30.9.11

Quando você revelou que não me amava... - Coleção AS VANESSAS

Quando você revelou que não me amava
Me deixou tão perdido...
Perdido, mas livre!
Como um pássaro na imensidão do céu
Tanto espaço, tanto azul
Sem saber aonde ir.
Mas esse azul, não é azul
É blue!...
Blue de melancolia
Não azul de alegria.

27.9.11

Como Tirar Passe Livre Interestadual

Os brasileiros com deficiências têm direito a tirar um passe livre interestadual que lhes possibilitará viajar gratuitamente por todo o país.

Este é um direito garantido as pessoas CARENTES portadoras de deficiências, seja deficiência física, visual, mental, ou renal crônica.

E os pacientes psiquiátricos também têm direito, como explicarei mais abaixo.

Para solicitar o passe é preciso comprovar que a família tem uma renda de, no máximo, um salário mínimo por pessoa. Enfim, um salário mínimo per capita, um salário mínimo por cabeça.

Ou seja, se você recebe dois salários mínimos, mas tem outra pessoa na sua casa que não tem renda, você tem direito ao passe por ser comprovadamente carente.

Outro exemplo: se você recebe quatro salários mínimos, mas tem três filhos pequenos que naturalmente não trabalham, você tem direito, pois a soma das pessoas da casa dá quatro.

Outro exemplo: se você e seu esposo ou esposa recebem cinco salários mínimos, mas têm três filhos pequenos que naturalmente não trabalham, você tem direito, pois a soma das pessoas da casa dá cinco. E assim por diante.

Documentos necessários para tirar o passe livre interestadual



Você deverá baixar o Atestado da Equipe Multiprofissional, uma papelada que deverá ser preenchida por profissionais, comprovando a deficiência.

No caso das pessoas que fazem tratamento psiquiátrico, o psiquiatra e um outro profissional de saúde mental deverão preencher o Atestado da Equipe Multiprofissional.

Você pode baixar o Atestado da Equipe Multiprofissional indo ao site http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/36037

Depois você deverá preencher o Requerimento - Formulário Modelo.

Você pode baixar o Requerimento - Formulário Modelo indo ao site http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/36043

Para ver mais informações sobre o passe, vá para a página do ministério dos transportes clicando aqui no link.

Os pacientes psiquiátricos de todo o Brasil têm direito ao passe livre interestadual.

As pessoas que fazem tratamento psiquiátrico contínuo podem solicitar o passe, inclusive, vários pacientes psiquiátricos já o possuem.

Várias pessoas com transtorno mental possuem o passe. Pois os psiquiatras e profissionais de saúde mental entendem que a pessoa, apesar de não ser deficiente mental, é considerada crônica, enfrenta várias dificuldades, e necessita muito de LAZER, que é essencial para sua recuperação.

Link para o Manual do Beneficiário, para que você possa se informar mais sobre o passe interestadual: http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/36024

Link para o Requerimento - Formulário Modelo: http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/36043

Link para o Atestado da Equipe Multiprofissional: http://www.transportes.gov.br/index/conteudo/id/36037

PERNAS CURTAS, PROMESSAS COMPRIDAS - CARTUM

Cartum sobre políticos e suas promessas...




De minha coleção pessoal de cartuns, dos jornais que eu leio.

14.9.11

Novela Morde e Assopra Mostra Doença Mental - Melhor Que Caminho Das Índias

A novela Morde e Assopra tem mostrado a doença mental de uma forma muito boa. Essa novela das sete está, de fato, ajudando a passar uma boa noção do que é doença mental e dos sofrimentos e estigmas que um paciente psiquiátrico sofre.

Na novela, a personagem Naomi, interpretada pela belíssima Flávia Alessandra, sofreu um surto psiquiátrico no passado.

Foi excelente, por exemplo, a cena em que a Naomi diz que prefere ir para a cadeia do que para um hospital psiquiátrico! Isso dá uma ideia verdadeira do inferno que é uma internação.

Para quem tiver oportunidade, vale a pena ver a abordagem do tema nessa novela brasileira, exibida na Rede Globo.

12.9.11

Cuidado Com Abusos nos Hospitais Psiquiátricos e CAPs

Assim foram meus últimos momentos no CAPs:

Eu fui procurar algum técnico de saúde mental. Enfim, procurava algum psicólogo, psiquiatra ou outro terapeuta. Não encontrei ninguém. Estavam todos dentro das salas do serviço. Estavam na sala da televisão, na sala dos computadores, e nas salas dos técnicos.

Os pacientes psiquiátricos estavam pelos corredores, já que não podiam nem ver televisão, nem usar computadores. Não havia nem almoço, nem água no CAPs.

Fui bater nas portas para falar com algum técnico. Ninguém respondeu. As portas estavam trancadas por dentro. Enquanto isso um dos pacientes psiquiátricos mexia no lixo.

Naturalmente depois disso eu fui embora e nunca mais voltei a esse CAPs. Eu não poderia suportar ver esses absurdos.

EXIJA VER SEU FAMILIAR PACIENTE PSIQUIÁTRICO QUE ESTIVER INTERNADO


E é importante que os familiares e amigos acompanhem os pacientes psiquiátricos internados de perto, pois longe dos olhos da sociedade acontecem coisas terríveis. Da mesma forma acontecem coisas terríveis nos CAPs, pois os técnicos de saúde mental se mantem afastados e não veem coisas graves que acontecem, como abusos sexuais.

Ao sair da internação eu fiz um exame de HIV. Pois eu tinha presenciado pacientes psiquiátricos fora de crise abusando sexualmente de pacientes que estavam inconscientes por causa do surto.

Como, muitas vezes, eu também fiquei inconsciente, sabia que eu também podia ter sofrido abuso sem saber. E podia ter contraído HIV.

Acho que nem preciso dizer que presenciei vários abusos no CAPs também.

E não adiantou nada reclamar.

9.9.11

WHO WOULD CARE FOR A BROKEN HEART? (Coleção AS VANESSAS)

WHO WOULD CARE FOR A BROKEN HEART?
Who would care for a broken heart?
It’s brand new but it’s aching
Though it’s aching it’s not failing
It’s kept in shape by missing and pain

The longing love keeps it on, again and again
Maybe someone else can make better use of it
Because I can’t take the strain, it’s tightening!
It’s fine, but this machine can’t keep up with it

It’s beating too fast, yeah; it’s beating me!
It’s beating so fast that it might explode
Maybe in someone else’s chest it can be controlled

And, to make things worse, it’s infecting all my members!
They’re stiffening, sweating, they can’t let me be!
My heart is poisoning all within and without me!
(I couldn’t go on with this poem because the poison has taken me completely!)

Abaixo a tradução do poema acima.
QUEM SE INTERESSARIA POR UM CORAÇÃO FERIDO?
Quem se interessaria por um coração ferido?
Está novinho, mas está dolorido
Apesar de estar dolorido não está falhando
Ele se mantém em forma por causa da saudade e da dor

O amor ansioso o mantém funcionando, o tempo todo
Talvez outro alguém possa fazer melhor uso dele
Por que eu não posso agüentar a pressão, está me sufocando!
Ele está ótimo, mas este corpo não pode suportá-lo

Ele está batendo muito forte, sim; está acabando comigo!
Está batendo tão rápido que poderia explodir
Talvez no peito de outra pessoa ele possa ser controlado

E, pra piorar ele está infeccionando todos meus membros!
Eles estão endurecendo, suando, não me deixam em paz!
Meu coração me envenena, por dentro e por fora!

18.8.11

Manicômios, hospícios, hospitais psiquiátricos e o terror

Aquela mãe repetia “Meu paciente morreu, mas não tenho nenhum remorso. Sei que fiz tudo que poderia fazer.”

Eu me compadecia por ela, pois sabia que, no fundo, o remorso a consumia. Me compadecia, pois sabia que ela era uma boa familiar. Tanto que somente um bom familiar sentiria remorso, e continuaria lutando para que outros não tenham o destino de seu familiar, como essa mãe fazia.

E lamentava que, aquele rapaz que morrera, paciente psiquiátrico, tinha perdido a mãe antes de morrer. É que a mãe já não o via como filho, e sim como paciente. Ela só o chamava de paciente, e raramente de filho.

Aquela mãe tinha se tornado enfermeira do filho, psiquiatra, psicóloga, ou coisa assim. Não era mais mãe. E ele não era mais filho dela. Era paciente. Não era mais família. Aquele rapaz continuava internado mesmo quando voltava para casa da internação.

Esse é o HOSPÍCIO EXTERNO. O hospício fora da internação.

Agora eu vou contar minha experiência não do ponto de vista de um paciente psiquiátrico ou ex-paciente psiquiátrico. Mas sim do ponto de vista de familiar. Pois como já disse tenho familiares que morreram em instituições psiquiátricas.

Daí que de meu ponto de vista de familiar é claro que eu NUNCA poderia ter sofrido como meus familiares que morreram sofreram. E realmente seria hipocrisia dizer que sofri tanto assim como familiar. Como sei que ninguém da família sofreu como esses falecidos pacientes psiquiátricos da família.

O meu tio que morreu mais recentemente tinha crises constantes e por isso foi abandonado pela família, sendo largado nos hospícios da vida. Ele dava muito trabalho, pois tinha crises constantes.

Com a chegada das leis da Reforma Psiquiátrica, por volta de 2001, ele passou a morar numa residência terapêutica. Mas pelo que me disseram ele era acompanhado praticamente noite e dia por enfermeiros nessa residência terapêutica.

Enfim, essa não é a vida que eu ia querer para mim, e provavelmente você também não ia querer para você. Ele não tinha mais o afeto dos familiares, e praticamente foi condenado a um HOSPÍCIO EXTERNO, pois era monitorado por profissionais de saúde mental dia e noite.

E ele deve ter morrido com sentimentos de culpa. Deve ter pensado “poxa, eu fui um peso para minha família. Não valho nada.” Realmente esse é um dos piores destinos que alguém pode ter.

Quanto ao outro tio, o destino foi mais negro. Ele morreu no hospício. No início da década de 90. Quando estava bem longe de haver a Reforma Psiquiátrica, que fiscaliza UM POUCO os hospícios.

Ele era tranquilo. Estava domado. Se comportava bem. E quando começava a reclamar era internado rapidinho. Por isso suas internações eram constantes. Vivia mais no hospício que em casa.

Naturalmente quando ele morreu no hospício eu logo vi que era óbvio que aquilo não era morte natural. Não era tão ingênuo, apesar de jovem. Pensei que a família ia começar um protesto sério contra isso, mas quebrei a cara.

O que eu, um jovem que era tão pouco respeitado, poderia fazer contra isso? Decidi deixar para tomar providências anos depois.

Claro que na época eu suspeitava que aquela morte não tinha sido uma “complicação” natural. Na época eu ainda não tinha sido internado no hospício. Hoje eu tenho certeza que meu tio merecia um pouco mais de atenção na questão de sua morte.

Ele não morreu num SPA. Morreu num hospício. Talvez eu deva descrever como as pessoas que morrem no hospício são tratadas, a partir de minha experiência de internação.

Na hora do café da manhã, no sanatório, eu me espantei com uma cena de filme de terror. Enfermeiros, ou auxiliares de enfermagem levavam uma figura enfaixada. A figura parecia uma múmia.

Ao levar a figura os enfermeiros, volta e meia, batiam com a cabeça da figura no corrimão, por acidente. Riam, faziam piadas.

Eu já acreditava que aquilo era uma brincadeira de mau-gosto. Como poderia ser real? Mas para meu total terror, eu vim a saber depois que aquela múmia era um paciente psiquiátrico que tinha morrido. Tropeçou no banho!!! Se você visse a estrutura dessa figura você ia duvidar desse tropeção fatal, obviamente.

Claro que ficava cada vez mais claro para mim que lá dentro minha vida não valia nada. Uma pessoa morreu num hospício, dito hospital psiquiátrico, e nem uma perícia decente houve.

O corpo não deveria ser removido só pela polícia? O local da morte não deveria ser interditado? Não deveria haver uma investigação quanto a causa da morte? A polícia não deveria ir ao local? Nada disso aconteceu.

Ou será que alguém acha que paciente psiquiátrico não merece esses procedimentos que as pessoas “normais” têm?

Esse texto é parte de um documento escrito pelo autor sobre a INSTITUCIONALIZAÇÃO e pode ser lido na íntegra no blog http://paciente-psiquiatrico.blogspot.com/. Obrigado pelos comentários de todos. Esta publicação foi primeiro publicada em 07 de Janeiro de 2010 e foi editada em 18 de agosto de 2011.