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25.4.12

Parem de tratar doenças e comecem a tratar pessoas

A medicina parece ter esquecido de seu papel de tratar pessoas. Estão tratando doenças, principalmente na psiquiatria. Estão tratando esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo compulsivo(TOC), etc.

Para uma pessoa que está sofrendo não interessa o nome da doença, não interessa a forma de chamar. Interessa que o sofrimento PARE. Por isso várias pessoas, as vezes, buscam religiões. Quando a medicina não funciona algumas pessoas recorrem a religiões.

Eu sou a favor da medicina, e lamento muito que a medicina esteja perdendo o foco científico. Grandes avanços científicos ocorreram no último século, mas houve algum avanço SIGNIFICATIVO neste século?

Me parece que estamos andando para trás no campo científico, e Ciência está virando uma religião.

Por exemplo, não existe forma objetiva de diagnosticar se uma pessoa é bipolar. Nem é possível provar que existe transtorno bipolar. É possível provar que as pessoas estão doentes, estão sofrendo. Então porque psiquiatras e indústrias farmacêuticas continuam passando medicações para as pessoas dizendo que são medicações para transtorno bipolar, etc?

Quando um psiquiatra ACREDITA que alguém é bipolar ele só está criando uma crença, já que isso não pode ser comprovado através de testes laboratoriais ou exames de raio X, etc.

Não sou contra as medicações. Sou contra os rótulos e a falta de foco.

O foco deveria ser: aliviar sofrimento, e não diagnosticar.

A partir do momento em que a psiquiatria NÃO CONSEGUE diagnosticar com precisão, PAREM de tentar diagnosticar de forma artificial! Parem de criar novos nomes. Parem de criar rótulos.

Não sou contra diagnósticos. Sou contra diagnósticos imprecisos.

(Esta publicação é um esboço.)

5.10.10

Risperidona pode causar depressão

Preocupado com a saúde de uma pessoa amiga querida que está tomando risperidona ou risperdal (é a mesma coisa) alerto que esse psicotrópico pode causar depressão em algumas pessoas. Causou em mim, apesar de eu lutar ferozmente contra a depressão.

Vale dizer que essa é uma postagem de alerta a psiquiatras ao administrar suas medicações. Saibam disso e não venham me dizer que vocês sabem tudo, por favor.

Deixo tais postagens, pois são vidas humanas que estão em jogo.

Essa uma postagem para alertar familiares também. Não queira forçar seu familiar paciente psiquiátrico a tomar o psicotrópico se a pessoa diz que está se sentindo deprimida.

Leve ao conhecimento do médico o quanto antes. Negocie com seu familiar. Não tente forçar nada.

Coloco aqui um link de um produto online que foi pedido com tanta educação que não posso negar divulgação: Screen Capture Software. É um software para salvar imagens.

Apresentação da nova direção do CAPS Rubens Corrêa


Segunda-feira chegou a nova direção do CAPS Rubens Corrêa.

A nova diretora Sandra Guimarães e a nova coordenadora técnica Sandra Autuori.

Boa sorte.

Só fico espantado quando às vezes chegam novas pessoas no CAPS e agem como se conhecessem os computadores da sala de informática mais que eu que estou lá há anos.

Deixa para lá.

Na quarta-feira contamos com a presença da diretora nova do CAPS e espero que meus familiares estejam presentes para que juntos possamos construir um serviço digno em saúde mental.

Quarta-feira será a assembleia geral.

É hora de todos fiscalizarmos e trabalharmos juntos. Chega de judiação.

Mais divulgação

Eu faço ligações para telefones fixos e celulares através do Skype. Eis o link:
http://www.skype.com/intl/pt/home/

9.9.10

Dispensa de medicação psiquiátrica deve ser semanal

Quando eu pedi isso a psiquiatra e a minha técnica de referência elas perguntaram por que eu achava que a dispensa de medicação deveria ser semanal? Eu disse que responderia depois.

É que eu acho que a dispensa de medicação deveria ser semanal para todo mundo e sempre, não importa se a pessoa está bem, trabalhando ou não. Ou então melhor não dar medicação.

É que eu prometi a mim mesmo que todas respostas eu daria primeiro neste site PACIENTE PSIQUIÁTRICO.

É que eu li numa revista de farmacologia a seguinte especulação:

"Pode ser que o paciente psiquiátrico pare de tomar a medicação por estar entrando em surto. Ou pode ser o contrário, ou seja, talvez ele entre em surto por não tomar a medicação. Não sabemos com certeza."

Se a primeira opção estiver correta e o paciente parar de tomar medicação por estar em surto, se for um paciente depressivo em surto ele pode fazer algo terrível:

Ele pode tomar toda a medicação de uma vez e se matar com a medicação.

Daí a importância de a pessoa pegar medicação ao menos uma vez por semana e ser visto por profissionais de saúde mental que poderiam reconhecer se ele está bem ou não.

(Publicado originalmente em 09 de setembro de 2010. Atualização de 02 de novembro de 2012: essas sugestões que eu coloco aqui são, sem dúvida nenhuma, necessárias. Hoje em dia não faço nenhum acompanhamento, por vários motivos. Dentre eles a falta de acompanhamento semanal para TODOS os pacientes psiquiátricos, que é IMPRESCINDÍVEL. apesar disso, estou bem de saúde, no momento.)

6.9.10

ÉTICA: Ninguém merece a sarjeta

Certamente eu tinha sido vítima de um desses golpes tipo "Boa noite Cinderela". Eu mal conseguia me arrastar.

Estava com a garganta seca de sede, sem camisa, com frio, mas precisava de líquido para caminhar. Daí que me vi obrigado a beber da água da sarjeta, das valas da área entre Copacabana e Botafogo e redondezas no Rio de Janeiro.

Eu vi ao longe uma UPA, um daqueles hospitaizinhos ditos milagrosos.

Estava longe, mas vi dois indivíduos. Pedi que me levassem até a UPA, pois estava passando mal e mal conseguia me mover.

Eles me disseram:
__Você já está quase lá. Ande um pouco mais que você chega lá.


Eles deviam achar que eu era um drogado inútil.

Mas tudo bem.

Só quero deixar claro que este site PACIENTE PSIQUIÁTRICO aceita todos, sem distinção, desde que seja sem fins comerciais.

Aceitamos desde a anti-psiquiatria até aos psicólogos e psiquiatras, e assistentes sociais, pois acredito que todos queremos o bem, e não deixaremos ninguém NA SARJETA.

Mas uma vez salientando que meu direito LEGAL de ter presença médica quando solicitei no CAPS DEVERIA SER RESPEITADO, com toda consideração à minha técnica de referência.

Mas estou de volta a luta.

5.9.10

Postagem rápida agradecendo aos psicólogos decentes e todos os outros profissionais em saúde mental

Gente, está tudo bem. Eu só estou tirando um tempo para ficar com minha família, que é muito importante.

Estou conseguindo o melhor tratamento para mim, pois preciso de tratamento, apesar de não ser nem bipolar, nem esquizofrênico.

E eu continuo repetindo, bipolaridade pode ser uma coisa maravilhosa se bem controlada. Assim como a esquizofrenia.


OBRIGADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

7.8.10

Paciente Psiquiátrico Não Morde (Mais um cartum do Nani)


Considero um grande desrespeito a forma que o paciente psiquiátrico, ex-paciente psiquiátrico, usuário de saúde mental é tratado.

Mais uma vez serei redundante e falarei novamente do que já tenho falado há tempo.

Esses profissionais de saúde mental fazem cursos universitários, mas são cursos teóricos! Como um nadador poderia nadar se só estudasse teoria e apenas observasse a água um pouco no final do curso?

Com certeza psiquiatras serão capazes de contar a história da psiquiatria, mas ISSO NÃO É PRÁTICO!

É isso que os psiquiatras e psicólogos fazem. Eles estudam teoria por anos e no final do curso universitário fazem uma residência por um tempo minúsculo em que tudo que eles fazem é observar os pacientes psiquiátricos, já que mal chegam perto da gente e quando começam na profissão parece que têm medo da gente.

Parece óbvio que para começar a entender a situação de cada paciente psiquiátrico será necessário começar a conviver com pacientes psiquiátricos, sem discriminação.

Ou seja, está na hora de estudantes das profissões de saúde mental ter como matéria prática CONVIVÊNCIA DE IGUAL PARA IGUAL com pacientes psiquiátricos.

Pois só assim eles começarão a entender a situação dos pacientes psiquiátricos.

Está na hora de mais prática e menos teoria na formação dos profissionais de saúde mental.

Está na hora de profissionais de saúde mental TOCAREM MAIS em pacientes psiquiátricos, sem discriminação.

Acho que nós merecemos um tratamento SÉRIO, um estudo sério.

25.7.10

Necessidade Real de Acompanhamento DIÁRIO dos Pacientes Psiquiátricos

Sabem aquele rapaz que eu disse que foi internado à força NO CAPS apesar de não estar violento, nem muito agitado, mas apenas CHATO?

Ele estava sendo internado repetidas vezes por ANOS, indo e voltando de internações. E quando ele se recuperou e ficou bom por um tempinho mais sabe o que os técnicos do CAPS fizeram?

Disseram que ele não precisava muito do CAPS e que poderia aparecer no CAPS uma vez por mês só para pegar medicação!!!

Esse rapaz, depois de todas essas internações deveria passar a frequentar o CAPS diariamente para ser CUIDADO, PARA SE EVITAR NOVAS RECAÍDAS. PARA SE ENTENDER CLARAMENTE O CASO DELE!!!

Ora, ele ficou ANOS indo e voltando de internações, COMO ALGUÉM TEM A CORAGEM DE DIZER QUE É VANTAJOSO PARA ELE PEGAR MEDICAÇÃO UMA VEZ POR MÊS depois de ele ficar bem APENAS por uns três meses????

E sempre que eles fazem isso novas recaídas acontecem... Mas eles continuam repetindo o erro para TER MENOS TRABALHO NOS CAPS!!! (Não dá para culpar muito os técnicos do CAPS, pois às vezes, falta pessoal para atender para usuários.)

Eu realmente tenho MEDO dos métodos empregados na saúde mental pública, pois já vi várias vidas de pacientes psiquiátricos destruídas por esses erros repetitivos e por não ouvirem o que os pacientes psiquiátricos dizem.

E vários desses casos eu relatei aqui.

24.7.10

Conversar e consultar: Um mar de diferença

Eu costumo dizer que os profissionais de saúde mental pública NÃO SABEM conversar com os usuários de saúde mental. Eles só sabem CONSULTAR.

Há uma diferença grande entre CONVERSAR e CONSULTAR.

Tanto que quando um paciente psiquiátrico está fora do controle eles NUNCA sabem conversar com essa pessoa. Aí eles chamam os guardas. E esses guardas, por mais bonzinhos que sejam, ASSUSTAM os pacientes psiquiátricos, às vezes simplesmente POR CAUSA DO UNIFORME.

Ou seja, alguém que fica revoltado é PUNIDO, é colocado NA LINHA pelo guarda. É desta forma que a coisa chega à mente dos usuários de saúde mental.

Ou você se comporta ou chamamos o guarda para internar você. É essa a mensagem passada ao paciente psiquiátrico quando alguém diz que vai chamar o guarda. Principalmente porque ele já viu seus companheiros sendo amarrados e internados por guardas MUITAS VEZES.

Tanto é assim que quando eu estava na escola de informática e algum usuário ficava fora de controle os outros usuários diziam “chama o guarda!” Diziam isso automaticamente. Aí eu SEMPRE dizia: “chame algum psicólogo ou psiquiatra! Ele não precisa de guarda!”

Chamar os guardas passa uma mentalidade HORRÍVEL para os usuários de saúde mental pacientes psiquiátricos. Estão num local de tratamento e quando alguém perde a paciência é INTIMIDADO POR UM GUARDA? A pessoa está no CAPS para tratamento. A direção da unidade deveria CONVERSAR com a pessoa, como acontece em TODAS as repartições PÚBLICAS e PRIVADAS.

Não é legal mandar um GUARDA intimidar quem se revolta.

Lembra daquela frase: “QUERO FALAR COM A GERÊNCIA”?

O único problema é que esses psicólogos não estão preparados para conversar... Eles não estão preparados para conversar com as pessoas revoltadas. Pois infelizmente eles foram PREPARADOS PARA CONSULTAR e não para CONVERSAR.

Não sabem conversar. E isso deveria ser aprendido nas faculdades e universidades em saúde mental...

Eu sempre surpreendi os frequentadores do CAPS ao dizer que a pessoa paciente psiquiátrico que está se comportando mal não cometeu NENHUM CRIME e não precisa de GUARDAS. Precisa de CONVERSA SÉRIA, COM RESPEITO.

Mandar guardas é sinal de indiferença e de INTIMIDAÇÃO.

E seria necessário um psicólogo ou psiquiatra conversar (e não consultar) mesmo para se certificar se a pessoa não está revoltada por causa da doença mental, por causa clínica. Um guarda NÃO PODERIA VER ISSO.

Mandar um guarda é uma das MAIORES FALTA DE RESPEITO QUE JÁ VI.

ESTE COMPORTAMENTO que indico aqui seria RESPEITO aos direitos da pessoa de ser tratada com humanidade.

23.7.10

QUASE NUNCA HOUVE CONVERSA ENTRE PACIENTES PSIQUIÁTRICOS E TÉCNICOS EM SAÚDE MENTAL

Tempos atrás contei sobre a psicóloga que TRABALHAVA comigo e NÃO ERA minha psicóloga de forma alguma e que deixou escapar que estava me CONSULTANDO quando eu achava que ela estava conversando comigo. Ela reclamou que estava me CONSULTANDO DE GRAÇA!!

Eu não tinha pedido nenhuma consulta... Ela estava é me EXPLORANDO, praticando psicologia em mim. (Ela era recém-formada.)

Também falei muito tempo atrás sobre o psicólogo que eu encontrei no caminho do metrô. APARENTEMENTE começamos a conversar e DE REPENTE ele perguntou “VOCÊ ESTÁ TOMANDO A MEDICAÇÃO”?

Esta é uma pergunta aceitável e normal no horário de ATENDIMENTO ou se estivéssemos falando sobre MINHA SAÚDE MENTAL (que não era o caso). Bem inconveniente fazer tal pergunta de repente, do nada.

Como se ele não estivesse me ouvindo quando eu falava sobre o tempo, sobre o metrô, etc., como se ele só estivesse ME OBSERVANDO como um vulgar MATERIAL DE TRABALHO.

Enfim, técnicos em saúde mental geralmente NÃO SABEM CONVERSAR COM PACIENTES PSIQUIÁTRICOS, só sabem consultar.

Eu poderia dizer que isso é OBSESSÃO desses profissionais, ou DOENÇA, mas acho que é apenas DESPREPARO.

21.7.10

TIPS FOR PSYCHIATRISTS AND PSYCHOLOGISTS - Dicas Para Psiquiatras e Psicologos

Get to know the person first. Get to know the mental patient first. Don’t use mechanical approaches, which is to say, every person is different from others. I mean, some people love it when you ask them, “are you all right?” some hate it, for example. I HATE IT, for example. I don’t like it when you approach me and ask “are you all right?”

“Are you all right” in Brazil has got two meanings:

“Are you all right” sometimes is a greeting. Are you all right? are you all right? is everything fine? = você está bem? tudo bem? tudo bom?

But sometimes “Are you all right” in Portuguese means the same as in English, that is, is a way to inquire whether a person is in a good mental health.

How to know which is which?

I prefer “good morning”, “good afternoon”, etc.

On the other hand some people won’t welcome a “good afternoon” greeting, for example.

UNDERSTAND that the best way to greet someone is simply say “HI” or “HELLO”.

If you want to know whether a person is feeling well or not be receptive, not intrusive.

Say things such as “if you need some help count on me.” This is solicitous. Make people comfortable.

Don’t say things such as “are you feeling all right?” That’s INTRUSIVE, NEGATIVE. Like I had said some people like it when someone ask them “are all feeling all right?” BUT PEOPLE ARE DIFFERENT! Get to know them first and to know someone the best way is to call their attention with a NEUTER “hi” and be solicitous.

You got to get close to the person if you really want to help. If you think you must be separate from the mental patient I think you’re in the wrong profession.

DON’T MAKE INFERENCES, SAY GOOD AND POSITIVE THINGS

NEVER try to guess what the person is feeling. What are you? A psychologist, a psychiatrist or a clairvoyant? Are you a clairvoyant? If you’re not a clairvoyant don’t act like one.

Don’t say things such as “you seem to be unwell”. Your suggestion might really ruin a person’s disposition. Say good things. People are looking for relief and not for vultures. People don’t need people who feed on tragedy and sadness. If you think you don’t mean to FEED ON the sadness of people SAY GOOD THINGS, be helpful, but NEVER say negative things.

Learn how to listen. Ah, do you think mental patients TALK TOO MUCH? You don’t have patience? Find another profession. This is not your line of work.

Practice before the mirror and try to make yourself comfortable. Your patients notice your nervousness and that arouses their suspicion and they lose confidence on you.

Are you afraid of your patients? The problem isn’t in them. The problem is in you. Go study. They will NEVER offend more than other people, but if you really think they will go learn judo, jiu-jitsu, go learn some martial art and that will teach you HOW TO PROTECT YOURSELF WITHOUT HURTING OTHERS. And that will give you confidence. Just like I said before. Go study.

People need lots of study in these professions. If you don’t want to study CHANGE PROFESSIONS, find another job.

And most importantly:

I will say it again: PEOPLE ARE DIFFERENT. Therefore, no matter how long you studied, every time you meet a new person understand that you are completely IGNORANT about this new person and start from a scratch to learn about this person. Be humble and don’t go telling your patients “that you studied ten years”. Be humble, for this is the best way to REALLY learn, and specially to learn about a person.

Again, LEARN TO LISTEN MORE AND TALK LESS. Preferably, speak when you are asked to.

Remember: a person that you never saw before is a subject that you NEVER studied before.

DICAS PARA PSIQUIATRAS E PSICÓLOGOS


Conheça a pessoa primeiro. Conheça o paciente psiquiátrico primeiro. Não use aproximações mecânicas, quer dizer, cada pessoa é diferente das outras. Quero dizer, algumas pessoas adoram quando a perguntam “está tudo bem?” outras odeiam, por exemplo. EU ODEIO, por exemplo. Eu não gosto quando se aproximam e perguntam “está tudo bem?”

“Tudo bem” no Brasil tem dois significados:

“Tudo bem” às vezes é um cumprimento.

E muitas das vezes é uma INTERROGAÇÃO TÍPICA DE PSICÓLOGOS E PSIQUIATRAS, ou seja, uma INTERROGAÇÃO-CONSULTA. Como saber quando é uma coisa e quando é outra?

Eu prefiro “bom dia”, “boa tarde”, etc.

Pro outro lado algumas pessoas não gostam da saudação “boa tarde”, por exemplo.

ENTENDA que a melhor maneira de cumprimentar alguém é simplesmente dizer “OI” ou “OLÁ”.

Se quer saber se uma pessoa está se sentindo bem ou não seja receptivo, não invasivo.

Diga coisas como “se precisar de ajuda pode contar comigo.” Isto é solicíto. Deixa as pessoas confortáveis.

Não diga coisas do tipo “está tudo bem?” isto é INVASIVO, NEGATIVO. Como já disse, algumas pessoas gostam quando lhes perguntam “está tudo bem?” MAS AS PESSOAS SÃO DIFERENTES! Conheça as pessoas primeiro, e para conhecer as pessoas a melhor maneira é chamar sua atenção com um NEUTRO “oi” e ser solícito.

Você tem que se aproximar da pessoa se quiser realmente ajudar. Se você acha que deve manter uma certa distância do paciente psiquiátrico acho que você está na profissão errada.

NÃO FAÇA INFERÊNCIAS, DIGA COISAS BOAS E POSITIVAS

NUNCA tente adivinhar como uma pessoa está se sentindo. O que você é? Psicólogo, psiquiatra, ou clarividente?você é clarividente? Se você não for clarividente não haja como um.

Não diga coisas do como “você parece mal”. Sua sugestão pode realmente estragar o humor de uma pessoa. Diga coisas boas. As pessoas estão buscando consolo e não abutres. As pessoas não precisam de ninguém que se alimente da tragédia e da tristeza. Se você não quer se alimentar da tristeza das pessoas DIGA COISAS BOAS, ajude, mas NUNCA diga coisas negativas.

Aprenda a ouvir. Ah, você acha que pacientes psiquiátricos FALAM DEMAIS? Você não tem paciência? Arrume outra profissão. Este não é o tipo de trabalho para você.

Pratique diante do espelho e tente se fazer confortável. Seus pacientes percebem seu nervosismo e isso desperta suspeita e aí eles perdem a confiança em você.

Você está com medo de seus pacientes? o problema não está neles. O problema está em você. Vá estudar. Eles NUNCA agredirão mais que as outras pessoas, mas se você realmente pensa que eles vão vá aprender judô, jiu-jitsu, vá aprender alguma arte marcial e isso o ensinará COMO SE PROTEGER SEM MACHUCAR OS OUTROS. E isso vai lhe dar confiança. Como eu disse antes. Vá estudar.

As pessoas precisam de muito estudo nessas profissões. Se você não quer estudar MUDE DE PROFISSÃO, encontre outro emprego.

E o mais importante:

Eu vou dizer novamente: AS PESSOAS SÃO DIFERENTES. Por isso não importa o quanto você tenha estudado, toda vez que você encontrar uma nova entenda que você é completamente IGNORANTE sobre esta nova pessoa e comece do zero a aprender sobre esta pessoa.

De novo, APRENDA A OUVIR MAIS E FALAR MENOS. De preferência, fale quando solicitado.

Lembre-se: uma pessoa que você nunca viu antes é uma MATÉRIA que você NUNCA estudou antes.

2.4.10

De Zaratustra para psiquiatras e psicólogos

Amigos, precisamos aprender a parar de julgar que o mundo está bom ou mau e devemos largar a estranha pretensão de que nós que devemos melhorá-lo. O mundo sempre foi acusado de ser mau, porque o acusador dormiu mal ou teve uma indigestão. O mundo sempre foi elogiado, chamado de paraíso, pois quem elogiou acabou de ser beijado por uma garota.

O mundo não foi feito para ser melhorado. Nem você foi feito para ser melhorado. Você foi feito para ser você mesmo. Você foi feito para enriquecer o mundo com um som, um tom, uma sombra. Seja você mesmo, e então o mundo será rico e bonito! Seja outra coisa além de você mesmo, seja mentiroso e covarde, e então o mundo será pobre e parecerá que necessita ser melhorado. (...)

Eu não sei, meus amigos, se o mundo foi melhorado alguma vez. Talvez ele sempre tenha sido tão bom e tão mau quanto ele é agora. Eu não sei, eu não sou filósofo, eu tenho pouca curiosidade nessas coisas. Mas de uma coisa eu sei: se o mundo foi alguma vez melhorado, se ele já foi feito mais rico, mais vivo, mais feliz, mais perigoso, mais divertido, isso não foi pelo trabalho de reformistas, nem de melhoradores, mas pelo trabalho de pessoas que buscam em si mesmos, dentre os quais eu gostaria de contar você.

Essas pessoas que buscam em si mesmas com ardor e sinceridade que não têm nenhum objetivo e nem propósitos, se contentam em viver e ser elas mesmas. Elas sofrem muito, mas elas sofrem com gosto. Elas aceitam ficar doentes, desde que elas tenham o privilégio de morrer suas próprias mortes, a morte que elas mesmas conseguiram, sua própria morte!

Herman Hesse - Zarathustra's Return (O Retorno de Zaratustra) - If the War Goes On


Zaratustra, também conhecido como Zoroastro, foi um profeta que foi muito explorado por Nietzsche em seus livros, especialmente no livro Assim Falou Zarathustra, mas a mensagem acima foi feita por Herman Hesse, para abrir os olhos da juventude alemã após a Primeira Grande Guerra.

E essa mensagem se aplica muito bem aos psiquiatras e psicólogos. Que sigam o conselho de Zaratustra. E passem a aceitar o mundo como ele é. Tentem ser vocês mesmos. Não queiram considerar certos comportamentos como errados. Vivam e deixem as pessoas viverem.

Façam uma busca em vocês mesmos.

13.3.10

Os psicotrópicos são os medicamentos mais avançados que existem?

Tudo ficou simples demais, já que todo mundo confia demais nos psicotrópicos.

Como se os medicamentos da psiquiatria fossem muito mais adiantados que os outros ramos da medicina.

Uma vez que a pessoa está tomando a medicação agem como se não fosse nem necessário ver a pessoa, muito menos fazer exames que são comuns aos outros ramos da medicina.

Os psicotrópicos são medicamentos tão avançados a ponto de fazer esses milagres?

Na verdade esse tipo de atitude dá a psiquiatria uma aparência de RELIGIÃO ou puro CHARLATANISMO. Com todo respeito a psiquiatras sérios, eu tenho encontrado muita gente dizendo que “é só tomar medicação que o bipolar consegue fazer tudo.”

Parece que a pessoa tem FÉ. Já que não há evidência para tais declarações. E contar com fé é coisa de religião. A pessoa foi CONVENCIDA desses efeitos praticamente MILAGROSOS que são atribuídos aos psicotrópicos.

Não vejo essa gente falando de ATIVIDADES DE INCLUSÃO SOCIAL, às vezes sequer falam de terapia. Como se o psicotrópico resolvesse tudo, de uma forma que NÃO ACONTECE NOS OUTROS RAMOS DA MEDICINA, onde é necessário VER o médico, fazer exames, dietas e outras coisas.

É claro que há alguns profissionais que tentam o máximo para levar atividades, exercícios, etc., mas eles são tão desvalorizados...

E pela aparência das coisas, a fiscalização do SUS (Sistema Único de Saúde) deve puni-los se os pegar desenvolvendo atividades demais, já que parece que esse sistema acha que as prioridades do CAPS são outras, como preencher formulários, por exemplo, prestar contas...

E por mais que oficineiros se desdobrem, a verdade é que atividade física e atividades que trabalhem a mente deveriam ser prescritas e recomendadas pelo médico como COISA ESSENCIAL, mais essencial que medicação, pois se o problema é mental nem faz sentido colocarem comprimidos como prioridade.

(Oficineiros são aqueles que fazem workshops, oficinas, atividades...)

Comprimidos não trabalham a mente. Trabalhar a mente de alguém com comprimidos é como dar comprimidos para alguém ficar musculoso sem fazer exercícios. Isso não me parece possível.

3.5.09

Pacientes Psiquiátricos mais graves estão esquecidos

"Os efeitos dos longos períodos de entupimento de medicamentos, dados em total desleixo, que os tiram dessa vida em poucos anos, matando-os... O que é isso?... Abandonar um grupo de pacientes nas mãos de irresponsáveis... O que é? E muitas outras perguntas temos o direito e o dever de cobrar. E exigir responsabilidades por tantas dores e sangue, dentro das nossas instituições psiquiátricas. Não me interessa se lá fora, em algum lugar, é assim, ou pior... Só sei que fui vítima. Exijo justiça...Exijo."

Extraído do livro CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano Bueno


Devo continuar falando sobre o preparo que os profissionais de saúde mental dos CAPS recebem: pode até ser suficiente para ajudar os pacientes psiquiátricos menos graves. Mas e aqueles pacientes que precisam de mais atenção? Os profissionais de saúde mental dos CAPS não estão preparados para lidar com aqueles pacientes psiquiátricos que demandam mais atenção.

Além dos pacientes psiquiátricos mencionados na postagem Pacientes Psiquiátricos graves há outros. Há, por exemplo, o paciente que mal consegue falar. Só fica sentado olhando para o tempo. Não participa de nenhuma atividade. E os profissionais do CAPS não sabem o que fazer com ele. Não sabem como estimulá-lo. Não foram preparados para isso. O CAPS não está estruturado para tratar esses pacientes psiquiátricos mais graves.

O CAPS está cheio de psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. São 3 psiquiatras, mais de 3 psicólogos e nem sei quantos enfermeiros. Psiquiatras e psicólogos podem ser ótimos para pacientes já recuperados, pois esses só vão falar com psicólogos e ajustar medicação com psiquiatras. Enfermeiro serve para dar medicação. Mas os pacientes psiquiátricos mais graves, que perderam o contato com o mundo precisam de toque humano. Precisam de estímulos. Não adianta só entupí-los com medicação. Aliás, a medicação só vai encurtar a vida deles. Precisam de TERAPEUTAS OCUPACIONAIS, por exemplo. O CAPS Rubens Corrêa só tem uma terapeuta ocupacional, a Dayse Cristina Junqueira. Excelente profissional, diga-se de passagem.

O Paciente Psiquiátrico mais grave precisa de estímulos para voltar à realidade

A terapeuta ocupacional do CAPS é a profissional que mais faz bem para pacientes psiquiátricos mais graves do CAPS. Psiquiatras não sabem nem o que fazer quando se deparam com um paciente psiquiátrico mais grave. Não sabem como se comunicar. Quanto aos psicólogos, sem chance. Se um psicólogo começar a falar com um paciente psiquiátrico mais grave só vai conseguir fazê-lo dormir, ou irritá-lo. Pois não sabem como se aproximar. Não aprenderam.

Em resumo: está faltando terapeutas ocupacionais para atender os pacientes mais graves. Está faltando atividades que estimulem os pacientes psiquiátricos mais graves. Na verdade, seria legal se todos profissionais de um CAPS estivessem preparados para lidar com os pacientes psiquiátricos mais graves, que estão esquecidos.

Você está vendo o que está acontecendo?

Na verdade o ser humano está super avançado, mas não sabe se preocupar com seu próximo. O ser humano não é muito humano. Eu ainda sofro com discriminação da parte de muitos de meus próprios companheiros pacientes psiquiátricos. Muitos pacientes psiquiátricos consideram os "normais" mais capacitados, melhores, etc. A única forma de parar esses preconceitos bobos seria se todo mundo fosse paciente psiquiátrico... ou todo mundo fosse "normal".

Há discriminação contra portadores de HIV também. Muita gente tem uma discriminação velada, escondida. Muita gente que faz propaganda contra a AIDS, inclusive. Se todo mundo pegasse AIDS aí os cientistas iam achar uma cura rapidinho. Na verdade, quando a gente vê que outros têm o mal e a gente não, a gente fica despreocupado. "Para que lutar pelos outros?", a gente pensa. Se todos estivessem interessados no bem estar daqueles pacientes psiquiátricos gravíssimos a ciência avançadíssima já teria devolvido a "normalidade" para essas pessoas.