Os técnicos do CAPS infernizavam minha vida porque eu estava dirigindo uma oficina de muito sucesso, que fazia mais pessoas vir ao CAPS.
Além de ser infernizado pelos técnicos do CAPS que queriam trabalhar cada vez menos, eu sofria o bastante com as alucinações causadas pelo lítio.
A pressão era grande. Em alguns momentos até me chamaram num canto e fizeram ameaças e intimidação. Por isso, depois de ser muito hostilizado achei melhor me afastar. Para proteger minha saúde.
Três meses depois fui chamado ao CAPS da forma mais constrangedora possível: uma ambulância do CAPS foi a minha casa! E como não me encontraram, foram falar com a vizinha sobre isso! Os detalhes estão nos meus textos Abusos e constrangimentos que causam surtos parte 1 e 2. Pois agora eu vou descrever o terror e o constrangimento que eu passei naquele grupo.
Na quarta-feira fui ao CAPS e falei com a técnica que era coordenadora do grupo terapêutico, que eles chamavam de grupo de referência. O nome grupo de referência é o novo nome que os novos técnicos deram ao antigo nome, "grupo de medicação". Para mim vai ser sempre grupo de medicação. Pois nesse grupo só se fala de medicação.
Pois bem. Disse à coordenadora que me afastei por causa das irregularidades. Ela queria que eu falasse quais eram as irregularidades. E eu disse que falaria sobre isso na ASSEMBLEIA do CAPS. Pois quando há irregularidades, a coisa deve ser compartilhada com TODOS. (É óbvio, não acha?)
Quando ela tentou, de todas as formas, me fazer dizer quais eram as irregularidades a impressão que me passou era que ela estava querendo ABAFAR A COISA. Ou seja, esconder o que havia de errado. Ou seja, eu falava para ela e a coisa morria ali.
No dia seguinte, na quinta-feira, fui ao grupo de medicação, como prometido. Procuro cumprir minhas promessas.
Nesse grupo terapêutico, a coordenadora começou falando para as pessoas do grupo sobre meu "afastamento do tratamento" e TENTOU MAIS UMA vez me fazer falar sobre os problemas administrativos do CAPS. Ora, o lugar de se discutir problemas administrativos do CAPS é na ASSEMBLEIA do CAPS.
REALMENTE a impressão que eu tive foi que ela estava tentando fazer que as pessoas do grupo achassem que eu não estava bem. Ou melhor, ela queria que as pessoas achassem que eu estava LOUCO. Logo, toda a reclamação que eu fizesse contra o CAPS seria delírio.
Eu expliquei para o grupo que eu estava muito bem. Que estava dormindo bem, etc.
Mas, sinceramente... naquele grupo, eu achei que talvez eu estivesse tendo alucinações.
Eu dizia que só falaria sobre tratamento com um MÉDICO. Mas a coordenadora dizia que não ia agendar para eu falar com a médica se eu não dissesse o que estava "acontecendo". (Para falar com médico na época só podia com agendamento, pois só havia um médico, por CAPS. E, infelizmente, ainda hoje só há um médico por CAPS, O QUE É UMA VERGONHA.) Expliquei que a LEI me dava a garantia de ter presença médica, e que eu só tinha ido ao grupo para poder falar com a médica. (Eu ia explicar para médica que, de forma alguma eu voltaria a tomar lítio ou risperidona, mas aceitaria voltar a tomar haloperidol, haldol.)
Daí uma mulher que estava no grupo disse algo como: "O que você sabe sobre lei? Qual é a sua formação?"
Quando eu estava abrindo a boca para responder, a coordenadora respondeu por mim, como se soubesse tudo da minha vida.
Naturalmente eu sei sobre leis por ter participado de vários congressos de saúde mental e ser um militante dos direitos humanos, civis e da luta antimanicomial. Não sei o que minha formação tem a ver com isso.
REALIDADE OU DELÍRIO?
Aquela mesma mulher que tinha perguntado sobre minha formação começou a falar no celular no MEIO DO GRUPO. Ela falava ao telefone com outra pessoa que estava perguntando o que fazer com um certo paciente psiquiátrico que estava se recusando a tomar a medicação. Consultou a coordenadora sobre isso. A coordenadora respondeu, dizendo, "Chama o SAMU! Paciente que não quer tomar a medicação tem que ser internado."
Naquele ponto, sinceramente, eu achei que talvez já eu estivesse delirando, e fiquei muito preocupado com isso. Que coordenadora falaria para chamar o SAMU diante de mim,
que sempre GRITEI nas assembleias do CAPS CONTRA internações forçadas?
Além disso, a coordenadora terminou a reunião dizendo que não ia agendar médico enquanto eu não falasse tudo que estava acontecendo para ela. E que além disso ela "PROIBIRIA" que o coordenador da assembleia me deixasse falar.
A assembleia acontecia na quarta-feira. Porém, antes da quarta-feira chegar, eu entrei em surto, acabando sendo internado. Estava bem em casa por três meses. Ao ir ao CAPS, acabei surtando e sendo internado em menos de uma semana.
Depois, fiquei afastado do CAPS por mais de seis meses, bem, em casa. Até ficar sabendo que a direção do CAPS estava faltando com uma responsabilidade. Fui ao CAPS cobrar sobre isso.
Nem preciso dizer que vi coisas horríveis. E que, novamente, em menos de uma semana, eu estava sendo internado, novamente. (Sic).



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