10.2.10

As violências e suas consequências absurdas

Um paciente psiquiátrico sem camisa bate com força contra um portão do hospício. Ele xinga. Quer chamar atenção para alguma coisa. Ou simplesmente provocar. Ele sai correndo e quando os carcereiros chegam, ou seja, quando os auxiliares de enfermagem chegam ele já fugiu.

Porém outra vez que ele bate no portão ele não é rápido o suficiente. Os auxiliares de enfermagem chegam, seguram-no e o levam para o castigo. Castigo, pois eles sabem que ele não está em crise. Está protestando.

E se estivesse em crise o mais certo seria levá-lo para o psiquiatra, ou para o enfermeiro chefe, que decidiria o que fazer para ajudar (e não para punir).

Qual é o castigo? A pessoa é amarrada na cama.

Um rapaz era amarrado com frequência como punição. Até que... ele passou a fazer algo que me arrepiava: toda vez que ele via algum dos outros pacientes psiquiátricos sendo amarrado ele pedia para ser amarrado também, com ciúme.

Ele chegava ao ponto de bater nas coisas, pedindo para ser amarrado.

__Amarra eu, tioooooo!!!!, ele gritava.

A cena de terror se alargava. Nada pior do que ver auxiliares de enfermagem amarrando pessoas com um sorriso no rosto de satisfação. Nada pior do que ver auxiliares de enfermagem disputando para ver quem tem o “prazer” de amarrar o paciente psiquiátrico.

Enfim, o que pude observar é que o hospício desenvolve comportamentos doentios, não apenas nos pacientes psiquiátricos, mas também nos profissionais que lá trabalham. Tratamentos fechados desenvolvem comportamentos doentios nas pessoas. Ao ponto de passarem a gostar de amarrar pessoas e de ser amarrado.

3 comentários:

  1. Uma paciente do Pinel me disse que teve um dia que ela estava em crise e um "policial" a segurou de um lado e um enfermeiro do outro.
    O "policial" disse:
    "-Vamos arrastar ela até o segundo andar."
    (pelas escadas)
    o enfermeiro respondeu:
    "-Você quer que eu perca o emprego?"

    Até hoje não entendo como é possível que um policial seja responsável por "conter" um paciente.
    Ela me contou chorando mas... sabe como é: "-É maluca. Esses malucos inventam muitas histórias."
    Isto é caso de direitos humanos.
    Lutar por jurisprudência mas isso nem sei se daqui há uns 50 anos será possível.
    Lutamos por uma causa que ninguém quer sequer ouvir falar pois, cá entre nós, todos morrem é de medo de um dia ficarem loucos.
    Como se já não fossem.

    ResponderExcluir
  2. Alguns faxineiros têm mais êxito com os internos do que enfermeiros e médicos.
    Eles têm mais simpatia e não tem disputa de poder.
    Uma moça que faz faxina no IPUB me disse que muitas vezes ela via que o paciente não estava em condições de ter alta e via o paciente voltar.
    A arrogância dos médicos e a insenbilidade de enfermeiros é assustadora.
    Os enfermeiros alegam que se não forem insensíveis ficam loucos também.
    Até acho que é complicado trabalhar em hospital psiquiátrico ainda mais do jeito que as coisas estão.
    Mas insensíveis a ponto de destratar paciente?
    É demais!
    A população do Rio está insensível a tudo.
    Muita ignorância para tudo o que é lugar.

    ResponderExcluir
  3. Obrigado por comentar, Ana.

    Realmente muitas vezes os faxineiros entendem mais os pacientes que os enfermeiros e psiquiatras.

    Deve ser porque eles CONVIVEM com os pacientes mais do que os enfermeiros e psiquiatras. Uma coisa que precisa ser mudada.

    Infelizmente o comportamento absurdo de um policial ou um bombeiro, ou um funcionário do SAMU diante de um paciente psiquiátrico não é de surpreender. A comunidade da psiquiatria desenhou um paciente psiquiátrico muito assustador. É de dar medo mesmo.

    Não consigo culpar nem os enfermeiros, nem os policiais, pois não foram preparados para lidar com tais situações. (Mas DEVERIAM ser preparados.)

    O mais chato é que esses enfermeiros e similares não percebem que ELES ACABAM SE TORNANDO AS AMEAÇAS DA HISTÓRIA agindo desse jeito.

    Eles acabam virando os loucos que eles deveriam cuidar.

    ResponderExcluir

Eu sempre publicarei todo tipo de opinião e ponto de vista. que NÃO INFRINJAM AS LEIS DO MUNDO, nem as leis da Internet.

Não são toleradas ofensas a nenhuma das pessoas que comentam.

Links para blogs e sites que falem de saúde mental são bem vindos, desde que não sejam sites criados para vender psicotrópicos.

As informações dispostas aqui são CONFIRMADAS através de várias fontes. A qualidade obtida aqui não se consegue da noite para o dia, mas sim de uma experiência de VÁRIOS ANOS.

Portanto, se houver algo a ser corrigido aqui, publique nos comentários, mas COM PROVAS, como eu faço.

Algumas pessoas, ao tomar medicações psiquiátricas ou drogas ilícitas, não sofrem efeitos adversos significativos (como vemos algumas pessoas que fumam a vida toda e morrem de velhice.) Portanto verei como normal algumas pessoas dizerem que nunca sentiram nenhum efeito colateral ao tomar determinado psicotrópico.

Mas qualquer indivíduo que escrever algo contra as informações técnicas mostradas aqui deve PROVAR IMEDIATAMENTE na mesma mensagem, do contrário terei que deletar.

Se quiser me contatar pode ser através de um comentário.

This web site is mostly about human rights, health, music and curious videos from Youtube. If you have any of these your contribution is most welcome.

Links to web sites that sell MEDICATION ARE UNWELCOME.

But if your site is interesting and useful just submit the address, WITHOUT ANY EXTRA ELECTRONIC LANGUAGE, such as HTML or the like. Example, http://pacientepsiquiatrico.com is OK, is accepted. But [url="http://pacientepsiquiatrico.com"] would be considered spam, because of the extra electronic language [url. I'll check it out and link to it if I approve it. Thank you