25.6.09

Novela das 8 retrata paciente psiquiátrico como violento

Nós temos uma novela que tenta retratar como um paciente psiquiátrico é e se sente. É a novela Caminho das Índias. Porém a novela que aparentemente fazia um trabalho razoável perdeu a linha e colocou esse paciente psiquiátrico praticando uma violência que não é comum ao paciente psiquiátrico. O personagem Tarso deu um tiro num homem! Para quem não conhece a doença mental, saiba que aquela cena foi um absurdo. Pois um paciente psiquiátrico em crise está perdido em delírios, e não teria a frieza de pegar uma arma, mirar e acertar alguém. Quem acerta pessoas desse jeito talvez sejam os psicopatas.

Certamente a culpa desse fiasco não é da Glória Perez, autora da novela. Certamente a culpa é dos psiquiatras e profissionais de saúde mental que estão por trás da novela.

A Metamorfose - Como é se sentir estranho

Para dar uma idéia de como o paciente psiquiátrico se sente em crise, deixo um trecho do livro A Metamorfose, de Franz Kafka. A forma que o personagem se sente se assemelha bastante a como o paciente psiquiátrico se sente. Muitas vezes o paciente psiquiátrico sabe que está diferente, estranho, mas não sabe como comunicar isso para os outros. E os outros não sabem como tirar essa informação dele.

Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em rijos segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a pontos de resvalar completamente. As inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, comparadas com o resto do corpo, agitavam-se desamparadamente perante os seus olhos. “Que me aconteceu?”, pensou.

(...)Gregor teve um choque ao ouvir a sua própria voz responder-lhe, inequivocamente a sua voz, é certo, mas com um horrível e persistente guincho chilreante como fundo sonoro...

(...)A sua decisão de partir era, se possível, ainda mais firme do que a da irmã. Deixou-se ficar naquele estado de vaga e calma meditação até o relógio da torre bater as três da manhã. Uma vez mais, os primeiros alvores do mundo que havia para além da janela penetraram-lhe a consciência. Depois, a cabeça pendeu-lhe inevitavelmente para o chão e soltou-se-lhe pelas narinas um último e débil suspiro.


Como eu estou

Estou com saudades dos efeitos colaterais do lítio e não suporto mais a calma da Risperidona. Tenho alternado momentos de normalidade e momentos de apatia. Em certos momentos eu senti coisas estranhas que nunca tinha sentido, ou melhor, às vezes eu deixei de sentir. Em certo momento a comida não tinha gosto de nada, em outro eu olhava para mulher e parecia que eu não estava olhando para mulher. Pois não havia o menor desejo. Nota: não sentir desejo é diferente de estar impotente. Mas na minha vida em geral tudo vai MUITO bem. Principalmente porque eu estou muito entusiasmado com o movimento dos usuários de saúde mental que estão mostrando trabalho. Apesar de eu estar muito ocupado, está tudo bem.

Psicólogo Desastrado

Hoje no grupo de medicação do CAPS a psiquiatra faltou e ficou coordenando o grupo um psicólogo. Eu observava a forma que ele buscava manipular o que as pessoas dizem que sentem. Impressionante. Quando eu disse que estava com dificuldades para me adaptar às mudanças de medicação ele logo tentou ligar isso aos problemas da mudança de direção do CAPS e à interrupção que haverá nos cursos da escola de informática. Impressionante. Eu nem estava pensando nisso. Custava ele aceitar que eu estou realmente com dificuldades para me adaptar?

Interessante a forma que ele vai arrumando coisa ruim para justificar o nosso mal-estar. Eu já estava tendo problemas para me ajustar às mudanças da medicação bem antes desses problemas. Que psicólogo desastrado. Que forma de abordagem mais desastrada. Parecia um urubu escavando coisa ruim. Porque não foi legal relembrar esses probleminhas. Estragou meu dia. É por isso que eu prefiro não me tratar com psicólogos. Na verdade eu já tinha me preparado há meses para esses problemas. Tenho dinheiro guardado para me garantir nos momentos mais difíceis e tudo. Estou tranquilo. Eu só estou com uma nova preocupação. Como limpar o CAPS de profissionais mexeriqueiros como esse. Ou melhor, como fazer com que esses profissionais mudem sua forma de abordagem.

(NOTA: Essa postagem foi mudada, pois alguns profissionais de saúde mental tinham se sentido ofendidos. E francamente eu não quero arrumar inimizades com profissionais de saúde mental. Isso não ia ser positivo para a luta por melhor tratamento e igualdade, que está acima de minhas revoltas e rancores.)

4 comentários:

  1. alicecarrol@gmail.com11:31 PM

    Odeio psicólogos! Perdi muito tempo de minha vida com eles. Faço terapia com psiquiatra e é outro mundo! Mesmo!

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  2. Olá Alice Carrol. Obrigado por comentar. Eu também odeio psicólogos, aliás, na verdade o que eu odeio mesmo é o blablabla.

    Há psicólogos que sabem ficar quietos e são bem úteis. Quando o psiquiatra fala demais também é detestável. Psicólogos já me deixaram muitos traumas por falar demais.

    Eu acredito num tratamento focado em terapias de grupo e com terapeutas ocupacionais. E quando necessário um psiquiatra pode passar uma medicação necessária.

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  3. Eu também detesto psicólogos, mas adoro manipular eles.
    O meu ex psicólogo me deu o diagnostico de Sociopata!
    A vontade que me deu foi pegar uma caneta que estava ao meu lado que perfurar seus olhos... Mas deixem isso pra lá.
    O que tenho a dizer é que ele não pode simplesmente dizer que sou uma Sociopata, aliás acho muito difícil ele entender o significado dessa palavra na vida de uma pessoa.
    Pois bem, não me iludo mais com eles e se tiver que retornar a uma sala dessas os manipularei!

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  4. Não se preocupe com estes diagnósticos de psiquiatras e psicólogos. Eles são estigma. São uma marca que estes profissionais colocam nas pessoas.

    De acordo com os procedimentos médicos da própria medicina, estes diagnósticos psiquiátricos NUNCA poderiam ser considerados diagnósticos.

    O grande mal destes psicólogos e psiquiatras é que eles querem fazer terapia quando as pessoas não querem fazer.

    A terapia funciona quando a pessoa quer fazer voluntariamente.

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