligência superior por causa da genética, portanto se eles casassem com primas teriam maiores chances genéticas de ter filhos mais inteligentes...
Eu sempre prefiro basear-me na racionalidade, prefiro basear minhas opiniões em estatísticas e fatos concretos. Eu sei que há estatísticas que mostram que há vários casos de primos que casam entre si e tios que casaram com sobrinhas, principalmente em cidades pequenas. Num mundo onde se luta em regularizar o casamento de pessoas do mesmo sexo, isso não deveria ser tabu.
O motivo pelo qual eu nunca casaria com uma sobrinha não seria por achar errado, é que eu já tive que tolerar meus irmãos por anos de minha vida. Casar com uma sobrinha seria continuar tendo que tolerar de uma certa forma! Além disso, eu sou totalmente apaixonado pela beleza das mulheres brancas, sou apaixonado pela pele das mulheres brancas, eu e meus irmãos somos todos negros. apesar de haver igualmente mulheres lindas de pele escura ou amarela, ou de qualquer outra cor. Apesar de minha opinião ser baseada na razão, minha paixão não tem explicação... ou talvez tenha, pois, às vezes, eu tenho a impressão que quase todas as pessoas se sentem mais atraídas por relacionamentos inter-raciais, e só não admitem isso por um RACISMO encubado. Não seria o mais normal as pessoas acharem mais bonito o diferente de si mesmo, como eu, como homem, acho mais bonito a sexualidade de uma mulher, por ser diferente da minha sexualidade?

Vantagens do casamento
De acordo com a Wikipédia, Charles Darwin fez uma lista com as vantagens e desvantagens do casamento. Eu busco procurar ver uma vantagem em tudo. Se eu fosse me casar, seria com uma mulher que eu amo muito. O que pode ser mais vantajoso do que passar a vida com quem se ama? Por essa mulher valeria a pena fazer tudo que fosse possível...
Charles Darwin colocou que uma desvantagem do casamento é que seria uma total perda de tempo. Bem, eu acho que ele não gosta de mulher. Meu problema é o contrário. Eu sou totalmente fiel, mas sou simplesmente APAIXONADO pelo corpo feminino, acredito que o corpo da mulher é a coisa mais fantástica que existe, não estou dizendo isso por ser homem, mas porque é um fato. Eu já tive conflitos com minha identidade sexual, mas mesmo nesses conflitos eu continuava achando o corpo da mulher uma maravilha. PORQUE É UMA MARAVILHA. Eu vivo me perguntando por que esses grandes cientistas nunca se interessaram em estudar essa maravilha, que é o corpo da mulher. Podemos chegar na lua, mas o maravilhoso corpo da mulher continua pouco explorado.

Vantagens do celibato
Como eu disse, eu busco ver vantagem em tudo, e seria muito difícil encontrar algo que pudesse compensar a falta da mulher de minha vida em minha vida:
Se eu ficar solteiro eu vou me dedicar ao estudo do corpo da mulher CADA VEZ MAIS. Lógico que ficar solteiro também significa me afastar DEFINITIVAMENTE de minha mãe, cortar TODO TIPO DE CONTATO, do contrário, parece que a gente está casado com a mãe!

Quero entender mais do que qualquer ser humano como o maravilhoso corpo feminino funciona, quero pesquisar formas para deixar todas aquelas partes mais saudáveis, etc. Essa seria uma forma de compensar... se eu não puder ser o homem que fará a mulher de minha vida feliz, quero fazer de tudo para fazer a vida de TODAS as mulheres mais feliz. Pelo menos me restará a certeza de que INEVITAVELMENTE ela estará incluída neste "TODAS".

23.9.14

Lidando com o preconceito

Esta é a continuação da postagem A estrada.

Lutar contra preconceitos e discriminação é difícil, é mais difícil ainda quando sofremos preconceitos das pessoas que menos esperávamos, nos locais que menos esperávamos, no momento que menos esperávamos...

No Centro de Atenção Psicossocial, local de atendimento psiquiátrico, aproximou-se de mim uma das pacientes estabilizadas. Eu já conhecia, pois ela já tinha feito curso na escola de informática, onde eu dava aulas no Centro de Atenção Psicossocial. Ela tinha cerca de 40 anos (eu sabia com certeza pois já tinha visto sua ficha), mas era muito mais bonita que muita mocinha de 18 e 20 anos, muito conservada...
Ela olhou para mim, olhou para o livro que eu estava lendo, uma coletânea de peças de teatro de Molière, um de meus preferidos.
- Ah! Um livro, deixe eu ver. Mas está em francês, viu? Para entender francês tem que E-S-T-U-D-A-R, tá? Tem que fazer um C-U-R-S-O.
Apesar de eu tentar explicar para ela que eu já era muito experiente em francês que já tinha lido vários livros, visto vários filmes e programas, falado com vários nativos falantes da língua, aparentemente ela estava convicta que eu estava em algum surto e que eu estava apenas delirando, achando que entendia francês...


Lidando com o preconceito de um sistema preconceituoso
Apenas no ano 2002, aos 25 anos, que eu concluí o ensino fundamental, antes chamado de primeiro grau. Eu concluí o ensino fundamental num programa de educação para jovens e adultos, o que antigamente era chamado de SUPLETIVO. O supletivo possibilitava ao aluno fazer duas séries num ano, ou seja, o aluno podia "passar de ano" no meio do ano. Eu entrei no primeiro semestre de 2002 e no meio desse ano eu concluí o ensino fundamental, pois só me faltava uma série.

Ao terminar o ensino fundamental em 2002, aos 25 anos, o meu psiquiatra da época sugeriu que eu fizesse o ensino médio numa escola técnica, onde eu poderia fazer um curso profissionalizante. Ele justificou essa sugestão dizendo:
"Você conhece vários idiomas, tem um bom conhecimento, por isso acho que você consegue passar."
LÓGICO que eu não consegui passar. Eu sempre tinha sido um péssimo aluno. Tinha sido reprovado na primeira série, na segunda, na sétima e na oitava. Como é que eu ia conseguir passar numa prova de curso técnico, onde concorriam vários excelentes alunos, nerds e CDF's que estudaram nas melhores escolas do Rio? Provavelmente o psiquiatra acreditava mesmo que eu podia passar, pois algumas pessoas devem achar que eu tenho muita facilidade para aprender; inclusive, várias pessoas já disseram "deve ser muito bom para você ter facilidade para aprender idiomas." Meu Deus. Não será esse o maior engano que as pessoas têm ao meu respeito? Eu não tenho facilidade para aprender NADA! Muito pelo contrário. A maioria das pessoas aprende 50 a 100 vezes mais rápido que eu.

E essa dificuldade de aprender complica minha vida, como no caso da menina da escola, a Luciana, quando eu tinha uns 13 anos. Era branquinha, super branquinha, lindíssima... ah eu sonhava com a hora de beijar aquela maravilha! Porém NUNCA tinha beijado nenhuma menina na vida. Um dia eu estava fazendo uma entrega de farmácia num prédio em Copacabana. No elevador, tinha um espelho. E como eu estava sozinho no elevador, decidi treinar beijo, beijando o espelho. Ora, o elevador estava em movimento, não tinha ninguém... eu estava tão distraído no meu treino de beijo, que eu nem percebi quando o elevador parou num andar antes do meu e a porta abriu. Enquanto a porta abria, eu continuava treinando beijo, nem tinha percebido. Só fui me dar conta quando vi as duas meninas, mais ou menos de minha idade, me observando. Parei sem jeito; as meninas se entreolharam, enquanto eu ficava vermelho e queria me esconder no poço do elevador. Daí uma delas perguntou, como se nada tivesse acontecido:
"Está descendo?"
Graças a Deus, estava subindo. Quando a porta do elevador fechou e o elevador subiu, elas devem ter morrido de rir!

Existe uma teoria da psicologia da educação que acredita que algumas pessoas têm QI (Quociente de Inteligência) maior, ou seja, as pessoas com QI maior podem aprender mais, e as pessoas com QI menor não conseguem aprender direito. Na verdade, a ideia do Quociente de Inteligência esconde uma discriminação, uma eugenia, pois todas as pessoas podem aprender TODAS AS COISAS, apenas aprendem de forma diferente, com velocidade diferente; e aprender de forma diferente não significa que tal pessoa tenha maior ou menor inteligência. A inteligência não pode ser medida assim. Talvez a inteligência de cada indivíduo sequer possa ser medida.

Baseado na ideia discriminatória de inteligência superior e inteligência inferior, inventaram umas nomenclaturas que no mínimo fazem a pessoa se sentir rebaixada. Primeiro criaram os termos "idiota", "imbecil" e "retardado", que classificavam as pessoas consideradas menos inteligentes, de acordo com a psicologia. Poucos sabem que as palavras "idiota" e "imbecil" foram criadas por psicólogos e psiquiatras para classificar aqueles que eles acreditavam que tinham inteligência inferior. Depois substituíram os termos "idiota", "imbecil" e "retardado" por "deficientes intelectuais". Quando um médico ou psicólogo "diagnostica" alguém como "deficiente intelectual", está colocando um limite na pessoa, está colocando um bloqueio. Não conhecemos o cérebro tanto para tentar medir a capacidade de aprender das pessoas.

Quando o psiquiatra pensou que eu conseguiria passar numa prova tão difícil, apesar de eu ter sido educado em uma escola de uma região pobre sem recursos, e numa escola de educação rápida para adultos, ele se baseou na ideia de inteligência superior e inteligência inferior da psicologia. Ou seja, ele partiu do pressuposto que se eu tinha aprendido várias línguas eu deveria ter uma boa inteligência. Ele não se preocupou em saber o tempo que eu levei para aprender várias línguas, ele deve ter achado que eu aprendi da noite para o dia ou de um ano para o outro, pois do contrário, como ele ia acreditar que eu ia passar numa prova sem ter tido o ensino de qualidade dos outros candidatos que tinham estudado nas melhores escolas do Rio de Janeiro? Ele pensou baseado no preconceito da psicologia de inteligência superior e inteligência inferior, ignorando as diferentes formas das pessoas aprenderem.

Este sistema educacional preconceituoso mede as pessoas por sua educação formal, e tenta ignorar e desprezar o aprendizado informal autodidata, ignorando o estudo informal.


Lidando com minhas dificuldades de aprendizagem
Desde pequeno, eu já percebi minha dificuldade de aprender, percebi que eu aprendia mais lentamente. Por isso, pensei em uma forma de compensar minha dificuldade:
E se eu fosse 5 vezes menos inteligente que as outras pessoas? Para equilibrar as chances só havia um jeito:
Estudar 5 vezes mais, trabalhar 5 vezes mais!
Pois apesar de aprender muito lentamente, eu tinha uma excelente capacidade de RACIOCÍNIO LÓGICO, de tal forma que da mesma forma que as outras pessoas ficam irritadas com minha lentidão para aprender, eu fico irritado com a lentidão das pessoas de tirar certas conclusões lógicas. E a lógica é clara:
Se eu sou menos inteligente, devo estudar e trabalhar mais, para compensar.

Já com uns 29 anos, eu fazia um curso de férias, de montagem e manutenção de computadores, de uma dessas faculdades privadas. Como eu era o pior aluno, o professor não queria nem me deixar tocar no computador, com medo de eu queimar alguma peça por manuseamento impróprio. A turma achava que eu não tinha jeito para aquilo, que eu nunca aprenderia, aí eu disse:
"Eu demoro mais para aprender que a maioria das pessoas, mas eu aprendo. Eu aprendo muito lentamente, mas mas eu aprendo em progressão geométrica, exponencialmente."
A maioria da turma não entendeu o que significava o que eu disse, mas havia na turma um professor de química, que era entendido em matemática. Ele olhou para mim, com sarcasmo e desprezo, e disse, com um ar irônico:
"Uau! Então você deve ser um super gênio!"
As pessoas geralmente aprendem muito mais rápido que eu, mas em progressão aritmética, enquanto eu aprendo em progressão geométrica, mas mais que isso, em progressão geométrica EXPONENCIALMENTE. O professor de química entendeu, mas talvez eu devesse explicar para você:
Enquanto a maioria das pessoas progridem 1 ponto eu continuo abaixo de 0. Enquanto progridem 2, eu continuo abaixo de 0. E mesmo quando as pessoas progridem 50, eu continuo abaixo de 0... Eu só saio do 0 quando a maioria das pessoas já estão avançadas, com 100 a 0. Depois a minha progressão geométrica começa a ser, pouco a pouco, notada. Os outros fazem 101 pontos, eu faço 1. Os outros fazem 102 pontos, eu faço 2. Os outros fazem 103 pontos, eu faço 4. As pessoas fazem 104 pontos, eu faço 8! Aí começa minha ascensão EXPONENCIAL:
Os outros fazem 105 pontos, eu faço 64 pontos! Os outros fazem 106 pontos, e percebem que já foram ultrapassados, pois aí, exponencialmente, eu já faço 4096!


A ilusão de um sistema educacional preconceituoso
Eu queria criar algo novo, inventar algo novo. E me parecia óbvio que a escola formal não possibilita ninguém a criar algo novo, pois a escola não ensina coisas novas, mas coisas antigas que foram reunidas em livros pelos homens. E mesmo quando a escola passava essas coisas antigas descobertas pelos grandes homens, não ensinava aos alunos como os grandes homens faziam; pois infelizmente me pareceu óbvio que o objetivo dessa escola formal sempre foi CONDICIONAR, deixando o aprendizado REAL para segundo plano. Eu queria me especializar em algo e faze-lo à perfeição. Por isso eu fui pesquisar os homens famosos que tinham criado algo novo, feito alguma descoberta ou faziam alguma coisa a perfeição.

Compartilho algumas de minhas conclusões:

William Shakespeare (1564 — 1616) criou incríveis obras teatrais, como um mestre inigualável. Shakespeare dominava o idioma francês e era um espetacular conhecedor da História Mundial, mas mal tinha o ensino fundamental.

René Descartes (1596 — 1650) formou-se em direito, e não em matemática, física e filosofia, que se tornaram suas especialidades.

Antonie van Leeuwenhoek (1632 — 1723) também mal tinha educação fundamental, mas criou espetaculares microscópios e passou a ser considerado o pai da microbiologia, mas NUNCA tinha estudado biologia numa faculdade.

Charles Darwin (1809 — 1882) tinha estudado um pouco de medicina e teologia antes de fazer suas grandes descobertas sobre evolução, mas ele tinha condições econômicas que realmente facilitavam seus estudos formais, porque ele era de uma família abastada e filho de médico, bem diferente de William Shakespeare e Antonie van Leeuwenhoek, que eram de origem simples. Mas, obviamente, se Darwin seguisse as normas da escola formal, suas descobertas estariam condenadas. Ele fez suas pesquisas escondido da escola formal, pois sabia que seria criticado e proibido, se soubessem. Observe que Charles Darwin NÃO fez NENHUM curso universitário de biologia e nem de filosofia ou naturalismo. Ele completou os estudos de TEOLOGIA. Nenhuma de suas descobertas dependeu da educação formal. Ele seguiu educação formal porque era RICO. Do contrário, ele também mal teria ensino fundamental, como foi o caso de William Shakespeare e Antonie van Leeuwenhoek.

Arthur Conan Doyle (1859 — 1930) estudou medicina, mas acabou se destacando com contribuições à criminalística.

Albert Einstein (1879 – 1955) formou-se em física, mas era filho de um engenheiro, de uma família abastada. Ele dizia que preferiria ter sido um operário...

E o que eu percebi é que ensino universitário MATA a criatividade, pois prende o aluno, tomando seu tempo. POR ISSO que eu sempre evitei educação formal, sempre evitei educação superior. Eu saí da escola apenas com a sétima série; e considero um de meus grandes erros, pois hoje eu estou convicto que deveria ter saído da escola ainda na quinta série. Não tenho dúvida que o tempo que passei fazendo a sexta e a sétima série foi perda de tempo.


Meus estudos
Há cerca de 12 anos, por volta de 2002, depois de eu já ter explorado as línguas mencionadas na postagem A estrada e selecionado algumas para estudar mais profundamente, eu comecei a adicionar mais algumas línguas à minha coleção:
Sueco, hebraico, coreano, chinês, occitano (provençal), híndi, vietnamita, tagalo, swahili, interlíngua, volapuque e ido.

Nos últimos 5 anos eu não adicionei mais nenhuma língua, decidindo-me a focar apenas nas línguas mencionadas.

O coreano, o chinês e o vietnamita são línguas de povos que sofreram muito com a Guerra Fria, são línguas de povos reprimidos, e as línguas de povos reprimidos politicamente são prioridades para mim. A repressão que os povos da Coreia, da China, e do Vietnã sofreram e sofrem, já se vê nas línguas desses países:
Línguas complicadas para aprender, logo, as línguas desses países aumentam as indiferenças.

O hebraico, que era uma língua morta, mas que foi ressuscitado com a criação do Estado de Israel, o volapuque, a interlíngua e o ido, eu apenas vejo como curiosidades linguísticas, pois por se tratar de línguas planejadas, QUASE todos os seus falantes também falam outra língua.

Eu me interessei mais pelo swahili por causa dos personagens dos desenhos, TIMÃO E PUMBA, que eu via muito tempo atrás, em que os personagens costumavam mencionar uma frase do swahili:
"Hakuna matata!"
(Veja, em inglês: ♫ The Lion King - 'Hakuna Matata' Lyrics ♫)

Meu interesse pelo sueco surgiu ao conhecer um garoto, que fazia curso de alemão comigo, que falava sueco.


Minha auto-estima: Nenhuma
O fato de eu dizer que aprendo em PROGRESSÃO GEOMÉTRICA não é por eu ser convencido, é apenas por conhecer a mim mesmo, por ter buscado o auto-conhecimento. É que eu não apenas aprendo em progressão geométrica, mas eu também TRABALHO EM PROGRESSÃO GEOMÉTRICA.

Eu não tenho motivos para ser metido ou vaidoso. Eu venho de uma família bem pobre, houve uma época que catávamos lixo para poder comer. Desde cedo, sofri com problemas dentários. Esses problemas dentários mexem com minha auto-estima mais do que as pessoas imaginam. Desde menor de idade eu já tinha um dente com um buraco enorme que acumulava sujeira, difícil de limpar. Eu me sentia sujo, e com razão. Uma vez, quebrei um dente numa pedra que estava no meio do arroz. Dentes quebrados e furados e falta de condições de tratá-los minam com a auto-confiança de qualquer um. Um buraco em um dente, um dente quebrado com uma gengiva crescendo no meio de um dente quebrado, a dificuldade de limpar, tudo isso faz a gente de sentir um pedaço de lixo.

E quando eu fui jogado num manicômio, eu me senti pior ainda. Diziam que eu estava num hospital, mas não me tratavam, só me entupiam de drogas. Em vários momentos em que eu fui internado em manicômios, eu fiquei vários dias sem escovar dentes lá dentro, não é preciso ser um super gênio para perceber que se houvesse algum tratamento sério nesses manicômios, eles não negligenciariam tanto a HIGIENE DENTAL das pessoas. O que adianta entupir as pessoas de psicotrópicos e não cuidar das outras partes? Que raios de hospital só dá comprimidos e totalmente ignora a saúde geral das pessoas? Como chamar de local de tratamento mental um local que não cuida do CORPO das pessoas? É ÓBVIO que para melhorar a condição mental de uma pessoa é necessário aumentar o seu moral. Como pessoas totalmente desdentadas poderiam ficar bem mentalmente, estando tão abandonadas? Não. Aqueles manicômios NUNCA foram hospitais.

Todas as indiferenças que eu vi nos manicômios me impulsionaram MAIS AINDA a lutar por um mundo melhor, para que no futuro outros jovens não passem por essa situação absurda. Eu tenho muita confiança na área que resolvi me especializar, pois sei que me preparei muito bem, mas não tenho muita auto-confiança. Como teria? Eu confio em MEU TRABALHO, e não em mim. Eu confio no TEMPO que eu levei me preparando.

Qual seria meu trabalho? No que eu teria buscado me especializar desde 13 anos de idade?

CONTINUA em:
Preconceito contra meu trabalho


Primeiro publicado em 18 de abril de 2014.

(八)

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A estrada (A verdadeira vida de Ezequiel)

Prólogo:
Quando eu tinha cerca de 11 anos de idade, eu planejava lançar uma revista em quadrinhos quando adulto. Eu planejava publicar uma revista por mês, por isso calculei quantos números de revistas eu publicaria até o dia de minha morte. Eu estimei o dia de minha morte baseado na idade em que meu pai morreu. como meu pai tinha morrido aos 60 anos, eu calculei quantas revistas eu publicaria até o ano 2037, o ano que, segundo meus cálculos na época, seria o ano de minha morte. Eu não planejava ganhar dinheiro com a revista, apenas publicaria pelo prazer de publicá-la.

Porém, ainda antes de entrar na idade adulta, eu arquivei o projeto, mudando meus planos, pois segundo meus cálculos, eu ia ter que estudar MUITO desenho para expressar em imagem toda a minha imaginação, pois para desenhar o que eu imagino eu teria que ser MUITO melhor que grandes desenhistas de quadrinhos como Walt Disney, Carl Barks, John Byrne, Jim Lee, John Romita e Sal Buscema... aí eu percebi que eu não desejava ser quadrinista ao ponto de trabalhar tanto assim por isso. Eu já tinha noção de quanto esses desenhistas tinham trabalhado para chegar a ser os grandes desenhistas que se tornaram. (Coloquei links [em azul] apenas daqueles desenhistas que talvez não sejam muito conhecidos pelo público geral. Os links são para páginas em inglês, pois não há informações suficientes sobre eles em português.) Eu percebi que a coisa na qual eu queria me especializar já precisava de muito estudo também, tanto estudo que eu não poderia mais devotar tanto tempo ao estudo do desenho sem prejudicar minha prioridade.

Abaixo, quadrinhos que eu fiz em janeiro de 2000, em italiano.


Clique aqui para ver os quadrinhos em outra janela, onde poderá clicar e ver em tamanho bem maior.

A introdução é em inglês, e todo resto da história é em italiano e com uma tradução ao português. Em 1999 eu já tinha escrito algumas histórias em inglês, como "LIFE AFTER WEDDING" e "THE JOB". Eu publiquei THE JOB aqui no blog, mas não vou publicar "LIFE AFTER WEDDING" por causa de alguns poucos erros de inglês; poucos, mas totalmente ABSURDOS, INACEITÁVEIS.

A história "CORRENDO DIETRO ALLE RAGAZZE" é um pouco obscena, por isso não a colocarei aqui por completo.


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Eu estou compartilhando os quadrinhos que eu fiz, em idiomas estrangeiros há mais de 14 anos atrás, apenas para COMBATER PRECONCEITOS. Eu fui diagnosticado com transtorno mental em 1999, e todos sabemos o que uma pessoa com tal diagnóstico está sujeita. E muito mais quando essa pessoa teve um surto SANGRENTO como o meu. Uma vez eu estava lendo em francês e uma moça no CAPS veio falar comigo e me explicar que eu não poderia falar francês, pois era preciso estudar. Enfim, ela tinha PRATICAMENTE certeza que eu estava delirando, achando que eu podia ler francês. Inclusive, eu sofri muito preconceito de pessoas da família, que achavam que meus estudos eram desorganizados; sabe como as pessoas estigmatizam pacientes psiquiátricos:
Achavam que eu estudava de maneira desorganizada, estudando tudo de uma vez, pois é comum acharem que pacientes psiquiátricos são desorganizados. Um preconceito GRAVÍSSIMO.

Como eu disse anteriormente, estudar italiano foi muito complicado, pois eu não encontrei nenhum curso de italiano na televisão aberta.

Eu sempre me organizei ao máximo para aprender bem tudo que queria aprender. Eu organizava os horários de estudo e buscava segui-los. Abaixo, por exemplo, eu deixo minha rotina de treinos e estudos de artes marciais, de quando eu tinha 17.


Clique aqui para ver minha agenda de horários em outra janela, onde poderá clicar e ver em tamanho bem maior.

Eu trabalhava de segunda a domingo e tinha uma folga domingo sim, domingo não. Abaixo são os treinos de meu domingo de folga, pois no domingo em que eu trabalhava não dava para seguir todo o roteiro.

Para aprender italiano eu percebi que eu teria que me devotar BEM MAIS que eu tinha me devotado para aprender inglês e francês, pois eu não tinha cursos de italiano para ver na televisão como tive de inglês e francês, nem dispunha de vários livros para o italiano, como dispunha de vários livros para o inglês. Eu passei a estudar italiano TODO O TEMPO, construindo frases na cabeça sempre; e naturalmente eu falava sozinho em italiano sempre que possível. Quando eu estava longe de casa, falava sozinho quando ninguém estava olhando, quando havia pouca gente no transporte público, por exemplo.

Mesmo quando estava no trabalho fazendo entregas, eu estudava frases italianas que tinha copiado da Biblioteca Nacional enquanto esperava os fregueses buscarem o dinheiro para pagar a entrega. Em todas as conversas que eu tinha com as pessoas em português, eu mentalmente convertia ao italiano. Na falta de um curso para aprender italiano, passei a ouvir cada vez mais música na língua, ao passo que passei a evitar mesmo ouvir músicas em outras línguas, e quando ouvia buscava vertê-las ao italiano, mentalmente ou por escrito mesmo. Meus estudos de italiano felizmente deram bons frutos, ao ponto que, em 2001, eu já percebia que eu precisava estudar mais a escrita do francês, que eu conseguia falar melhor que o inglês, mas não conseguia escrever como escrevia italiano. Assim, em 2001, quando eu estava internado, pedi a um familiar para trazer um livro de ensino de francês para que eu pudesse estudar lá no manicômio...

Eu estudava artes marciais cerca de 2 a 4 horas por dia. Quando eu comecei a estudar idiomas, eu passei a fazer o contrário:
Todo meu tempo passou a ser devotado ao aprendizado do idioma. Eu praticamente PAREI DE VER TELEVISÃO, só assistia a uma ou duas horas de algum programa favorito. Eu sempre adorei ouvir samba e pagode, mas quando eu comecei a me dedicar ao estudo dos sons de línguas estrangeiras, passei vários ANOS sem ligar o rádio em música em português, focando apenas nos programas especiais de cantores estrangeiros. Todos meus CD's eram em línguas estrangeiras.

Há 22 anos atrás eu iniciei um estudo SISTEMÁTICO de CÓDIGOS E LINGUAGENS, assim eu estudei um pouco até de CÓDIGO MORSE e um pouquinho de LIBRAS, um pouquinho de ASL; ademais, as línguas que eu estudei foram as seguintes:
Português, espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, japonês, holandês, latim, catalão, napolitano, grego, romeno, Esperanto, norueguês, dinamarquês, turco, árabe, russo, albanês, tcheco, polonês, húngaro.

As primeiras 9 línguas, eu estudei algumas frases quando ainda era menor de idade. As outras eu acrescentei depois.

Meu objetivo era apenas fazer um estudo de "Linguística comparativa", enfim, comparar as línguas.

TODAS as línguas acima, eu estudei mais do que estudei português no Ensino Fundamental da escola pública. Estou afirmando isso ao comparar os textos de meus antigos cadernos de escola e os textos de meus estudos de línguas.

Hoje em dia, há 12 línguas que eu ESTUDEI mais que estudei português no Ensino Médio Completo da escola pública, em outras palavras, eu copiei textos e estudei gramática dessas línguas mais do que um aluno do Ensino Médio estuda sua própria língua natal, portanto posso ler nessas 12 línguas, mesmo que com dificuldade.

No estudo dessas 12 línguas, eu obviamente mantive, mais ou menos, o MESMO ritmo de estudo que mantive com o italiano. Eu não queria colocar essas informações sobre mim, apenas as coloco para combater preconceitos, como disse anteriormente. Pois eu sei que quando uma pessoa sente preconceito, ela acaba limitando a si mesma, ao ignorar o valor dos esforços de um outro ser, um outro ser que poderia ser ela mesma.


Notas para os mais antigos:
Ensino Fundamental equivale ao Primeiro Grau de antigamente.
Ensino médio equivale ao Segundo Grau de antigamente, ou Colegial.

Há 10 línguas que eu posso ler com certa naturalidade, dessas 10 línguas, apenas 9 estão na lista acima.


Continua em:
Lidando com o preconceito


Tema musical da postagem:
Cidade Negra - A estrada Acústico MTV

Fastball - The Way

Primeiro publicado em 26 de abril de 2014.

(五)

(再生回数 20 回)

19.9.14

Se Deus assim permitir

Antes de mais nada, quero salientar que não sou contra tratamentos psiquiátricos. Sou contra prescrição exagerada de psicotrópicos e diagnósticos superficiais. Sou a favor de atendimento psiquiátrico baseado numa melhor alimentação, como acontece na psiquiatria ortomolecular.

Eu não abandonei tratamento psiquiátrico, apenas não tinha condições de eu continuar quando minhas queixas de irregularidades era jogadas debaixo do tapete.

Pessoalmente não tenho nada contra psiquiatras, mas todas queixas que eu fiz são SÉRIAS, e fiquei um tanto irritado com parentes meus que não deram o apoio que eu precisava ao colocar as queixas.

Este texto é uma continuação da postagem Preconceito e estupefação

Quando a secretária do curso de francês me dava o diploma do ministério de educação da França que comprovava meu nível intermediário avançado de francês ela disse estava surpresa por eu nunca ter feito um curso de francês. Eu disse para ela que eu não podia pagar. Quando eu disse que eu estava desempregado. Aí ela disse:
- Desempregado porque quer, né?

Eu não podia contar para ela meu histórico de internações psiquiátricas, que gerava muito estigma. Inclusive estigma da parte de parentes. Naquela mesma época, eu recebi alguns convites por e-mail para me tornar professor de curso de inglês, pois eu tinha o nível exigido pelos grandes cursos de inglês, mas eu deixei para lá, pois eu não tinha o curso de letras, que também era exigido. Porém, tempos depois surgiu uma oportunidade de estágio REMUNERADO, mas para o estágio era necessário que a pessoa estivesse num curso de letras. O por que eu não entrei num curso de letras eu pretendo contar depois, se Deus assim permitir.

17.9.14

Represálias?

Uma vez, na época em que eu estava no CAPS, eu fiz uma menção de uma postura irregular de alguns funcionários do CAPS, mas não dei pistas sobre quem era. (Meu objetivo sempre foi buscar conscientização, e não punição.)

Porém, algo estranho aconteceu pouco tempo depois. Uma das funcionárias, uma das mais simples, foi afastada do emprego. Mas se fosse só isso, eu não estranharia. A questão é que ela tinha sumido do serviço pouco depois de eu ter publicado a crítica; e quando ela reapareceu no CAPS já estava afastada do serviço e estava TODA MACHUCADA, como se tivesse levado uma GRANDE SURRA. Ela estava acompanhada de um homem, que talvez fosse seu namorado ou irmão... de início eu pensei que, talvez, ela tivesse apanhado do namorado, mas depois me ocorreu algo mais terrível ainda:

Será que essa moça levou uma surra de alguém poderoso ligado a área de saúde mental? Será que alguém achou que minha crítica era voltada para essa funcionária? (A crítica NÃO era voltada para ela, simplesmente porque ela era PEIXE PEQUENO, pouca coisa naquele sistema.) Eu não tenho nenhuma prova, e nenhuma evidência concreta, mas estou apenas expressando a assustadora impressão que eu tive. Será que esse homem estava lá, na verdade, para tentar protegê-la? Pois ele nunca tinha ido lá antes...

Pouco tempo depois, quando eu fiz outras críticas, eu fui chamado numa sala, a sós com um dos funcionários poderosos, que me avisou que se eu continuasse colocando tais denúncias na Internet, alguma coisa muito má poderia acontecer comigo. As palavras da pessoa, que eu não poderia esquecer:
- Sei que vivemos numa democracia, mas não coloque essas coisas na Internet, ou alguma coisa muito ruim pode acontecer com você...

15.9.14

Preconceito e estupefação

Quando eu cheguei no local das provas para obter meu certificado de inglês, o porteiro achou que eu não poderia estar lá para fazer provas. (Como foi colocado no texto anterior:
Preconceito ao procurar emprego)

Eu até entendo que o porteiro tenha achado estranho, pois todos as pessoas que iam fazer as provas chegavam de carro.

Um episódio semelhante ocorreu quando eu fui me inscrever para as provas para adquirir o certificado de francês.

- Você deve estar se confundindo. O exame B2 é avançado. Para você, seria melhor o A1 ou A2.
A secretária nem me conhecia, mas pelo jeito, as minhas vestes baratas já indicavam que não seria possível meu conhecimento ser avançado.
Eu fiquei um pouco irritado e indignado, e a corrigi:
- Avançado são os exames C1 e C2. B2 é intermediário avançado.

Eu tinha optado pelo B2, para não ter dificuldades ou surpresas, queria garantir o certificado, passando fácil. Continuei, um tanto irritado:
- Ora, eu tenho o B1 em inglês, e meu domínio de francês é bem maior que meu domínio do inglês, logo não terei problemas para passar no exame B2 de francês.

Ela estava realmente incrédula, tempos depois a gente se encontrou de novo para ela me entregar o certificado.
- Você gosta mesmo de francês, né? Pois suas notas foram maiores que a média dos alunos do curso regular.
- Não.
- Você não gosta de francês? Imagine se gostasse!
- Não é isso, não é por que eu goste, é porque eu uso francês há mais de 10 anos, já conversei várias vezes com franceses, já li livros, etc.


Existe um padrão de referência internacional para os exames internacionais de idiomas

Na parte de trás de meu diploma de francês, estão os diferentes níveis explicados:


Clique aqui para visualizar o diploma em outra janela, onde você poderá clicar de novo para ver em tamanho gigante.


Três letras separam os três escalões:
A: Elementar
B: Independente
C: Experiente


Vou colocar numa linguagem mais simples:
A1.1 é o nível iniciante
A1 é o nível elementar
A2 é o nível básico
B1 é o nível intermediário
B2 é o nível intermediário avançado
C1 é o nível avançado
C2 é o nível proficiente.

Abaixo, eu deixo o link para o simulado de uma prova de compreensão oral do nível elementar, A1.1, em que o estudante deve entender algumas conversas em francês:

Compréhension de l'oral

Eu deixo um link que mostra as perguntas que o estudante deve responder ORALMENTE nesse nível:

Production orale

14.9.14

Preconceito ao procurar emprego

No ano 2006 eu fiz um exame internacional para o nível avançado de inglês, mas a prova foi mais difícil do que eu esperava, e mesmo se eu não tivesse perdido a primeira prova por um contratempo, provavelmente seria reprovado, mas para poder obter um certificado que comprovasse meu conhecimento de inglês para poder ensinar inglês no CAPS, eu optei por fazer o exame num nível bem mais modesto, no final de 2009.

Ao chegar na escola para fazer as provas --num bairro nobre da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro-- o porteiro olhou para mim com uma cara rígida e perguntou:
- Você veio fazer qual serviço aqui?
- Eu vim fazer uma prova
, respondi com um sorriso sem jeito.
Ele tinha pensado que eu era um novo pedreiro, faxineiro, ou algo assim. Seria uma honra para mim trabalhar de pedreiro ou faxineiro num prédio luxuoso como aquele, provavelmente o salário seria maior do que a "bolsa" que eu recebia ao dar aulas de informática no Centro de Atenção Psicossocial. Mas ainda assim, eu acho que o porteiro teria sido mais gentil se perguntasse o que eu ia fazer lá, em vez de deduzir que eu era um empregado novo.



Clique aqui para abrir o certificado em outra janela, e poder clicar de novo para vê-lo em tamanho gigante.


Depois de ter que me afastar do Centro de Atenção Psicossocial devido aos desrespeitos e autoritarismo que eu presenciei lá da parte da abusiva direção, acabei me decidindo a conseguir um certificado internacional em outro dos idiomas que eu dominava, pois me ajudaria na busca de emprego, já que não tinham me deixado trabalhar no Centro de Atenção Psicossocial. No passado, antes de eu ter certificados, um colega de escola que me conhecia bem viu um currículo que eu tinha feito e foi muito sincero:
- Ezequiel, você não devia colocar que você domina todos esses idiomas. Eles vão pensar: "esse negão deve ser um maluco que acha que sabe alguma coisa." Tire isso.

Ele sabia que eu realmente dominava os idiomas, mas ele conhecia bem os preconceitos de nossa sociedade tola. O olhar de desprezo e zombaria da diretora da cooperativa que eu fazia parte ao ver os idiomas em meu currículo, e a forma preconceituosa que o pessoal da ONG de informática em que eu trabalhava reagiu quando eu comentei sobre meu conhecimento de idiomas me convenceu a não voltar a mencionar sobre conhecimento de idiomas em meus currículos, a menos que eu tivesse certificados prontos para comprovar, por mais que eu conhecesse os idiomas.

Já em 2006 eu já tinha certificados de Esperanto pela Cooperativa Cultural de Esperantistas. Mas os certificados de Esperanto da Cooperativa de Esperantistas não eram internacionais, portanto não eram oficiais e tinham tanto valor quanto um certificado simples de um cursinho de inglês tipo CCAA ou CNA, enfim certificados sem valor oficial.


Assim, eu decidi obter outro certificado internacional oficial, para dar mais moral ao meu currículo. Na época, eu apenas dominava quatro idiomas estrangeiros, e tinha somente boas noções de alguns outros. Oscilei um pouco entre o italiano e o francês. Mas como meu nível de domínio do italiano era igual ao do inglês, achei que seria melhor optar por um certificado em francês, minha segunda língua.


Clique aqui para abrir o certificado em outra janela, e poder clicar de novo para vê-lo em tamanho gigante.

Continua em Preconceito e estupefação

13.9.14

Perseverança face ao preconceito e a discriminação

De 2007 a 2009 eu dava aulas de informática no CAPS, pelo projeto CDI, e recebia uma "bolsa" (como eles gostavam de chamar). Porém, em 2010, quando houve uma pausa no projeto de informática por falta de verba, eu planejava deixar minha vaga na informática para outro usuário do CAPS, e fazer outra atividade de geração de renda lá. Sempre me interessou a questão da reciclagem de materiais, por ser extremamente benéfico para a sociedade, ajudando a preservar o meio ambiente. Eu tinha um projeto diferente para conscientizar as pessoas da importância de reciclar e ao mesmo tempo oferecer um curso de estudos para elas.

O curso seria pago com material que poderia ser reciclado (como latinhas, por exemplo.) Isso também porque eu não me sentiria bem cobrando pelo curso...
O curso seria de inglês, que sem dúvida eu conhecia muito mais que informática, que eu dava aula lá. Mas havia muito preconceito no CAPS, e para que eu pudesse dar as aulas com melhor aceitação, seria bom que eu mostrasse um certificado. Por isso, em 2009, eu fiz o exame de inglês da universidade de Cambridge, para obter um certificado.

Em 2006, eu já tinha feito um exame internacional da Universidade de Cambridge, do Reino Unido, para certificar o meu conhecimento do idioma inglês. Ao fazer um teste numa escola de idiomas daqui do Brasil, indicaram-me que o melhor exame para mim seria o avançado. Inscrevi-me, mas no dia do exame houve um contratempo: um pouco antes de eu chegar ao local das provas, o centro de testagem, uma pessoa me chamou pelo nome. Era um usuário do Centro de Atenção Psicossocial que eu frequentava na época. Outro triste exemplo de discriminação e preconceito. Aquele usuário de CAPS tinha fugido de casa por não aguentar mais os maus tratos da família e a omissão do CAPS.

O Centro de Atenção Psicossocial abria às 8h, a primeira prova seria às 8h. Decidi que seria melhor me atrasar para a prova mas não deixar um ser humano à míngua. Passei uns 20 minutos ligando para o Centro de Atenção Psicossocial, apenas para descobrir que ninguém tinha chegado ao Centro de Atenção Psicossocial para trabalhar. Eles tinham o hábito de chegar atrasados e sair antes do horário. Perdi a prova à toa...

Mesmo se eu não tivesse perdido uma prova, provavelmente não conseguiria passar. Depois daquela experiência, tinha decidido voltar a fazer a prova avançada somente depois de muito estudo. Mas para poder obter um certificado que comprovasse meu conhecimento de inglês para poder ensinar inglês no CAPS, eu optei por fazer o exame num nível bem mais modesto, no final de 2009. Mas mesmo com o certificado, eu encontrei oposição de funcionários do CAPS, que decidiram dificultar a concretização do curso que eu planejava...

Mas a discriminação e o preconceito não vinham apenas dos técnicos do CAPS, vinham também dos usuários pobres. E fora do CAPS, outros pobres mostravam preconceito, como os preconceitos absurdos que eu suportei ao fazer os exames que me renderam certificados internacionais em idiomas estrangeiros.

Continua em Preconceito ao procurar emprego

4.9.14

É "livra-nos do mal" e não "livra-me do mal" (Rituais III)

Mas uma vez, minha menção a assuntos religiosos é apenas para ilustrar como tais assuntos mexeram comigo emocionalmente, já que, apesar de eu nunca ter me batizado, passei minha primeira infância na igreja evangélica. Eu não me desencantei de Deus, mas definitivamente me desencantei de muitos religiosos que encontrei. Portanto, antes de continuar lendo, pense bem, pois algumas pessoas poderiam se sentir ofendidas, o que não é minha intenção.

A visita à igreja de minha irmã me surpreendeu pelo fato de um pastor, que deveria ensinar o amor, que só ensinava as pessoas a serem interesseiras e egoístas. Quando eu disse ao irmão da igreja que eu desejava igualdade no mundo, eu apenas expressei o que eu aprendi na Bíblia, que nos ensina a amar os outros como a nós mesmos.

Inclusive, até o "Pai Nosso" nos ensina a preocupar-nos com os outros sempre. O pedido no "Pai Nosso" é "livra-nos do mal" e não "livra-me do mal".

Os religiosos dessas igrejas encontram várias partes na Bíblia que ensinam a juntar tesouros na terra. Assim como um pastor encontrou uma passagem bíblica em que Deus mandava adulterar. É sério! Passou no Fantástico. Veja no vídeo abaixo.



Falar o quê? Da mesma forma, duas pastoras encontraram justificativa na Bíblia para traírem os maridos e depois se casarem uma com a outra. Ativistas do movimento gay, observem que eu não estou dizendo que a Bíblia é contra casamento gay, mas CLARAMENTE é contra Adultério!

O caso das pastoras também é sério. Eu não estou brincando. Veja notícias sobre elas, no link abaixo:

Lanna e Rosania: Alices no país das maravilhas


Eu me pergunto como os evangélicos SÉRIOS aceitam tanta hipocrisia e cara de pau. Tamanha cara de pau não tem justificativa. Por isso que eu não quero nada com religião, apesar de respeitar muito quem segue.

É muito bacana que qualquer pessoa tenha o direito de fundar uma religião, mas seria MAIS JUSTO se houvesse uma melhor educação em nosso mundo, pois assim esses charlatões caras de pau não enganariam tanta gente, com tanta facilidade...

(Postagem número 1000)

3.9.14

Fui para a igreja me encontrar com Deus e me encontrei com o Diabo (Rituais II)

Eu estou publicando esta história apenas para relatar parte de minhas experiências com religião e como isso pode ter me afetado emocionalmente. Se você for religioso, pense bem antes de continuar lendo, pois talvez você se sinta ofendido, o que não é meu objetivo.

Este episódio de minha vida aconteceu entre os anos 2005 e 2008. Não tenho a data exata agora. Minha irmã me convidou para visitar a igreja dela. Primeiro eu fui numa espécie de grupo. O mediador do grupo dizia que Jesus podia realizar todos os desejos de cada um de nós. Num momento ele me perguntou qual era o meu desejo. Eu fiquei pouco decepcionado quando ele me disse que o desejo que eu tinha não poderia ser realizado por Jesus. Eu disse que queria o fim da fome no mundo, e o fim das desigualdades no mundo.

"Tem que ser um desejo pessoal, só para você! Tipo, um bom emprego, um casamento, ganhar muito dinheiro, um carro novo, esse tipo de coisa!"

Apesar de eu ter ficado um pouco decepcionado, fiquei para ver o culto que começava pouco depois. Nunca mais vou esquecer o culto...

Antes de começar os serviços, eles ligaram um telão bem ao lado do púlpito, dentro da igreja, nesse telão apareceu um homem disfarçado de diabo. O homem dava umas risadas e dizia:
"Você que não dá o dízimo, está dando dinheiro para mim! Hahaha!"
Eu fiquei simplesmente HORRORIZADO. É verdade que a igreja precisa de dízimos, pois a igreja tem despesas, é preciso limpar a igreja, pagar energia elétrica, etc. E para pagar essas contas, evidentemente é totalmente justo que os membros paguem alguma coisa, sem mencionar que a importância do dízimo é mostrada na Bíblia, tanto no velho quanto no novo testamento. Mas eu tinha ido a igreja para assistir a uma pregação, ouvir falar sobre Deus, e não para ver o Diabo! Que isso! Aquela igreja era enorme, riquíssima! Com certeza não precisava desse tipo de apelação para conseguir dízimo!

Mas a pregação logo chegou. A mensagem era para os jovens. Então o pastor explicava para as jovens:
"Esqueçam o romantismo! Romantismo e amor são coisas de novela! Vocês devem procurar um homem que tenha muito dinheiro!"
Sem brincadeira... essa era a base do sermão dele. Eu estava horrorizado de novo. Mas ao mesmo tempo sentia pena dele, que pelo jeito tinha COMPRADO uma esposa. E pelo jeito ele queria INDUZIR as meninas da igreja a casarem com o filho dele, que obviamente era milionário. (Não sei se tal pastor tem filho, mas se tiver, será milionário, lógico.) Dizer o quê?

Eu saí da igreja REVOLTADO. Nunca tinha visto tanto desrespeito a Deus, ao amor e à religião, pois já li a respeito do satanismo, e eles respeitam a Deus mais do que isso. Sem brincadeira, eu queria processar esse cara por DESRESPEITO À RELIGIÃO, que é um crime. Uma pessoa tem o direito de criar uma religião, mas aquilo me parecia puro oportunismo, e isso já é passar dos limites! A filha de minha irmã, coitada, era uma criança ingênua:
"Ele quer processar o coitadinho do pastor!"
Evidentemente eu estava nervoso e indignado diante de tamanho desrespeito ao povo e a Deus. O que eu ia conseguir contra o poderosíssimo dono de uma igreja que parecia um castelo?

Naquele dia, a banda da igreja também estava lá, estava cantando seu grande sucesso, Deus de Promessas, entre outras canções.

1.9.14

Rituais (A verdadeira vida de Ezequiel)

Este mês que passou, eu tirei para tomar algumas decisões. Mas antes de ir a elas eu precisava publicar um capítulo importante de minha vida.

Nos anos e meses antes de eu ser internado no manicômio, eu mantinha uma rotina de estudos de idioma, mas como eu não gostava de chamar muita atenção, eu evitava ao máximo que percebessem que eu estudava vários idiomas, e só deixava às claras que eu estudava inglês. De fato, eu estudava um idioma estrangeiro para cada dia da semana, estudando os cinco idiomas estrangeiros mais populares. O meu estudo de inglês era através de filmes, de cursos de idiomas na TV aberta, através de manuais de instruções de produtos estrangeiros e através de música.

Um de meus irmãos me emprestava manuais em idiomas estrangeiros que serviam aos meus estudos. E também permitia que eu usasse o quarto dele quando ele não estava para ouvir seus CD's estrangeiros...

Esse irmão às vezes era bem receptivo e hospitaleiro nesse quarto, e me incentivava a estudar inglês lá. A forma que eu estudava inglês era ouvindo músicas em inglês principalmente "Rock", "Hard Rock", e algumas bandas de "Heavy Metal", se não me engano. O quarto tinha sido pintado de escuro. Sempre havia uma vela de sete dias, enxofre era espalhado por vários cantos do quarto, e havia uma caveira, uma caveira de gesso, se não me engano.

Eu achava que não tinha nada de mais, ou melhor, talvez eu quisesse acreditar que eu achava que não tinha nada de mais, pois, talvez para o meu sub-consciente, significasse muito mais do que eu admitiria.

Na primeira vez em que eu fui internado, em 1999, eu ligava o rádio da sala e nada acontecia. E aí quando eu ligava a TV, o rádio funcionava mas a TV não. E quando eu ia e desligava o rádio a TV acendia. Hoje eu me pergunto, o que aconteceu com os aparelhos da sala não foi simplesmente minha mente e movimentos que tenham ficado acelerados, e que talvez os aparelhos estivessem ligando normalmente, e talvez eu apenas me precipitasse, não dando tempo para os aparelhos ligarem por completo?

Já em 2001, a coisa já se tornava mais complexa. Em 1999, os aparelhos ficavam estranhos e imprevisíveis. Em 2001, foram as pessoas que ficaram estranhas. Eu pensei, pensei, e talvez não consiga descrever bem com palavras, mas deixo dois vídeos que ajudarão as pessoas a terem uma ideia.

coloque-se no lugar de Denzel Washington no filme "Possuídos" (Fallen) e você terá uma ideia de como eu me senti. Exatamente como o Denzel Washington no filme.



E os olhos das pessoas sofriam algumas alterações, como vemos nos olhos das pessoas que aparecem no vídeo abaixo da série "Sobrenatural".




8.6.14

Quando eu fui injusto com algumas pessoas

Em alguns momentos de minha vida eu fui totalmente injusto com outros. Por exemplo, uma vez em que eu fui demitido por falar um palavrão. Eu era muito jovem, e essa atitude injusta de minha parte para com aquele colega de trabalho da época foi causada pela minha juventude e imaturidade, e não por esquizofrenia, transtorno bipolar ou algo assim.

Mas pouco antes de eu ter sido internado pela primeira vez eu fui demitido, e o motivo que levou a minha demissão me enche de alegria:
Eu fui demitido por me recusar a fazer algo totalmente ilegal. Esse momento de minha demissão é uma das melhores lembranças de minha vida, não que eu tenha ficado feliz de ter sido demitido, mas por eu com toda frieza ter me recusado a fazer algo ilegal e ter me mantido FIRME nessa decisão, até o final, sem hesitar e sem me importar com as consequências. O chefe da farmácia onde eu trabalhava tinha me mandado comprar uma medicação CONTROLADA em outra farmácia com uma receita que ele tinha acabado de falsificar, e eu tinha visto a falsificação. Eu acreditava que eu não tinha nada a ver pelo fato de ele fazer coisas irregulares, mas querer que eu faça, aí já é demais! Eu era empregado dele, e não capanga dele!
- Ezequiel, pega esta receita e vá comprar esta medicação.
- Senhor, essa é uma receita falsificada, isso é contra a Lei. Eu não vou fazer algo ilegal.
- Eu sou o patrão e estou dando uma ordem! Você vai sim!
- O Senhor não pode me dar ordens para fazer coisas ilegais. A LEI diz que não se pode fazer isso e eu não vou fazer. Eu não sou criminoso.
(Hoje em dia eu fico rindo, imaginando como ele deve ter se sentido ao ouvir palavras como essas. Eu praticamente o chamei de CRIMINOSO! Eu costumava me exaltar, mas nesse momento eu falei com toda a calma, o que deve tê-lo revoltado mais ainda!)
Na época eu realmente fiquei muito triste, pois achava um absurdo alguém ser demitido por honestidade.

Não é fácil querer ser honesto num país como o Brasil, que tem a tradição de proteger ou esconder criminosos internacionais, como fez com Ronald Biggs e com Josef Mengele.

Eu em minha vida várias vezes fui injusto com outras pessoas, parece-me que isto é humano. Mas eu não fui injusto para tirar vantagem de ninguém.

Hoje em dia, mais maduro, eu não me preocupo muito quando meus erros me prejudicam, mas me preocupo muito quando esses erros prejudicam outros que sequer estavam envolvidos na situação...

7.6.14

A morte de Ademar Valentim de Andrade, no manicômio

Ademar Valentim de Andrade foi meu tio Neném. Ele morreu no manicômio no dia 28 de maio de 1993. Em 1996, a funerária mandou uma carta para tratar da exumação. Aí os irmãos de meu tio não quiseram nem olhar para carta. Eu fiquei com a carta. Daí já dava para ver a indiferença. Eu tinha 16 anos quando ele morreu e 19 anos quando a carta chegou, e pude perceber como um empurrava a carta para outro, querendo evitar qualquer compromisso.


Clique aqui para ver a carta sobre Ademar Valentim de Andrade em outra janela, onde você poderá clicar de novo para ver em tamanho gigante.

Por isso luto pelos Direito Humanos, e tento conscientizar essa família que é necessário mudar a forma que tratam pacientes psiquiátricos. Como eu disse antes, pegavam até o salário do benefício de meu tio paciente psiquiátrico, e quando ele morreu no manicômio, nenhum familiar moveu uma palha para protestar contra a forma absurda em que ele morreu. Eu gostaria de escrever mais, mas estou SUPER CANSADO, e além do mais, algumas funções do computador estão falhando. (Corrigindo: eu descobri que o problema não é do computador, é do blogger.com. Espero que seja um problema passageiro.)

Acho que nunca trabalhei tanto em toda minha vida, e de uma forma tão solitária.

28.5.14

A repressão das famílias de pacientes psiquiátricos (2)

O objetivo principal que me leva a escrever esse blog é a defesa dos Direitos Humanos. E, infelizmente, ainda serão necessárias muitas mudanças para que os Direitos Humanos sejam garantidos aos pacientes psiquiátricos.

Infelizmente, repressões e preconceitos das próprias famílias de pacientes psiquiátricos afastam mais ainda os Direitos Humanos dos pacientes psiquiátricos. Como eu disse anteriormente, meu tio Neném era paciente psiquiátrico quando eu era menor de idade, e um irmão dele tomava conta do dinheiro da aposentadoria dele, e esse irmão de meu tio Neném não trabalhava e vivia do dinheiro de meu tio Neném. O único que se indignava com isso era o meu falecido irmão Bebeto, o único de meus irmãos que tinha algum código de honra, como eu já tinha dito.

Meu tio Neném morreu no manicômio no dia 28 de maio de 1993. Quando eu comentei com um outro irmão sobre a morte horrível de meu tio, no manicômio. Esse meu irmão disse, para o meu espanto:
"Ele morreu porque já estava velho."
Se ele morreu de causas naturais, não seria MAIS HUMANO que ele fosse antes mandado para um hospital geral, em vez de um manicômio?
Só digo uma coisa para esse meu irmão:
Você deveria ser jogado num manicômio quando ficasse velho, para morrer lá; talvez ao presenciar o terror do manicômio você vire homem, e volte homem na próxima vida. O seu tio morreu num manicômio mas sua avó e sua mãe ficaram vivas e você fala uma tolice dessas. Mesmo se você morresse no manicômio como o meu tio, você ainda NUNCA teria noção do sofrimento de meu tio. Você teve acesso a direitos que foram negados ao meu tio.

Ao meu tio Neném não foi negado apenas o direito de usufruir de seu próprio dinheiro para ter uma casa, não foi negado apenas uma parte do quintal, que todos os irmãos dele tiveram uma parte, mas foi negado mais do que isso:
Foi negado não apenas o direito de casar, mas foi negado até o direito de investir emocionalmente num relacionamento amoroso, não daria nem para tentar, pois como ele ia paquerar uma mulher se sequer tinha direito de mexer no próprio dinheiro? Como que ele ia poder investir na constituição de sua própria família se não lhe deixavam sequer manusear seu próprio dinheiro?

20.5.14

A repressão das famílias de pacientes psiquiátricos

Segundo meu diário, meu tio Neném morreu no manicômio no dia 28 de maio de 1993. Foi uma prima que foi lá em casa dar a notícia para mim. Eu tinha 16 anos de idade. Eu observava como ele era tratado pela família quando era vivo.

A minha vó morava de frente para a rua, mas minha mãe morava no morro. Um outro tio morava no morro também, mas morava um pouco mais no baixo que minha mãe. Todos moravam no número 17, porém minha mãe morava mais no alto, minha vó no baixo e meu outro tio no meio. Parecia um arranjo normal. Exceto por um detalhe:
O único que não tinha casa era o nosso tio Neném, e ele não era o que menos trabalhava... quando não estava no manicômio, ele tomava conta da barraca da vovó. Eu me perguntava porque ele não tinha casa. A resposta, infelizmente, hoje em dia eu sei:
essa minha família parece acreditar que quem tem transtorno mental tem menos direitos. Hoje em dia, eu sinto isso na pele.

Depois de fazer um trabalho que eu considerei bom como instrutor de informática dentro do CAPS, eu tinha decidido continuar meu trabalho de inclusão social em casa. Eu imaginei que depois de eu ter aparecido no jornal como mostra da eficiência de meu trabalho de inclusão, que eu não enfrentaria nenhuma dificuldade da parte das pessoas da família.

9.5.14

"Mais Sacanas do Lagartixa"

"Mais Sacanas do Lagartixa" foi o título da revista em quadrinhos que eu fiz do personagem Lagartixa, que eu terminei quando tinha 20 anos, em 1997. Abaixo, a capa desta revista, que buscava sempre CONSCIENTIZAR as pessoas sobre a importância de usar camisinha, e evitar promiscuidade. Isso fica evidente já na capa. Eu coloquei várias cenas quentes na revista, por isso, já coloquei na capa uma dica do que aparece dentro da revista.


Para ver a capa em tamanho gigante, basta clicar aqui para abri-la em outra janela do navegador, onde você poderá clicar de novo para ampliar a capa.


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27.4.14

Irmãos Metralhas e Turma da Mônica (A verdadeira vida de Ezequiel)

Eu peço licença a Walt Disney e a Maurício de Sousa para publicar alguns quadrinhos que eu fiz dos personagens deles.


Clique aqui para ver A estória dos Irmãos Metralhas em outra janela, onde você poderá clicar e ver em tamanho bem maior.


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Esta estória dos Irmãos Metralhas ficou incompleta. Eu criei o roteiro e os desenhos em 1994, quando eu tinha 17 anos, mas a estória ficou apenas no lápis, ou seja, eu não fiz a ARTE FINAL.

A estória do Cascão eu fiz em 1996; também ficou incompleta.


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Porém, eu completei o roteiro e os desenhos da história da Turma da Mônica, ficando faltando apenas a arte final.


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Como eu tinha dito antes, eu primeiro planejava ter minha própria revista em quadrinhos, mas mudei de ideia ao ver o montão de trabalho que eu ia ter que fazer só para desenhar a altura de minha imaginação, e eu não gostava TANTO assim de desenhar. Mas ainda assim, eu pensava em tentar publicar algumas estórias de personagens famosos como a Turma da Mônica e os Irmãos Metralhas.

Eu sempre segui meus objetivos com firmeza até o fim, mas ao ser enfiado no hospício em 1999, eu percebi que infelizmente, não seria mais possível persegui com meus objetivos. Não que eu tivesse perdido a disposição, mas simplesmente porque quem é jogado no manicômio da forma que eu fui, passa a sofrer uma série de restrições gerada pelos preconceitos das pessoas ao redor. Não queriam me deixar nem ir ao banheiro sozinho, imagine o resto.

Quando eu falo que perdi minha juventude por causa dos tratamentos errados da psiquiatria, não estou falando que estou me sentindo velho. Estou dizendo que eu fui PRIVADO de fazer minhas próprias escolhas aos 23 anos; que eu não pude fazer, por estar sendo tratado como um bicho.

Por isso eu troquei todos os objetivos que eu tinha até então por um objetivo principal:
Lutar até o fim para que haja tratamento digno para todos pacientes psiquiátricos.


Músicas da Turma da Mônica