Muitos usuários de saúde mental, ex-pacientes psiquiátricos me confidenciaram ter sofrido ameaças de políticos de saúde mental.
O interessante é que são ameaças por coisas simples que ex-pacientes psiquiátricos disseram.
Algumas ameaças vieram quando alguns ex-pacientes psiquiátricos questionaram para onde estava indo dinheiro que deveria ser revestido para usuários de saúde mental (que geralmente some no ar).
Mas as ameaças são assustadoras! Parece uma daquelas ameaças de mafiosos!
Para garantir a segurança dos ex-pacientes psiquiátricos que me fizeram tais confidências vou fazer o máximo para não deixar transparecer quem são esses ex-pacientes psiquiátricos.
O interessante é que esses políticos de saúde mental são todos psiquiatras e outros profissionais de saúde mental.
Interessante que esse pessoal que deveria cuidar e acalentar ex-pacientes psiquiátricos desandam a fazer ameaças contra aqueles que deveriam proteger.
É, fica uma pouquinho difícil haver Reforma de verdade quando querem calar nossa boca.
Por isso que eu digo que pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos precisam de advogados para defendê-los.
Esses covardões ameaçam esses ex-pacientes psiquiátricos porque eles não estão bem preparados para proceder diante de ameaças.
Uma das formas de se proteger seria falar da ameaça para o máximo de pessoas possível.
E falar para um advogado, é claro.
Daí a necessidade de termos advogados. Aí o motivo porque advogado nunca foi considerado importante para usuários de saúde mental na Reforma Psiquiátrica brasileira. (Pois Reforma Psiquiátrica é uma questão jurídica, é claro!) Se por acidente surgisse um advogado bem intencionado isso ia causar um montes de problemas para os poderosos exploradores.
(Entenda, nem adianta, por exemplo, ter psiquiatras bem intencionados, pois eles não entendem bem de direito, como eles poderiam ajudar?)
Mesmo quando não há ameaças diretas muitos ex-pacientes psiquiátricos ficam com medo dos chefãos da saúde mental porque esses ex-pacientes psiquiátricos têm medo de serem "queimados".
Eles me contam sobre vários ex-pacientes psiquiátricos que foram queimados por falar demais. Nossa! Que máfia! Os poderosos da saúde mental são vingativos.
Mas fazer ameaças aos meus irmãos é como me ameaçar. É claro que eu vou cobrar pelas ofensas.
Crônicas e textos sobre saúde mental. Por melhores formas de tratamento do sofrimento psíquico. Pelo fim das internações psiquiátricas involuntárias. Por exames laboratoriais antes da prescrição de psicotrópicos. Pela promoção de tratamentos alternativos. Pelo cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo fim dos abusos sexuais e exploração infantil.
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9.7.10
12.6.10
A Reforma da Reforma Psiquiátrica
Queria sim, e muito, voltar para o sanatório. Lá era o meu lugar, um esconderijo perfeito para mim - um louco.
Austregésilo Carrano Bueno.
Coloquei esta citação do Carrano para admitir que por várias vezes me arrependi de sair do hospício também. Aquele era meu lugar, sem dúvida.
Hoje eu só fico feliz de ter decidido sair do hospício por saber a reviravolta que esta Reforma Psiquiátrica exploradora deu.
Pois sei que se eu me entregasse às vantagens de viver no mundo permanente dos chamados pacientes psiquiátricos graves irrecuperáveis os irresponsáveis que estão a frente da Reforma Psiquiátrica me jogariam na mão de meus familiares.
E aí eu estaria causando um sofrimento injusto aos familiares, que não têm condições de cuidar de um paciente grave que sequer consegue interagir com o mundo externo.
Aí eu me lembro de vários familiares de outros pacientes psiquiátricos que foram forçados a receber em casa seus parentes mesmo sem ter condições.
É que parece que a Reforma Psiquiátrica está fazendo uma coisa bonita ao jogar pacientes psiquiátricos que eles não conseguiram recuperar nas mãos dos familiares.
Na verdade eles são muito covardes. Fazem isso para se livrar do paciente psiquiátrico e jogar a responsabilidade do cuidado na mão de familiares.
Os familiares com certeza cometeram muitos erros contra seus parentes doentes mentais, mas mesmo assim não merecem tal castigo.
Entenda que tais pacientes psiquiátricos graves precisam de cuidados médicos constantes.
Pacientes psiquiátricos graves precisam constantemente de enfermeiros.
Apenas uma Reforma Psiquiátrica criminosa jogaria pessoas que precisam de cuidados médicos constantes na mão de familiares. É muita covardia.
Aí quando os familiares não conseguem tratar bem eles perseguem e ameaçam os familiares.
Talvez você não tenha ideia, mas isso é uma GRANDÍSSIMA covardia.
As pessoas NUNCA deveriam ser mandadas para o cuidado dos familiares sem sequer conseguir interagir com o mundo externo.
Daí que precisamos de fazer uma REFORMA nesta Reforma Psiquiátrica covarde.
Austregésilo Carrano Bueno.
Coloquei esta citação do Carrano para admitir que por várias vezes me arrependi de sair do hospício também. Aquele era meu lugar, sem dúvida.
Hoje eu só fico feliz de ter decidido sair do hospício por saber a reviravolta que esta Reforma Psiquiátrica exploradora deu.
Pois sei que se eu me entregasse às vantagens de viver no mundo permanente dos chamados pacientes psiquiátricos graves irrecuperáveis os irresponsáveis que estão a frente da Reforma Psiquiátrica me jogariam na mão de meus familiares.
E aí eu estaria causando um sofrimento injusto aos familiares, que não têm condições de cuidar de um paciente grave que sequer consegue interagir com o mundo externo.
Aí eu me lembro de vários familiares de outros pacientes psiquiátricos que foram forçados a receber em casa seus parentes mesmo sem ter condições.
É que parece que a Reforma Psiquiátrica está fazendo uma coisa bonita ao jogar pacientes psiquiátricos que eles não conseguiram recuperar nas mãos dos familiares.
Na verdade eles são muito covardes. Fazem isso para se livrar do paciente psiquiátrico e jogar a responsabilidade do cuidado na mão de familiares.
Os familiares com certeza cometeram muitos erros contra seus parentes doentes mentais, mas mesmo assim não merecem tal castigo.
Entenda que tais pacientes psiquiátricos graves precisam de cuidados médicos constantes.
Pacientes psiquiátricos graves precisam constantemente de enfermeiros.
Apenas uma Reforma Psiquiátrica criminosa jogaria pessoas que precisam de cuidados médicos constantes na mão de familiares. É muita covardia.
Aí quando os familiares não conseguem tratar bem eles perseguem e ameaçam os familiares.
Talvez você não tenha ideia, mas isso é uma GRANDÍSSIMA covardia.
As pessoas NUNCA deveriam ser mandadas para o cuidado dos familiares sem sequer conseguir interagir com o mundo externo.
Daí que precisamos de fazer uma REFORMA nesta Reforma Psiquiátrica covarde.
4.6.09
Reforma psiquiátrica X Internação
Na publicação do dia 4 de junho de 2009 eu divulguei aqui um programa especial que ia passar na TV no dia 10 de junho. O programa foi adiado para dia o 17 de junho. Foi um debate sobre a reforma psiquiátrica. Participaram do debate Iracema Polidoro em defesa da Reforma Psiquiátrica e Ferreira Gullar contra a Reforma.
Iracema Polidoro é familiar de doente mental há muito respeitada por sua luta em defesa dos usuários de saúde mental. Ela é presidente da Associação de Parentes e Amigos dos Pacientes do Complexo Juliano Moreira (Apacojum). Está defendendo a Luta Antimanicomial há décadas. Ferreira Gullar é um poeta. Talvez você conheça. Pois eu só vim a conhecê-lo depois que eles escreveu uns artigos polêmicos defendendo internação psiquiátrica. Veja abaixo os artigos mais polêmicos dele.
"A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão “burguesa” para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias “avançadas” ou “libertárias”, quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que “as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles”. E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: “Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu”.
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra “manicômio”, já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou “solitárias” para segregar o “doente furioso”. Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de “repressão burguesa”, resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre."
Para ver o artigo abaixo em tamanho maior clique nele.
Veja na página da revista Época Doi internar um filho. Às vezes não tem outro jeito
Se você leu os textos vai concordar comigo que Ferreira Gullar foi muito infeliz no que disse. Ele chegou a chamar Paulo Delgado de idiota. Para quem não sabe, Paulo Delgado é o autor da lei 10.216.
A lei 10.216 é ótima. O grande problema é que ela não é respeitada. Não é seguida. Mas eu concordo com ele quando ele diz que muitos pacientes estão virando mendigos, etc. Isso acontece pelo não cumprimento da lei 10.216. O que tipos como Ferreira Gullar deveriam fazer era usar seu grande talento para lutar para que a lei seja cumprida.
Para quem não sabe existe o CAPS III, que serve para substituir os antigos hospitais psiquiátricos. Os CAPS III devem ter leitos psiquiátricos, onde os pacientes poderão receber assistência sem ter que ficar dias ou meses internado. O único problema é que os CAPS III existem em pouquíssimos lugares. Por enquanto é só um projeto.
(NA ÉPOCA EM QUE ESTA PUBLICAÇÃO FOI FEITA NÃO HAVIA NENHUM CAPS III NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. PORÉM, HOJE EM DIA, EM MAIO DE 2013, JÁ EXISTE UM CAPS III NO ALEMÃO E OUTRO NA ROCINHA, NO RIO DE JANEIRO. PORÉM PARA QUE A IDEIA DOS CAPS III REALMENTE FUNCIONE SERÁ NECESSÁRIO TRANSFORMAR TODOS OS CAPS MENORES EM CAPS III E SUBSTITUIR O MÁXIMO POSSÍVEL HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS POR CAPS III. MAS OUTROS PROBLEMAS GRAVES SURGIRAM: É INSUFICIENTE O NÚMERO DE PSIQUIATRAS NOS CAPS. NÃO É POSSÍVEL HAVER UM BOM ATENDIMENTO SEM PESSOAL.)
Eu continuarei falando sobre isso. Pelo jeito Ferreira Gullar escreveu aqueles absurdos simplesmente por estar mal informado.
Iracema Polidoro é familiar de doente mental há muito respeitada por sua luta em defesa dos usuários de saúde mental. Ela é presidente da Associação de Parentes e Amigos dos Pacientes do Complexo Juliano Moreira (Apacojum). Está defendendo a Luta Antimanicomial há décadas. Ferreira Gullar é um poeta. Talvez você conheça. Pois eu só vim a conhecê-lo depois que eles escreveu uns artigos polêmicos defendendo internação psiquiátrica. Veja abaixo os artigos mais polêmicos dele.
Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia
"A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão “burguesa” para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias “avançadas” ou “libertárias”, quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que “as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles”. E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: “Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu”.
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra “manicômio”, já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou “solitárias” para segregar o “doente furioso”. Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de “repressão burguesa”, resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre."
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Veja na página da revista Época Doi internar um filho. Às vezes não tem outro jeito
Se você leu os textos vai concordar comigo que Ferreira Gullar foi muito infeliz no que disse. Ele chegou a chamar Paulo Delgado de idiota. Para quem não sabe, Paulo Delgado é o autor da lei 10.216.
A lei 10.216 é ótima. O grande problema é que ela não é respeitada. Não é seguida. Mas eu concordo com ele quando ele diz que muitos pacientes estão virando mendigos, etc. Isso acontece pelo não cumprimento da lei 10.216. O que tipos como Ferreira Gullar deveriam fazer era usar seu grande talento para lutar para que a lei seja cumprida.
Para quem não sabe existe o CAPS III, que serve para substituir os antigos hospitais psiquiátricos. Os CAPS III devem ter leitos psiquiátricos, onde os pacientes poderão receber assistência sem ter que ficar dias ou meses internado. O único problema é que os CAPS III existem em pouquíssimos lugares. Por enquanto é só um projeto.
(NA ÉPOCA EM QUE ESTA PUBLICAÇÃO FOI FEITA NÃO HAVIA NENHUM CAPS III NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. PORÉM, HOJE EM DIA, EM MAIO DE 2013, JÁ EXISTE UM CAPS III NO ALEMÃO E OUTRO NA ROCINHA, NO RIO DE JANEIRO. PORÉM PARA QUE A IDEIA DOS CAPS III REALMENTE FUNCIONE SERÁ NECESSÁRIO TRANSFORMAR TODOS OS CAPS MENORES EM CAPS III E SUBSTITUIR O MÁXIMO POSSÍVEL HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS POR CAPS III. MAS OUTROS PROBLEMAS GRAVES SURGIRAM: É INSUFICIENTE O NÚMERO DE PSIQUIATRAS NOS CAPS. NÃO É POSSÍVEL HAVER UM BOM ATENDIMENTO SEM PESSOAL.)
Eu continuarei falando sobre isso. Pelo jeito Ferreira Gullar escreveu aqueles absurdos simplesmente por estar mal informado.
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