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27.11.13

Apenas queria ser considerado ser humano

Ao sair da internação em 2001 eu não tinha grandes planos. Só queria chegar algum dia a ser considerado SER HUMANO. Pois obviamente as pessoas não eram tratadas com humanidade nos manicômios. (E hoje, em 2013, ainda não são.) Eu pretendia estudar, não para virar o melhor profissional, etc. Mas apenas para poder pagar minhas contas e poder viver dignamente. Que contas eu teria para pagar? "Para que trabalhar se você pode se aposentar?", me diziam. Isso porque essas pessoas não podiam me ver por dentro, pois se pudessem ver, veriam que não é tão simples assim.

Eu iniciei uma batalha para que houvesse melhoras nos atendimentos psiquiátricos, simplesmente porque, em toda minha vida, eu poderia uma vez ou outra voltar a ser internado como paciente psiquiátrico. Eu apenas queria que não houvesse mais esses manicômios, e que pacientes psiquiátricos fossem internados em hospitais gerais, COMO TODOS OS OUTROS PACIENTES de qualquer doença, sem discriminação, sem exclusão.

Na época que eu deixei o manicômio Sanatório Rio de Janeiro em 2001, eu tinha quatro dentes em condições horríveis que mal me deixavam mastigar. Um desses dentes estava apenas o toquinho. Por volta do ano 2003, um dentista tirou seus pedacinhos que estavam em minha gengiva como uma lâmina, o dentista teve que tirar os pedaços desse dente quebrado com uma pinça. Na saúde pública os dentistas disseram que não podiam fazer as três operações de canal que eu precisava. Comecei a fazer canal num plano de saúde dentário econômico, como dependente de um familiar. Infelizmente o serviço desse plano de saúde dentário deixava muito a desejar e o barato saía caro. Nenhuma operação de canal que eu precisava foi concluída nesse plano dentário baratinho.

Por fim, em 2008 aproximadamente, através de meu trabalho, eu consegui dinheiro para pagar uma operação de canal com um dentista sério. Ficou faltando fazer as outras duas operações de canal. Graças a honestidade de um perito, eu consegui escapar do golpe da aposentadoria que um familiar estava tentando dar. Se esse familiar conseguisse me interditar, eu ia ter que pedir permissão para tocar no dinheiro da aposentadoria, como fizeram com um tio meu. Nessas condições eu não ia poder nem pensar em pagar dentista, pois esse familiar é muito econômico e não ia querer gastar tanto.

Em 2009 eu já estava sem trabalho no bagunçado projeto de trabalho da saúde mental pública, logo não pude fazer as outras duas operações de canal, mas mantive a esperança de um dia me sentir gente, pois os dois dentes que precisavam de operação de canal estavam mutilados e logo o curativo caiu e não dava para mastigar com eles e só me restavam dois molares para mastigar, um embaixo e um em cima.

Ainda em 2009 eu já não pensava mais em trabalhar no projeto da saúde mental pública, pois sua irregularidade é intolerável. Pretendia dar aulas e fazer serviços de Internet. Eu não cobraria por esses serviços, pois muitas pessoas não poderiam pagar por suas condições econômicas, e eu queria que meus serviços fossem acessíveis a todos. Por isso decidi que eu apenas deixaria uma caixa para doações VOLUNTÁRIAS.

Eu pretendia oferecer meus trabalhos no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e em casa. Porém encontrei má vontade da parte dos funcionários do CAPS, o que impossibilitou que eu continuasse lá.

Encontrei um familiar que foi contra que eu trabalhasse em casa. Então fui estudar para fazer um vestibular público. Porém não me deixaram estudar. Nesse ano 2013, passei por constrangimentos terríveis dentro de casa. Num desses constrangimentos, pedreiros começaram a derrubar a janela da cozinha no momento em que eu preparava meu jantar e estudava ao mesmo tempo. Ninguém tinha me falado que iam tirar a janela. Pedi que parassem, mas eles disseram que tinha sido o familiar que tinha mandado. O familiar em questão não estava presente. Derrubaram a janela, apesar de meus protestos, o fogão ficou cheio de entulho, e eu tive que fazer minha comida e comer assim mesmo. Num outro momento os pedreiros começaram a quebrar uma parede em cima do quarto onde durmo, num sábado, feriado de Finados, às 8h da manhã, sem nenhum aviso prévio.

Esses pedreiros são do bairro, da vizinhança, e têm muito preconceito contra pacientes psiquiátricos. Me chamavam de maluco dentro de minha própria casa.

Por isso, decidi levar adiante meu projeto de fazer serviços de Internet onde estou morando, apesar de tudo. Vou oferecer os serviços, falar sobre péssimo tratamento dado a doentes mentais na saúde pública e deixar o endereço deste blog e direi que no blog eles encontrarão o número de minha conta para que façam doações. Essa foi a forma que eu encontrei para combater o grande estigma que existe contra pacientes psiquiátricos em minha vizinhança.
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5.11.13

Não criem estigmas contra a gente, pois já temos dificuldades suficientes

Ao pedir apoio na luta por melhorias no atendimento psiquiátrico público, nenhum familiar apareceu para me apoiar, mesmo depois de eu denunciar várias coisas erradas que aconteciam nas instituições psiquiátricas, várias coisas erradas que aconteciam no CAPS e nos hospitais psiquiátricos. Mas vários familiares têm falado para minha mãe vigiar meu comportamento, para ver se eu não estou agindo estranho.

Parece que querem vigiar para ver se eu estou triste ou alegre. Nenhum deles é profissional de saúde mental, esta atitude só causa transtornos e cria estigmas. E infelizmente, isso me causa um incômodo. Minha mãe fica tentando me encarar. Eu só digo para quem faz isso com pacientes psiquiátricos é que não é possível ver como uma pessoa se sente por dentro encarando a pessoa. Encarando um paciente psiquiátrico você só conseguirá incomodá-lo.

O que todas as famílias de pacientes psiquiátricos devem fazer é apoiá-los quando eles denunciarem maus atendimentos. O que você pode fazer para ajudar pacientes psiquiátricos é lutar para que haja exames gerais nos hospitais psiquiátricos e que haja exames laboratoriais para verificar as condições do organismo de cada paciente antes da prescrição de psicotrópicos.

Não é legal familiares próximos de pacientes psiquiátricos saírem contando as histórias dos surtos para parentes mais distantes, pois gera um estigma terrível. Deixem que o próprio paciente psiquiátrico conte. Vocês familiares de pacientes psiquiátricos deveriam conversar sobre cultura com os parentes mais distantes, conversem sobre música em vez de fofocar sobre nós pacientes psiquiátricos. Nós já temos dificuldades suficientes e não precisamos que criem mais estigmas.

Nota:
Eu não terei nenhum "surto psicótico", nem vou ser internado, mas se eu fosse internado eu não ia aceitar ficar no manicômio, não ia fazer nada no manicômio, não ia aceitar comer lá, nem nada. Nem preciso dizer que se eles tentassem me manter num manicômio eu ia morrer lá dentro, pois eu não comeria nenhuma refeição em um manicômio.

Só isso.

4.11.13

Criação de estigmas por familiares

No dia 2 de novembro, às 8 horas da manhã, um barulho enorme começou em cima do quarto onde eu durmo, na casa onde eu moro. O dia 2 de novembro foi sábado, feriado... O barulho foi aumentando, até ficar insuportável. Estavam quebrando alguma coisa no quarto acima do meu. Subi o caminho que leva para o quarto superior e vi que estava acontecendo exatamente o que eu tinha pensado. A porta estava fechada por dentro. Eu bati. Pedi que abrissem, por favor. Qual não foi minha surpresa ao ouvir uma voz estranha vindo de lá de dentro! Quem dorme nesse quarto é minha mãe. Insisti para que abrissem. E ouvi umas respostas lá de dentro:
"Vai dormir, cara!" Reconheci que era a voz de um dos pedreiros que estavam fazendo a obra que minha mãe mandou fazer para o meu irmão ex-presidiário. Ninguém me avisou que iam fazer obra lá, muito menos num dia de feriado.

Não abriram a porta e eu disse aos caras que estavam do outro lado:
"Eu estava dormindo."
Uma voz zombeteira respondeu do outro lado:
"Tocou o despertador!"

Pensei em arrombar a porta. Mas eu já havia observado que minha mãe estava colocando pedreiros para obras do outro lado. Só não esperava que ela fosse chegar ao ponto de quebrar uma parede em cima do quarto em que eu durmo e de manhã, num dia de feriado. A situação é tão absurda, que se eu não conhecesse os hábitos estranhos de minha mãe, chamaria a polícia. Não fiz isso, por que sei que minha mãe já tinha feito isso antes: ou seja, chamar pedreiros para fazer obras e sair. Apesar de eu ter dito a ela que essa é uma atitude perigosa para uma senhora de mais de 70 anos.

Do outro lado, escutei um dos pedreiros dizendo para os outros:
"Esse cara é maluco, ele pode estar com um 38!"

Infelizmente, onde eu moro, pessoas de minha família tem dito para todas as pessoas da vizinhança que eu sou maluco. Isso tem dificultado qualquer comunicação com as pessoas, pois as pessoas pensam coisas horríveis ao meu respeito. Quem mais fala que eu sou maluco é o meu irmão ex-presidiário, que esteve preso por estupro.

Maluco ou não, eu acho que qualquer um pode perceber que essa situação é INSUSTENTÁVEL. Me parece covarde o que esse meu irmão ex-presidiário faz. Ele vivia com uma mulher que o sustentava. Disse que iria passar uns dias na casa de minha mãe para fazer obras. Não fez praticamente nada. Depois, largou a mulher que o sustentava e quis ficar lá em casa de vez. Eu não aceitei. O que aconteceu depois é que minha mãe fez um muro separando um lado do quintal e nesse lado do muro ela começou a pagar pedreiros para fazer obras para meu irmão ex-presidiário.

Eu posso até ser maluco, mas qualquer um vê que esse meu irmão ex-presidiário está explorando a própria mãe.

9.2.09

ESTIGMA

As histórias que eu compartilho não são bonitas. Na verdade parecem as histórias de um monstro. Mas é necessário. Realmente eu não consigo esconder uma antipatia pela psiquiatria tradicional dos hospitais públicos e espero que encontre melhor tratamento com psiquiatras privados e alternativos. A falta de exames ao se fazer diagnósticos é um dos motivos de minha antipatia. Como é que alguém passa uma medicação com efeitos colaterais tão loucos sem fazer um exame laboratorial?

A classificação da psiquiatria é um estigma. Uma marca que os psiquiatras colocam na gente. Pior que a mais feia das cicatrizes. A classificação em si só é uma ofensa. Uma ofensa que não permite defesa. Geralmente os pacientes psiquiátricos são classificados como agressivos. Observem meu LAUDO. Ele descreve o que está no meu prontuário. De acordo com o laudo eu apresentei heteroagressividade.

Ou seja, diz que fui agressivo com os outros. E isso ficou como uma cicatriz. A heteroagressividade passou a ser parte de mim. Se algum dia eu tivesse outra crise, esperariam de mim heteroagressividade. Se algum dia eu me exaltar mais, esperarão heteroagressividade de mim, como esperam de um bicho. E quem disse que eu estava agressivo naturalmente não fui eu. Por coincidência foi um familiar que já me agrediu muito. O médico perguntou “ele estava agressivo?” como quem percebesse agressividade. Como a gente percebe pelo sotaque de alguém que a pessoa é de outro lugar. Nem adiantaria eu tentar argumentar, pois na psiquiatria pública é importante dizer no prontuário de um paciente psiquiátrico que ele é agressivo. Eles estudaram tanto que não conseguem perceber que um paciente psiquiátrico poderia se sentir ofendido ao ser chamado de agressivo.

Interessante observar que se eu tivesse cometido um crime eu não ficaria tão estigmatizado. Volta e meia a gente tem aguentar perguntas invasivas de pessoas que nem sequer são nosso médico. Perguntas como “Você tomou o remédio?”
Com certeza alguém que matou alguém e cumpriu sua pena e se regenerou não tem que aguentar perguntas como “Você não matou ninguém hoje, matou?”

O QUE EU ESPERO DOS PSIQUIATRAS

Antes de mais nada, que informem os pacientes psiquiátricos dos efeitos colaterais da medicação. Depois, que monitorem a saúde dos pacientes, e não os pacientes. Como é isso? Que façam exames para ver como o organismo do paciente está reagindo a cada medicação.

Por exemplo, o haloperidol, o haldol, pode causar a doença de Parkinson. Então que examinem os pacientes que vão tomar haldol para ver a suscetibilidade da pessoa contrair a doença de Parkinson. E que mantenham exames para evitar que a pessoa desenvolva a doença.

Risperidona pode causar doença cardíaca. Então que façam exames para evitar de dar o remédio para quem é mais suscetível.

Que façam exames da tireóide antes de dar carbonato de lítio para um paciente. O carbonato de lítio pode desequilibrar a tireóide se a pessoa for mal diagnosticada. Há a necessidade de diferenciar o transtorno bipolar dos problemas de tireóide. E, infelizmente, isso só pode ser feito com exames laboratoriais. Que façam exames renais antes de dar carbonato de lítio. Se a pessoa for suscetível a doenças renais o lítio não é aconselhado.

Ou seja, que realmente cuidem da saúde das pessoas. Que realmente cuidem da saúde dos pacientes. Que façam exames periódicos para testar a suscetibilidade do organismo dos pacientes. NOTA: para mais informações sobre os psicofármacos acima veja as bulas. Veja as bulas no site BULAS.MED.BR.