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14.11.13

Abusos e constrangimentos que causam surtos parte 2

Veja a primeira parte: Abusos e constrangimentos que causam surtos - parte 1.

Publicado originalmente no dia 05 de fevereiro de 2012, em outro blog.

Como eu disse na primeira parte, eu estava sendo hostilizado no CAPS por gerar muita atividade com minha habilidade com tecnologia, o que acabava por fazer os técnicos terem que trabalhar mais também.

Para me proteger da pressão me afastei por três meses... em vez do CAPS me mandar uma carta discreta para evitar constrangimento, a ambulância do CAPS foi bater na minha casa depois de três meses. Não me encontrando, deixaram um bilhetinho com a vizinha fofoqueira.

Muito constrangido e apavorado com a exposição, enviei um e-mail a uma das técnicas do CAPS informando que eu iria lá nos dias seguintes. Na verdade marquei para ir lá numa quarta-feira.

Chegando lá falei com a dita técnica e disse que eu aceitaria falar com a psiquiatra, no dia seguinte. E que eu iria no dia seguinte se essa minha vontade fosse respeitada. Falei que as irregularidades do serviço não tinham nada a ver com meu tratamento. Ou seja, falaria sobre meu tratamento com a psiquiatra, e sobre as irregularidades do serviço na assembleia do CAPS. Ela disse que concordava. Porém, ela MENTIU.

Triste dizer que era só uma mentira para me atrair ao grupo do CAPS no dia seguinte.

No dia seguinte me vi diante de uma das situações mais horríveis de minha vida. A técnica do CAPS me fazia pressão e dizia que se eu não falasse o "que estava acontecendo" ela não ia me deixar falar com a médica e PROIBIRIA o outro técnico de me deixar falar na assembleia. Outro técnico que conduziria a assembleia.

Daí você pode ter uma ideia do que realmente eu passei naquele hospício.

Mas eu passei por coisas piores, naquele mesmo dia. Isso veremos na conclusão desta matéria, em Grupo terapêutico do terror e do constrangimento.

13.11.13

Abusos e constrangimentos que causam surtos - parte 1

Publicado originalmente em outro blog, no dia 04 de fevereiro de 2012, pouco tempo depois de eu sair do manicômio Philippe Pinel.

Vou descrever aqui minhas duas últimas internações por surto psiquiátrico, para argumentar que um tratamento humano vale mais que psicotrópicos.

Eu voluntariamente fazia oficinas de informática e dava treinamentos no CAPS. Isso causava uma certa irritação em alguns funcionários do CAPS, pois com eu promovendo atividades no CAPS os pacientes psiquiátricos apareciam mais no CAPS, o que significava mais trabalho para eles.

Assim eles buscavam dificultar minha vida lá, para me afastar e eles poderem sempre trabalhar menos e sair cada vez mais cedo.

Uma vez chegaram a fechar o CAPS antes de meio dia.

Daí que um dia um dos técnicos do CAPS decidiu que não tinha nem que falar comigo para sair mais cedo. Enviou o guarda, como quem diz: "Sai logo! Quero tirar o dia de folga! Ou sai por bem ou sai por mal."

Assustado com a intimidação não voltei mais ao CAPS. Pois as alucinações auditivas e visuais causadas pelo lítio estavam cada vez mais fortes e eu não ia aguentar a pressão covarde que estavam colocando sobre mim.

Assim foi. Não preciso dizer que cresci vendo meu tio sofrer vários constrangimentos. Mandavam a ambulância do hospício buscá-lo para a internação, e os vizinhos ficavam olhando, zombando.

Nunca podia imaginar que iam fazer o mesmo comigo. O pessoal do CAPS tinha meu e-mail, tinha meu endereço e podiam me enviar uma carta discreta. Eles enviavam cartas para as reuniões deles quando eu frequentava todos os dias, e nem era necessário enviar cartas.

Eu passei três meses em casa muito bem. O lítio acabou e eu passava bem sem ele. Não sofria as alucinações causadas pelo lítio.

Vocês não podem imaginar o meu pavor ao ver uma vizinha chamando minha mãe e dizendo que a ambulância tinha estado lá me procurando. Como eu não estava em casa deixaram um bilhete com a vizinha. A vizinha mais fofoqueira do bairro.

Mas depois de ter sido exposto de tal forma é difícil não entrar em desespero. Desde de então vizinhos perguntam sobre minha doença mental, curiosos.

Claro, eu explico para esses vizinhos sobre as irregularidades e abusos desses hospícios. Mas o pior, ainda estava por vir... Ver continuação: Abusos e constrangimentos que causam surtos parte 2