Sanatório Rio de Janeiro, ano 2001. Ao receber visita de um de meus irmãos, eu mostrei meus pulsos machucados pelos enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Nos últimos dias eu vinha sendo colocado no castigo várias vezes; o castigo mais comum era amarrar o paciente na cama.
Austregésilo Carrano Bueno descreve, em seu livro CANTO DOS MALDITOS, como é o castigo de amarrar o paciente na cama:
"Os castigos dos ajudantes de enfermagem eram temidos por todos. (...) Preferia o lençol de força do que ser amarrado. Ser amarrado com tiras de pano na cama é bem mais dolorido, elas começam a cortar a carne a cada vez que se força para sair ou tentar mudar um pouco a posição. Ficar amarrado dezenas de horas é muito dolorido."
Página 122 do livro CANTO DOS MALDITOS, 6a edição.
Carrano foi internado antes da década de 1980, e esses castigos acontecem até hoje. O problema é que os familiares não denunciam esses maus tratos, se denunciassem, acabariam.
No meu caso, os ajudantes de enfermagem ficavam CADA VEZ mais violentos, pois se intimidavam com minha excelente condição física (que me permitia dominar, com relativa facilidade, até dois deles).
Mostrei os pulsos seriamente machucados, para que esse irmão denunciasse.
- É para o seu bem, disse o irmão.
Agressão física, obviamente, não é para o bem de ninguém.
Quem acha que amarrar é um procedimento médico é um ingênuo que não sabe como a coisa acontece nos hospitais psiquiátricos.
Falei bastante da relação com meus irmãos mais velhos, e chega o momento de falar desse, para exemplificar bem doença mental como problema de família, que se confirma pela omissão de familiares diante dos abusos dos manicômios.
(Continua)
Crônicas e textos sobre saúde mental. Por melhores formas de tratamento do sofrimento psíquico. Pelo fim das internações psiquiátricas involuntárias. Por exames laboratoriais antes da prescrição de psicotrópicos. Pela promoção de tratamentos alternativos. Pelo cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo fim dos abusos sexuais e exploração infantil.
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15.10.14
7.3.13
Oscar: O ativista Carrano renasce na França - L'activiste brésilien Carrano renaît en France
Austregésilo Carrano Bueno, grande ativista da Luta Antimanicomial foi internado aos dezessete anos, a mesma idade do jovem Oscar, que aparece no programa Enquête Exclusive. É como se Carrano renascesse nesse jovem francês, no ano 2010, quando foi filmado o programa.
Oscar foi enviado à Unidade para Doentes Difíceis de Sarreguemines (Unité pour Malades Difficiles de Sarreguemines) por ser considerado um paciente violento. Carrano também era considerado violento. Se Carrano fosse internado na França, com certeza, seria transferido para uma Unidade para Doentes Difíceis. E é MUITO difícil sair de uma Unidade para Doentes Difíceis da França... Acho que é BEM pior que prisão.
Hospitais Psiquiátricos, Viagem ao Centro da Loucura; (Hôpitaux Psychiatriques, Voyage au cœur de la folie;) de 23:47 até 25:45
Para alguns doentes, ser amarrado é uma necessidade. É o caso do Oscar, um esquizofrênico de dezessete anos. Aqui, é o paciente mais novo. Para tirá-lo de seu quarto, os enfermeiros são obrigados a algemar os braços dele e segurá-lo firmemente. O que limita o rapaz.
Enfermeiro: - Podemos soltar teu braço e te deixar ir sozinho? Ou você prefere que seguremos seus braços? Mas vá devagar, OK? OK, vamos te soltar. Devagar!... Olha! Você prefere que seguremos seus braços? Tá certo.
Oscar foi maltratado toda sua infância. Hoje ele só se comunica através da violência. Desta vez, de volta à sala dos enfermeiros, é a nossa câmera que ele vai atacar.
Para tentar acalmá-lo, os enfermeiros tentam conversar com ele.
Enfermeiro: - Vá com calma! Por favor!...
Atrás de sua agressividade, um sofrimento profundo.
Enfermeiro: - Estamos te protegendo. (linguagem familiar.)
Oscar: - Eu queria morrer.
Enfermeiro: - Você queria morrer?
Oscar: - Eu queria morrer.
Enfermeiro: - Ah é, por quê? (Linguagem familiar.)
Oscar: - Eu não tenho mais família, eu não tenho mais nada. Eu queria me matar.
Uns dez minutos mais tarde, Oscar parece ter ficado calmo. Diante desse tipo de crise, os enfermeiros se sentem sempre impotentes.
Enfermeiro: - Esta sensação de morrer, mas algo que sai completamente do controle. Não dá para imaginar, não dá para imaginar...
-
-
Français:
Austregésilo Carrano Bueno fut un grand activiste contre les asiles psychiatriques. Il avait dix-sept ans quand il fut hospitalisé, comme le jeune Oscar. S'il était hospitalisé en France, sans doute il serait envoyé à une Unité pour Malades Difficiles.
Hôpitaux Psychiatriques, Voyage au cœur de la folie; de 23:47 jusqu'à 25:45
Pour certains malades, être attaché est une nécessité. C'est le cas d'Oscar, un schizophrène âgé de dix-sept ans. Ici c'est le plus jeune patient. Pour lui sortir de sa chambre, les infirmiers sont obligé de lui entraver les bras et de le maintenir fermement. Des liens qui rationnent le jeune homme.
Infirmier: - Est-ce qu'on peut te lâcher les bras et te laisser promener seul? Ou tu préfères qu'on te tiennent les bras? Mais tu vas doucement, OK? OK, on te lâche. Doucement!... Voilà! Tu préfères qu'on te tiennent? D'accord.
Oscar a été maltraité toute son enfance. Aujourd'hui il ne communique plus que par la violence. Cette fois, de retour dans le bureau des infirmiers, c'est notre caméra qu'il va s'en prendre.
Pour essayer de l'apaiser, les infirmiers tentent de discuter avec lui.
Infirmier: - Doucement! S'il vous plaît!...
Derrière son agressivité, une souffrance profonde.
Infirmier: - On est en train de vous protéger. (Pas clair, langage familier.)
Oscar: - Je voulais mourir.
Infirmier: - Vous vouliez mourir?
Oscar: - Je voulais mourir.
Infirmier: - Ouais, pourquoi? (Langage familier.)
Oscar: - Je n'ai plus de famille, je n'ai plus rien. Je voulais me tuer.
Une dizaine de minutes plus tard, Oscar semble s'est calmé. Face à ces genres de crise, les infirmiers se sentent toujours impuissant.
Infirmier: - Cette sensation de mourir, mais quelque chose qui submerge complètement. On ne peut pas imaginer, on ne peut pas imaginer...
Oscar foi enviado à Unidade para Doentes Difíceis de Sarreguemines (Unité pour Malades Difficiles de Sarreguemines) por ser considerado um paciente violento. Carrano também era considerado violento. Se Carrano fosse internado na França, com certeza, seria transferido para uma Unidade para Doentes Difíceis. E é MUITO difícil sair de uma Unidade para Doentes Difíceis da França... Acho que é BEM pior que prisão.
Hospitais Psiquiátricos, Viagem ao Centro da Loucura; (Hôpitaux Psychiatriques, Voyage au cœur de la folie;) de 23:47 até 25:45
Para alguns doentes, ser amarrado é uma necessidade. É o caso do Oscar, um esquizofrênico de dezessete anos. Aqui, é o paciente mais novo. Para tirá-lo de seu quarto, os enfermeiros são obrigados a algemar os braços dele e segurá-lo firmemente. O que limita o rapaz.
Enfermeiro: - Podemos soltar teu braço e te deixar ir sozinho? Ou você prefere que seguremos seus braços? Mas vá devagar, OK? OK, vamos te soltar. Devagar!... Olha! Você prefere que seguremos seus braços? Tá certo.
Oscar foi maltratado toda sua infância. Hoje ele só se comunica através da violência. Desta vez, de volta à sala dos enfermeiros, é a nossa câmera que ele vai atacar.
Para tentar acalmá-lo, os enfermeiros tentam conversar com ele.
Enfermeiro: - Vá com calma! Por favor!...
Atrás de sua agressividade, um sofrimento profundo.
Enfermeiro: - Estamos te protegendo. (linguagem familiar.)
Oscar: - Eu queria morrer.
Enfermeiro: - Você queria morrer?
Oscar: - Eu queria morrer.
Enfermeiro: - Ah é, por quê? (Linguagem familiar.)
Oscar: - Eu não tenho mais família, eu não tenho mais nada. Eu queria me matar.
Uns dez minutos mais tarde, Oscar parece ter ficado calmo. Diante desse tipo de crise, os enfermeiros se sentem sempre impotentes.
Enfermeiro: - Esta sensação de morrer, mas algo que sai completamente do controle. Não dá para imaginar, não dá para imaginar...
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Français:
Austregésilo Carrano Bueno fut un grand activiste contre les asiles psychiatriques. Il avait dix-sept ans quand il fut hospitalisé, comme le jeune Oscar. S'il était hospitalisé en France, sans doute il serait envoyé à une Unité pour Malades Difficiles.
Hôpitaux Psychiatriques, Voyage au cœur de la folie; de 23:47 jusqu'à 25:45
Pour certains malades, être attaché est une nécessité. C'est le cas d'Oscar, un schizophrène âgé de dix-sept ans. Ici c'est le plus jeune patient. Pour lui sortir de sa chambre, les infirmiers sont obligé de lui entraver les bras et de le maintenir fermement. Des liens qui rationnent le jeune homme.
Infirmier: - Est-ce qu'on peut te lâcher les bras et te laisser promener seul? Ou tu préfères qu'on te tiennent les bras? Mais tu vas doucement, OK? OK, on te lâche. Doucement!... Voilà! Tu préfères qu'on te tiennent? D'accord.
Oscar a été maltraité toute son enfance. Aujourd'hui il ne communique plus que par la violence. Cette fois, de retour dans le bureau des infirmiers, c'est notre caméra qu'il va s'en prendre.
Pour essayer de l'apaiser, les infirmiers tentent de discuter avec lui.
Infirmier: - Doucement! S'il vous plaît!...
Derrière son agressivité, une souffrance profonde.
Infirmier: - On est en train de vous protéger. (Pas clair, langage familier.)
Oscar: - Je voulais mourir.
Infirmier: - Vous vouliez mourir?
Oscar: - Je voulais mourir.
Infirmier: - Ouais, pourquoi? (Langage familier.)
Oscar: - Je n'ai plus de famille, je n'ai plus rien. Je voulais me tuer.
Une dizaine de minutes plus tard, Oscar semble s'est calmé. Face à ces genres de crise, les infirmiers se sentent toujours impuissant.
Infirmier: - Cette sensation de mourir, mais quelque chose qui submerge complètement. On ne peut pas imaginer, on ne peut pas imaginer...
21.5.11
QUEBRA TUDO, CARRANO!
Um dos pontos marcantes de Austregésilo Carrano Bueno era que ele era explosivo. Não era um paciente psiquiátrico comum. Ele LITERALMENTE botava para quebrar!
“Desmontei a ponta-pés o guarda-roupas e, com um pedaço de madeira confiável que tirei dos destroços, comecei a quebrar o vitrô. Eram vidros aramados, difíceis de se quebrar. Arrebentei também o banheiro. Fiz o diabo dentro daquele quarto. Os dois já estavam abrindo a porta, conseguiram apenas uma fresta, em seguida a porta prendeu-se no encaixe.
- Pare com isso, seu piá de merda, você vai ver a hora que eu te pegar! (o mesmo que havia me ameaçado).
- Bota a fuça aí, seu corno,vou te esmagar os miolos, seu viado!
***
-Calma, cara! Ninguém aqui ta a fim de brigar, não! Só abra a porta, eles vão te dar o medicamento... abra a porta Carrano na boa, pode abrir...
Prometeram também não me levarem para o cubículo. Insistiram, prometeram... eu burro, abri a porta...
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.116)
Realmente minha postura nos hospícios sempre foi exemplar. Esse deve ter sido o meu erro. Mas nunca é tarde para mudar e seguir o exemplo do Carrano e... quebrar tudo!!!!
“Desmontei a ponta-pés o guarda-roupas e, com um pedaço de madeira confiável que tirei dos destroços, comecei a quebrar o vitrô. Eram vidros aramados, difíceis de se quebrar. Arrebentei também o banheiro. Fiz o diabo dentro daquele quarto. Os dois já estavam abrindo a porta, conseguiram apenas uma fresta, em seguida a porta prendeu-se no encaixe.
- Pare com isso, seu piá de merda, você vai ver a hora que eu te pegar! (o mesmo que havia me ameaçado).
- Bota a fuça aí, seu corno,vou te esmagar os miolos, seu viado!
***
-Calma, cara! Ninguém aqui ta a fim de brigar, não! Só abra a porta, eles vão te dar o medicamento... abra a porta Carrano na boa, pode abrir...
Prometeram também não me levarem para o cubículo. Insistiram, prometeram... eu burro, abri a porta...
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.116)
Realmente minha postura nos hospícios sempre foi exemplar. Esse deve ter sido o meu erro. Mas nunca é tarde para mudar e seguir o exemplo do Carrano e... quebrar tudo!!!!
15.5.11
15 de Maio - Aniversário de Carrano
O dia 15 de maio é o aniversário do nascimento de Austregésilo Carrano Bueno.
Carrano morreu, provavelmente por causa dos psicotrópicos e eletrochoques que tomou.
Deixo um presente que com certeza ele iria gostar.
Deixo abaixo os nomes verdadeiros dos hospitais psiquiátricos e médicos que ele considera seus algozes.
Nome fictício:
Dr. Alaor Guimont
Nome verdadeiro:
Dr. Alô Guimarães
O doutor Alô guimarães foi psiquiatra no Sanatório Bom Retiro (Nome fictício: Sanatório Bom Recanto). foi o psiquiatra que aplicou as várias sessões de eletrochoque no Carrano. Acho justo que as pessoas saibam deste hospital do Paraná, sem censura.
Nome fictício: Hospital São Gerônimo
Nome verdadeiro: Hospital Psiquiátrico San Julian
No Hospital Psiquiátrico San Julian Carrano encontrou o psiquiatra Alexandre Sech, que ele deu o nome fictício de Dr. Alessandro Chock.
Carrano passou também pelo Hospital Psiquiátrico Pinheiros, que ele deu o nome fictício de Hospital Psiquiátrico Araucária.
E também ficou pouco tempo no Hospital Glória, que ele chama no livro Hospital Aurora.
Vale notar também que Carrano passou também um tempo no Hospital Philippe Pinel, do Rio de Janeiro.
Carrano morreu, provavelmente por causa dos psicotrópicos e eletrochoques que tomou.
Deixo um presente que com certeza ele iria gostar.
Deixo abaixo os nomes verdadeiros dos hospitais psiquiátricos e médicos que ele considera seus algozes.
Nome fictício:
Dr. Alaor Guimont
Nome verdadeiro:
Dr. Alô Guimarães
O doutor Alô guimarães foi psiquiatra no Sanatório Bom Retiro (Nome fictício: Sanatório Bom Recanto). foi o psiquiatra que aplicou as várias sessões de eletrochoque no Carrano. Acho justo que as pessoas saibam deste hospital do Paraná, sem censura.
Nome fictício: Hospital São Gerônimo
Nome verdadeiro: Hospital Psiquiátrico San Julian
No Hospital Psiquiátrico San Julian Carrano encontrou o psiquiatra Alexandre Sech, que ele deu o nome fictício de Dr. Alessandro Chock.
Carrano passou também pelo Hospital Psiquiátrico Pinheiros, que ele deu o nome fictício de Hospital Psiquiátrico Araucária.
E também ficou pouco tempo no Hospital Glória, que ele chama no livro Hospital Aurora.
Vale notar também que Carrano passou também um tempo no Hospital Philippe Pinel, do Rio de Janeiro.
6.5.11
CARRANO E OS PSICOTRÓPICOS
Já era macaco velho de hospício, o que o Rogério era quando eu fui internado da primeira vez. Fugi por um bom tempo dos comprimidos, cuspia fora. Descobriram e, agora. Obrigavam-me a colocá-los na boca e passavam os dedos em minha boca, para ver se eu os havia engolido.
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.114)
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.114)
4.5.11
Durante A Ditadura Militares Financiavam Hospitais Psiquiátricos - Por Carrano
"Os militares financiavam a construção e toda a infra-estrutura para o funcionamento dos hospitais psiquiátricos, desde que essas instituições aceitassem as pessoas que eram contra, ofendiam ou ameaçavam os olhares dos valores militares."
Esse é outro escrito de Austregésilo Carrano Bueno. Para que a gente possa refletir nas atrocidades que a psiquiatria já cometeu.
Sabemos, por exemplo que, no nazismo, psiquiatras faziam substâncias para dizimar com os opositores.
Nada contra os psiquiatras modernos. Apenas para refletir a necessidade de mudança urgente.
Esse é outro escrito de Austregésilo Carrano Bueno. Para que a gente possa refletir nas atrocidades que a psiquiatria já cometeu.
Sabemos, por exemplo que, no nazismo, psiquiatras faziam substâncias para dizimar com os opositores.
Nada contra os psiquiatras modernos. Apenas para refletir a necessidade de mudança urgente.
3.5.11
Austregésilo Carrano Bueno - Apenas Como Reflexão
"Na história forense brasileira não existe nenhum caso de indenização por erro médico psiquiátrico... Talvez o primeiro caso seja o meu ou alguém que tenha coragem de lutar por esse direito."
Isso foi escrito por Austregésilo Carrano Bueno em seu livro, Canto dos Malditos.
Bem, como Carrano, eu também fui vítima de erro psiquiátrico. No meu caso psiquiatras me prescreveram Carbonato de Lítio dizendo que eu era bipolar. Porém o psicotrópico me causou várias alucinações que me levaram a deixar de tomá-lo.
Além do erro médico da prescrição do lítio, também fui submetido a constrangimento em um CAPS. Pretendo ser indenizado por isso também. Uma profissional de saúde mental me negou presença médica. E riu da minha cara na presença de outros pacientes psiquiátricos dizendo que eu estava confuso. Poucos dias depois da humilhação sofri um surto.
Bem, meu caro Carrano. Seguirei o seu exemplo e empreenderei uma luta feroz pelos nossos direitos de indenização.
Isso foi escrito por Austregésilo Carrano Bueno em seu livro, Canto dos Malditos.
Bem, como Carrano, eu também fui vítima de erro psiquiátrico. No meu caso psiquiatras me prescreveram Carbonato de Lítio dizendo que eu era bipolar. Porém o psicotrópico me causou várias alucinações que me levaram a deixar de tomá-lo.
Além do erro médico da prescrição do lítio, também fui submetido a constrangimento em um CAPS. Pretendo ser indenizado por isso também. Uma profissional de saúde mental me negou presença médica. E riu da minha cara na presença de outros pacientes psiquiátricos dizendo que eu estava confuso. Poucos dias depois da humilhação sofri um surto.
Bem, meu caro Carrano. Seguirei o seu exemplo e empreenderei uma luta feroz pelos nossos direitos de indenização.
1.5.11
CARRANO RELATA: PSICOTRÓPICOS COMO ENTORPECENTES
Importante lermos este relato de Carrano, para que nos conscientizemos dos perigos de usar NARCÓTICOS, ou seja, ENTORPECENTES no tratamento de doenças mentais. O relato de Carrano é chocante. Veja.
"O Orlando, também viciado em pico, destilava uma mistura de comprimidos que roubava na enfermaria de remédios. Colocava aquele preparado na seringa descartável que apanhava na lixeira da sala de enfermagem. E se aplicava, me oferecia..."
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.120)
Acho que eu não preciso explicar que os comprimidos usados pelo Orlando no relato são Haldol, amplictil, entre outros psicotrópicos...
"O Orlando, também viciado em pico, destilava uma mistura de comprimidos que roubava na enfermaria de remédios. Colocava aquele preparado na seringa descartável que apanhava na lixeira da sala de enfermagem. E se aplicava, me oferecia..."
Canto dos Malditos – de Austregésilo Carrano Bueno (p.120)
Acho que eu não preciso explicar que os comprimidos usados pelo Orlando no relato são Haldol, amplictil, entre outros psicotrópicos...
12.6.10
A Reforma da Reforma Psiquiátrica
Queria sim, e muito, voltar para o sanatório. Lá era o meu lugar, um esconderijo perfeito para mim - um louco.
Austregésilo Carrano Bueno.
Coloquei esta citação do Carrano para admitir que por várias vezes me arrependi de sair do hospício também. Aquele era meu lugar, sem dúvida.
Hoje eu só fico feliz de ter decidido sair do hospício por saber a reviravolta que esta Reforma Psiquiátrica exploradora deu.
Pois sei que se eu me entregasse às vantagens de viver no mundo permanente dos chamados pacientes psiquiátricos graves irrecuperáveis os irresponsáveis que estão a frente da Reforma Psiquiátrica me jogariam na mão de meus familiares.
E aí eu estaria causando um sofrimento injusto aos familiares, que não têm condições de cuidar de um paciente grave que sequer consegue interagir com o mundo externo.
Aí eu me lembro de vários familiares de outros pacientes psiquiátricos que foram forçados a receber em casa seus parentes mesmo sem ter condições.
É que parece que a Reforma Psiquiátrica está fazendo uma coisa bonita ao jogar pacientes psiquiátricos que eles não conseguiram recuperar nas mãos dos familiares.
Na verdade eles são muito covardes. Fazem isso para se livrar do paciente psiquiátrico e jogar a responsabilidade do cuidado na mão de familiares.
Os familiares com certeza cometeram muitos erros contra seus parentes doentes mentais, mas mesmo assim não merecem tal castigo.
Entenda que tais pacientes psiquiátricos graves precisam de cuidados médicos constantes.
Pacientes psiquiátricos graves precisam constantemente de enfermeiros.
Apenas uma Reforma Psiquiátrica criminosa jogaria pessoas que precisam de cuidados médicos constantes na mão de familiares. É muita covardia.
Aí quando os familiares não conseguem tratar bem eles perseguem e ameaçam os familiares.
Talvez você não tenha ideia, mas isso é uma GRANDÍSSIMA covardia.
As pessoas NUNCA deveriam ser mandadas para o cuidado dos familiares sem sequer conseguir interagir com o mundo externo.
Daí que precisamos de fazer uma REFORMA nesta Reforma Psiquiátrica covarde.
Austregésilo Carrano Bueno.
Coloquei esta citação do Carrano para admitir que por várias vezes me arrependi de sair do hospício também. Aquele era meu lugar, sem dúvida.
Hoje eu só fico feliz de ter decidido sair do hospício por saber a reviravolta que esta Reforma Psiquiátrica exploradora deu.
Pois sei que se eu me entregasse às vantagens de viver no mundo permanente dos chamados pacientes psiquiátricos graves irrecuperáveis os irresponsáveis que estão a frente da Reforma Psiquiátrica me jogariam na mão de meus familiares.
E aí eu estaria causando um sofrimento injusto aos familiares, que não têm condições de cuidar de um paciente grave que sequer consegue interagir com o mundo externo.
Aí eu me lembro de vários familiares de outros pacientes psiquiátricos que foram forçados a receber em casa seus parentes mesmo sem ter condições.
É que parece que a Reforma Psiquiátrica está fazendo uma coisa bonita ao jogar pacientes psiquiátricos que eles não conseguiram recuperar nas mãos dos familiares.
Na verdade eles são muito covardes. Fazem isso para se livrar do paciente psiquiátrico e jogar a responsabilidade do cuidado na mão de familiares.
Os familiares com certeza cometeram muitos erros contra seus parentes doentes mentais, mas mesmo assim não merecem tal castigo.
Entenda que tais pacientes psiquiátricos graves precisam de cuidados médicos constantes.
Pacientes psiquiátricos graves precisam constantemente de enfermeiros.
Apenas uma Reforma Psiquiátrica criminosa jogaria pessoas que precisam de cuidados médicos constantes na mão de familiares. É muita covardia.
Aí quando os familiares não conseguem tratar bem eles perseguem e ameaçam os familiares.
Talvez você não tenha ideia, mas isso é uma GRANDÍSSIMA covardia.
As pessoas NUNCA deveriam ser mandadas para o cuidado dos familiares sem sequer conseguir interagir com o mundo externo.
Daí que precisamos de fazer uma REFORMA nesta Reforma Psiquiátrica covarde.
27.5.10
A Incrível Coragem de Carrano
Carrano é um grande guerreiro, já disse que sua coragem é inspiradora.
Leia o excerto de Austregésilo Carrano abaixo e veja porque a coragem de Carrano me impressiona. Excerto extraído de Canto dos Malditos.
Já meio perdendo os sentidos, fui arrastado pelo pátio da delegacia de plantão, para o pavilhão das celas.
(...)Na noite a dentro, já de cabeça fria mas todo dolorido, veio-me uma grande ideia jericosa. Já ouvira histórias de malandros que chegavam até a se cortarem, ou se furarem para escapar das sessões de pancadaria e tortura dos tiras. Assim eram levados para hospitais, e lá tentavam, através do médico, qualquer tipo de proteção, para não apanharem mais. Daí a grande ideia de jerico!
Estava com uma jaqueta jeans, com botões de pressão. Arranquei todos os botões e os engoli, assim passaria mal, e levariam-me para um hospital.
Aguardei que surgisse algum efeito dos botões em meu estômago. Nem sequer uma azia, só aquele monte fazendo volume. Os botões deviam ser de má qualidade. Tive então outra ideia sensacionalmente jericosa.
Já que o crápula vai estar pela manhã para me encher de carinho... ele terá que encostar as mãos em mim. Não calculei que ele pudesse usar um cacetete. Se eu estiver sujo de alguma coisa, ele não irá encostar suas patas em mim. Lama aqui dentro não tem. Carvão, graxa _ aqui dentro não tem nada. Como eu poderia me sujar, que evitasse ele encostar em mim? Não deu outra, caguei em minha mão! Passei em meus lindos cabelos longos, no rosto, nos braços, nas roupas, enfim, em tudo. Fiquei cheirozinho para um baile de quinze anos.
Tinha tolete de merda no corpo todo. Assim ele teria que sujar suas lindas patinhas, quando começassem as sessões de pancadaria. O incrível é que no começo se sente cheiro de fezes, mas passando alguns minutinhos já não se estranha mais o cheiro. Dormi como um recém-nascido tirado a gancho, dolorido mas protegido.
Naquela bela manhã, não sei se era bela, senti um pontapé nas costas, e uma voz de filme de terror.
(...)Era meu carrasco e o seu puxa-saco que o tirou de cima de mim. Os machões mandaram-me sair da cela.
(...)Gozado, não queriam que eu me aproximasse deles, ontem iam me encher de porrada, agora estavam evitando minha aproximação. Por que será?
(...) Chegamos a um pátio em frente duma enorme construção em formato de U. Procurei as metralhadoras, as casamatas, os tanques de guerra, tudo que a gente vê em filmes como "O homem de alcatraz". Li numa plaquinha: Hospital Psiquiátrico San Julian. Pode?...
(...)_ Cara, isto aqui é pior que uma prisão de verdade. É, em muitos sentidos, tão ou mais perigoso... Essas drogas que somos obrigados a tomar são um veneno que nos mata em poucos anos. (p.41)
E infelizmente esse veneno matou Carrano... Dia 27 de maio de 2008 as sequelas dos psicotrópicos (e dos eletrochoques) acabaram de matá-lo.
Carrano era TAURINO, como fazia questão de realçar. Nasceu em 15 de maio de 1957 e morreu em 27 de maio de 2008. Deixemos nossa homenagem e respeito.
Leia o excerto de Austregésilo Carrano abaixo e veja porque a coragem de Carrano me impressiona. Excerto extraído de Canto dos Malditos.
Já meio perdendo os sentidos, fui arrastado pelo pátio da delegacia de plantão, para o pavilhão das celas.
(...)Na noite a dentro, já de cabeça fria mas todo dolorido, veio-me uma grande ideia jericosa. Já ouvira histórias de malandros que chegavam até a se cortarem, ou se furarem para escapar das sessões de pancadaria e tortura dos tiras. Assim eram levados para hospitais, e lá tentavam, através do médico, qualquer tipo de proteção, para não apanharem mais. Daí a grande ideia de jerico!
Estava com uma jaqueta jeans, com botões de pressão. Arranquei todos os botões e os engoli, assim passaria mal, e levariam-me para um hospital.
Aguardei que surgisse algum efeito dos botões em meu estômago. Nem sequer uma azia, só aquele monte fazendo volume. Os botões deviam ser de má qualidade. Tive então outra ideia sensacionalmente jericosa.
Já que o crápula vai estar pela manhã para me encher de carinho... ele terá que encostar as mãos em mim. Não calculei que ele pudesse usar um cacetete. Se eu estiver sujo de alguma coisa, ele não irá encostar suas patas em mim. Lama aqui dentro não tem. Carvão, graxa _ aqui dentro não tem nada. Como eu poderia me sujar, que evitasse ele encostar em mim? Não deu outra, caguei em minha mão! Passei em meus lindos cabelos longos, no rosto, nos braços, nas roupas, enfim, em tudo. Fiquei cheirozinho para um baile de quinze anos.
Tinha tolete de merda no corpo todo. Assim ele teria que sujar suas lindas patinhas, quando começassem as sessões de pancadaria. O incrível é que no começo se sente cheiro de fezes, mas passando alguns minutinhos já não se estranha mais o cheiro. Dormi como um recém-nascido tirado a gancho, dolorido mas protegido.
Naquela bela manhã, não sei se era bela, senti um pontapé nas costas, e uma voz de filme de terror.
(...)Era meu carrasco e o seu puxa-saco que o tirou de cima de mim. Os machões mandaram-me sair da cela.
(...)Gozado, não queriam que eu me aproximasse deles, ontem iam me encher de porrada, agora estavam evitando minha aproximação. Por que será?
(...) Chegamos a um pátio em frente duma enorme construção em formato de U. Procurei as metralhadoras, as casamatas, os tanques de guerra, tudo que a gente vê em filmes como "O homem de alcatraz". Li numa plaquinha: Hospital Psiquiátrico San Julian. Pode?...
(...)_ Cara, isto aqui é pior que uma prisão de verdade. É, em muitos sentidos, tão ou mais perigoso... Essas drogas que somos obrigados a tomar são um veneno que nos mata em poucos anos. (p.41)
E infelizmente esse veneno matou Carrano... Dia 27 de maio de 2008 as sequelas dos psicotrópicos (e dos eletrochoques) acabaram de matá-lo.
Carrano era TAURINO, como fazia questão de realçar. Nasceu em 15 de maio de 1957 e morreu em 27 de maio de 2008. Deixemos nossa homenagem e respeito.
26.5.10
Como adquirir o livro de Austregésilo Carrano - Canto dos Malditos
Antes de mais nada devo dizer que sexta-feira, dia 28 de maio, haverá uma celebração da Luta Antimanicomial no Sindicato dos Médicos, Rua Churchill, Centro do Rio de Janeiro, às 14:00h.
Nada melhor do que usarmos esta sexta-feira para relembrar a grande luta de Carrano por liberdade, humanidade e igualdade.
Sei que muitas pessoas não conheciam Carrano. Muitos não sabiam quem era Carrano, pois no filme Bicho de Sete Cabeças seu nome era Neto, e o filme é mais conhecido que o livro.
Sei que agora muitos gostariam de adquirir o livro, depois de toda a divulgação que fiz, mas não sabem como conseguir, estão tendo dificuldades para conseguir.
Pois bem. Você pode conseguir o livro em sebos, principalmente pode tentar comprar na Internet. Por exemplo, você pode tentar a ESTANTE VIRTUAL, por exemplo.
Nota: eu não estou recebendo nenhuma comissão por isso. Apenas sei que o livro deve ser lido pelo máximo de pessoas. Esse livro de Carrano é uma ferramenta para a liberdade.
You can buy the book The Corner of the Damned, which tells a true story about a Brazilian who endured the great pains of institutionalization in the Brazilian asylums.
Nada melhor do que usarmos esta sexta-feira para relembrar a grande luta de Carrano por liberdade, humanidade e igualdade.
Sei que muitas pessoas não conheciam Carrano. Muitos não sabiam quem era Carrano, pois no filme Bicho de Sete Cabeças seu nome era Neto, e o filme é mais conhecido que o livro.
Sei que agora muitos gostariam de adquirir o livro, depois de toda a divulgação que fiz, mas não sabem como conseguir, estão tendo dificuldades para conseguir.
Pois bem. Você pode conseguir o livro em sebos, principalmente pode tentar comprar na Internet. Por exemplo, você pode tentar a ESTANTE VIRTUAL, por exemplo.
Nota: eu não estou recebendo nenhuma comissão por isso. Apenas sei que o livro deve ser lido pelo máximo de pessoas. Esse livro de Carrano é uma ferramenta para a liberdade.
You can buy the book The Corner of the Damned, which tells a true story about a Brazilian who endured the great pains of institutionalization in the Brazilian asylums.
25.5.10
O contato humano de Richard Rasmussen - Ah se tivesse todo este contato humano na psiquiatria!
Veja os vídeos de Richard Rasmussen. O que isto tem a ver com saúde mental? É que o Richard Rasmussen é biólogo. E o interessante é que ele não lida com humanos, mas mostra mais toque humano com os animais do que todos os psiquiatras, psicólogos e todos os profissionais de saúde mental que já conheci na vida, que mal chegam perto de pacientes psiquiátricos. Quer dizer, alguma minoria chega perto, mas é bem raro.
Carrano explica a distância mostrada pela a maioria dos profissionais de saúde mental:
Quando o médico chegou, meu coração disparou. Dependia dele continuar naquele lugar pavoroso... dependia exclusivamente de mim mostrar a ele que eu era uma pessoa normal. Ao entrar no pátio foi imediatamente rodeado pelos internos que haviam tomado café em frente ao quarto onde eu dormira. Os do canto nem tomaram conhecimento do ilustre personagem. Aproximei-me. O enfermeiro do pátio falou alguma coisa ao seu ouvido e ele me olhou. Estendi-lhe a mão em cumprimento. Tocou apenas nas pontas dos meus dedos como se eu fosse contaminá-lo. Disse-lhe que queria falar-lhe. Abanou a cabeça positivamente, entreteu-se em seguida com o grupo ao seu redor e, rapidamente, saiu do pátio.
Extraído do livro Canto dos Malditos, p.39.
Carrano explica a distância mostrada pela a maioria dos profissionais de saúde mental:
Quando o médico chegou, meu coração disparou. Dependia dele continuar naquele lugar pavoroso... dependia exclusivamente de mim mostrar a ele que eu era uma pessoa normal. Ao entrar no pátio foi imediatamente rodeado pelos internos que haviam tomado café em frente ao quarto onde eu dormira. Os do canto nem tomaram conhecimento do ilustre personagem. Aproximei-me. O enfermeiro do pátio falou alguma coisa ao seu ouvido e ele me olhou. Estendi-lhe a mão em cumprimento. Tocou apenas nas pontas dos meus dedos como se eu fosse contaminá-lo. Disse-lhe que queria falar-lhe. Abanou a cabeça positivamente, entreteu-se em seguida com o grupo ao seu redor e, rapidamente, saiu do pátio.
Extraído do livro Canto dos Malditos, p.39.
24.5.10
A fúria de Carrano no hospício (excerto do livro Canto dos Malditos)
Se você me perguntar se eu acho que Carrano é foi grande escritor eu direi que não. Carrano foi um grande guerreiro. Seu livro Canto dos Malditos é cheio de erros de português assustadores, mas o que fascina é a fibra mostrada por ele no livro e confirmada na sua vida.
Por isso eu não mudo seus erros de português e coloco seus textos fielmente. Esse grande guerreiro me inspira!!! E espero que inspire você também, para que você se una a gente na luta por liberdade e igualdade.
Abaixo, mais um excerto de Austregésilo Carrano.
Sou tourino e, quando coloco uma ideia, eu faço, custe o que custar - eu fujo ou morro. Iria sair dali de alguma maneira. Antes de ser internado no San Julian, eu estava de caso com uma mulher. Seu nome era Paula. Ela era quem lutava pelos meus direitos, até enfrentando a ignorância de minha família. Suas tentativas de convencer meus pais a tirar-me daquele lugar acabou gerando antipatia de ambas as partes. Foi falar com o Dr. Alexandre Sech, em seu consultório na Rua José Loureiro, no Centro de Curitiba. Várias vezes... Mas nada de concreto conseguiu. Eu a cobrava com certa rudeza. Eu estava decidido a sair dali, mas não via como sair.
Cada vez mais rebelde dentro do hospício, já não sabiam mais o castigo que me dariam. Vivia sob o efeito da Turtulina. (...) Um dia peguei uma vassoura e saí pelo corredor estourando todas as lâmpadas que via. Fui amarrado a uma cama em um dos quartos. Os enfermeiros gostavam de tirar uma casquinha. Grudavam esparadrapos nos pelos das minhas pernas e puxavam _ eu lhes cuspia e levava mãozada na cara... eu xingava, cuspia, chorava de raiva!
Extraído do livro Canto dos Malditos (p.122) de Austregésilo Carrano Bueno
Nota importante: o nome do psiquiatra citado é verdadeiro, assim como o nome do hospício.
Tempos atrás eu não achava que ele conseguiria desenvolver um trabalho tão bom. Ele era PÉSSIMO no relacionamento com usuários. O cozinheiro (copeiro) também melhorou tremendamente. Que exemplos fantásticos!
Mas o faxineiro é realmente exemplar.
Eu realmente acho que ele deveria dar palestras para técnicos de saúde mental sobre como lidar com pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos com humanidade. E eu acho que ele deveria ser bem mais valorizado e reconhecido.
Infelizmente não posso dar nota tão positiva para a maioria dos técnicos deste CAPS, apesar de admitir que melhoraram bastante.
Quando eles chegam para mim dizendo que querem ajudar em alguma coisa eu só posso dizer uma coisa:
Muito ajuda quem não atrapalha.
Vocês vão estar ajudando bastante se respeitarem os usuários do CAPS, ou seja, é importante respeitar as leis, mas acima de tudo é importante respeitar as pessoas, os usuários de CAPS.
Para aqueles técnicos que acreditam que são de uma hierarquia superior quero lembrá-los mais uma vez que TODOS OS USUÁRIOS DE SAÚDE MENTAL SÃO SEUS PATRÕES. Logo, a única hierarquia que existe na verdade é:
Nós usuários de saúde mental somos os patrões, e vocês técnicos de saúde mental são os empregados.
Podem ter certeza que ninguém quer oprimir vocês. Queremos apenas respeito.
Posso garantir para vocês que vocês podem conseguir várias coisas benéficas para todos vocês de todos os usuários se vocês respeitá-los SEMPRE. O respeito começa com a verdade.
Várias vezes me impressionei com a sinceridade de alguns raros profissionais de saúde mental. Como no caso da psiquiatra que admitiu, com verdade, que os psicotrópicos causam sérios danos. (Falo de uma psiquiatra nascida em 13 de março.)
Ou como no caso de uma enfermeira que admitiu as sérias dificuldades do CAPS, em vez de tentar desviar o assunto. (É muito comum na saúde mental profissionais tentarem abafar os problemas. Falo de uma enfermeira que esteve em Angra dos Reis, no Encontro da Luta Antimanicomial.)
Esses rompantes de verdade são algo bonito e admirável.
Por outro lado, foi bem desagradável para mim saber que algum profissional de meu CAPS espalhou uma notícia de que eu sairia do CAPS.
Isso é maldade. Maldade não contra mim, mas contra os usuários, que consideram minhas ações lá importantíssimas.
Eu já disse várias vezes no passado que EU SÓ SAIREI DO CAPS QUANDO TUDO ESTIVER FUNCIONANDO DA FORMA MAIS CORRETA, MAIS INCLUSIVA POSSÍVEL.
Portanto se quer realmente ajudar, comece com sinceridade. Faça sua parte, respeite os usuários de saúde mental e PERMITA-NOS FALAR!!!
Se houver tal respeito com certeza haverá melhorias para todos os usuários e para os técnicos também.
Por isso eu não mudo seus erros de português e coloco seus textos fielmente. Esse grande guerreiro me inspira!!! E espero que inspire você também, para que você se una a gente na luta por liberdade e igualdade.
Abaixo, mais um excerto de Austregésilo Carrano.
Sou tourino e, quando coloco uma ideia, eu faço, custe o que custar - eu fujo ou morro. Iria sair dali de alguma maneira. Antes de ser internado no San Julian, eu estava de caso com uma mulher. Seu nome era Paula. Ela era quem lutava pelos meus direitos, até enfrentando a ignorância de minha família. Suas tentativas de convencer meus pais a tirar-me daquele lugar acabou gerando antipatia de ambas as partes. Foi falar com o Dr. Alexandre Sech, em seu consultório na Rua José Loureiro, no Centro de Curitiba. Várias vezes... Mas nada de concreto conseguiu. Eu a cobrava com certa rudeza. Eu estava decidido a sair dali, mas não via como sair.
Cada vez mais rebelde dentro do hospício, já não sabiam mais o castigo que me dariam. Vivia sob o efeito da Turtulina. (...) Um dia peguei uma vassoura e saí pelo corredor estourando todas as lâmpadas que via. Fui amarrado a uma cama em um dos quartos. Os enfermeiros gostavam de tirar uma casquinha. Grudavam esparadrapos nos pelos das minhas pernas e puxavam _ eu lhes cuspia e levava mãozada na cara... eu xingava, cuspia, chorava de raiva!
Extraído do livro Canto dos Malditos (p.122) de Austregésilo Carrano Bueno
Nota importante: o nome do psiquiatra citado é verdadeiro, assim como o nome do hospício.
Bravo, faxineiro!
Não poderia deixar de mencionar o faxineiro do CAPS Rubens Corrêa, que desenvolveu um fantástico relacionamento cheio de respeito com os usuários do CAPS Rubens. Ele está conseguindo ter autoridade, sem ser autoritário. Um exemplo fantástico!!!Tempos atrás eu não achava que ele conseguiria desenvolver um trabalho tão bom. Ele era PÉSSIMO no relacionamento com usuários. O cozinheiro (copeiro) também melhorou tremendamente. Que exemplos fantásticos!
Mas o faxineiro é realmente exemplar.
Eu realmente acho que ele deveria dar palestras para técnicos de saúde mental sobre como lidar com pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos com humanidade. E eu acho que ele deveria ser bem mais valorizado e reconhecido.
Muito ajuda quem não atrapalha
Infelizmente não posso dar nota tão positiva para a maioria dos técnicos deste CAPS, apesar de admitir que melhoraram bastante.
Quando eles chegam para mim dizendo que querem ajudar em alguma coisa eu só posso dizer uma coisa:
Muito ajuda quem não atrapalha.
Vocês vão estar ajudando bastante se respeitarem os usuários do CAPS, ou seja, é importante respeitar as leis, mas acima de tudo é importante respeitar as pessoas, os usuários de CAPS.
Para aqueles técnicos que acreditam que são de uma hierarquia superior quero lembrá-los mais uma vez que TODOS OS USUÁRIOS DE SAÚDE MENTAL SÃO SEUS PATRÕES. Logo, a única hierarquia que existe na verdade é:
Nós usuários de saúde mental somos os patrões, e vocês técnicos de saúde mental são os empregados.
Podem ter certeza que ninguém quer oprimir vocês. Queremos apenas respeito.
Posso garantir para vocês que vocês podem conseguir várias coisas benéficas para todos vocês de todos os usuários se vocês respeitá-los SEMPRE. O respeito começa com a verdade.
Vocês podem ajudar bastante com sinceridade
Várias vezes me impressionei com a sinceridade de alguns raros profissionais de saúde mental. Como no caso da psiquiatra que admitiu, com verdade, que os psicotrópicos causam sérios danos. (Falo de uma psiquiatra nascida em 13 de março.)
Ou como no caso de uma enfermeira que admitiu as sérias dificuldades do CAPS, em vez de tentar desviar o assunto. (É muito comum na saúde mental profissionais tentarem abafar os problemas. Falo de uma enfermeira que esteve em Angra dos Reis, no Encontro da Luta Antimanicomial.)
Esses rompantes de verdade são algo bonito e admirável.
Por outro lado, foi bem desagradável para mim saber que algum profissional de meu CAPS espalhou uma notícia de que eu sairia do CAPS.
Isso é maldade. Maldade não contra mim, mas contra os usuários, que consideram minhas ações lá importantíssimas.
Eu já disse várias vezes no passado que EU SÓ SAIREI DO CAPS QUANDO TUDO ESTIVER FUNCIONANDO DA FORMA MAIS CORRETA, MAIS INCLUSIVA POSSÍVEL.
Portanto se quer realmente ajudar, comece com sinceridade. Faça sua parte, respeite os usuários de saúde mental e PERMITA-NOS FALAR!!!
Se houver tal respeito com certeza haverá melhorias para todos os usuários e para os técnicos também.
22.5.10
Preocupação de autoridades católicas com células artificiais
ROMA, Itália (AFP) - Autoridades católicas italianas expressaram perplexidade e preocupação com o anúncio da criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético, e destacaram um potencial "devastador salto ao desconhecido".
"Nas mãos erradas, a novidade de hoje pode representar amanhã um devastador salto ao desconhecido", afirmou o bispo Domenico Mogavero, presidente da Comissão para Assuntos Jurídicos da Conferência Episcopal italiana, em entrevista ao jornal La Stampa.
"O homem vem de Deus, mas não é Deus: é humano e tem a possibilidade de dar a vida procriando e não construindo-a artificialmente", acrescentou.
A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético foi anunciada na quinta-feira. A experiência abre caminho para a produção de organismos artificiais, segundo os coordenadores da pesquisa realizada nos Estados Unidos.
"É a natureza humana que dá sua dignidade ao genoma humano, não o contrário. O pesadelo contra o qual tempos que lutar é a manipulação da vida, a eugenia", disse Mogavero.
Para o teólogo Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, região central da Itália, "a preocupação pode ser resumida em uma pergunta: o cientificamente possível também é justo do ponto de vista ético?".
Notícia completa no Yahoo! Notícias.
Abaixo, Carrano fala sobre os progressos maravilhosos da ciência que faz coisas lindas, mas que nunca chega a ser prática para realmente tratar das pessoas como seres humanos.
E não estou sozinho ao afirmar que o conjunto dos meios empregados pela psiquiatria, nos tratamentos das chamadas doenças mentais,constitui um erro fundamental: o uso de produtos químicos, alterando as funções fisioquímicas do corpo humano, na expectativa de uma mudança DE COMPORTAMENTO do paciente. Essas mudanças forçosas das funções e estruturas do corpo humano, são prejudiciais, à própria essência do ser humano.
(...)Num futuro próximo nossa geração será, sem dúvidas, considerada como bárbara e ignorante... E criticada: enquanto o homem fazia viagens interplanetarias, não conseguia nem sequer separar um problema de seu íntimo de um problema de seu físico.
Pois é, Carrano, enquanto o homem faz células e clones para se vangloriar, não consegue amar seu próximo ao ponto de se aproximar de um paciente psiquiátrico e tratá-lo como gente em vez de objeto ou cobaia.
"Nas mãos erradas, a novidade de hoje pode representar amanhã um devastador salto ao desconhecido", afirmou o bispo Domenico Mogavero, presidente da Comissão para Assuntos Jurídicos da Conferência Episcopal italiana, em entrevista ao jornal La Stampa.
"O homem vem de Deus, mas não é Deus: é humano e tem a possibilidade de dar a vida procriando e não construindo-a artificialmente", acrescentou.
A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético foi anunciada na quinta-feira. A experiência abre caminho para a produção de organismos artificiais, segundo os coordenadores da pesquisa realizada nos Estados Unidos.
"É a natureza humana que dá sua dignidade ao genoma humano, não o contrário. O pesadelo contra o qual tempos que lutar é a manipulação da vida, a eugenia", disse Mogavero.
Para o teólogo Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, região central da Itália, "a preocupação pode ser resumida em uma pergunta: o cientificamente possível também é justo do ponto de vista ético?".
Notícia completa no Yahoo! Notícias.
Abaixo, Carrano fala sobre os progressos maravilhosos da ciência que faz coisas lindas, mas que nunca chega a ser prática para realmente tratar das pessoas como seres humanos.
E não estou sozinho ao afirmar que o conjunto dos meios empregados pela psiquiatria, nos tratamentos das chamadas doenças mentais,constitui um erro fundamental: o uso de produtos químicos, alterando as funções fisioquímicas do corpo humano, na expectativa de uma mudança DE COMPORTAMENTO do paciente. Essas mudanças forçosas das funções e estruturas do corpo humano, são prejudiciais, à própria essência do ser humano.
(...)Num futuro próximo nossa geração será, sem dúvidas, considerada como bárbara e ignorante... E criticada: enquanto o homem fazia viagens interplanetarias, não conseguia nem sequer separar um problema de seu íntimo de um problema de seu físico.
Pois é, Carrano, enquanto o homem faz células e clones para se vangloriar, não consegue amar seu próximo ao ponto de se aproximar de um paciente psiquiátrico e tratá-lo como gente em vez de objeto ou cobaia.
21.5.10
HOMEM MORRE BALEADO POR USAR UMA FURADEIRA
O corpo do supervisor de loja Hélio Barreira Ribeiro, 47 anos, foi enterrado às 15h15, nesta quinta-feira, no cemitério do Caju, zona norte do Rio de Janeiro. Ele morreu ontem após ser baleado por um policial do batalhão de operações especiais (Bope) quando estava no terraço de sua casa em uma vila no bairro do Andaraí. O PM teria confundido uma furadeira que estava na mão da vítima com uma submetralhadora.
Notícia no JC ONLINE.
Esses policiais vão me perdoar mas é preciso ser muito covarde para se esconder atrás de armas e matar com tanta facilidade, frieza e indiferença. Que os policiais me desculpem pela franqueza.
SOLTA O VERBO, CARRANO!!!!
É incrível a violência policial, como são covardes! Você já está preso, não é otário de reagir. Você está ali: é só sim senhor! não senhor, aí eles começam a enchê-lo de porrada. É preciso, para isso, ser muito mesquinho e covarde. E no meio policial... é uma tradição eles derrubarem de pancada o infrator. Eles não são odiados de graça e merecem o pseudônimo de ratos...
(Extraído de Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno.)
Carrano, convenhamos que ratos são bem mais mansos e inofensivos. Nunca nenhum rato de verdade matou alguém tão covardemente.
Notícia no JC ONLINE.
Esses policiais vão me perdoar mas é preciso ser muito covarde para se esconder atrás de armas e matar com tanta facilidade, frieza e indiferença. Que os policiais me desculpem pela franqueza.
SOLTA O VERBO, CARRANO!!!!
É incrível a violência policial, como são covardes! Você já está preso, não é otário de reagir. Você está ali: é só sim senhor! não senhor, aí eles começam a enchê-lo de porrada. É preciso, para isso, ser muito mesquinho e covarde. E no meio policial... é uma tradição eles derrubarem de pancada o infrator. Eles não são odiados de graça e merecem o pseudônimo de ratos...
(Extraído de Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno.)
Carrano, convenhamos que ratos são bem mais mansos e inofensivos. Nunca nenhum rato de verdade matou alguém tão covardemente.
18.5.10
Carrano: "A OMISSÃO SOCIAL, A SUA, É CÚMPLICE DESSES EXTERMÍNIOS, SE TOCA, CRIMINOSOS COVARDES"
Essas frases devem ser mais agressivas, pois é um absurdo estarmos (...) ainda discutindo como tratar um semelhante independente de suas posses. Como podemos ser tão insensíveis?
A gente denuncia, mostra soluções e a sociedade continua omissa. Você leitor continua omisso.
Austregésilo Carrano Bueno
Obrigado, Carrano, por esta fala no dia Nacional da Luta Antimanicomial.
Infelizmente Carrano não conseguiu obter a justiça que merecia. Uma pena que os grandes líderes desta luta antimanicomial não o apoiaram no final.
Os líderes da luta antimanicomial são homens bem poderosos. Se eles tivessem apoiado o Carrano não conseguiriam ganhar dele no processo e condená-lo. Os grandes líderes da luta antimanicomial são os poderosos que coordenam a saúde mental do Brasil, poderosos que escrevem livros. Ninguém é mais poderoso que esses chefões. como os familiares de psiquiatras de hospitais mixurucas do Paraná iam ganhar dos poderosos chefes da saúde mental do Brasil?
O que quero dizer é que deveria ser um dever dos líderes da luta antimanicomial defender os direitos de ex-pacientes psiquiátricos. Porém, o deixaram sozinho, ao deus-dará...
Carrano, você foi traído.
Tanto que hoje em dia esses covardes líderes da luta antimanicomial sequer querem falar da sua luta, Carrano. Nenhum deles quer falar de sua luta contra os psicotrópicos por exemplo. Eles já não falam mais da sua luta por indenizações. Querem aposentar todo mundo.
Provavelmente você percebeu isso antes de morrer. Mas por que não falou disso publicamente? Provavelmente não deu tempo.
Naturalmente não me considero um grande defensor da Luta Antimanicomial. Luta Antimanicomial é política. Sou um grande defensor dos direitos humanos e da igualdade.
Nesta luta política tentam esconder as coisas erradas, tentam esconder as vítimas. Como já disse aqui, sei de vários companheiros usuários de CAPS que se tornaram mendigos. Geralmente somem pessoas de CAPS. Ninguém da saúde mental fala sobre o paradeiro dessas pessoas. Não sabemos o que aconteceu com os desaparecidos. Eles são esquecidos. Por acaso encontro alguns e fico sabendo que se tornaram mendigos. O sistema os transformou em mendigos. A DESASSISTÊNCIA OS TRANSFORMOU EM MENDIGOS.
Cada vez que vejo um companheiro paciente psiquiátrico mendigando me sinto mendigo também. Pois são meus irmãos.
Os serviços de saúde mental de hoje não tem estrutura. E o mais revoltante é que continuam criando novos CAPS para mostra como promoção política, para obter vantagens políticas. Pois infelizmente os CAPS não têm equipe o suficiente.
com os serviços de saúde mental sem equipe suficiente e sem recursos os usuários de saúde mental são empurrados de serviço para serviço e, infelizmente, nesta desassistência, muitos acabam na rua, na sarjeta, muitos chegam a morrer.
E as propagandas sobre a reforma continuam. Sempre de uma maneira comercial e nada humana.
Agora, com licença, preciso continuar lutando para não me tornar o próximo mendigo.
A gente denuncia, mostra soluções e a sociedade continua omissa. Você leitor continua omisso.
Austregésilo Carrano Bueno
Obrigado, Carrano, por esta fala no dia Nacional da Luta Antimanicomial.
Infelizmente Carrano não conseguiu obter a justiça que merecia. Uma pena que os grandes líderes desta luta antimanicomial não o apoiaram no final.
Os líderes da luta antimanicomial são homens bem poderosos. Se eles tivessem apoiado o Carrano não conseguiriam ganhar dele no processo e condená-lo. Os grandes líderes da luta antimanicomial são os poderosos que coordenam a saúde mental do Brasil, poderosos que escrevem livros. Ninguém é mais poderoso que esses chefões. como os familiares de psiquiatras de hospitais mixurucas do Paraná iam ganhar dos poderosos chefes da saúde mental do Brasil?
O que quero dizer é que deveria ser um dever dos líderes da luta antimanicomial defender os direitos de ex-pacientes psiquiátricos. Porém, o deixaram sozinho, ao deus-dará...
Carrano, você foi traído.
Tanto que hoje em dia esses covardes líderes da luta antimanicomial sequer querem falar da sua luta, Carrano. Nenhum deles quer falar de sua luta contra os psicotrópicos por exemplo. Eles já não falam mais da sua luta por indenizações. Querem aposentar todo mundo.
Provavelmente você percebeu isso antes de morrer. Mas por que não falou disso publicamente? Provavelmente não deu tempo.
Mendigos do Sistema Único de Saúde, mendigos da Luta Antimanicomial
Naturalmente não me considero um grande defensor da Luta Antimanicomial. Luta Antimanicomial é política. Sou um grande defensor dos direitos humanos e da igualdade.
Nesta luta política tentam esconder as coisas erradas, tentam esconder as vítimas. Como já disse aqui, sei de vários companheiros usuários de CAPS que se tornaram mendigos. Geralmente somem pessoas de CAPS. Ninguém da saúde mental fala sobre o paradeiro dessas pessoas. Não sabemos o que aconteceu com os desaparecidos. Eles são esquecidos. Por acaso encontro alguns e fico sabendo que se tornaram mendigos. O sistema os transformou em mendigos. A DESASSISTÊNCIA OS TRANSFORMOU EM MENDIGOS.
Cada vez que vejo um companheiro paciente psiquiátrico mendigando me sinto mendigo também. Pois são meus irmãos.
Os serviços de saúde mental de hoje não tem estrutura. E o mais revoltante é que continuam criando novos CAPS para mostra como promoção política, para obter vantagens políticas. Pois infelizmente os CAPS não têm equipe o suficiente.
com os serviços de saúde mental sem equipe suficiente e sem recursos os usuários de saúde mental são empurrados de serviço para serviço e, infelizmente, nesta desassistência, muitos acabam na rua, na sarjeta, muitos chegam a morrer.
E as propagandas sobre a reforma continuam. Sempre de uma maneira comercial e nada humana.
Agora, com licença, preciso continuar lutando para não me tornar o próximo mendigo.
16.5.10
Indenização pelas torturas psiquiátricas sofridas (Texto de Carrano)
Ainda espero ser indenizado pelas torturas psiquiátricas sofridas, pela minha condenação aos preconceitos sociais, danos físicos, emocionais, morais, danos na minha formação profissional, danos financeiros, destruição de minha adolescência.
E esses meus direitos de cidadão serão cobrados até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos ficará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, e não desistirei por nada nem que leve o resto de minha vida.
Austregésilo Carrano Bueno
Dia 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Aproveito esta ocasião para declarar que estou aqui para continuar a luta de Carrano, E FINALIZÁ-LA EM SUA TOTALIDADE.
Sempre escuto companheiros sofridos reclamando que estão com dificuldades para se aposentar, depois de enfrentar as dores e privações de paciente psiquiátrico. Tento sempre lembrá-los de Austregésilo Carrano. Carrano NUNCA falou em aposentadoria.
Aposentadoria é papo de profissional de saúde mental que quer fazer cabeça de usuário para uma conveniente aposentadoria, aí a pessoa recebe como se fosse um benefício, a pessoa recebe uma mixaria que tira sua dignidade, quando na verdade a pessoa tem direito a uma indenização JUSTA, e não esmola.
Nada mais triste que ver meus companheiros de trabalho em informática, por exemplo, de cabeça baixa, pois as negociações para o projeto estão engatinhando, na verdade estão obscuras e mal sabemos o que está acontecendo. Infelizmente não tem nenhum profissional responsável, nem de CAPS, nem de institutos como o Pinel ou o Nise da Silveira para representar e manter os usuários que tem direito ao projeto de informática informados.
Eles excluem a gente das negociações, não nos deixam participar das reuniões de negociações, e não respondem por nada, não entram em contato, NADA.
Esses meus colegas já falam em se aposentar. Absurdo. Nós ex-pacientes psiquiátricos temos direito não apenas a ser incluídos no mundo do trabalho, mas também merecemos indenizações.
Acho que nem precisava dizer que merecemos RESPEITO TAMBÉM.
Carrano, eu garanto para você que o dinheiro que tiraram de você voltará para a gente, esse dinheiro voltará para investimentos para pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos.
Nota: Eu quero dizer, ser empregado em diferentes especialidades, e não EXCLUSIVAMENTE como profissionais de saúde mental!
E esses meus direitos de cidadão serão cobrados até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos ficará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, e não desistirei por nada nem que leve o resto de minha vida.
Austregésilo Carrano Bueno
Dia 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Aproveito esta ocasião para declarar que estou aqui para continuar a luta de Carrano, E FINALIZÁ-LA EM SUA TOTALIDADE.
Sempre escuto companheiros sofridos reclamando que estão com dificuldades para se aposentar, depois de enfrentar as dores e privações de paciente psiquiátrico. Tento sempre lembrá-los de Austregésilo Carrano. Carrano NUNCA falou em aposentadoria.
Aposentadoria é papo de profissional de saúde mental que quer fazer cabeça de usuário para uma conveniente aposentadoria, aí a pessoa recebe como se fosse um benefício, a pessoa recebe uma mixaria que tira sua dignidade, quando na verdade a pessoa tem direito a uma indenização JUSTA, e não esmola.
Direito legítimo a inclusão no trabalho
Ao dar continuidade a luta de Carrano não me esqueço nunca do direito legítimo de todos nós ex-pacientes psiquiátricos ao trabalho, a inclusão no trabalho a PARTIR dos serviços de saúde mental.Nada mais triste que ver meus companheiros de trabalho em informática, por exemplo, de cabeça baixa, pois as negociações para o projeto estão engatinhando, na verdade estão obscuras e mal sabemos o que está acontecendo. Infelizmente não tem nenhum profissional responsável, nem de CAPS, nem de institutos como o Pinel ou o Nise da Silveira para representar e manter os usuários que tem direito ao projeto de informática informados.
Eles excluem a gente das negociações, não nos deixam participar das reuniões de negociações, e não respondem por nada, não entram em contato, NADA.
Esses meus colegas já falam em se aposentar. Absurdo. Nós ex-pacientes psiquiátricos temos direito não apenas a ser incluídos no mundo do trabalho, mas também merecemos indenizações.
Acho que nem precisava dizer que merecemos RESPEITO TAMBÉM.
Carrano, eu garanto para você que o dinheiro que tiraram de você voltará para a gente, esse dinheiro voltará para investimentos para pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos.
Porque é importante que os usuários de saúde mental sejam capacitados e empregados dentro de serviços de saúde mental
É importante que as pessoas que passaram pela experiência de paciente psiquiátrico sejam empregadas em serviços de saúde mental, pois é a única forma de manter a pessoa próxima das lutas por melhoria na saúde mental, lembrando sempre que cada um dos ex-pacientes psiquiátricos é importantíssimo na formação de novos profissionais da área. Como fazer uso desses ex-pacientes psiquiátricos se eles forem afastados dos serviços de saúde mental?Nota: Eu quero dizer, ser empregado em diferentes especialidades, e não EXCLUSIVAMENTE como profissionais de saúde mental!
6.5.09
Diagnósticos da psiquiatria
Esses psiquiatras são mágicos ou paranormais. Olham para o paciente... e já sabem os tipos de traumas, de lesões, de doenças, enfim, são mestres em diagnose a olho! Rabiscam dosagens de comprimidos sem ao menos esquentarem suas consciências, se é que têm alguma? Esses medicamentos têm efeitos a longo e curto prazo...
Extraído do livro CANTO DOS MALDITOS de Austregésilo Carrano Bueno
Essa é a visão de Carrano diante dos diagnósticos a olho da psiquiatria. O diagnóstico de Carrano foi feito há mais de trinta anos atrás, mas o meu foi feito há seis anos. Carrano, você não ia acreditar se eu te contasse que hoje, na era das grandes descobertas, eu tenho um diagnóstico que também foi feito a olho. Diagnose a olho! Daí que um entendido de psiquiatria deixou o seguinte relato abaixo:
Um bom diagnóstico em Psiquiatria baseia-se em dados provenientes não só do Exame do Estado Mental como resultados de exames de imagiologia e, claro, tendo em consideração os dados/sintomas de natureza somática - se os houver.
O único problema é que no meu diagnóstico o psiquiatra mal me ouviu e não fez nenhum exame de imagiologia. Isso quer dizer que meu diagnóstico foi feito de qualquer jeito, mas existem formas de se fazer um bom diagnóstico, com exames e tudo. Quantas coisas precisamos mudar na saúde pública...
A primeira notícia interessante indica que Problemas emocionais podem causar doenças em todos os órgãos e sistemas do organismo. É bem interessante dê uma olhada.
O mais importante é a parte em que a organização não governamental Rethink, que trabalha com problemas mentais, disse que o estudo é um grande passo, e continuou dizendo "Com doenças mentais recebendo apenas 6,5% do investimento para pesquisas na Grã-Bretanha, deverá levar um longo tempo para que essas descobertas sejam transformadas em grandes avanços". Ele chamou a atenção para um problema sério: se investe pouquíssimo em pesquisas de saúde mental. É por isso que o campo de saúde mental está tão atrasado.
O problema é que não estão desenvolvendo tratamentos mais eficientes, mas estão desenvolvendo formas mais eficientes de controlar. Esse recurso está sendo desenvolvido em Londres e tomara que nunca chegue aqui. É bem invasivo. VEJA Microchip que avisa ao médico se você tomou sua medicação
Extraído do livro CANTO DOS MALDITOS de Austregésilo Carrano Bueno
Essa é a visão de Carrano diante dos diagnósticos a olho da psiquiatria. O diagnóstico de Carrano foi feito há mais de trinta anos atrás, mas o meu foi feito há seis anos. Carrano, você não ia acreditar se eu te contasse que hoje, na era das grandes descobertas, eu tenho um diagnóstico que também foi feito a olho. Diagnose a olho! Daí que um entendido de psiquiatria deixou o seguinte relato abaixo:
Um bom diagnóstico em Psiquiatria baseia-se em dados provenientes não só do Exame do Estado Mental como resultados de exames de imagiologia e, claro, tendo em consideração os dados/sintomas de natureza somática - se os houver.
O único problema é que no meu diagnóstico o psiquiatra mal me ouviu e não fez nenhum exame de imagiologia. Isso quer dizer que meu diagnóstico foi feito de qualquer jeito, mas existem formas de se fazer um bom diagnóstico, com exames e tudo. Quantas coisas precisamos mudar na saúde pública...
Notícias interessantes sobre saúde mental
Últimas notícias que você pode ver no blog de notícias http://opacientepsiquiatrico.blogspot.com/.A primeira notícia interessante indica que Problemas emocionais podem causar doenças em todos os órgãos e sistemas do organismo. É bem interessante dê uma olhada.
Se investe pouco em pesquisas para doenças mentais
A segunda notícia está mais direcionada a nós, pacientes psiquiátricos: Gene tem papel importante na esquizofrenia. É mais uma pesquisa que tenta ligar os chamados transtornos mentais à problemas genéticos.O mais importante é a parte em que a organização não governamental Rethink, que trabalha com problemas mentais, disse que o estudo é um grande passo, e continuou dizendo "Com doenças mentais recebendo apenas 6,5% do investimento para pesquisas na Grã-Bretanha, deverá levar um longo tempo para que essas descobertas sejam transformadas em grandes avanços". Ele chamou a atenção para um problema sério: se investe pouquíssimo em pesquisas de saúde mental. É por isso que o campo de saúde mental está tão atrasado.
Microchip que avisa ao médico se você tomou sua medicação
Realmente essa é uma notícia que assusta. Um microchip para controlar se uma pessoa está tomando a medicação ou não... Com um recurso desses a gente estaria vigiado até a alma.O problema é que não estão desenvolvendo tratamentos mais eficientes, mas estão desenvolvendo formas mais eficientes de controlar. Esse recurso está sendo desenvolvido em Londres e tomara que nunca chegue aqui. É bem invasivo. VEJA Microchip que avisa ao médico se você tomou sua medicação
Alimentos que podem afastar a depressão
Por outro lado, esse é um informativo reanimador. O Dr. Eduardo Gomes, especializado em terapia ortomolecular, fala de alimentos que podem afastar a depressão. VEJA Alimentos que podem afastar a depressão.3.5.09
Pacientes Psiquiátricos mais graves estão esquecidos
"Os efeitos dos longos períodos de entupimento de medicamentos, dados em total desleixo, que os tiram dessa vida em poucos anos, matando-os... O que é isso?... Abandonar um grupo de pacientes nas mãos de irresponsáveis... O que é? E muitas outras perguntas temos o direito e o dever de cobrar. E exigir responsabilidades por tantas dores e sangue, dentro das nossas instituições psiquiátricas. Não me interessa se lá fora, em algum lugar, é assim, ou pior... Só sei que fui vítima. Exijo justiça...Exijo."
Extraído do livro CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano Bueno
Devo continuar falando sobre o preparo que os profissionais de saúde mental dos CAPS recebem: pode até ser suficiente para ajudar os pacientes psiquiátricos menos graves. Mas e aqueles pacientes que precisam de mais atenção? Os profissionais de saúde mental dos CAPS não estão preparados para lidar com aqueles pacientes psiquiátricos que demandam mais atenção.
Além dos pacientes psiquiátricos mencionados na postagem Pacientes Psiquiátricos graves há outros. Há, por exemplo, o paciente que mal consegue falar. Só fica sentado olhando para o tempo. Não participa de nenhuma atividade. E os profissionais do CAPS não sabem o que fazer com ele. Não sabem como estimulá-lo. Não foram preparados para isso. O CAPS não está estruturado para tratar esses pacientes psiquiátricos mais graves.
O CAPS está cheio de psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. São 3 psiquiatras, mais de 3 psicólogos e nem sei quantos enfermeiros. Psiquiatras e psicólogos podem ser ótimos para pacientes já recuperados, pois esses só vão falar com psicólogos e ajustar medicação com psiquiatras. Enfermeiro serve para dar medicação. Mas os pacientes psiquiátricos mais graves, que perderam o contato com o mundo precisam de toque humano. Precisam de estímulos. Não adianta só entupí-los com medicação. Aliás, a medicação só vai encurtar a vida deles. Precisam de TERAPEUTAS OCUPACIONAIS, por exemplo. O CAPS Rubens Corrêa só tem uma terapeuta ocupacional, a Dayse Cristina Junqueira. Excelente profissional, diga-se de passagem.
Extraído do livro CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano Bueno
Devo continuar falando sobre o preparo que os profissionais de saúde mental dos CAPS recebem: pode até ser suficiente para ajudar os pacientes psiquiátricos menos graves. Mas e aqueles pacientes que precisam de mais atenção? Os profissionais de saúde mental dos CAPS não estão preparados para lidar com aqueles pacientes psiquiátricos que demandam mais atenção.
Além dos pacientes psiquiátricos mencionados na postagem Pacientes Psiquiátricos graves há outros. Há, por exemplo, o paciente que mal consegue falar. Só fica sentado olhando para o tempo. Não participa de nenhuma atividade. E os profissionais do CAPS não sabem o que fazer com ele. Não sabem como estimulá-lo. Não foram preparados para isso. O CAPS não está estruturado para tratar esses pacientes psiquiátricos mais graves.
O CAPS está cheio de psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. São 3 psiquiatras, mais de 3 psicólogos e nem sei quantos enfermeiros. Psiquiatras e psicólogos podem ser ótimos para pacientes já recuperados, pois esses só vão falar com psicólogos e ajustar medicação com psiquiatras. Enfermeiro serve para dar medicação. Mas os pacientes psiquiátricos mais graves, que perderam o contato com o mundo precisam de toque humano. Precisam de estímulos. Não adianta só entupí-los com medicação. Aliás, a medicação só vai encurtar a vida deles. Precisam de TERAPEUTAS OCUPACIONAIS, por exemplo. O CAPS Rubens Corrêa só tem uma terapeuta ocupacional, a Dayse Cristina Junqueira. Excelente profissional, diga-se de passagem.
O Paciente Psiquiátrico mais grave precisa de estímulos para voltar à realidade
A terapeuta ocupacional do CAPS é a profissional que mais faz bem para pacientes psiquiátricos mais graves do CAPS. Psiquiatras não sabem nem o que fazer quando se deparam com um paciente psiquiátrico mais grave. Não sabem como se comunicar. Quanto aos psicólogos, sem chance. Se um psicólogo começar a falar com um paciente psiquiátrico mais grave só vai conseguir fazê-lo dormir, ou irritá-lo. Pois não sabem como se aproximar. Não aprenderam.
Em resumo: está faltando terapeutas ocupacionais para atender os pacientes mais graves. Está faltando atividades que estimulem os pacientes psiquiátricos mais graves. Na verdade, seria legal se todos profissionais de um CAPS estivessem preparados para lidar com os pacientes psiquiátricos mais graves, que estão esquecidos.
Em resumo: está faltando terapeutas ocupacionais para atender os pacientes mais graves. Está faltando atividades que estimulem os pacientes psiquiátricos mais graves. Na verdade, seria legal se todos profissionais de um CAPS estivessem preparados para lidar com os pacientes psiquiátricos mais graves, que estão esquecidos.
Você está vendo o que está acontecendo?
Na verdade o ser humano está super avançado, mas não sabe se preocupar com seu próximo. O ser humano não é muito humano. Eu ainda sofro com discriminação da parte de muitos de meus próprios companheiros pacientes psiquiátricos. Muitos pacientes psiquiátricos consideram os "normais" mais capacitados, melhores, etc. A única forma de parar esses preconceitos bobos seria se todo mundo fosse paciente psiquiátrico... ou todo mundo fosse "normal".
Há discriminação contra portadores de HIV também. Muita gente tem uma discriminação velada, escondida. Muita gente que faz propaganda contra a AIDS, inclusive. Se todo mundo pegasse AIDS aí os cientistas iam achar uma cura rapidinho. Na verdade, quando a gente vê que outros têm o mal e a gente não, a gente fica despreocupado. "Para que lutar pelos outros?", a gente pensa. Se todos estivessem interessados no bem estar daqueles pacientes psiquiátricos gravíssimos a ciência avançadíssima já teria devolvido a "normalidade" para essas pessoas.
Há discriminação contra portadores de HIV também. Muita gente tem uma discriminação velada, escondida. Muita gente que faz propaganda contra a AIDS, inclusive. Se todo mundo pegasse AIDS aí os cientistas iam achar uma cura rapidinho. Na verdade, quando a gente vê que outros têm o mal e a gente não, a gente fica despreocupado. "Para que lutar pelos outros?", a gente pensa. Se todos estivessem interessados no bem estar daqueles pacientes psiquiátricos gravíssimos a ciência avançadíssima já teria devolvido a "normalidade" para essas pessoas.
8.3.09
CARRANO E A ANTIPSIQUIATRIA
As seqüelas que ficam são inúmeras. Físicas: queima de parte da minha visão; problemas de coluna; perda de alguns dentes pelo excesso de drogas legalizadas que chamam de medicação; manchas pelas pernas, de ficar amarrado, o que prejudica a circulação e causa dores; fissura na parte de trás da constituição óssea craniana. Segundo estudos da USP (Universidade de São Paulo), as pessoas que passaram pelo tratamento da eletroconvulsoterapia estão predispostas a desenvolver o mal de Alzheimer, pelas lesões cerebrais causadas pela aplicação. Emocionais: dificuldade de relacionamento; tendências ao isolamento; depressão; discriminação social; falta de oportunidades de emprego; carimbo que é um rótulo que nunca sai, o de louco; e outras dificuldades que a dita sociedade de "normais" nos impõe. A discriminação social é tamanha, que dentro do histórico forense brasileiro não existem indenizações por erros e crimes psiquiátricos. Ao vitimado psiquiátrico lhe resta como justiça social lutar até o fim da vida contra os preconceitos, essas barbáries sociais, onde ele sempre será a vítima solitária.
Acima eu compartilho parte de uma entrevista de Austregésilo Carrano Bueno, cujo livro deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças. Ele fala das consequências da internação psiquiátrica. A entrevista pode ser lida na íntegra no site do POVO ONLINE, na entrevista BICHO DE SETE CABEÇAS. Ao ler a entrevista fica claro que Carrano também era contra a administração dessas drogas psiquiátricas perigosas, que ele chamava de "drogas legalizadas que chamam de medicação". Ao ler a entrevista, fica claro que Carrano também era contra a psiquiatria tradicional. Infelizmente Carrano já morreu. Morreu em maio de 2008, aos 51 anos. Depois de ter ficado mal por um longo tempo. Oficialmente a morte dele foi por câncer de fígado. Mas acho que não é preciso lembrar que a saúde dele já estava enfraquecida por tomar essas drogas psiquiátricas perigosas. Infelizmente, todos que tomam essas drogas legalizadas estão fadados a ter a vida encurtada.
E eu gostaria de salientar ao ler a entrevista podemos ver que Carrano admitia ter doença mental. Ele admitia ter depressão. Ele não gostava muito é da idéia de ser tachado de louco. É bom que os leigos saibam que qualquer pessoa que passa a tomar medicação psiquiátrica desenvolve doença mental. Mesmo quando a pessoa era sã. A medicação psiquiátrica gera doença mental em quem não é doente mental. Se Carrano não tinha depressão antes, ele passou a ter depois de tomar a medicação psiquiátrica. Sem dúvida Carrano seria ativista do movimento da antipsiquiatria, se tivesse chance. Leia a entrevista e cuidado com medicação psiquiátrica!
Gostaria de fazer um pedido para as pessoas que viram o filme Bicho de Sete Cabeças para tomarem cuidado antes de começar a escrever sobre Carrano. Muita gente viu o filme, mas não leu o livro O Canto dos Malditos nem nenhum dos textos de Carrano, e por isso criaram idéias preconceituosas.
Eu li em alguns blogs coisas bem preconceituosas. Teve um blog que disse que Carrano, que de acordo com o blog não tinha nenhuma doença mental, teve que ficar internado com psicopatas. Senhor, quem está internado em hospitais psiquiátricos não é psicopata, não senhor. Deixe de falar bobagens, por favor. Teve outro blog que disse que Carrano sofreu mais que Cristo. Senhor, essa não é a idéia que Carrano queria passar. Você não entende nada da história da loucura. Carrano ficou internado 3 anos. Eu conheço gente que ficou internado mais de 40 anos. Algumas das pessoas ficaram internadas mais de 40 anos mantiveram o contato com o mundo... mas infelizmente a maioria das pessoas que ficaram internadas mais de 40 anos perderam todo toque com a realidade. E hoje vivem como bichos. Ou melhor, não vivem, vegetam. Moisés ficou internado mais de 40 anos, passou por todas as formas de tortura que você pode imaginar. E hoje em dia, ele trabalha. Esse é o verdadeiro herói.
Acima eu compartilho parte de uma entrevista de Austregésilo Carrano Bueno, cujo livro deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças. Ele fala das consequências da internação psiquiátrica. A entrevista pode ser lida na íntegra no site do POVO ONLINE, na entrevista BICHO DE SETE CABEÇAS. Ao ler a entrevista fica claro que Carrano também era contra a administração dessas drogas psiquiátricas perigosas, que ele chamava de "drogas legalizadas que chamam de medicação". Ao ler a entrevista, fica claro que Carrano também era contra a psiquiatria tradicional. Infelizmente Carrano já morreu. Morreu em maio de 2008, aos 51 anos. Depois de ter ficado mal por um longo tempo. Oficialmente a morte dele foi por câncer de fígado. Mas acho que não é preciso lembrar que a saúde dele já estava enfraquecida por tomar essas drogas psiquiátricas perigosas. Infelizmente, todos que tomam essas drogas legalizadas estão fadados a ter a vida encurtada.
E eu gostaria de salientar ao ler a entrevista podemos ver que Carrano admitia ter doença mental. Ele admitia ter depressão. Ele não gostava muito é da idéia de ser tachado de louco. É bom que os leigos saibam que qualquer pessoa que passa a tomar medicação psiquiátrica desenvolve doença mental. Mesmo quando a pessoa era sã. A medicação psiquiátrica gera doença mental em quem não é doente mental. Se Carrano não tinha depressão antes, ele passou a ter depois de tomar a medicação psiquiátrica. Sem dúvida Carrano seria ativista do movimento da antipsiquiatria, se tivesse chance. Leia a entrevista e cuidado com medicação psiquiátrica!
Gostaria de fazer um pedido para as pessoas que viram o filme Bicho de Sete Cabeças para tomarem cuidado antes de começar a escrever sobre Carrano. Muita gente viu o filme, mas não leu o livro O Canto dos Malditos nem nenhum dos textos de Carrano, e por isso criaram idéias preconceituosas.
Eu li em alguns blogs coisas bem preconceituosas. Teve um blog que disse que Carrano, que de acordo com o blog não tinha nenhuma doença mental, teve que ficar internado com psicopatas. Senhor, quem está internado em hospitais psiquiátricos não é psicopata, não senhor. Deixe de falar bobagens, por favor. Teve outro blog que disse que Carrano sofreu mais que Cristo. Senhor, essa não é a idéia que Carrano queria passar. Você não entende nada da história da loucura. Carrano ficou internado 3 anos. Eu conheço gente que ficou internado mais de 40 anos. Algumas das pessoas ficaram internadas mais de 40 anos mantiveram o contato com o mundo... mas infelizmente a maioria das pessoas que ficaram internadas mais de 40 anos perderam todo toque com a realidade. E hoje vivem como bichos. Ou melhor, não vivem, vegetam. Moisés ficou internado mais de 40 anos, passou por todas as formas de tortura que você pode imaginar. E hoje em dia, ele trabalha. Esse é o verdadeiro herói.
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