13.4.09

PARA VALORIZAR O PACIENTE PSIQUIÁTRICO

Eu decidi doar meu tempo para escrever algo que possa valorizar o paciente psiquiátrico. Mais que isso. Fazer que o paciente psiquiátrico reconheça seu valor. Que passe a se respeitar mais. E que tenha sua diversidade respeitada. Isso porque certos psicólogos e psiquiatras têm considerado certos comportamentos de pacientes psiquiátricos como “sintomas da doença”.

Por exemplo, uma mãe reclamou com a psiquiatra que o filho só quer comer sentado no chão. A psiquiatra vira para a mãe e diz “Isso é sintoma da doença.” O pai vira para a psiquiatra e diz: “Minha filha diz que não gosta de mim.” A psiquiatra vira para ele e diz: “Não se preocupe. Ela gosta de você sim. É a doença dela que a faz dizer isso.” Quer dizer que uma pessoa não pode gostar de comer sentada no chão? E uma pessoa é obrigada a gostar de todo mundo?

CUIDADO! NÃO ACEITE ISSO! Sintoma de doença mental é uma pessoa ouvir vozes que a perturbam, por exemplo. Agora uma pessoa fazer alguma coisa diferente não pode ser aceito como sintoma de doença. Quer dizer que se eu decidir andar com um pé só como saci vêm os caras do SAMU me prender? Isso seria considerado sintoma de doença mental? Não seria uma escolha minha? Talvez eu tivesse pensado “andar de um pé só não ofende ninguém. Vou fazer isso porque eu acho legal.”


NORMAS IMPOSTAS

Pelo o que eu estou vendo, fugir das normas impostas é considerado sintoma de doença mental. E quando o filho decide comer no chão ele está fugindo das normas impostas pela mãe. Por isso que é considerado um sintoma de doença mental. E quando a filha diz que não gosta do pai ela está fugindo da norma imposta que diz que todos os filhos devem gostar do pai. Daqui a pouco eu vou ter a impressão de que eu contestar a psiquiatria e a psicologia está sendo considerado “sintoma da doença”. Veja o vídeo abaixo para entender melhor o que eu quero dizer.

VÍDEO DESCREVE O QUE É SER BIPOLAR



Muitos dos sintomas de bipolar descritos pelo autor do vídeo me parecem características maravilhosas! Dentre elas inteligência. O próprio autor deve ter ficado com vergonha dessa inteligência depois, pois disseram que era doença. Inteligência pode ser considerado sintoma de doença? Alguém deve ter vergonha de sua inteligência ao ponto de considerá-la doença? Pense nisso. Sintomas de doença são o desequilíbrio, e não as qualidades e características das pessoas. Não acha? Doença, de fato, chega a doer. Inteligência não doe. O que me parece é que ele acha que a inteligência dele causou a doença dele depois. Chegamos ao ponto de colocar a culpa na nossa inteligência. É isso que nós queremos? Falarei mais sobre isso.

12.4.09

DEMÔNIOS, ESPÍRITOS OU ALUCINAÇÕES?

A religião tem se mostrado uma das formas mais libertárias da experiência humana, ainda mais no Brasil com estas igrejas protestantes...Ela se configura uma antipsiquiatria eficiente e muito defensável. Eu faria uma menção especial a estas igrejas que congregam homossexuais, os Meninos de Deus e outras ainda. A psiquiatria estabelece, sim, um sistema rígido de normalidade. Aliás, isto não é acidental nela, mas a sua característica principal. Assim, ela desfila baboseiras a respeito da mente humana.

O texto acima também é do site ANTIPSIQUIATRIA. Eu o coloquei aqui para ilustrar o que vou falar. Eu não concordo totalmente com o texto acima. Só que acho que todos têm direito de expressar sua crença religiosa. E essa expressão de crença muitas vezes não é respeitada pela psiquiatria e pela psicologia. Devido a grandes protestos dos pacientes psiquiátricos religiosos a intolerância dos psiquiatras e psicólogos diminuiu, mas o problema é quando eles começam a desmerecer o valor da crença de uma pessoa. Por exemplo, um paciente psiquiátrico religioso que ouviu uma voz pode achar que ouviu uma voz de um anjo. Mas o psiquiatra e o psicólogo tentam convencê-lo que a voz que ele ouviu é uma doença! Isso é até um insulto à religião das pessoas. Mas hoje em dia a intolerância é menor. O pior problema é quando esses psicólogos e psiquiatras tentam fazer a cabeça das pessoas para que vejam o mundo da forma que eles vêem, como se as idéias deles que estivessem certas. Vejam o exemplo abaixo.

Vésperas de sexta-feira Santa. Um paciente psiquiátrico pergunta a uma psicóloga:
__Na sexta-feira Santa não pode comer carne, né? Você não vai acreditar na resposta da psicóloga. Em vez de simplesmente dizer "É", que é a resposta certa, ela disse:
__Algumas pessoas comem, outras não. Isso aí depende. Você não tem que se prender a isso.
Para que tentar enrolar o rapaz? Se ela não sabia a resposta, que simplesmente dissesse que não sabe, que não entende de religião. Não precisava tentar fazer a cabeça do rapaz. Não precisava tentar fazer o rapaz seguir suas idéias cultas liberais.

Quanto às vozes, eu acho que são alucinações, eu acho que é um desequilíbrio. Quando perturbam, eu acho que são uma doença. Observem que eu disse EU ACHO. Não tenho certeza. Ninguém sabe o que é isso. O que eu quero dizer é que talvez a teoria da sua religião esteja certa. Se você é cristão, talvez as vozes que perturbam os pacientes psiquiátricos sejam mesmo demônios. Se você é espírita, saiba que talvez as vozes sejam espíritos. O que eu quero dizer é que não existe nenhuma prova científica que indique com clareza o que as vozes são. Sua religião merece respeito. Sua crença merece respeito. Por fim, se você é psiquiatra ou psicólogo, saiba que talvez tais vozes sejam alucinações. Apenas aceite que não existem provas científicas provando nada. Aceitem também que psiquiatria e psicologia são crenças também. Aceite isso e pare de tentar fazer a cabeça dos pacientes psiquiátricos. Alguns religiosos acham que os outros vão para o inferno, por exemplo. A gente não tem que concordar com isso, mas tem que respeitar a opinião do outro. Aliás. Quem quiser concordar, que concorde. É seu direito de expressão.

11.4.09

TRATAMENTO EM COMUNIDADE MELHORA O PACIENTE PSIQUIÁTRICO

A psiquiatria não é uma ciência, mas uma moralidade. Uma determinada visão do mundo que se tornou impositiva. A Revolução Francesa terminou faz 200 anos e ela ainda não desligou o botão do Terror. Um psiquiatra é um profissional do Estado, como um juiz ou um policial. Não é um médico comum, pelo menos no sentido do que se pode esperar de um médico. Mas um anti-médico, um médico cuja ação se faz contra o paciente. O cliente e o paciente não são a mesma pessoa.

A psiquiatria é uma polícia do comportamento. Sua melhor vocação está no zelo dos interesses do Estado. Ciência ela não é, embora pretenda ser. Quem sabe um dia chegue lá. Quanto ao Negócio da psiquiatria, ele é a produção de estereótipos de loucura. Para consumo social. A maioria dos pacientes "tratados" pelos psiquiatras hoje precisa apenas de um assistente social, não de um psiquiatra.


O texto acima foi retirado do site ANTIPSIQUIATRIA. Eu o retirei por concordar totalmente com ele. A maioria dos pacientes psiquiátricos não precisa mais de psiquiatras. Precisam quando estão em crises graves, fora de controle, e precisam ser sedados. Mas para sedar alguém é realmente necessário um psiquiatra? Um enfermeiro não pode fazer isso? E eu diria que não precisam de psicólogos também. Já muitos pacientes psiquiátricos graves precisam sim é de outras formas de atenção, como assistentes sociais e terapeutas ocupacionais. E a implementação de tratamentos na comunidade.

Como é o tratamento na comunidade? É a comunidade participando. O paciente psiquiátrico sendo inserido na comunidade. Participando de cursos com pessoas da comunidade, por exemplo, como o Comitê para Democratização da Informática faz. O assistente social pode defender os direitos do paciente psiquiátrico. Para a defesa dos direitos seria necessário um advogado também. E o terapeuta ocupacional pode tratá-lo, de fato. Você deve estar perguntando: então a psiquiatria e a psicologia não têm serventia para o paciente psiquiátrico? Têm sim. A seguir vou explicar a serventia.

AS CARIMBADAS DA PSIQUIATRIA

Alguns psiquiatras são tão inteligentes e cultos que não conseguem distinguir raciocínio de verborréia. Assim, se os seus assuntos são muito especializados, não converse sobre eles com algum psiquiatra ou você acabará carimbado com um diagnóstico. Um diagnóstico constitui uma "peça de psiquiatria" destinada ao consumo social. É assim que os psiquiatras conseguem clientes, fabricando loucos. O diagnóstico é um freeware da psiquiatria, assim como as diversas aparições de psiquiatras em meios de comunicação social, reportagens diversas sobre "doenças" mentais, etc. Tudo isso constitui a inserção social (marketing) da psiquiatria. Texto do site ANTIPSIQUIATRIA. Lembrando que os psicólogos também vivem carimbando as pessoas. Explico a seguir.

FRIEZA E INDIFERENÇA

Eu entrei na sala de minha psicóloga. Já estava internado a alguns meses, mas estava me recuperando. "E aí, como vai?", ela me cumprimentou. Eu disse "tudo bem." E aí ela foi falando "E você conseguiu falar com seu pai?"
"Meu pai?" Eu respondi assustado, "Meu pai já morreu há anos."
"Mas você tinha dito que seu pai ia morar com você, etc."
"Eu disse isso?" Eu comecei a ficar preocupado. Se eu disse isso eu devia estar em crise. "Quando eu disse isso?" Perguntei a ela. "Semana passada." Ela respondeu. Na semana passada eu podia jurar que eu estava bem. "Caramba, meu pai morreu há anos. Se eu disse isso eu estava em crise."
"Pois é." Ela disse. Depois ela disse "Precisamos ver isso, Samuel."
"Mas meu nome não é Samuel." Caramba, pensei, será que a loucura me fez esquecer meu nome?
"Não é?" Daí ela deu uma olhada nos papéis que ela levava e por fim disse, sem jeito "Ih, troquei os prontuários."

Falar o que sobre isso? É isso que mata a psicologia. Aquela psicóloga sequer conhecia os rostos de seus pacientes. Ela só escrevia coisas no prontuário, e se guiava pelo prontuário. É essa frieza e indiferença que eu tenho visto nos psicólogos. Mas há umas raras exceções. Existem bons psicólogos. Como a doutora Simone Delgado. Mas bons psicólogos são uma raridade. A maioria entrou na profissão por se interessar nos textos de Jung e de outros psicólogos famosos. Não por estarem preocupados com o paciente psiquiátrico. Aí está o erro.

COMO OS PSIQUIATRAS E PSICÓLOGOS PODEM SER ÚTEIS

Como eu havia dito anteriormente, os psicólogos e psiquiatras têm serventia. (Não quero deixá-los deprimidos!) Mas não produzindo estereótipos de loucura, que é o que eles fazem quando tentam diagnosticar transtornos mentais. Uma vez eu estava conversando com uma moça psicóloga, QUE NÃO ERA MINHA PSICÓLOGA, era uma colega de trabalho, e ela virou para mim e disse que eu devia fazer psicoterapia. Interessante que enquanto eu conversava com ela ela me avaliava(talvez sequer estivesse prestando atenção no que eu falava), como se eu fosse simplesmente um objeto de trabalho para ela. Ela me diagnosticou enquanto eu falava com ela. E carimbou na minha testa PRECISA FAZER PSICOTERAPIA.

A psiquiatria devia ESTUDAR doenças mentais, e nunca tentar tratar. Pode sim, até AJUDAR no tratamento(deixem o tratamento para os terapeutas ocupacionais), se estudar bem uma doença. Pois a psiquiatria de hoje faz muito pouco, simplesmente por tentar tratar doenças mentais. A única coisa que os psiquiatras têm feito é receitar medicação e diagnosticar. Os psiquiatras sequer pesquisam as medicações, já que quem faz isso são as indústrias farmacêuticas. A psicologia devia estudar a mente, e não fazer a cabeça dos pacientes psiquiátricos em psicoterapias. Ou seja, deviam estudar a cabeça, e não fazer a cabeça. E uma coisa que deve ser evitada é viciar as pessoas em psicoterapia. Isso porque tal vício pode ser considerado uma doença também.

A psiquiatria e a psicologia podem ser úteis para tratar neuroses não graves, que podem ser consideradas doenças mentais leves. A psiquiatria e a psicologia podem ser eficientes quando o paciente psiquiátrico está recuperado da doença mental grave também. Isso porque alguns pacientes vão achar legal um psicólogo. Isso é opção deles. Não é uma necessidade. Outros pacientes quererão tomar medicação para isso ou para aquilo. (Já sem necessidade, pois o controle do paciente pode ser feito de outras formas.) O psiquiatra poderia proceder sempre buscando evitar que as pessoas se viciem nos medicamentos. Eu por exemplo quero a psiquiatria ortomolecular. Acho que vai ser legal para mim. Aí um psiquiatra é útil. Mas para a recuperação de pacientes psiquiátricos graves, psiquiatria e psicologia infelizmente não funcionam.

7.4.09

PONTOS BONS E RUINS DO CAPS RUBENS CORREA

Na postagem de hoje eu estou colocando fotos, já que uma imagem vale mais que mil palavras. As primeiras fotos mostram o lado bom do CAPS Rubens Corrêa. Os computadores fornecidos pela ONG Comitê para Democratização da Informática que podem ser usados livremente por usuários pacientes psiquiátricos!




Depois de ver o lado positivo do CAPS Rubens Corrêa a gente vai do céu para o inferno: os banheiros dos usuários pacientes são sem trincos, o que não permite privacidade na hora das necessidades.

Observe que o trinco está completamente enferrujado. Um paciente poderia se machucar e pegar uma doença.


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5.4.09

CAMINHO DAS INDIAS - SOBRE AGRESSIVIDADE



A definição do Dr. Castanho para a agressividade da doença mental é muito boa. Eu só gostaria de acrescentar que um paciente psiquiátrico também poderia ficar agressivo simplesmente por não gostar de uma certa pessoa, ou por estar zangado com certa pessoa, como acontece com todo mundo. O importante é não ligar a imagem do paciente psiquiátrico à agressividade gratuita, pois tal idéia é falsa.

É histórica a comparação de crimes bárbaros com a loucura. Um discurso que faz a preferência de quase todos os psiquiatras ligados de alguma maneira aos lucros dos hospitais psiquiátricos. Só omitem pesquisas que provaram que a cada mil pessoas com sofrimento mental, apenas 0,2% tem o quadro do psicopata, aquele cara que matou a família, transou com a vovó e foi pro cinema. E quando ocorre um caso dessa natureza, a imprensa faz todo um alarido, ajudando na cultura manicomial, que acha que as pessoas em transtorno mental são todas com tendência para cometerem crimes dos mais variados e bárbaros, como aos que também assistimos na televisão ou no cinema. A soma desses fatos ajuda a preservar os hospícios e acreditarmos nos discursos maliciosos de psiquiatras comprometidos em manter este sistema manicomial arcaico, cruel e criminoso. Entrevista de Austregésilo Carrano Bueno.

4.4.09

PRECISAMOS DE SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS AOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS

Os hospitais psiquiátricos são especializados em loucura, e não na cura. É uma questão que envolve interesses econômicos altíssimos. Trata-se da terceira maior despesa do SUS, uma verdadeira mina de ouro que ultrapassa meio bilhão de reais por ano. Consomem mais de R$ 700 milhões para drogar, torturar e matar pessoas. É pura exploração financeira dos nossos impostos, é roubalheira, falcatrua da mais grosseira e aviltante a nós, contribuintes.

O texto acima é parte de uma entrevista de Austregésilo Carrano Bueno e serve para ilustrar que drogar é uma das atividades típicas dos hospitais psiquiátricos. E se queremos falar de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos vamos ter que falar em tratamentos substitutivos também. Tratamentos não baseados em drogas. Tratamentos não baseados nas drogas legalizadas que chamam de medicação.

Somos a favor da Rede de Trabalhos Substitutivos, montada há mais de 14 anos e apoiada pela Organização Mundial da Saúde. As pessoas não seriam internadas, a não ser quando estivessem em crise ou surto. A internação seria em leitos de hospital geral, por no máximo sete dias. Somos a favor dos hospitais-dia, aonde as pessoas que precisam de tratamentos de saúde mental vão durante o dia e voltam para suas casas à noite. Defendemos ainda a criação e utilização dos Naps e Caps (Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial), que não são hospitais psiquiátricos, são casas alugadas longe, fora do espaço físico dos hospitais psiquiátricos, nada que lembre um hospício. O paciente, chamado de usuário, é levado a passar o dia. Acompanhado por equipes de interprofissionais, à noite retorna ao convívio familiar e social. As pessoas que não estão em crise poderiam ficar, socializar-se, almoçar, namorar, politizar-se, receber a atenção adequada de psicólogos, assistentes sociais etc. Ou seja, poderiam receber um tratamento digno. Queremos ainda a criação de Centros de Convivência e Cooperativas, que funcionam em parques, praças e centros culturais, onde a produção artística e cultural dos pacientes pode ser vendida e o lucro é dividido entre eles, os usuários. Queremos ainda o atendimento de psiquiatria e psicologia em postos de saúde. Esses são os pontos principais.

Acima podemos ver a continuação da entrevista de Austregésilo Carrano Bueno, e infelizmente podemos constatar que a rede de trabalhos substitutivos sonhada por Carrano não está acontecendo. Pessoas tem sido internadas por bem mais tempo que 7 dias, e não é em hospitais gerais, é em hospitais psiquiátricos. Ou seja, em hospícios mesmo. E os CAPS tem sido centros onde as pessoas tomam medicação e ficam sem nada para fazer o dia todo. Existem raras atividades, mas infelizmente são poucas atividades, e não agradam a todos. Ou seja, a prioridade dos CAPS ficou sendo tomar "remédio" e tomar injeção. Logo, o CAPS é lugar de tomar "remédio" e não de ressocialização, já que não é possível haver ressocialização num lugar que sequer tem um banheiro decente.

No grupo de medicação que frequento no CAPS falei para a médica e para o psicólogo que eles deveriam falar mais sobre os efeitos graves da medicação psiquiátrica. Falei que os profissionais de saúde mental deveriam falar sobre tratamentos substitutivos. A psiquiatra foi bem sincera e admitiu que há efeitos colaterais graves causados pela medicação psiquiátrica. Mas aí ela disse que os remédios das outras doenças têm efeitos colaterais graves também.

CUIDADO COM ESSE ARGUMENTO. Não existe nenhum remédio com efeitos colaterais tão graves quanto as medicações psiquiátricas. LEMBRE-SE QUE EXISTE UMA ANTI-PSIQUIATRIA. Existe uma anti-psiquiatria simplesmente porque os medicamentos psiquiátricos já aleijaram e mataram muita gente. Se medicações para tratamento de outras doenças tivessem os mesmo efeitos danosos que a medicação psiquiátrica haveria anti-odontologia, anti-dermatologia, anti-hematologia, etc. Só existe anti-psiquiatria porque os efeitos da medicação psiquiátrica são altamente perigosos.

É chato ter de constatar que não se informa os pacientes psiquiátricos sobre tratamentos substitutivos nos CAPS, que deveriam oferecer tratamento substitutivo. Quando falei sobre tratamento alternativo SUBSTITUTIVO o psicólogo parecia ignorar totalmente a existência de tais tratamentos, dizendo que as pessoas têm que tomar as drogas psiquiátricas para sempre. Para termos um serviço legal nos CAPS no mínimo os profissionais deveriam ser bem informados.

Quero colocar que cada um deve ter o direito de escolher seu tratamento. Algumas pessoas preferirão se tratar com medicação psiquiátrica. Isso também deve ser respeitado. A questão é que quem se trata com medicação psiquiátrica tem o direito de ser informado dos perigos de tal medicação. Se a pessoa gosta de se tratar com medicação psiquiátrica é um direito dela. Assim como quem não quer se tratar com medicação psiquiátrica também deve ser respeitado.

2.4.09

CAMINHO DAS INDIAS - ESQUIZOFRENIA EM DEBATE



Se você não está vendo a novela das 8, tem uma chance de ver as cenas dos personagens que tem esquizofrenia aqui, ou seja, o Ademir e o Tarso. Peguei a cena acima para falar sobre os comentários do Dr. Castanho sobre a esquizofrenia. Ele passa uma idéia de que o esquizofrênico é fraco emocionalmente. Esse é o maior absurdo que eu já ouvi. O esquizofrênico não é fraco emocionalmente. Muito pelo contrário. São pessoas bem centradas emocionalmente que apenas tem o problema de ouvir vozes e se perder num mundo de alucinações. Eu falo isso da experiência que tenho de lidar com esquizofrênicos. Os bipolares podem ser considerados fracos emocionalmente. Bem, os bipolares não são bem fracos, são mais sensíveis. (Eu sou considerado bipolar, mas isso é assunto para outro momento.)

A forma que o Dr. Castanho trata seus pacientes não parece a de um psiquiatra de verdade. Ou seja, às vezes, o Dr. Castanho mancha mais ainda a imagem dos psiquiatras. Outras vezes o Dr. Castanho parece ser um psiquiatra bom demais. Bem, a Glória Perez fez o melhor que ela pode. Mas espero que ela pesquise mais para não gerar mais preconceitos.