Quando aqui eu contei a história real de Mônica em EDUARDO E MÔNICA eu queria chamar a atenção da sociedade para o tipo de sofrimento do doente mental, que não pode ser comparado a nenhum outro sofrimento.
Quem precisa de mais ajuda do que MÔNICA? Uma moça que pedia ajuda sempre, e ninguém nunca ouvia seus pedidos. Até que ela teve uma crise gravíssima. E na crise sofreu um acidente que a desfigurou.
Deveria ser obrigação do estado providenciar cirurgia plástica como parte do tratamento dessa moça. Mas nessa nossa sociedade quem perceberia a dor dessa moça? O remédio que ela toma não consegue recuperá-la. Ela precisa de formas de tratamento mais eficazes. E uma cirurgia de reparação seria uma das formas. Isso levaria confiança para ela.
E quantas pessoas não ficaram impotentes tomando remédios psiquiátricos? Quantos não cometeram loucuras sob efeitos contrários desses remédios mal prescritos? Essas pessoas têm uma vida? Ou têm uma subvida? Por isso eu peço socorro para todas essas pessoas.
Eu frequentei o CAPS e hospitais psiquiátricos por mais de 10 anos. E nunca vi ninguém ficar BOM.
Está na hora da forma de trabalho dos psiquiatras e psicólogos mudar radicalmente.
Está na hora dos tratamentos psiquiátricos mudarem.
Crônicas e textos sobre saúde mental. Por melhores formas de tratamento do sofrimento psíquico. Pelo fim das internações psiquiátricas involuntárias. Por exames laboratoriais antes da prescrição de psicotrópicos. Pela promoção de tratamentos alternativos. Pelo cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo fim dos abusos sexuais e exploração infantil.
5.1.12
30.12.11
Lei 10.216: Psiquiatras devem explicar tudo sobre medicamentos
O Art. 2o da Lei diz que São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: Inciso VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
Ou seja, todo paciente psiquiátrico tem o direito de ser informado sobre seu tratamento, sobre a medicação que vai tomar ou que está tomando. Enfim, tem o direito de receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
Logo, você não precisa buscar informações sobre medicação psiquiátrica na Internet se você está fazendo um tratamento psiquiátrico regular.
Você deve EXIGIR que o seu psiquiatra dê todas as informações que você precisar. Essa é a obrigação do psiquiatra.
Você deve tratar o psiquiatra com respeito, mas ele deve respeitá-lo também, e informá-lo da melhor forma é essencial.
Exija FONTES CONFIÁVEIS, ou seja, não aceite que seu psiquiatra dê informações apenas de boca. Não aceite que o psiquiatra apenas fale sobre a medicação. Exija que ele mostre a bula e que mostre a informação em livros. Exija diferentes fontes, ou seja, não a informação de apenas um livro ou site, mas de diferentes livros e sites.
Lembre-se: o que vale é o que está escrito.
Se o psiquiatra não quiser fornecer as informações ou tentar enrolá-lo, TROQUE de psiquiatra. É sua saúde que está em jogo.
Nenhum BOM psiquiatra vai negar o seu direito de ser bem informado.
Depois do psiquiatra ter informado você aí você pode olhar na Internet. Existem sites de psiquiatras, como o Psicosite e PsicNet. Se o seu psiquiatra der informação errada ou incompleta você vai ficar sabendo.
Mas o mais importante é: a informação deve vir primeiro de seu psiquiatra.
Lei 10216
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
Ou seja, todo paciente psiquiátrico tem o direito de ser informado sobre seu tratamento, sobre a medicação que vai tomar ou que está tomando. Enfim, tem o direito de receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
Logo, você não precisa buscar informações sobre medicação psiquiátrica na Internet se você está fazendo um tratamento psiquiátrico regular.
Você deve EXIGIR que o seu psiquiatra dê todas as informações que você precisar. Essa é a obrigação do psiquiatra.
Você deve tratar o psiquiatra com respeito, mas ele deve respeitá-lo também, e informá-lo da melhor forma é essencial.
Exija FONTES CONFIÁVEIS, ou seja, não aceite que seu psiquiatra dê informações apenas de boca. Não aceite que o psiquiatra apenas fale sobre a medicação. Exija que ele mostre a bula e que mostre a informação em livros. Exija diferentes fontes, ou seja, não a informação de apenas um livro ou site, mas de diferentes livros e sites.
Lembre-se: o que vale é o que está escrito.
Se o psiquiatra não quiser fornecer as informações ou tentar enrolá-lo, TROQUE de psiquiatra. É sua saúde que está em jogo.
Nenhum BOM psiquiatra vai negar o seu direito de ser bem informado.
Depois do psiquiatra ter informado você aí você pode olhar na Internet. Existem sites de psiquiatras, como o Psicosite e PsicNet. Se o seu psiquiatra der informação errada ou incompleta você vai ficar sabendo.
Mas o mais importante é: a informação deve vir primeiro de seu psiquiatra.
Lei 10216
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
14.12.11
A inconstitucional "Lei da palmada" - PL 7672
Essa publicação é apenas para INFORMAR a população de que nenhuma lei pode querer proibir um pai ou uma mãe de dar palmada em seus filhos.
Esse projeto de lei foi criado por filhinhos de papai, que sequer deveriam ter chegado ao poder.
A CONSTITUIÇÃO do Brasil e a Declaração Universal dos Direitos Humanos garantem que,
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Os pais não podem é violentar os filhos. É bem diferente de dar palmadinhas.
Esses filhinhos de papai que chegam ao poder realmente me enojam. Eles não devem sequer chegar perto dos próprios filhos, já que têm empregados.
A propósito, dê uma olhada na DECLARAÇÂO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Muitos políticos calhordas fazem de tudo para que ninguém conheça essa declaração.
Esse projeto de lei foi criado por filhinhos de papai, que sequer deveriam ter chegado ao poder.
A CONSTITUIÇÃO do Brasil e a Declaração Universal dos Direitos Humanos garantem que,
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Os pais não podem é violentar os filhos. É bem diferente de dar palmadinhas.
Esses filhinhos de papai que chegam ao poder realmente me enojam. Eles não devem sequer chegar perto dos próprios filhos, já que têm empregados.
A propósito, dê uma olhada na DECLARAÇÂO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Muitos políticos calhordas fazem de tudo para que ninguém conheça essa declaração.
6.12.11
A FORÇA DA TUTELA
PAULO DELGADO
O sofrimento virou doença. Qualquer mal-estar diante do mundo, um distúrbio. A ambição grandiosa da psiquiatria está cada vez mais parecida com o sem limite do mercado financeiro. Querem que todos vivam suas leis de ferro, amedrontados e submissos. Nada melhor para a criação de crises do que um poder sem sociedade, com regras próprias, exercido sobre todas as pessoas, sem que elas tenham direito de reagir ou ficarem indiferentes. Basta dar o nome de diagnóstico para relacionar sintomas e definir como transtorno qualquer manifestação da personalidade.
Quando a prática da medicina, subjugada à indústria de medicamentos, se oferece como cárcere, ficamos diante de uma verdadeira bomba embrulhada como se fosse terapia. Pior quando uma especialidade médica transforma em missão sanitária esconder hábitos e tarefas de uma sociedade indiferente a vida dos outros e que só vê as pessoas de forma binária: com sucesso, ou fracassadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anda preocupada com a definição de doença mental que a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doença Mental — universalmente conhecido como DSM-V — anda preparando. A ser lançada em 2013, mas já objeto de tensa polêmica no meio psiquiátrico, especialmente norte-americano, a nova edição da DSM, transforma o cérebro num disco rígido. Um computador sem alma, intoxicado, num mundo cada vez mais doente e que somente poderá ser salvo por remédios. A OMS alerta que não aceita a desenvoltura da classificação, porque não é doença o que não pode ser caracterizado patologicamente, tem etiologia desconhecida, não possui padrão uniforme, não pode ser confirmado.
Quem não viveu, alguma vez na vida, alguma destas graves “doenças” psiquiátricas: abuso ou abstinência de substâncias, ansiedade, autismo, déficit de atenção, transtorno bipolar, confusão, desatenção, tendência à psicose, transtorno de personalidade, comportamento antissocial, apego reativo, amnésia, esquizofrenia, distúrbios diversos, etc. São tantos os nomes das “doenças do nervo” que agora viraram sinônimos de remédios e comportamentos, que começa a ficar preocupante o convívio humano. A menos que a sociedade perceba a gravidade dessa verdadeira epidemia que é querer tratar pela psiquiatria as dificuldades e problemas que fazem parte da vida. Junte os ritmos cada vez mais velozes e insanos da vida diária a esta forte tradição que tem a medicina de “encaixar um sintoma”, prescrever um remédio e mandar para o hospital que vamos todos viver dopados. Qual é a definição precisa de transtorno mental? Quem pagará pela tragédia que o diagnóstico errado causa na vida das pessoas?
Qualquer coisa malfeita afeta todos. Mas quando é feita na rua aos olhos de todos como se fosse uma acusação, seja pelos despossuídos que usam crack, seja pelas autoridades que usam o arbítrio para fazer a cidade limpa, há aí outra vertente impiedosa dessa epidemia da tutela. Aqui o erro vem na sua forma prática como serviço, depósito de exilados. No mesmo embrulho mistura arbítrio e falsa legalidade e dá o nome de tratamento para o que é abandono. Chama de falha moral a ousadia de esses jovens se desintegrarem nas ruas e praças. O usuário de crack compartilha a única localização no espaço urbano onde o efeito do que ele faz não é insignificante para os outros. Gerador de atenção e afeição momentânea não consegue transformar em sonhos o que está vivendo. Se o judiciário diz que é legal passeata para defender o que é considerado ilegal, de onde sai a ousadia da autoridade para recolher das ruas e retirar direitos de jovens pobres e abandonados? Onde pretende devolvê-los?
Dar o nome de terapia à indiferença social e ao fracasso da política pública — que não tem força para destinar recursos para serviços abertos 24h, descentralizados e multiprofissionais de acolhimento — só confirma a força que a indústria médica da tutela continua a ter sobre a população.
O que só aumenta a tragédia que é ver o sofrimento não gerar mais afeição.
PAULO DELGADO é sociólogo, foi deputado federal pelo PT de Minas e autor da Lei da Reforma Psiquiátrica.
E-mail: contato@paulodelgado.com.br. O Globo – 05/12/2011
Quando a prática da medicina, subjugada à indústria de medicamentos, se oferece como cárcere, ficamos diante de uma verdadeira bomba embrulhada como se fosse terapia. Pior quando uma especialidade médica transforma em missão sanitária esconder hábitos e tarefas de uma sociedade indiferente a vida dos outros e que só vê as pessoas de forma binária: com sucesso, ou fracassadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anda preocupada com a definição de doença mental que a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doença Mental — universalmente conhecido como DSM-V — anda preparando. A ser lançada em 2013, mas já objeto de tensa polêmica no meio psiquiátrico, especialmente norte-americano, a nova edição da DSM, transforma o cérebro num disco rígido. Um computador sem alma, intoxicado, num mundo cada vez mais doente e que somente poderá ser salvo por remédios. A OMS alerta que não aceita a desenvoltura da classificação, porque não é doença o que não pode ser caracterizado patologicamente, tem etiologia desconhecida, não possui padrão uniforme, não pode ser confirmado.
Quem não viveu, alguma vez na vida, alguma destas graves “doenças” psiquiátricas: abuso ou abstinência de substâncias, ansiedade, autismo, déficit de atenção, transtorno bipolar, confusão, desatenção, tendência à psicose, transtorno de personalidade, comportamento antissocial, apego reativo, amnésia, esquizofrenia, distúrbios diversos, etc. São tantos os nomes das “doenças do nervo” que agora viraram sinônimos de remédios e comportamentos, que começa a ficar preocupante o convívio humano. A menos que a sociedade perceba a gravidade dessa verdadeira epidemia que é querer tratar pela psiquiatria as dificuldades e problemas que fazem parte da vida. Junte os ritmos cada vez mais velozes e insanos da vida diária a esta forte tradição que tem a medicina de “encaixar um sintoma”, prescrever um remédio e mandar para o hospital que vamos todos viver dopados. Qual é a definição precisa de transtorno mental? Quem pagará pela tragédia que o diagnóstico errado causa na vida das pessoas?
Qualquer coisa malfeita afeta todos. Mas quando é feita na rua aos olhos de todos como se fosse uma acusação, seja pelos despossuídos que usam crack, seja pelas autoridades que usam o arbítrio para fazer a cidade limpa, há aí outra vertente impiedosa dessa epidemia da tutela. Aqui o erro vem na sua forma prática como serviço, depósito de exilados. No mesmo embrulho mistura arbítrio e falsa legalidade e dá o nome de tratamento para o que é abandono. Chama de falha moral a ousadia de esses jovens se desintegrarem nas ruas e praças. O usuário de crack compartilha a única localização no espaço urbano onde o efeito do que ele faz não é insignificante para os outros. Gerador de atenção e afeição momentânea não consegue transformar em sonhos o que está vivendo. Se o judiciário diz que é legal passeata para defender o que é considerado ilegal, de onde sai a ousadia da autoridade para recolher das ruas e retirar direitos de jovens pobres e abandonados? Onde pretende devolvê-los?
Dar o nome de terapia à indiferença social e ao fracasso da política pública — que não tem força para destinar recursos para serviços abertos 24h, descentralizados e multiprofissionais de acolhimento — só confirma a força que a indústria médica da tutela continua a ter sobre a população.
O que só aumenta a tragédia que é ver o sofrimento não gerar mais afeição.
PAULO DELGADO é sociólogo, foi deputado federal pelo PT de Minas e autor da Lei da Reforma Psiquiátrica.
E-mail: contato@paulodelgado.com.br. O Globo – 05/12/2011
30.11.11
I Stink! (Coleção AS VANESSAS)
I Stink!
Ladies and gents, I stink!
I stink ‘cause I can’t sing!
I stink ‘cause I can’t dance!
I stink ‘cause I can’t make a pass
At her, the most beautiful lass!
Hell! I can’t even take the chance!
Yes! I can’t face the music and dance
I can’t live life without her romance
But I can’t, either, show all my love
Yes! I stink like the rat I am
Never a firm word from my mouth came
Like the great Shakespeare says, “there’s the rub!”
Yes, Ma’am! I stink!
Yes, folks! I sink
Right in a stinking bowl of tears!
Day after day I shrink
Whenever I come to think
That she’ll never forgive my fears!
Oh, yes sir! I do stink!
And she doesn’t want a wimp
‘Cause I think there’s something decaying inside my chest
Alas! My heart might be dead
And the reek seeps from my head
It can only survive in the snugness of her nest...
Data: 2005
Ladies and gents, I stink!
I stink ‘cause I can’t sing!
I stink ‘cause I can’t dance!
I stink ‘cause I can’t make a pass
At her, the most beautiful lass!
Hell! I can’t even take the chance!
Yes! I can’t face the music and dance
I can’t live life without her romance
But I can’t, either, show all my love
Yes! I stink like the rat I am
Never a firm word from my mouth came
Like the great Shakespeare says, “there’s the rub!”
Yes, Ma’am! I stink!
Yes, folks! I sink
Right in a stinking bowl of tears!
Day after day I shrink
Whenever I come to think
That she’ll never forgive my fears!
Oh, yes sir! I do stink!
And she doesn’t want a wimp
‘Cause I think there’s something decaying inside my chest
Alas! My heart might be dead
And the reek seeps from my head
It can only survive in the snugness of her nest...
Data: 2005
29.11.11
ESTAMOS USANDO O CRACK
Edmar Oliveira*
Estamos assistindo ao desmonte de um conjunto de políticas modernas e revolucionárias na área da Saúde Mental e a reimplantação de um modelo cruel e historicamente falido. Vamos olhar a questão por uma lente grande angular: setores hipócritas da sociedade, uma mídia alarmista e políticas públicas equivocadas (quando não intencionais) estão usando o crack para criminalizar a pobreza e atacar os bolsões de populações em situação de vulnerabilidade com o eufemismo do “acolhimento involuntário”. Construção inconciliável, que nós, os que trabalhamos no campo da Saúde Mental, sabemos ser falsa: ou bem o acolhimento é voluntário ou, se involuntário, aí não é mais acolhimento, e sim recolhimento. Primeiro veio o ataque às “cracolândias” de São Paulo, depois adotado na Cidade Maravilhosa que precisa ser “higienizada” para os eventos do calendário esportivo mundial. E por imitação, começa a acontecer em outras metrópoles.
A situação complexa dos bolsões de pobreza, com pessoas em situação de vulnerabilidade, não pode ser entendida de forma simplificada e menos ainda ser resolvida por atitudes apressadas. Para enfrentar a disseminação do uso de crack e outras drogas (o álcool, droga lícita permitida, e os solventes, vendidos para outros fins, estão associados ao crack, que quase nunca é consumido isoladamente), o Ministério da Saúde, através da sua Área Técnica em Saúde Mental, vinha adotando uma Política Nacional de Enfrentamento ao Álcool e outras drogas (PEAD) que previa uma complexidade de equipamentos comunitários, móveis e hospitalares. São os Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras drogas (CAPS ad como centro de acolhimento diurno ou com leitos funcionando 24 horas); aproximação aos Programas de Saúde da Família através dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (os NASFs); Casas de Acolhimento Transitório (as CATs) para pessoas em situação de vulnerabilidade territorial; Consultórios de Rua, móveis, para o acolhimento e atenção dessas pessoas; Leitos Hospitalares de Referência nos Hospitais Gerais (sim, porque só neles podem ser tratados os agravos clínicos consequentes ao uso de drogas lícitas e ilícitas); além dos hospitais especializados.
Ou seja: a situação complexa do usuário deve ser atendida de forma também complexa, com um conjunto de dispositivos adequados a cada momento às necessidades do usuário. O leito comunitário do CAPS ad e o da Casa de Acolhimento Transitório não é o mesmo do Hospital Geral ou o do Hospital Especializado. Eles não competem entre si, mas são complementares, segundo a necessidade real psicológica e física do usuário a cada momento. A política do recolhimento involuntário oferece apenas um dispositivo, a antiga e inadequada internação psiquiátrica, que a mesma política de Saúde Mental vinha combatendo por seu caráter repressivo e violador dos direitos humanos. Esta forma não pode ser encarada como um tratamento adequado e resolutivo na nossa modernidade, mas apenas um retorno ao “tratamento moral” do começo da psiquiatria no século XVIII.
Assistir ao desmantelamento das políticas complexas, que ainda estavam em ritmo de implantação, para a recuperação de um modelo já condenado no século passado é um martírio que os militantes da construção da Reforma Psiquiátrica estão vivendo. A Reforma Psiquiátrica é um movimento que implantou dispositivos comunitários de Saúde Mental, reduzindo consideravelmente o uso do hospital psiquiátrico especializado. E pior é saber que o modelo da internação (na contramão da Reforma), proposto atualmente, condena à exclusão intencional, em nome do tratamento, populações vulneráveis que sofrem da epidemia de abandono social. E para as quais haveriam de ser implantadas políticas públicas sociais, educacionais, habitacionais e de emprego propondo a inclusão dessas pessoas que ficaram para trás no apressamento competitivo dessa sociedade.
Pois não é o crack a epidemia a ser enfrentada, mas o abandono de populações marginalizadas que não encontram lugar nessa sociedade do individualismo. Talvez por isso eles se juntam nos guetos, onde ainda encontram a solidariedade dos iguais, já que a sociedade não tem lugar para esta gente que não soube encontrar seu lugar. É a partir dos guetos, lugares que geralmente são depósitos de lixo, que os abandonados gritam à sociedade que são o lixo humano sobrante dessa sociedade egoísta. Um observador estrangeiro chamou esses lugares de “manicômios a céu aberto”. Correta observação. Eles estão presos à impossibilidade de pertencimento à sociedade moderna.
Voltando a olhar pela lente grande angular: não é pelo uso do crack que eles se encontram nestes lugares marginalizados a que chamam de “cracolândia”, mas por estarem nestes lugares em situação de vulnerabilidade e abandono é que – também - fazem uso do crack. Todos nós estamos “usando” o crack para esconder nossa sujeira debaixo do tapete.
*O psiquiatra Edmar Oliveira foi diretor do Instituto Nise da Silveira (RJ). É autor dos livros “Ouvindo Vozes” Vieira & Lent, 2009, RJ; e “von Meduna”, Oficina da Palavra, 2011, Pi, ambos sobre práticas em Saúde Mental.
22.11.11
Paciente psiquiátrico precisa de direito a acompanhante enquanto internado
ZUZU FONTES faz reivindicação essencial: ela pede para que haja uma lei que garanta que o paciente psiquiátrico possa ser acompanhado pelos familiares TODO O TEMPO em que estiver internado. Excelente ideia, Zuzu. Isso ajudaria a acabar com maus tratos nos hospitais psiquiátricos.
"Pelos usuários de sistema de saúde mental terem direito a acompanhante enquanto internados.
Senhores,
Reivindicamos o acompanhamento na internação dos usuários de saúde mental por parente próximo como obrigatório nas instituições psiquiátricas brasileiras.
.....Visto que, o usuário de saúde mental é incapaz.perante a lei e as instituições psiquiátricas são ineficazes em salvaguardar sua dignidade pessoal visto que o usuário de saúde mental depende de apoio da família para sua melhoria e bem estar; e ainda que a internação solitária gera maior incapacidade social causado pelos descasos do quadro clínico e até da família Verificando também que inúmeras drogadições, lobotomias e eletro choques são efetuados em clínicas de saúde mental publicas ou particulares,remédios fortes são prescritos sem o conhecimento e consentimento da família, podemos causar sérios danos ao SNC e dependência química.
Sabemos, que por serem incapazes de lutar pela sua vida e direitos,pelas limitações inerentes aos mesmos,e métodos atuais de internação não possuem até então caráter preventivo de recaídas. Se este paciente, é incapaz pela ciência, porque deixá-los a mercê de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagens, distanciando-o de sua realidade e dificultando sua recuperação?
A drogadiçao excessiva é motivo de maior despesa no orçamento do SUS e conseqüente volta e permanência do mesmo dentro dos hospitais: quanto maior drogadiçao o usuário for exposto, mais demorará para sua recuperação e reinserção social e familiar. Para livrar-nos do sistema crônico de geração de pacientes psiquiátricos pelas clinicas e laboratórios, devido aos vícios de fármacos contínuos que causam dependência física e psíquica
Ora, são incapacitados, perante a lei, mesmo temporariamente,têm o direito humano de permanecerem acompanhados de familiares, pais,irmãos esposas ou filhos,até a sua alta!
Que seja instituído por lei o direito de um acompanhante quando se der a internação de um usuário de saúde mental em qualquer leito de instituição psiquiátrica brasileira. Que seja pautada na lei a dignidade humana de todos e inclusive do usuário de saúde mental, aprovando e assegurando a permanência de um acompanhante ao paciente, assegurando-lhes o equilíbrio, e a segurança pessoal na insanidade,como cidadãos que são!
Senhores, solicitamos em caráter de urgência esta lei!"
Interessante também é o blog de NERCINDA HEIDERICH, mãe de Ana Carolina C. Heiderich. A filha de Nercinda morreu no hospício Santa Izabel, e por isso ela criou um blog dedicado à memória da filha. Vale a pena dar uma olhada. O hospício Santa Izabel o hospício onde Zulmira Fontes, a Zuzu, foi internada e mal tratada.
"Pelos usuários de sistema de saúde mental terem direito a acompanhante enquanto internados.
Senhores,
Reivindicamos o acompanhamento na internação dos usuários de saúde mental por parente próximo como obrigatório nas instituições psiquiátricas brasileiras.
.....Visto que, o usuário de saúde mental é incapaz.perante a lei e as instituições psiquiátricas são ineficazes em salvaguardar sua dignidade pessoal visto que o usuário de saúde mental depende de apoio da família para sua melhoria e bem estar; e ainda que a internação solitária gera maior incapacidade social causado pelos descasos do quadro clínico e até da família Verificando também que inúmeras drogadições, lobotomias e eletro choques são efetuados em clínicas de saúde mental publicas ou particulares,remédios fortes são prescritos sem o conhecimento e consentimento da família, podemos causar sérios danos ao SNC e dependência química.
Sabemos, que por serem incapazes de lutar pela sua vida e direitos,pelas limitações inerentes aos mesmos,e métodos atuais de internação não possuem até então caráter preventivo de recaídas. Se este paciente, é incapaz pela ciência, porque deixá-los a mercê de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagens, distanciando-o de sua realidade e dificultando sua recuperação?
A drogadiçao excessiva é motivo de maior despesa no orçamento do SUS e conseqüente volta e permanência do mesmo dentro dos hospitais: quanto maior drogadiçao o usuário for exposto, mais demorará para sua recuperação e reinserção social e familiar. Para livrar-nos do sistema crônico de geração de pacientes psiquiátricos pelas clinicas e laboratórios, devido aos vícios de fármacos contínuos que causam dependência física e psíquica
Ora, são incapacitados, perante a lei, mesmo temporariamente,têm o direito humano de permanecerem acompanhados de familiares, pais,irmãos esposas ou filhos,até a sua alta!
Que seja instituído por lei o direito de um acompanhante quando se der a internação de um usuário de saúde mental em qualquer leito de instituição psiquiátrica brasileira. Que seja pautada na lei a dignidade humana de todos e inclusive do usuário de saúde mental, aprovando e assegurando a permanência de um acompanhante ao paciente, assegurando-lhes o equilíbrio, e a segurança pessoal na insanidade,como cidadãos que são!
Senhores, solicitamos em caráter de urgência esta lei!"
Interessante também é o blog de NERCINDA HEIDERICH, mãe de Ana Carolina C. Heiderich. A filha de Nercinda morreu no hospício Santa Izabel, e por isso ela criou um blog dedicado à memória da filha. Vale a pena dar uma olhada. O hospício Santa Izabel o hospício onde Zulmira Fontes, a Zuzu, foi internada e mal tratada.
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