13.5.09

Projeto hospital psiquiátrico

Somos a favor da Rede de Trabalhos Substitutivos, montada há mais de 14 anos e apoiada pela Organização Mundial da Saúde. As pessoas não seriam internadas, a não ser quando estivessem em crise ou surto. A internação seria em leitos de hospital geral, por no máximo sete dias. Somos a favor dos hospitais-dia, aonde as pessoas que precisam de tratamentos de saúde mental vão durante o dia e voltam para suas casas à noite. Defendemos ainda a criação e utilização dos Naps e Caps (Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial), que não são hospitais psiquiátricos, são casas alugadas longe, fora do espaço físico dos hospitais psiquiátricos, nada que lembre um hospício.

Texto Acima Extraído da Entrevista de Austregésilo Carrano Bueno

Eu sou da opinião que todos os hospícios devem ser fechados. Todas as formas de asilamento devem acabar. Considero hospício todos os hospitais psiquiátricos antigos. Que as pessoas que têm surto possam ser atendidas nos hospitais gerais. No mesmo lugar em que se tratam pessoas com diferentes doenças, como o Carrano, representante de usuários, defendia. E essas internações não devem durar mais que 7 dias.

Com certeza muito trabalho deverá ser feito para organizar os hospitais gerais para receber pacientes psiquiátricos em surto. Há quem diga que certos pacientes psiquiátricos gritam muito, são escandalosos, e um hospital é lugar de silêncio. Daí que os pacientes psiquiátricos não poderiam ficar num hospital geral para não incomodar os outros pacientes que não são pacientes psiquiátricos.

Que comentário mais cheio de discriminação. Que me desculpe quem diz isso. E quando uma pessoa de uma doença qualquer começa a gemer de dor no hospital? Mandam a pessoa calar a boca porque hospital é lugar de silêncio? O que é preciso é um pouco de humanidade para aceitar as diferenças. Algumas pessoas vão gritar por causa de suas dores ou confusões. Ora, coloquem paredes a prova de som para proteger a tranquilidade dos outros pacientes.

Hospital psiquiátrico do futuro (O hospital psiquiátrico de meus sonhos!...)

Eu acho que devemos fechar todos esses hospícios que alguns chamam de hospitais psiquiátricos. Devemos fechar o Instituto Phillippe Pinel, o Instituto Nise da Silveira, etc. Isso porque essas instituições já estão marcadas por seu passado violento. O Instituto Nise da Silveira se chamava Pedro II. Mas não adianta mudar de nome. É necessário fechar essas instituições que já causaram tanta opressão, e transformá-las em simbolos da liberdade. Que tal transformar hospícios em residências terapêuticas e CAPS? Sem internação!

Há quem diga que "existe hospital cardíaco, hospital do cancer, por que não um hospital psiquiátrico"? Eu concordo. Muitas vezes quando me sentia muito mal eu senti a necessidade de ser internado. Eu poderia ir me internar voluntariamente. Mas não nesses hospícios de sempre! Que não sejam esses hospícios do passado que já estão manchados. Quando alguém é internado nesses hospícios, geralmente é à força. Ser internado à força só deixa o paciente psiquiátrico pior. E nessas internações a pessoa perde sua subjetividade. A pessoa não tem mais querer. Se for para ser internado eu quero continuar sendo respeitado e tratado com consideração.

E esse respeito que eu espero ver nos hospitais psiquiátricos do futuro! Que nesses hospitais psiquiátricos do futuro haja exames no paciente. Chega de olhar para o paciente e prescrever medicação sem exames. Isso por si só pode deixar o paciente desconfiado e, por conseguinte, pior. E que esses hospitais psiquiátricos do futuro fiquem num local de grande circulação. NADA DE LOCAIS ISOLADOS. E apesar dos pacientes estarem proibidos de sair, que o local seja aberto. coloquem um muro baixo, um local bem arejado. Bem à vista da comunidade geral. A regra número 1 é: a pessoa está em tratamento, não presa.

Terapia do hospital psiquiátrico do futuro

Dentre as terapias haverá a terapia religiosa. A religião não será mais discriminada por profissionais de saúde mental. MUITO PELO CONTRÁRIO. Religiosos serão convidados a fazer terapia. religiosos de diferentes religiões. Eles fariam terapias separados, claro. E participaria das terapias quem quisesse.

No hospital psiquiátrico do futuro haverá uma biblioteca, com certeza, não dá pra faltar. Uma biblioteca bem variada. E haverá terapeutas ocupacionais especializados em vários jogos e atividades físicas. Afinal, o paciente psiquiátrico precisa de atividade física. No hospital psiquiático do futuro atividade física fará parte do tratamento. Por que quem é obrigado a tomar drogas psiquiátricas pesadíssimas não é obrigado a fazer exercício? Aliás, esse seria outro ponto positivo do hospital psiquiátrico do futuro. Ninguém seria forçado a fazer tratamento. As pessoas devem ser conscientizadas da necessidade de tratamento.

No hospital psiquiátrico do futuro os pacientes psiquiátricos receberão tratamento para o vício do cigarro também. Quem não tem controle de seu vício e fica brigando por cigarro precisa de tratamento para se livrar do vício também. As pessoas não ficarão brigando por guimbas de cigarro, como acontece nos hospícios (e infelizmente isso acontece nos CAPS também).

Enfim, o hospital psiquiátrico do futuro contará com uma equipe muito mais bem treinada e completa. E nessa equipe haverá clínicos gerais, com certeza.

Eu sei que haverá quem vai dizer que seria muito difícil fazer tal hospital psiquiátrico. Mas não é tão díficil.

Seria muito difícil destruir uma cidade com uma bomba. (infelizmente já fizeram isso muito tempo atrás...)

Difícil seria fazer clonagem. (Já fizeram!)

Seria muito difícil controlar um computador à distância. (Há muito tempo isso é possível!)

Enfim, o que falta é mais humanidade.

2 comentários:

  1. Eu acho necessária a existência de lugares como o hospital Phelippe P. para pacientes que não aceitam sua doença, mas necessitam de tratamento, desde que haja o acompanhamento de familiares, que estejam sempre por perto para que não haja abuso de autoridade, só quem tem um familiar com alguma doença mental, sabe a dor e os trantornos que sofre, como éo caso com minha mãe...

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  2. Olá Isabella. Obrigado por comentar.

    Hospitais como o Phillipe Pinel não são necessários quando há serviços substitutivos. Para substituir o Pinel existe o projeto do CAPS III, onde há leitos psiquiátricos.

    Infelizmente locais como o Pinel não podem ser tolerados, pois a existência de tais lugares só atrasam o desenvolvimento dos CAPS. Pois dinheiro que poderia ser investido em CAPS acaba indo para um lugar que mantém um "tratamento" arcaico, um lugar nada confortável que acaba saindo caro pro contribuinte.

    Eu não aconselho você a deixar sua mãe em lugares como o Pinel. Você não imagina o que podem fazer com ela lá dentro.

    E para que uma pessoa aceite sua doença carinho e compreensão são o melhor remédio.

    Boa sorte.

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