25.1.10

OS CASARÕES - Capítulo 6 (Relato: Como os "loucos" se comportam no hospício)

OS CASARÕES



OS PERSONAGENS DO CENTRO PSIQUIÁTRICO
- CAPÍTULO 6


Prestes a sair do centro psiquiátrico D. Pedro II, Estêvão pensa nas pessoas que conheceu lá dentro... ele estava numa casa de loucos. Antes daquela primeira internação a imagem que era passada para ele era de que numa casa de loucos não havia coerência, em absoluto. Ele imaginava pessoas gritando o tempo todo, gente pensando ser Napoleão Bonaparte, gente pensando ser Cristo... ou seja, um festival de doidos rodando de um lado para o outro dizendo bobagem.

Porém chegando lá ele se deparou com uma realidade muito diferente. Havia pessoas delirantes, mas a maioria das pessoas tinha sentimentos, tinha objetivos, tinha sonhos e, acima de tudo, sabia do que acontecia ao seu redor. Logo, num hospício não se mantinha pura e simplesmente loucos inconscientes, mas também pessoas recuperadas que já deveriam estar em casa há muito tempo. E ele pensa nessas pessoas...


João Batista
João Batista era uma figura alta e magra. De olhos verdes. Era uma figura altamente comunicativa, foi um dos primeiros a estabelecer contato com Estevão. “Tudo na santa paz de Deus?”, dizia ele, sorridente, enquanto fumava seu cigarro fumacento. Ele costumava despertar Estevão de manhã para tomar remédio: “Estevão, remédio. Tomar remédio.” Era o revolucionário da fila do café: “tô com fome, quero tomar café!” dizia, enquanto batia na portinhola onde serviam o café da manhã. Tinha uma namorada lá dentro. Porém um certo dia ele ficou “chato”: “João Batista, você tá chato pra caramba. Vou chamar os caras da contenção para amarrar você se você não parar de encher o saco. ” como ele não parou de “encher o saco” acabou sendo amarrado.

Estevão via que eles chamavam de “encher o saco” o ato de ir perguntar coisas a eles, pedir coisas, ou seja, eles esperavam que os pacientes ficassem paradinhos, quietinhos, sem dar trabalho para eles. João Batista mal podia acreditar que eles estavam realmente amarrando. Era difícil de acreditar que se amarraria uma pessoa por tão pouco. Mas depois João Batista ficou quietinho, do jeito que os enfermeiros gostavam.

Catarina
Catarina era loira, linda e dizia que gostaria de receber alta e voltar para o convívio de seu marido e de seu filho. Dizia que já não sabia mais o que fazer, pois queria não ter mais essas crises. Dizia que o marido era muito bonzinho, amoroso e tolerante. Uma das moças que trabalhava lá disse que a epilepsia, se tratada corretamente, pode ser curada totalmente, sem deixar vestígios, portanto ela não precisava se desesperar.

Estêvão pensava no amor que essa mulher tinha por um homem que covardemente a tinha internado para não ter que aguentar as dificuldades que ele teria que enfrentar com as crises da mulher. Estêvão sabia que crises de epilepsia podiam ser controladas, e epilépticos tem crises solitárias, que só poderiam causar danos a quem buscasse interferir de forma errada. Porém, o marido pensou primeiro no próprio bem-estar e conveniência. Quando ele viu aquela bela mulher pela primeira vez ele pensou que fosse perfeita, não era. Eram impressionantes a cegueira da mulher e a indiferença do homem.

Alice
O que Alice queria fazer mesmo era agitar. Não era amarrada talvez porque nada pedia aos enfermeiros, portanto não enchia o saco deles. Ela gostava de pular, dar cambalhotas... fazer exercícios o tempo todo. Era uma mulher de meia idade. Falava rápido, mas de maneira compreensível e, apesar da agitação, não era delirante, muito menos violenta...

Sidney
Sidney era um amante da leitura de jornais. Quieto, tranquilo... ele não reclamava de nada... como ele não reclamava acabaram se esquecendo da alta dele. Ele ficou lá internado umas duas semanas além do tempo que tinha sido preestabelecido.

Márcia
Márcia era branca, não era feia, mas a falta dos dentes da frente lhe estragava a aparência. Ela buscava mostrar firmeza, mas não se acostumava a idéia de ter sido internada: “me colocaram aqui por engano, eu não sou doida para ter que ficar junto com esses malucos.”, dizia ela às psicólogas, chorando.

Paulo e Ricardo
Paulo e Ricardo eram amigos inseparáveis lá dentro. Conversavam sobre vários assuntos, filosofavam... No início Estêvão fantasiava que Ricardo fosse seu pai.

Dona Dolores
E de repente surgiu no Centro Psiquiátrico D. Pedro II uma senhora que avaliava todo mundo: “Você está bem mesmo, meu filho? Tem que ter fé em Deus, hein?” Ela ia avaliando os pacientes um a um, sempre falando de Deus e cantando: “♫Glória, glória e aleluia! Glória, glória e aleluia! Vencendo em Jesus!♫♫♫” era uma católica ferrenha que enchia os pacientes de esperança com mensagens da Santíssima Maria, mãe de Deus. Ela buscava levar mensagens de fé para vítimas da doença mental, como Estêvão. Ela dizia: “Não se preocupe. Você logo sairá daqui. É só ter fé na nossa mãe, Maria. Tem que se apegar a ela, mesmo.”

Ela seguia sempre com a mesma música e as mesmas mensagens cheias de encorajamento. “Eu estou aqui para levar a mensagem da Santa Maria para essa gente sofredora. Esse é meu trabalho. Eu vou visitando todos os hospitais, para ajudar as pessoas a vencer a doença.” Porém, quando conversava com uma estagiária, Estêvão veio a perguntar sobre a função de Dona Dolores: “Ora, ela está aqui se tratando, como você!”, respondeu a moça.

Explicação do capítulo 6 de OS CASARÕES


É fácil entender o objetivo deste capítulo. É mostrar os pacientes psiquiátricos como pessoas. Pacientes psiquiátricos como pessoas NORMAIS, e não como seres que agridem. O capítulo busca mostrar que os pacientes psiquiátricos são pessoas, e que não deliram o tempo todo, e que quando falam, na maioria da vezes, sabem o que dizem. Pois quando estão ruins mesmo sequer conseguem pronunciar as palavras direito.

Os pacientes psiquiátricos não são perigosos como alguns tentam fazer acreditar. Até existem pacientes psiquiátricos violentos, mas existem mais pessoas "NORMAIS" violentas que pacientes psiquiátricos. Isso é o que diz várias pesquisas.

O ser humano por si só é violento. E na verdade, nos pacientes psiquiátricos encontramos as pessoas menos violentas. Essa é a verdade.

Mas uma vez esse capítulo chama a atenção para a intolerância dos profissionais de saúde mental, que amarravam os pacientes psiquiátricos pelos motivos mais fúteis.

Aqueles profissionais de saúde mental não admitiam que os pacientes psiquiátricos os chateassem.

Naturalmente esses profissionais de saúde mental agiam assim por falta de preparo para lidar com pacientes psiquiátricos e POR FALTA DE FISCALIZAÇÃO.

O capítulo também fala da discriminação que alguns pacientes psiquiátricos têm contra si mesmos. Ao ponto de dizer "Eu não tinha que ficar aqui no meio desse bando de malucos." (Pois mesmo se tal pessoa não tivesse sido afetada com doença mental, ela deveria aprender a respeitar os pacientes psiquiátricos, principalmente por conviver com eles.)

E também chama a atenção para a indiferença de alguns familiares, maridos, namorados, etc. para com seus parentes, etc., os internando por própria conveniência, para não ter trabalho.

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