Eu não pretendia contar a história dos abusos sexuais acontecidos em minha família. Não é fácil arranjar a coragem para contar tal história.
Eu contei aqui que meu irmão, 5 anos mais velho que eu, abusava sexualmente de irmãos mais novos quando adolescente e foi preso depois de adulto, em flagrante, por estupro. Já o meu outro irmão abusava sexualmente da filha e da enteada e foi expulso do bairro onde ele morava quando todos os vizinhos descobriram isso. Revoltados, os milicianos o expulsaram do bairro e disseram que o matariam se ele voltasse lá. Sem ter onde morar, esse meu irmão veio morar na casa de minha mãe, comigo!
Da mesma forma, o meu irmão que tinha sido preso por estupro também veio a morar na casa de minha mãe, comigo! Esse meu irmão que foi preso por estupro era casado (amasiado) e morava em outro lugar, onde a mulher dele o sustentava. E infelizmente, eu suspeito que esse irmão que foi preso por estupro veio para minha casa fugindo de alguma coisa muito errada que ele fez onde morava. Queria ver algum outro irmão aceitar que esses indivíduos fossem morar com eles. (Todos meus irmãos casaram.)
Eu trabalhei no CDI com um ex-presidiário chamado Ronaldo Monteiro, e esse ex-presidiário achava importante falar sobre o crime que cometeu para prevenir os jovens, para que não entrem no mundo do crime. O cara é um exemplo.
Porém a postura de meus irmãos é inversa. Eu aceitei que eles viessem morar conosco, mas fiquei revoltado quando vi que eles culpam suas vítimas! Se eles acham que o que eles fizeram é certo, é LÓGICO que eles poderão voltar a fazer. E isso me preocupa muito.
Respondendo a alguns comentários amigáveis:
Eu já teria me afastado de minha família desde o momento em que eu escrevi o primeiro texto sobre abuso sexual, pois eu o escrevi quando a situação com os familiares já estava insuportável. O que me mantém em casa é o senso de responsabilidade. Do contrário, eu iria morar na rua, que seria bem melhor, garanto para vocês.
Eu realmente preciso passar algum exemplo positivo para os meus sobrinhos e para os mais novos. Muito de meus sobrinhos já se envolveram em crimes. Um sobrinho meu foi assassinado a facadas. Eu contei aqui o momento em que um sobrinho meu apanhou de policiais em minha presença. (Eu estava em outro cômodo da casa e ouvi os policiais batendo nele.) Depois esse sobrinho me disse "você sabe que eu levo essa vida por causa de seu irmão."
Meus sobrinhos não se envolveram em crimes sexuais, mas eles têm o péssimo exemplo de um pai que abusava de suas irmãs e um tio que foi preso por estupro. Por esse motivo eu luto para continuar em casa, pois é a única forma de ainda lutar para melhorar essa família de alguma forma.
Também mostrei que minha família era pobre, meu pai era distante, etc, para que as pessoas entendam que muitos enveredam para o crime não apenas por maldade, mas também por falta de condições e falta de estrutura familiar. E também preciso mostrar que pacientes psiquiátricos na maioria das vezes são vítimas. A minha voz é necessária para falar por outros que não tiveram minha sorte.
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Crônicas e textos sobre saúde mental. Por melhores formas de tratamento do sofrimento psíquico. Pelo fim das internações psiquiátricas involuntárias. Por exames laboratoriais antes da prescrição de psicotrópicos. Pela promoção de tratamentos alternativos. Pelo cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo fim dos abusos sexuais e exploração infantil.
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14.4.13
8.7.12
Uma pena ter que despertar de um sonho de mel...
Eu acordei na Suíça, numa residência luxuosa, em Davos. Da janela eu via as montanhas verdejantes da Suíça. Bem ao lado da residência havia um lago, onde eu podia ver pessoas praticando esportes, da maneira mais livre possível, livres de roupas, apesar de não fazer calor.
Nas ruas, grande movimentação política.
E do meu lado, uma bela morena.
Este foi meu sonho de sábado para domingo.
Chato ter que sair de um sonho de mel, direto para uma realidade cruel, para não dizer, um PESADELO.
Dos comentários de CATHERINE sobre pacientes psiquiátricos, ela tem razão a meu respeito quando diz "Entendo perfeitamente porque alguns pacientes preferem continuar internados em hospitais ou dormir nas ruas e abandonar família, do que estar em um lar onde ele não pertence."
Com certeza, eu não pertenço a essa família. Mas não porque "a família que não soube estender a mão".
Essa família abusou de mim durante toda a minha infância e adolescência. Estou falando de abusos sexuais, agressões covardes, e outras coisas comuns a familiares inseguros, que se sentem ameaçados diante de alguém mais novo e mais determinado. eu sofri abusos de MAIS DE UM FAMILIAR, aí você vê a complicação.
Enfim, uma família marcada por abusos, pois outros da família também sofreram abusos. Pois como eu costumo dizer, doença mental é PROBLEMA DE FAMÍLIA.
As grandes vítimas de abusos em família são meninas e meninos mais novos, por serem mais indefesos e inocentes. Pois quem abusa É COVARDE.
Por isso, é lógico que não me sinto a vontade diante de quem abusou de mim e passou a vida toda me jogando para baixo.
Quanto ao sistema psiquiátrico, ele é ERRADO, não há dúvidas.
Havia a colônia da Ilha do Diabo, que era para os excluídos da lepra. É uma vergonha que hoje haja colônias que excluem doentes mentais, colônias que excluem pacientes psiquiátricos.
Quando os pacientes não são excluídos em asilos de fachada, como os CAPS, por exemplo, são excluídos em residências terapêuticas.
Existem colônias de pacientes psiquiátricos, como a Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.
Isso é uma vergonha.
Mas esta situação VAI MUDAR.
Nas ruas, grande movimentação política.
E do meu lado, uma bela morena.
Este foi meu sonho de sábado para domingo.
Chato ter que sair de um sonho de mel, direto para uma realidade cruel, para não dizer, um PESADELO.
Dos comentários de CATHERINE sobre pacientes psiquiátricos, ela tem razão a meu respeito quando diz "Entendo perfeitamente porque alguns pacientes preferem continuar internados em hospitais ou dormir nas ruas e abandonar família, do que estar em um lar onde ele não pertence."
Com certeza, eu não pertenço a essa família. Mas não porque "a família que não soube estender a mão".
Essa família abusou de mim durante toda a minha infância e adolescência. Estou falando de abusos sexuais, agressões covardes, e outras coisas comuns a familiares inseguros, que se sentem ameaçados diante de alguém mais novo e mais determinado. eu sofri abusos de MAIS DE UM FAMILIAR, aí você vê a complicação.
Enfim, uma família marcada por abusos, pois outros da família também sofreram abusos. Pois como eu costumo dizer, doença mental é PROBLEMA DE FAMÍLIA.
As grandes vítimas de abusos em família são meninas e meninos mais novos, por serem mais indefesos e inocentes. Pois quem abusa É COVARDE.
Por isso, é lógico que não me sinto a vontade diante de quem abusou de mim e passou a vida toda me jogando para baixo.
Quanto ao sistema psiquiátrico, ele é ERRADO, não há dúvidas.
Havia a colônia da Ilha do Diabo, que era para os excluídos da lepra. É uma vergonha que hoje haja colônias que excluem doentes mentais, colônias que excluem pacientes psiquiátricos.
Quando os pacientes não são excluídos em asilos de fachada, como os CAPS, por exemplo, são excluídos em residências terapêuticas.
Existem colônias de pacientes psiquiátricos, como a Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.
Isso é uma vergonha.
Mas esta situação VAI MUDAR.
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