14.1.10

Experiências de um Paciente Psiquiátrico no Hospício

Abaixo deixo o primeiro capítulo da história OS CASARÕES, que eu havia publicado num site, que fechou. NOVAMENTE republico, assim republicarei o segundo capítulo amanhã e assim por diante.

A história é verídica e mostra a forma que o PACIENTE PSIQUIÁTRICO vê a maneira que ele é tratado lá dentro.

Espero que eu tenha feito uma boa retratação.

Astregésilo Carrano escreveu O Canto dos Malditos, livro fala sobre eletrochoque, e sobre a depressão que a pessoa experimenta ao sair das internações, provavelmente causada pelos psicotrópicos tomados.

(Observe que a depressão pós internação é atípica, diferente das depressões comuns geralmente relatadas.

Carrano retratou muito bem a depressão pós internação, mas infelizmente sua obra deixou uma lacuna, que preencho em OS CASARÕES. Carrano não escreveu muito sobre as alucinações, e sobre certos efeitos que podem ser do transtorno mental, ou da medicação. Cabe a todos nós estudar para descobrir a verdade.

OS CASARÕES



CONTOS DO CASARÃO - CAPÍTULO 1

Tudo que ele sabe é que ele é um ser, e que ele está enclausurado em algum lugar. Onde ele está? Será que ele está sonhando? Não pode ser real! Tem todo esse pessoal vestido de branco. Porém aquele pessoal de branco mantém distância dele e de outros seres. O pessoal de branco é cheiroso, porém ele e os outros seres que eram mantidos longe do pessoal de branco cheiravam mal. Não podiam usar perfumes caros, às vezes mal podiam escovar os dentes! Estaria ele no Céu? No Purgatório? Ou no Inferno? Tem um homem que senta à uma mesa, uma mesa luxuosa. Mandam-no à sua sala e lá ele o observa. Será que ele (esse homem) é Deus (e está lá para julgar seus pecados)? Tem portas no lugar, daí ele chega à conclusão de que está numa casa. Quando ele olha pela janela ele vê que é um casarão, um prédio talvez. Mas ele só pode ter acesso a alguns quartos, limitado a andar em um corredor de cerca de 10 metros. Não deixam que ele se aproxime das portas. Daí ele conclui que está preso. Ele quer saber quem ele é. Ele não conhece ninguém lá.

Ele não conhecia ninguém lá, mas as pessoas o chamavam pelo nome. Isso o fez se lembrar de que ele tinha uma família. Aquilo não poderia ser Céu de jeito nenhum. Havia gente ruim lá. Mas ele ainda estava torcendo para que aquilo fosse um sonho. À noite, propositalmente, ele caía da cama, tentando acordar do pesadelo. Veio uma memória de sua infância. Ele costumava cair da cama de propósito para escapar dos pesadelos. Mas desta vez não funcionou. Logo ele leu em seus lençois: Centro Psiquiátrico D. Pedro II. Ele tinha que se render à realidade. Ele tinha sido internado. Num hospício.

Mas por quê? O que ele tinha feito? Será que ele já era doente mental antes de ser internado? Será que ele tinha sido doente durante toda sua vida? Talvez sua família tivesse escondendo isso dele toda sua vida. Para poupá-lo. Se ele era um doente mental ele não sabia o que fazia. Sua vida não passava de uma loucura. Droga! Ele deveria saber! As pessoas sempre diziam que ele era maluco! Mas ele não acreditava que estivessem falando sério. Achava que estivessem brincando.Então tudo que ele achava que ele sabia era ilusão. Em sua vida ele estava sempre errado. Puxa! Eles o tinham internado! Ele não sabia por que, mas estava claro! Ele é louco! Alguém o tinha colocado lá, mas ninguém tinha lhe explicado por quê. Ele teve de descobrir sozinho onde ele estava!

E trouxeram-lhe drogas e mandaram-no tomar. Ele disse que não estava sentindo nenhuma dor e que queria saber para que servia aquele remédio. Mandaram-no calar a boca e tomar senão eles iriam perder a paciência. Como ele não queria apanhar, obedeceu. Afinal, eles eram violentos. Naquele lugar as mulheres eram mais ou menos boazinhas. Ele percebeu que as mulheres de branco eram mais agradáveis do que os homens de branco. Às vezes as mulheres de branco deixavam que ele lanchasse mais de uma vez. Às vezes ele podia até pegar dois, três copos de mingau, de uma vez! Os homens de branco insultavam-no todo o tempo. Às vezes não deixavam que almoçasse ou jantasse.

Depois de um tempo ele compreendeu que ele estava preso num hospital psiquiátrico e que as pessoas vestidas de branco eram enfermeiros, doutores, etc. Mas no começo, quando ele sequer se lembrava de que tinha uma família ele achava que as mulheres de branco estavam lá para ensinar-lhe a viver, discipliná-lo, enquanto que os homens estavam lá para puni-lo, fazê-lo pagar por algum pecado.

Explicação breve do Capítulo 1 de OS CASARÕES

Cada capítulo de OS CASARÕES foi publicado para chamar atenção para certos pontos do chamado tratamento que precisam ser mudados para que haja um tratamento de verdade.

Mas infelizmente notei certa insenbilidade nas pessoas que leram os capítulos. Por isso vou explicar cada capítulo, começando pelo primeiro.

Nesse capítulo eu tento chamar a atenção para a necessidade que me parece óbvia: ao internar alguém em um hospital psiquiátrico, ala psiquiátrica, enfim, É NECESSÁRIO explicar para esse paciente psiquiátrico O PORQUÊ ele está sendo internado, o porque ele está sendo mantido preso.

Depois a equipe desse hospital deve explicar para a pessoa o que é um tratamento psiquiátrico e porquê a pessoa tomará psicotrópicos.

Lógico que o psiquiatra deve explicar para o paciente psiquiátrico em internação para que serve cada medicação.

Enfim, tento chamar a atenção que uma pessoa pode até ser obrigada a tomar uma droga. Mas ninguém deveria tomar nenhuma substância estranha sem que alguém explique o que é tal substância. Pois forçar alguém a tomar algo que a pessoa nem sabe o que é não é apenas violação dos direitos humanos (ninguém deve ser forçado a fazer nada), mas praticamente transforma a pessoa num prisioneiro que engole aquilo que seu carcereiro dá, já que um enfermeiro nesses casos não passa de um carcereiro.

antes alguém no mínimo deveria explicar para o paciente psiquiátrico para que serve cada droga. Claro que logo que a pessoa ficasse lúcida, podendo se comunicar a pessoa deveria poder optar se quer ou não continuar internada, depois de ser informada dos riscos que correria caso abandone a internação, e dos riscos que correria caso abandone o tratamento.

Isso não quer dizer que eu acredite que haja riscos. Em certos casos talvez não haja. Estou apenas falando do direito que um indivíduo deveria ter assegurado, e que AINDA não tem.

Hoje em dia a lei garante que a pessoa deve receber explicações sobre seu tratamento, mas isso não é respeitado nem nos CAPS, imagine em hospitais psiquiátricos onde as pessoas são internadas muitas vezes contra a vontade.

A lei avançou (apesar de não ser respeitada), mas mesmo assim as pessoas ainda são internadas a força com respaldo da lei.

Que ao menos a proposta da Reforma Psiquiátrica seja respeitada, a proposta que buscava tornar lei que ninguém fosse internado por mais de sete dias. Infelizmente isso não virou lei.

Além do mais eu tento mostrar a forma estúpida que os pacientes psiquiátricos são tratados: como se estivessem sendo disciplinados. E tento mostrar as consequências que isso traz: a pessoa fica retraída, se sentindo culpada, etc.

Em um lugar em que se busca recuperar as pessoas mentalmente não deveria haver nenhum tipo de repressão. Pois senão a coisa tem efeito contrário e causa problemas mentais.

Fico por aqui.

PAZ E LIBERDADE.

10.1.10

O que significa sonhar com barco - por Karl Abraham

Um de meus pacientes sonhou que estava viajando em um barco, que do mar entrou num canal. O barco avançou até uma espécie de marisma, e ali o sujeito se encontrou com um condutor que conduzia sua carruagem em direção oposta.

O barco e a carruagem são facilmente compreensíveis neste contexto como SÍMBOLOS GENITAIS MASCULINOS, o canal lamacento representa as entranhas da mãe, as entranhas da terra. Segundo a teoria infantil, a concepção e o nascimento têm lugar ali.

Extraído do livro Clinical Papers and Essays on Psycho-Analysis


Acima vemos a interpretação de um sonho com barco, pelo psicanalista Karl Abraham. Karl Abraham foi discípulo de Sigmund Freud. Coloquei isso aqui para mostrar as coisas doidas que muitos psiquiatras, psicólogos e psicanalistas imaginam.

Não quero provocar ninguém. É que eu já disse aqui que alguns psiquiatras precisam de mais ajuda que a maioria dos pacientes psiquiátricos. E eu me preocupo com eles. Sinceramente.

QUE TIPO DE MENTE DOENTIA CONSEGUE VER UM PÊNIS NUM SONHO DE UM BARCO?

Me desculpem se ofendo com esse meu termo.

Ao ler sobre esse sonho pela primeira vez eu imaginei tudo: quem sonha com um barco assim quer viajar para Veneza, ou talvez para o Amazonas...

Mas SÍMBOLOS GENITAIS MASCULINOS????

Sinceramente, esse Karl Abraham devia ver SÍMBOLOS GENITAIS MASCULINOS por toda parte. Ao dormir ele devia contar pênis, em vez de carneirinhos...

Mas falando sério... há muito tempo que tenho percebido que muitos psiquiatras e psicólogos e psicanalistas tinham grilos, problemas sérios, complicações que eles buscavam sanar se tornando psiquiatras, psicólogos, psicanalistas...

Claro que nem todos psiquiatras, etc. tem esses problemas.

Muitos psiquiatras e profissionais de saúde entram na profissão para ajudar a criar um mundo melhor, mas outros entram como uma forma de se entender, de se tratar. Eles sabem que têm algo muito estranho neles, mas não iam querer admitir. Iam querer se tornar psiquiatras, etc. em vez disso.

Se você é psiquiatra e tem esses problemas, por favor, não fique zangado comigo por falar disso aqui.

Para quem entra nessas profissões para se tratar só posso adiantar que não é o melhor caminho.

Mas nas postagens seguintes darei algumas dicas para ajudá-los a lidar com isso.

Sinceramente.

8.1.10

Paciente psiquiátrico mata um e ataca três (E mais estigma!..)

Um homem com problemas psiquiátricos matou uma pessoa e feriu outras três durante a madrugada desta sexta-feira (08) no bairro Joana D'arc, em Vitória.

Paulo César Dutra morreu após ser atingido com três facadas. Ele também tinha problemas mentais.

Os ataques aconteceram na casa de uma das funcionárias do abrigo onde as vítimas moravam.

Na noite desta quinta-feira (07) ela, que também foi esfaqueada, levou os internos para passar a noite na residência onde mora.

Segundo o delegado da Crimes Contra a Vida de Vitória, Orly Fraga Filho, o acusado foi detido e encaminhado ao DPJ da capital.

Segundo Orly Fraga, a funcionária do abrigo agiu de forma errada já que os internos estavam sob condições inadequadas, sem cuidados de um profissional da saúde.

As outras duas pessoas feridas, uma de 25 anos e outra de 78 também apresentam problemas mentais.

Elas foram socorridas e encaminhadas ao Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha.


Fonte: Gazeta Online e O Globo.

Infelizmente a notícia acima fortalece o estigma. É que eles dão a notícia como se o paciente psiquiátrico tivesse matado por ser paciente psiquiátrico.

ESSA É UMA FORMA ESTIGMATIZADORA DE DAR A NOTÍCIA. O paciente psiquiátrico pode ter tido motivo real para matar. Que, é claro, eles não farão o menor esforço para pesquisar.

Na verdade, todas as classes da sociedade cometem crimes. Por diversas razões.

Por ciúme, por inveja, por dinheiro, por comida, por droga, etc.

Advogados cometem crimes, atores cometem crimes, políticos cometem crimes, e até repórteres cometem crimes. Por diversos motivos.

Porque um paciente psiquiátrico não poderia cometer?

Porque o crime que o paciente psiquiátrico cometeu tem que ser porque ele é paciente psiquiátrico?

5.1.10

Lidando com as alucinações

Aquela mãe contava como ela lidava com as alucinações do filho esquizofrênico. “Eu aprendi com os psicólogos e psiquiatras que a gente tem que dizer que vê o que um paciente com alucinações vê, mesmo quando a gente sabe que não há nada lá. Se não é pior.”

Eu queria perguntar-lhe, não seria melhor falar a verdade e ser franca com a pessoa? Pois algumas das alucinações que uma pessoa tem podem ser bem perigosas, se alguém confirma que está vendo tudo que a pessoa alucinada vê QUANDO NA VERDADE NÃO VÊ. Naturalmente falo de experiência própria.

O melhor é um procedimento inteligente. Não dizer para pessoa “Você está delirando. Não tem nada lá.”, nem “Você está vendo coisas que não existem.” Quem somos nós para julgar que o que alguém vê existe ou deixa de existir só porque a gente não vê?

O melhor é dizer “Eu não consigo ver o que você vê. Não sou capaz. Não sei porque você vê estas coisas e eu não consigo.” Dessa forma você não ofende a pessoa e nem mente, como aconselham os psiquiatras e psicólogos, que sem experimentar a situação, naturalmente não saberiam aconselhar direito.

Já que a mentira é um caminho perigoso. Quando aquela mãe tentava parecer convicta que tinha feito o melhor ao mentir para o filho eu queria dizer uma coisa para ela, sabendo que seria doloroso, pois aquela era uma mãe lutadora e comprometida. Apesar dos equívocos que ela cometeu por ter sido mal-orientada por profissionais de saúde mental.

Eu queria dizer “Moça, se o conselho que os psiquiatras e psicólogos deram fosse tão bom você não acha que seu filho estaria vivo?” É que me parece que se você tivesse sido franca, sincera com seu filho ele estaria aqui, do seu lado agora, VIVO.

A mentira mata

Quanto aos psiquiatras e psicólogos, realmente espero quem nem todos tenham a atitude equivocada de aconselhar que os familiares mintam para seus parentes com alucinação.

Pois até onde essa mentira levaria? A pessoa com alucinações diria “Tem alguém ali.” O familiar concordaria sem ver nada... Na vida real a coisa não funciona como o psiquiatra fez na novela Caminho das Índias, em que ele espantou o pato da alucinação de um paciente psiquiátrico!...

Cedo ou tarde a pessoa alucinante perceberia que o familiar estava mentindo. E, é claro, muito provavelmente essa pessoa com alucinações não revelaria ao familiar suas desconfianças, pois já não mais confiaria nesse mentiroso.

Aí sim, essa pessoa passa a incluir esse familiar em sua lista de perseguidores. Afinal, o familiar mentiu para ela. Por que esse familiar mentiroso não poderia estar mancomunado com seus perseguidores?

Daí que a pessoa sentiria não desprotegida, já que os familiares, estariam do lado de seus perseguidores que poderia se matar como única saída. Sim, talvez tenha sido por isso que seu filho se matou. Desculpe, é duro ter que dizer isso. Mas a mentira mata.

Os Mestres da Mentira

E como poderíamos confiar em profissionais que usam a mentira como ferramenta de trabalho? Os mágicos e atores usam a mentira, a falsidade e a dissimulação como ferramentas de trabalho, como os psiquiatras e psicólogos fazem. Mas a diferença é que os fregueses (plateia) sabem disso, e o trabalho deles é artístico.

Mas no caso dos psicólogos e psiquiatras, os pacientes psiquiátricos, que no caso são os fregueses, nunca sabem quando esses psiquiatras e psicólogos estão mentindo, ou orientaram os familiares para que mintam.

Espero encontrar psiquiatras e psicólogos que batam no peito e afirmem que não mentem e nem aconselham familiares a mentir. Psiquiatras e psicólogos que lidem com as alucinações com verdade, franqueza e TÉCNICA.

3.1.10

Relato de uma familiar de esquizofrênico

Tenho um irmão que tem esquizofrenia, e quando vejo sua atuação na novela fico emocionada pois olho como perdemos tempo para identificar a esquizofrenia no meu irmão, por causa da falta de instrução da família e também dos médicos a instruírem a família... pois mesmo depois que a doença foi identificada o auxílio médico foi precário eles só diziam que ele tem que tomar remédio, prescrevem e nos mandam para casa e são completamente ausentes…e temos muitas perguntas como:

Como fazer um esquizofrênico a continuar a tomar o remédio????
Como fazer para ele aceitar a doença???
Devemos deixar ele expor suas ideias e suas visões mesmo sabendo que são absurdas ou não são reais?????

O SUS também não dá nenhum apoio para continuação do tratamento, somente algumas clínicas mas onde se mistura todos os tipos de doentes como os alcoólatras, dependentes químico, esquizofrênicos e outras doenças mentais, isto não é tratamento... eles ficam completamente dopados para não causar rebelião na clínica pedindo para ir embora e os psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais são completamente ausentes. Será que são muitos pacientes para poucos profissionais???

Não sabemos mais o que fazer... pois o tratamento particular é caríssimo... uma clínica, uma consulta com o psiquiatra, terapia, psicólogo…..é bem complicado...
Não temos vergonha dele... Amamos muito o Daniel... ele é maravilhoso... tem 31 anos e estamos há 5 anos em tratamento... ele já foi internado 4 vezes... é triste demais... o sofrimento de minha mãe é enorme... e é bem doloroso passar por isto...

E ver você na televisão atuando perfeitamente... algumas cenas são tão reais que acabo nem vendo você e sim o meu irmão Daniel ... e se o tempo pudesse voltar….eu consertaria algumas reações que tive... mas eu não sabia, não fui ignorante pq eu quis e sim por falta de instrução...

Mas hoje sou outra pessoa, pesquisei sobre a doença e procuro me informar mais para me comunicar com ele para quando sair da clínica, não precisar voltar mais...
O Dr. Castanho para mim é quase surreal nunca conheci nenhum médico tão dedicado como ele... mas é bom ele estar na novela para ve se incentiva aos outros psiquiatras mesmo os do SUS a mudarem a forma de tratar os pacientes e se comunicar com as famílias...
Tenho muita Fé em Deus!!! E sei que ele vai iluminar o nosso caminho para encontrarmos a Paz e a Felicidade ao lado do meu irmão!!!

Que Deus te abençoe!!!

Obrigada pela atenção...


Acima você vê um comentário deixado no blog do ator Bruno Gagliasso. O comentário foi da familiar do paciente psiquiátrico Daniel, diagnosticado como esquizofrênico.

Muito me emocionou esse comentário, ao ver o amor real dessa irmã ao ponto de pedir socorro ao Bruno Gagliasso, um ator. Bruno Gagliasso fez um esquizofrênico na novela Caminho das Índias, em 2009. Mas o que ele iria fazer para ajudar aquela familiar desesperada?

Fazer ele poderia fazer milagres, pois é uma figura pública. O problema é que se ele fizesse alguma coisa ele estaria indo contra os psiquiatras que mandaram fazer a novela, que retrata um tratamento que não existe.

O objetivo da novela era promover o SUS. Mas essa familiar mostra claramente que O SUS NÃO FUNCIONA!!!

Essa familiar reforça várias coisas que tenho colocado aqui.

Se vê que ela conhece bem o que acontece dentro dos hospitais psiquiátricos, o que prova que ela esteve bem perto de seu parente sempre.

Na verdade, a Reforma Psiquiátrica virou uma briga política EGOISTA. Sem dúvida a lei da Reforma é ótima, mas infelizmente ela não é cumprida. E por isso muitos morrem. Até mais que quando havia a predominância do TRATAMENTO ASILAR, ou seja, mais do que quando as pessoas ficavam mais tempo internadas.

Isso que eu queria que essa brava familiar soubesse.

Precisamos de uma Reforma na saúde do Brasil

No momento acontece uma reforma da saúde nos Estados Unidos. E, francamente, acho que o Brasil também precisa de uma reforma na saúde, mas uma reforma de verdade, pois as reformas que aconteceram foram reformas corporativistas, ou seja, reformas feitas por profissionais.

E não precisamos de reforma psiquiátrica apenas, mas UMA REFORMA EM TODA A SAÚDE. Precisamos de uma reforma POPULAR, como acontece nos Estados Unidos.

Brava familiar, o Bruno Gagliasso, nem respondeu ao seu comentário, pois não tem ideia do valor de suas palavras. Mas pode ter certeza que você será sempre importante para mim.

E pode contar comigo.

2.1.10

Homeopatia: tratamento alternativo na psiquiatria

...Outra característica importante da homeopatia é a forma individualizada com que os pacientes são tratados. Cada pessoa tem um remédio de fundo, único, que é prescrito de acordo com suas características físicas, emocionais e psicológicas. Esse é o motivo das perguntas não convencionais feitas na consulta, assemelhando-a a uma sessão de psicanálise.

Exames clínicos são utilizados como apoio, mas nunca como a única forma de diagnóstico. Duas pessoas com sintomas semelhantes podem ser tratadas, com sucesso, utilizando remédios completamente diferentes. “É uma busca trabalhosa, muitas vezes é preciso testar vários remédios para descobrir a substância correta para o tratamento daquela pessoa”, explica o médico psiquiatra Pedro Carneiro.

Ele trabalha há dois anos com pacientes com doenças mentais, em um dos únicos programas da rede pública que utilizam a homeopatia no tratamento, o Centro de Atenção Psicossocial de Diadema (Capsi). Mesmo casos graves, como os surtos psicóticos, em que a pessoa tem delírios e alucinações, foram tratados com sucesso.

“Conseguimos diminuir em até 70% a dosagem de antipsicóticos em vários pacientes. São medicamentos pesados, que produzem efeitos colaterais que causam sofrimento aos doentes. Com o uso da homeopatia o tratamento fica bem mais tranquilo”, explica. Em casos “leves” como depressão e síndrome de pânico os medicamentos alopáticos foram totalmente banidos do tratamento de seus pacientes. “Fazemos um atendimento ao doente e não à doença, a preocupação principal é com o indivíduo e não com o simples fim dos sintomas”, defende.


O texto acima foi retirado de uma reportagem sobre homeopatia. Um artigo sobre homeopatia. Veja A homeopatia busca contra-atacar os males com o mesmo “veneno” que os provoca, com medicamentos mais leves e mais baratos.

Mais um exemplo de opções para os psicotrópicos. Existem opções para os antipsicóticos e outras drogas psicotrópicas, existe opção para os medicamentos psicotrópicos! Falta divulgação. Basta os políticos da saúde mental investirem nisso. Basta investirem na medicina alternativa, no tratamento alternativo.

Você não precisa ter baixa qualidade de vida para seguir um tratamento psiquiátrico. Como já falei várias vezes aqui, psicotrópicos são perigosos para a saúde. Mesmo que eles causem sensações de bem-estar, CUIDADO.

E você já deve ter percebido que a homeopatia não é muito divulgada porque seus medicamentos não são vendidos pelas grandes empresas farmacêuticas. E é claro, os medicamentos da homeopatia são mais baratos que os psicotrópicos... não dão muito lucro.

Em outras palavras, é claro que tem muita gente ganhando muito dinheiro com os medicamentos psicotrópicos caríssimos!

O doutor Pedro Carneiro, que está no artigo, é um psiquiatra antipático e conservador que faz parte da Luta Antimanicomial, e que eu conheço e já encontrei em alguns encontros da Luta Antimanicomial.

É um daqueles tipos que não deixam usuários de saúde mental falar, ele não deixa pacientes psiquiátricos e ex-pacientes psiquiátricos falarem.

Mas não é só porque um psiquiatra é antipático não significa que ele não possa contribuir e MUITO para a saúde mental. Ele pode ter defeitos, mas o que ele está fazendo é grandioso.

Viva o psiquiatra Pedro Carneiro!!!!!

1.1.10

Se tratando com ou sem drogas

No fim do ano 2009 terminou uma enquete que eu coloquei aqui no Blog PACIENTE PSIQUIATRICO:

As pessoas que sofrem com doença mental deveriam tomar medicação à força?

Veja o resultado:

Sim, pois quando uma pessoa se recusa a tomar medicação pode ser perigoso. 1 voto

Comentário: Claro que se a pessoa estiver SOFRENDO com a doença mental ela vai querer tomar QUALQUER medicação. Não seria necessário obrigar. E obrigar seria um ato autoritário, despótico, que iria prejudicar a pessoa mais ainda. A não ser, é claro, que seja uma medicação que faça lavagem cerebral.

Não. Deveria ser uma escolha do paciente aceitar ou não a medicação. 0 voto

Comentário: Como disse acima, a pergunta é meio uma pegadinha. O problema é que forçam pessoas que NÃO estão sofrendo com doença mental a tomar medicação. Aí está o problema. Deveriam oferecer para as pessoas os tratamentos alternativos para PREVENIR recaídas. Não fazem isso AINDA.

Na verdade essas pessoas deveriam ter consciência de que tem a obrigação de tomar a medicação pro seu próprio bem. 5 votos

Comentário: Sem comentários. Boa resposta.

Há tratamentos alternativos à medicação. Na verdade deveria ser obrigação da saúde pública divulgar e investir nos tratamentos alternativos 5 votos

Comentário: Excelente resposta! Bem democrática!

Fico felizes que as pessoas tenham expressado sua opinião com consciência e justiça.

Siga um tratamento sério e evite recaídas

IMPORTANTE: tenho observado que algumas pessoas têm expressado que pararam de tomar medicação e tiveram recaída. É claro!!! NUNCA pare de tomar medicação psiquiátrica sozinho!! São drogas traiçoeiras! Se você para de tomar de repente você corre o risco de sofrer efeitos colaterais estranhos. Efeitos colaterais que seu psiquiatra vai chamar de recaída.

Quem quiser REALMENTE parar de tomar psicotrópicos pode (e deve) procurar um tratamento alternativo. Aqui no blog PACIENTE PSIQUIATRICO eu falo de tratamento alternativo.

Pode ser que você esteja há anos sem ter crises e ache que deva parar com o tratamento de vez.

Pode ser. Mas vá com calma. Substitua o tratamento com psicotrópicos por um alternativo primeiro e depois pare COM ACOMPANHAMENTO MÉDICO, de preferência.

Detalhe: talvez você esteja tendo recaídas por não estar seguindo o melhor tratamento para você. Está tomando psicotrópicos e sente vontade de parar de tomar? Pois PARE.

Não vá dizer que só sentiu vontade de parar porque estava em crise. Não se engane. Mas continue se tratando com uma terapia alternativa.

PARAR DE TOMAR PSICOTRÓPICOS NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE PARAR COM O TRATAMENTO

Está mais do que na hora do ministério da saúde investir em medicina alternativa. Por isso fico feliz com a opinião das pessoas que votaram no Blog PACIENTE PSIQUIATRICO reafirmando a necessidade de investimento nessa área.

(Lembrando que a principal parte do tratamento é a parte da inclusão social, de desenvolver atividades para a pessoa.)

Obrigado.

Enfim, espero que os amigos ex-pacientes psiquiátricos e pacientes psiquiátricos tenham um ano cheio de saúde. E que tenhamos avanços nos tratamentos e inclusão social.